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2010 2011 2012 2013 2014 2015 Saldo Orçamental

OE2011 (outubro 2010) -7.3 -4.6 - - - - PAEF (maio 2011) -9.1 -5.9 -4.5 -3.0 -2.3 -1.9 DEO (setembro 2011) -9.1 -5.9 -4.5 -3.0 -1.8 -0.5 PDE (setembro 2011) -9.8 -5.9 - - - - Dívida Pública OE2011 (outubro 2010) 82.4 86.6 - - - - PAEF (maio 2011) 93.0 101.7 107.4 108.6 107.6 105.7 DEO (setembro 2011) 93.0 100.8 106.1 106.8 105.0 101.8 PDE (setembro 2011) 93.3 100.8 - - - -

Fontes: Comissão Europeia (“The Economic Adjustment Programme for Portugal”, Occasional Paper No. 79, junho de 2011), INE e Ministério das Finanças.

Notas: OE2011 - Orçamento do Estado para 2011; PAEF - Programa de Assistência Económica e Financeira; DEO - Documento de Estratégia Orçamental; PDE - Procedimento dos Défi ces Excessivos.

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A notifi cação de setembro do Procedimento dos Défi ces Excessivos incorporou uma nova modifi cação dos valores do défi ce e da dívida das administrações públicas para o período de 2008 a 2010. Esta revisão resultou da identifi cação de um conjunto de dívidas contraídas desde 2004 pelas administrações e empresas públicas da Madeira que, tal como referido na nota de imprensa emitida conjuntamente pelo Banco de Portugal e o Instituto Nacional de Estatística no início de setembro, não foram atempadamente comunicadas às autoridades estatísticas nacionais12. Os valores agora apurados para o défi ce e a dívida das administrações públicas em 2010 correspondem, respetivamente, a 9.8 e 93.3 por cento do PIB.

O processo de ajustamento da economia portuguesa inclui um conjunto alargado de medidas de consolidação orçamental, enquadradas pelo Programa de Assistência Económica e

Financeira

O OE2011 fi xou os objetivos ofi ciais para o défi ce e a dívida das administrações públicas em 2011 em 4.6 e 86.6 por cento do PIB, respetivamente. Na sequência do pedido de assistência fi nanceira foram defi nidos novos objetivos, que tiveram em conta as revisões dos resultados orçamentais de anos anteriores, em particular o alargamento do perímetro de consolidação das administrações públicas, e incorporaram perspetivas menos favoráveis relativamente ao cenário macroeconómico. De facto, as metas acordadas no âmbito do Programa representaram uma revisão em alta dos objetivos estabelecidos no OE2011, para 5.9 por cento do PIB no caso do défi ce das administrações públicas e para 101.7 por cento, no caso do rácio da dívida pública. Para o efeito, a estratégia de consolidação apresentada no Memorando de Entendimento para 2011 baseou-se fundamentalmente na execução e no reforço das medidas constantes do OE2011, não tendo sido estipuladas medidas complementares signifi cativas.

Os compromissos assumidos pelas autoridades portuguesas são compatíveis com os objetivos de médio prazo do Pacto de Estabilidade e Crescimento e da Lei de Enquadramento Orçamental, recentemente revista. Assim, o Programa prevê a adoção de um vasto conjunto de medidas de consolidação orçamental. Do lado da receita, destacam-se os aumentos da tributação indireta e a redução de benefícios e isenções fi scais em sede de IRS, IRC e IMI. As medidas de diminuição da despesa deverão afetar a generalidade das rubricas, com particular ênfase nas despesas com pessoal e com prestações sociais. Está ainda prevista a redução das transferências para a administração local e regional e das despesas relacionadas com o Serviço Nacional de Saúde. O Programa prevê, ainda, a racionalização do Setor Empresarial do Estado e a aceleração do programa de privatizações. Estas medidas visam garantir uma melhoria gradual da posição orçamental das administrações públicas, apontando para a correção da situação de défi ce excessivo em 2013. Destaque-se que, não obstante a magnitude do programa de privatizações, prevê- -se que o rácio da dívida pública continue a registar uma trajetória ascendente até 2013, ano a partir do qual deverá diminuir.

No primeiro semestre de 2011 o crescimento da receita fi scal refl ete o impacto de medidas de consolidação em vigor desde meados de 2010 ou incluídas no Orçamento do Estado para 2011

De acordo com as Contas Nacionais Trimestrais, divulgadas pelo Instituto Nacional de Estatística no fi nal de setembro, a receita fi scal cresceu 3.7 por cento face ao mesmo período de 2010, refl etindo aumentos de 3.9 e 3.5 por cento nos impostos sobre o rendimento e sobre a produção e a importação, respetivamente (Quadro 4.2). Esta evolução foi, em ambos os casos, muito infl uenciada pelo impacto

12 Ver o comunicado do Instituto Nacional de Estatística e do Banco de Portugal de 16 de setembro de 2011,

disponível em http://www.bportugal.pt/pt-PT/OBancoeoEurosistema/ComunicadoseNotasdeInformacao/Lists/ FolderDeListaComLinks/Attachments/180/INE_BdP_RAM.pdf . BAN C O D E PO R TUGAL | BOLETIM ECONÓMICO • Outono 2011 48

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de medidas aprovadas em meados do ano passado ou no âmbito do OE201113. Destaque-se que a execução da receita fi scal no primeiro semestre evidencia um crescimento ligeiramente inferior à esti- mativa apresentada no Documento de Estratégia Orçamental. De notar que a execução no segundo semestre benefi ciará da introdução de uma sobretaxa em sede de IRS e da antecipação do aumento da taxa de IVA sobre a eletricidade e o gás (medidas anunciadas já depois de meados do ano), bem como da evolução favorável dos pagamentos por conta no IRC. Em contrapartida, o impacto das medidas em vigor desde meados de 2010 deixará de infl uenciar a taxa de variação da coleta dos impostos. Na perspetiva do conjunto do ano, persistem alguns riscos, associados à evolução da atividade económica, com particular ênfase no consumo privado.

13 No que se refere à tributação do rendimento, recorde-se que em junho de 2010 ocorreu um agravamento das

taxas marginais aplicáveis aos diversos escalões de IRS e foi introduzido um novo escalão referente a rendimen- tos superiores a 150 mil euros. Adicionalmente, foi ainda introduzida uma sobretaxa de IRC aplicável aos lucros superiores a 2 milhões de euros. No caso da receita de impostos sobre a produção e a importação, o aumento observado tem sido suportado pelo comportamento da coleta do IVA, explicado no essencial pelos aumentos das taxas que tiveram lugar no verão de 2010 e em janeiro de 2011.

Quadro 4.2

CONTA DAS ADMINISTRAÇÕES PÚBLICAS(a) |