Por aplicar sanções, diz-se que estamos diante do direito administrativo sancionatório. Por conta disso, muitos confundem inclusive com ação penal (diferença, aqui as sanções são de natureza penal).
Observações:
1) As sanções do art. 12 não são obrigatoriamente cumulativas.
Art. 12. Independentemente das sanções penais, civis e administrativas previstas na legislação específica, está o responsável pelo ato de improbidade sujeito às seguintes cominações, que podem ser aplicadas isolada ou cumulativamente, de acordo com a gravidade do fato:...
I - na hipótese do art. 9° (enriquecimento ilícito), perda dos bens ou valores acrescidos ilicitamente ao patrimônio, ressarcimento integral do dano, quando houver, perda da função pública, suspensão dos direitos políticos de oito a dez anos, pagamento de multa civil de até TRÊS vezes o valor do ACRÉSCIMO PATRIMONIAL e proibição de contratar com o Poder Público ou receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios, direta ou indiretamente, ainda que por intermédio de pessoa jurídica da qual seja sócio majoritário, pelo prazo de dez anos;
II - na hipótese do art. 10 (dano ao erário), ressarcimento integral do dano, perda dos bens ou valores acrescidos ilicitamente ao patrimônio (aplica-se ao terceiro), se concorrer esta circunstância, perda da função pública, suspensão dos direitos políticos de cinco a oito anos, pagamento de multa civil de até DUAS vezes o VALOR DO DANO e proibição de contratar com o Poder Público ou receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios, direta ou indiretamente, ainda que por intermédio de pessoa jurídica da qual seja sócio majoritário, pelo prazo de cinco anos;
III - na hipótese do art. 11 (violação a princípio), ressarcimento integral do dano (aplica-se a terceiros), se houver, perda da função pública, suspensão dos direitos políticos de três a cinco anos, pagamento de multa civil de até CEM VEZES O VALOR DA REMUNERAÇÃO PERCEBIDA PELO AGENTE e proibição de contratar com o Poder Público ou receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios, direta ou indiretamente, ainda que por intermédio de pessoa jurídica da qual seja sócio majoritário, pelo prazo de três anos.
Parágrafo único. Na fixação das penas previstas nesta lei o juiz levará em conta a extensão do dano causado, assim como o proveito patrimonial
2. Não cumulatividade dessas sanções, baseado no princípio da proporcionalidade. Há uma dupla gradação, a primeira feita pelo legislador e a segunda feita pelo juiz. É pacifico na jurisprudência;
3. Perda do cargo público – existe um dispositivo na LIA (art. 20) que estabelece a perda do cargo só ocorrerá após o trânsito em julgado da sentença condenatória.
Art. 20. A perda da função pública e a suspensão dos direitos políticos só se efetivam com o trânsito em julgado da sentença condenatória.
# A perda do cargo só se aplica ao cargo que era ocupado ao tempo da improbidade ou a qualquer cargo ocupado pelo agente?
Há precedentes (TJ e TRF) no sentido de que a pena se aplica ao cargo do momento do trânsito em julgado.
Há uma hipótese em que o indivíduo pode ser afastado do cargo provisoriamente.
Art. 20, Parágrafo único. A autoridade judicial ou administrativa competente poderá determinar o afastamento do agente público do exercício do cargo, emprego ou função, sem prejuízo da remuneração, quando a medida se fizer necessária à instrução processual. (natureza cautelar)
Se o administrador estiver atrapalhando a investigação pode ser afastado, cautelarmente, para que não atrapalhe as investigações.
De acordo com a jurisprudência pacifica do STJ, esta medida é da mais absoluta exceção.
Não comparar com o art. 312, CPP (hipóteses de decretação da prisão preventiva)
ENRIQUECIMENTO ILÍCITO
DANO AO ERÁRIO VIOLAÇÃO DE
PRINCÍPIO Perda de bens e valores
acrescidos ilicitamente
SIM. Em desfavor do agente e talvez do terceiro.
SIM, se houver, sempre será em desfavor do
terceiro.
NÃO.
Ressarcimento integral do dano
SIM, se houver dano. Em desfavor do agente e do
terceiro.
SIM, em desfavor do agente e do terceiro.
SIM, se houver dano pelo terceiro.
Perda da função p ública SIM. SIM. SIM.
Suspensão dos direitos políticos
08 a 10 anos 05 a 08 anos 03 a 05 anos
Multa civil ATÉ 3x o valor do
enriquecimento.
ATÉ 2x o valor do dano. ATÉ 100x a remuneração mensal
do agente. Proibição de contratar e
receber b enefícios
4. Pena de suspensão dos direitos políticos – não pode votar e nem ser votado. Também, de acordo com o art. 20, da LIA, esta pena só se efetiva com o trânsito em julgado.
5. Mitigação desses efeitos pelo advento da LC 135/10 (lei da ficha limpa), que deu nova redação ao art. 1º, l, da LC 64/90.
Art. 1º, (...), l) os que forem condenados à suspensão dos direitos políticos, em decisão transitada em julgado ou proferida por órgão judicial colegiado, por ato doloso de improbidade administrativa que importe lesão ao patrimônio público (art. 10, LIA) e enriquecimento ilícito (art. 9º, LIA), desde a condenação ou o trânsito em julgado até o transcurso do prazo de 8 (oito) anos após o cumprimento da pena;
De acordo com Lei de Ficha Limpa, caso o agente seja condenado em 2ª instancia (colegiadamente) à suspensão dos direitos políticos por ato doloso, conforme art. 9º ou art. 10, da LIA, automaticamente, estará inelegível, embora ainda se preservem os seus direitos políticos para votar e propor ação popular. Portanto, a lei de ficha limpa não antecipou a pena de suspensão dos direitos políticos, mas mutilou antecipadamente o seu exercício (inelegibilidade).
Art. 1º São inelegíveis: I - para qualquer cargo: ...
l) os que forem condenados à suspensão dos direitos políticos, em decisão transitada em julgado ou proferida por órgão judicial colegiado, por ato doloso de improbidade administrativa que importe lesão ao patrimônio público e enriquecimento ilícito, desde a condenação ou o trânsito em julgado até o transcurso do prazo de 8 (oito) anos após o cumprimento da
pena;