Anexo 5 – Organograma
5. ANÁLISE DOS PMGIRS E PMSB
5.1. Contexto nacional
5.2.7 Santa Cruz das Palmeiras
O plano municipal de gestão integrada de resíduos sólidos de Santa Cruz das Palmeiras/SP foi elaborado no ano de 2014 e, apesar de não evidenciar, o documento sugere que tenha sido feito pela Fundação para o Incremento da Pesquisa e do Aperfeiçoamento Industrial14. Ademais, o plano possui algumas menções à cidade de Araraquara/SP, sugerindo
um possível descuido no momento de revisão do plano de Santa Cruz das Palmeiras ou a utilização do PMGIRS de Araraquara como base teórica e de conteúdo.
O primeiro passo do PMGIRS foi demonstrar quais os princípios legais e as diretrizes que seriam utilizados na realização do diagnóstico e construção dos proposições para a gestão adequada dos resíduos do município. Como normas, o plano utilizou o Art. 19º da Política Nacional de Resíduos Sólidos, a Lei de Saneamento Básico, Lei de Parcerias Público-Privada, Lei de Consórcio Públicos, Saneamento Básico e Estatuto das Cidades. Já como aspecto orientador, o plano municipal buscou garantir a gestão e gerenciamento dos resíduos sólidos observando a ordem se prioridade como não geração, redução, reutilização, reciclagem, tratamento e disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos.
Como diagnóstico, o plano municipal (SANTA CRUZ DAS PALMEIRAS, 2014a, p. 41) descreveu os resíduos produzidos no município como oriundos de estabelecimentos comerciais e prestadores de serviços, sólidos urbanos (divididos em domiciliares e limpeza urbana), provenientes dos serviços de saneamento básico, transportes, construção civil, industriais, saúde, agricultura e pecuária e mineração. Desses resíduos, são coletadas 22 toneladas dia de resíduos domiciliares e 0,227 toneladas dias de limpeza urbana.
14 Com sede em São Carlos/SP, a Fundação tem por objetivo colaborar com institutos educacionais,
universidades e instituições públicas e privadas em programa de desenvolvimento tecnológico a serem estabelecidos em colaboração com o Campus de São Calos da Universidade de São Paulo (FIPAI, 2018).
66 Posteriormente à geração, o PMGIRS distribui as responsabilidades sob cada resíduo, destacando a prefeitura municipal como responsável pelos sólidos urbano e dos provenientes dos serviços de saneamento básico. Ademais, alega que há responsabilidade compartilhada entre o ente municipal e os geradores privados para com os resíduos da construção civil e dos produzidos nas atividades comerciais e de serviços no município.
Tomando por foco o sistema de coleta regular, o plano municipal demonstra que os resíduos domiciliares são recolhidos pela Prefeitura Municipal, com uma equipe formada por 9 servidores e 3 veículos com capacidade para oito toneladas cada. A coleta é realizada diariamente, porém abrangendo somente a área urbana do município. Em Santa Cruz das Palmeiras não existe estação de transbordo, sendo, portanto, todos os resíduos destinados ao aterro sanitário em valas localizadas na zona rural (SANTA CRUZ DAS PALMEIRAS, 2014b, p. 56). Além disso, o município não possui nenhum sistema organizado para coleta de resíduos recicláveis, atuando, neste setor, somente alguns catadores informais. Apesar disto, o município já possui um caminhão gaiola, uma prensa e um barracão, pleiteando, futuramente, a implantação de um programa de coleta seletiva.
Quanto aos resíduos da construção civil, a coleta é realizada, inteiramente, por três empresas privadas, sendo que uma delas envolve catadores no sistema de triagem. Há previsão da instalação de ecopontos no município, mas o plano não retrata quem será o responsável por tal ato ou qual o prazo para esta ação. Já quanto aos resíduos de limpeza urbana, a coleta é realizada pela prefeitura municipal, envolvendo 21 servidores públicos. Porém, como ocorre com os resíduos domiciliares, a destinação é feita unicamente para o aterro da cidade, sem nenhum processo de triagem ou separação dos resíduos orgânicos para, por exemplo, introdução de um sistema de compostagem.
Neste contexto, o plano é claro ao propor a instituição de uma solução consorciada ou compartilhada na área da gestão dos resíduos sólidos, afirmando que:
Buscar soluções consorciadas ou compartilhadas com municípios pertencentes à bacia de Mogi-Guaçu (UGRHI-9) ou bacias vizinhas, considerando, critérios econômico-financeiros, proximidade dos locais estabelecidos e as formas de prevenção de riscos ambientais. A Associação dos Prefeitos da Região Central do Estado de São Paulo (APREC) vê como necessidade premente ações integradas de âmbito regional para solucionar questões relativas a resíduos sólidos. É consenso entre os integrantes da associação que soluções consorciadas, ou pelo menos conjuntas entre municípios, são a única forma de viabilizar financeiramente as medidas e os investimentos que precisam ser realizados pelas administrações na gestão de resíduos sólidos, uma vez que os tipos de problemas nessa área são comuns a todas as cidades, havendo alteração somente na escala ou proporção em que se apresentam. Compartilhar soluções significa quase sempre diminuir custos.
67 Cabe, portanto, aos chefes do poder executivo de cada cidade encabeçar as discussões político-administrativas que resultem em projetos de soluções consorciadas, ou conjuntas entre municípios. (SANTA CRUZ DAS PALMEIRAS, 2014c, p. 59)
Ademais, o plano municipal afirma que a unificação dos serviços a cargo de um único prestador, no caso o consórcio, propiciaria ganho de eficiência, através da redução de despesas, maior aproveitamento de pessoal, diminuição de retrabalho e distorção de dados e, por fim, o aumento da quantidade em massa de material coletado em relação à população indicaria ganho de eficácia em razão da eficiência do trabalho executado.
A Figura 2 representa a cadeia para gestão adequada dos resíduos sólidos proposta pelo município de Santa Cruz das Palmeiras.
Figura 2 - Procedimentos para não geração, redução, reutilização, reciclagem e recuperação energética dos resíduos domiciliares – coleta seletiva e coleta diferenciada
Fonte: SANTA CRUZ DAS PALMEIRAS, 2014d, p. 149).