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CAPÍTULO 5: ESTUDOS DE CASOS

5.2. SANTA ROSA AUTO POSTO LTDA

5.2.1. CARACTERÍSTICAS GERAIS E ASPECTOS DO ENTORNO.

O empreendimento Santa Rosa Auto Posto Ltda. localiza-se à Avenida Sebastião de Brito nº 330, Bairro Santa Rosa, Belo Horizonte/MG (Figura 5.9), ocupando uma área de aproximadamente 1.500 m². Ele funcionou por mais de 20 anos, inicialmente sob a bandeira Shell e, posteriormente, em 2001, pela bandeira ALLE, sendo que atualmente encontra-se desativado.

A topografia da região é acidentada, sendo que o posto situa-se em uma área plana próxima a um aclive.

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Figura 5.9. Localização do Posto Santa Rosa (Google, imagem 2009).

As áreas de abastecimento, armazenamento de combustíveis e lavagem de veículos do posto possuem pavimentação asfáltica e canaletas de drenagem, que direcionavam o efluente coletado para a caixa separadora de água e óleo (CSAO). Após este tratamento, o efluente era direcionado para a rede pública de coletora de esgoto.

A troca de óleo era realizada em área pavimentada em cerâmica (Figura 5.10). O óleo usado era armazenado em tambores, e posteriormente recolhido pela indústria de refino de óleo lubrificante Lwart (HAZTEC, 2005).

O sistema de armazenamento subterrâneo de combustível (SASC) era formado por 02 (dois) tanques de 15m3 e 30m3 de capacidade, cada, que atualmente também estão desativados. O controle de estoque era realizado através de medições com régua graduada (HAZTEC, 2005).

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Figura 5.10. Vista da Área de Troca de Óleo do Posto Santa Rosa, Foto 10 de abril de 2011.

5.2.2. HISTÓRICO DAS AÇÕES AMBIENTAIS.

Visando atender às normas ambientais vigentes (CONAMA 273/2000), o empreendimento começou a reforma para adequação de suas estruturas em 2005, sendo que na execução das trocas dos tanques foi observado que a água subterrânea encontrava-se impactada por hidrocarbonetos.

Foram então iniciados estudos para delimitação da pluma de fase dissolvida e análise de risco, nos termos da Deliberação Normativa 32/2000 do Conselho Municipal de Meio Ambiente – COMAM.

Sendo assim, foi instaurado um Inquérito Policial nº 33/05 para apuração eventual do crime de poluição hídrica, na qual o empreendedor foi submetido a um TAC e à obrigação de diversos estudos, conforme o processo MPMG 353/2004 (Tabela 5.7).

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Tabela 5.7. Principais Eventos Históricos no Processo Administrativo nº 353/2004 – Ministério Público de Minas Gerais.

Evento Data Cronológica

Convocação do empreendimento a iniciar seu processo de

licenciamento, através da Portaria nº 353/04. 25/08/2004 Relatório de acompanhamento da troca de tanques pelo

SMMAS. 30/03/2005

Instalação de inquérito Policial nº 33/05 para apuração eventual

do crime de poluição hídrica. 06/05/2005

Solicitação ao Departamento de Registro e Controle Policial para realização de vistoria no empreendimento.

29/06/2005

Vistoria realizada pelo Departamento de Registro e Controle Policial, na qual se constatou que nos exames macroscópicos realizados não foi verificado nenhum dano ambiental

proveniente das atividades desenvolvidas.

08/08/2005

Realização da Investigação Ambiental do solo e das águas subterrâneas e Análise de Risco RBCA Tier2 no Posto Santa Rosa pela empresa Haztec.

2 e 3/06/2005

Assinatura do primeiro Termo de Ajustamento de Conduta para a obtenção de Licenciamento Ambiental para a atividade até março de 2007.

13/11/2006

Execução de mais um monitoramento das águas subterrâneas na

área em estudo pela empresa Ambiental Brasil Tecnologia. 05/12/2006 Emitida mais uma notificação ao empreendedor para

comparecer na Promotoria de Defesa do Ministério Público para tratar das pendências existentes quanto ao processo de regularização ambiental e firmar o aditivo do Termo de Ajustamento de Conduta.

24/05/2007

Reunião na promotoria, que decidiu pela permanência do TAC, em todas as suas cláusulas. Há acordo sobre a dispensa do processo de remediação, exigindo-se somente o compromisso

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da empresa em iniciar um programa de monitoramento das águas a cada 6 meses.

Os estudos realizados na área do empreendimento para diagnosticar o grau de contaminação e realizar as medidas necessárias para a atenuação se dividiram em duas etapas: primeiramente tratou-se das atividades de investigações ambientais; posteriormente foram instalados os sistemas de monitoramento, conforme pode ser visto na Tabela 5.8.

Tabela 5.8. Principais Etapas e Estudos Realizados no Posto Santa Rosa.

Etapas Estudos Empresa Ano

Investigação Ambiental 1.1. Relatório de Investigação Ambiental Preliminar Tecnol Tecnologia Ambiental LTDA 2003 1.2. Relatório de Adequação

Ambiental (Troca de Tanques)

Ambiental

PETROCLEAN Ltda 2004 1.3. Investigação Ambiental do

Solo e das Águas Subterrâneas e Análise de Risco RBCA TIER 2

HAZTEC Tecnologia e Planejamento

Ambiental.

2005

Monitoramento

2.1. Monitoramento das Águas Subterrâneas Ambiental Brasil Tecnologia 2006 2.2. Instalação de um Poço de Monitoramento HAZTEC Tecnologia e Planejamento Ambiental S.A. 2007 2.3. Monitoramento das Águas

Subterrâneas 2008

2.4. 4º Relatório de

Monitoramento das Águas Subterrâneas

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5.2.3.CARACTERIZAÇÃOHIDROGEOTÉCNICA.

Para caracterização da geologia e monitoramento do local foram realizados 06 (seis) furos de sondagem (S-01 a S-06) com trado manual de 4” de diâmetro pela empresa HAZTEC, com profundidade máxima de 2,30m, num total de 13,8 metros perfurados. As sondagens S-01, S-02, S-03, S-05, S-06 foram executadas a jusante da área de abastecimento. A sondagem S-04 foi locada a montante destas áreas, conforme demonstrado na Figura 5.11. Convêm ressaltar que nestas sondagens foram instalados poços de monitoramento, sendo nomeado de PME-01 a PME-06.

Com base no perfil descritivo do material analisado ao longo da seção geológica A-A’, referente as sondagens dos poços PM-01 e PM-03 (Figura 5.12), observou-se um solo predominantemente argiloso de coloração vermelha, sobreposto pela cobertura de asfalto da pavimentação do empreendimento.

O levantamento planialtimétrico executado pela HAZTEC atribuiu cotas relativas para os poços de monitoramento supracitados, com exceção do PME-06, que foi introduzido posteriormente, e para as interferências encontradas na área do empreendimento.

As cargas hidráulicas foram calculadas subtraindo-se as profundidades do NA dos poços de monitoramento das respectivas cotas relativas corrigidas (Cc), sendo que as medidas foram lidas a partir da boca dos tubos. Com as cargas hidráulicas conhecidas, elaborou-se um mapa potenciométrico, determinando o sentido do fluxo das águas subterrâneas na área investigada.

Com base em dados de campo, pode-se afirmar que até a profundidade investigada de 2,30 metros há um único aquífero, de caráter livre. O nível médio do lençol freático local é de 0,86 metros. Na Tabela 5.11 encontram-se as medições do nível d'água e a cota da superfície dos poços de monitoramento.

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Figura 5.12. Seção Geológica A-A’ entre os poços PM-01 e PM-03 identificado na Figura 5.11, (adaptado de HAZTEC, 2006).

O levantamento planialtimétrico executado pela HAZTEC atribuiu cotas relativas para os poços de monitoramento supracitados, com exceção do PME-06, que foi introduzido posteriormente, e para as interferências encontradas na área do empreendimento.

As cargas hidráulicas foram calculadas subtraindo-se as profundidades do NA dos poços de monitoramento das respectivas cotas relativas corrigidas (Cc), sendo que as medidas foram lidas a partir da boca dos tubos. Com as cargas hidráulicas conhecidas, elaborou-se um mapa potenciométrico, determinando o sentido do fluxo das águas subterrâneas na área investigada.

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Com base em dados de campo, pode-se afirmar que até a profundidade investigada de 2,30 metros há um único aquífero, de caráter livre. O nível médio do lençol freático local é de 0,86 metros. Na Tabela 5.9 encontram-se as medições do nível d'água e a cota da superfície dos Poços de Monitoramento.

Tabela 5.9. Dados do Levantamento Planialtimétrico dos Poços de Monitoramento (PM) em 03/06/2005, sendo a leitura a partir da boca do poço, (HAZTEC, 2005).

Pontos Profundidade (m) Cota Corrigida NA (m) Nível d’água (m) Carga Hidráulica (m) (H=Cc-NA) S-01/PM-01 2,20 97,12 0,55 96,57 S-02/PM-02 2,00 95,81 1,23 95,58 S-03/PM-03 2,00 97,075 0,66 95,415 S-04/PM-04 2,30 99,06 1,14 97,92 S-05/PM-05 2,00 97,58 0,71 96,87

A Figura 5.13 apresenta o mapa potenciométrico, confeccionado a partir da interpolação dos dados de carga hidráulica da Tabela 5.11, indicando que o fluxo das águas subterrâneas na área do empreendimento desloca-se com sentido oeste para leste.

Foram obtidos parâmetros como massa específica, teor de umidade, matéria orgânica e porosidade total do solo local, sendo os ensaios realizados nos PM 02, conforme a Tabela 5.10.

Tabela 5.10. Parâmetros Físicos do Solo do Posto Santa Rosa, (Laboratório de Analise de Solos e Concretos LTDA, 2005).

Parâmetros Resultados

Massa Especifica dos Grãos (g/cm3) 2,715

Massa Específica Aparente Úmida (g/cm3) 1,727 Massa Específica Aparente Seca (g/cm3) 1,478

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Matéria Orgânica (%) 0,5

Porosidade Total (%) 45,54

Condutividade Hidráulica (cm/s) 3,37x 10-4

* Porosidade Efetiva Estimada (%) 7,0

Gradiente Hidráulico (%) 5,89

**Velocidade das águas subterrâneas 8,94 m/ano.

*Valor estimado, extraído do FETTER (1994) para argila.

** Valor calculado através dos poços de monitoramento PM-05 (96,87m) e do PM-02 (95,58m), admitindo-se entre os dois uma distância de 21,9m, com um gradiente hidráulico (i) de 5,89%

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5.2.4.INVESTIGAÇÕESDACONTAMINAÇÃO.

A fim de investigar a contaminação na área do empreendimento foi realizada pela Tecnol leituras diretas de COV no solo nas profundidades de 0,5m, 1,0m e 1,5m, em 13 (treze) furos de sondagem (FS01 a FS13) a trado manual. Essa malha foi disposta de forma a cobrir toda área de interesse.

De posse desses resultados foi possível descrever as curvas de isoconcentração de COV para as profundidades citadas, conforme mostram as Figuras 5.14, 5.15 e 5.16.

A análise destas curvas mostraram que os furos de sondagem FS03, FS04 localizados próximo às bombas de abastecimento, e o furo de sondagem FS08, locado ao lado do tanque subterrâneo de armazenamento número um (Tq1), apresentaram leituras acima dos valores médios observados nos outros furos de sondagem, porém tais valores encontram-se dentro do limite de referência < 1.000 ppm (VROM, 1994).

Já no relatório de adequação ambiental foi possível detectar nas amostras de água subterrânea, uma contaminação por compostos BTEX na água, a 1,0m de profundidade. Através destes resultados foi realizada uma análise de risco nos moldes RBCA (Risk-

Based Corrective Action), segundo as normas ASTM E-1739/1995 e ASTM PS-104/98.

Esta opção do programa fornece as concentrações máximas aceitáveis SSTL (Tabela 5.11) de cada parâmetro para que não haja risco imediato à saúde humana.

A comparação entre as concentrações representativas (maiores concentrações de cada parâmetro obtidas nos resultados analíticos) e os valores SSTL calculados para o solo e para água subterrânea não indicaram a presença de risco à saúde humana nos pontos investigados. Contudo, a presença de hidrocarbonetos em fase livre no poço de monitoramento PM-01 configura risco iminente à saúde humana, sendo necessárias ações de intervenção imediata.

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Tabela 5.11. SSTL Calculados dos Compostos no Solo e nas Águas Subterrâneas. (HAZTEC, 2005).

Compostos

SSTL (ug/L)

ÁGUA SUBTERRÂNEA SOLO

Inalação de Vapores para Ambientes Fechados Consumo água Subterrânea Inalação de Vapores em Ambientes Fechados Benzeno 0,35 0,1 30 Tolueno 37 20 38 Etilbenzeno 85 10 31 Xilenos >198 >198 52000 Naftaleno >31 >31 89000 Fenantreno NC >2 >20000 Antraceno NC >0,045 >604 Fluoranteno NC >0,206 >7.440 Criseno 0,018 0,0018 6,7 Benzo(a)antraceno 0,0057 0,004 11 Benzo(k)fluoranteno 0,0043 0,0043 120 Benzo(a)pireno 0,0016 0,0004 1,1 Indeno(1,2,3,c,d) pireno 0,062 0,004 11 Benzo(g,h,i) perileno NC >0,0007 >1.054 NC: Não Calculado

5.2.5.AÇÕESDEREMEDIAÇÃOEMONITORAMENTO.

Diante dos resultados apresentados nos estudos dos itens 5.2.2 e 5.2.4. , demonstrando a presença de hidrocarbonetos em fase livre, foram realizadas campanhas de monitoramento das águas subterrâneas nos 06 (seis) poços no entorno do

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empreendimento apresentados na Figura 5.11, visando implementar medida mitigatórias.

Durante o serviço de amostragem não foi verificada a existência de hidrocarbonetos em fase livre nos poços de monitoramento instalados. Já em relação aos resultados das amostras de água subterrânea, todas apresentaram concentrações abaixo dos SSTL e dos limites de detecção analíticos.

Resumidamente, fazendo uma comparação com os monitoramentos realizados, verificou-se que as amostras dos poços PM-01 ao PM-04, desde a primeira campanha, apresentaram concentrações para o parâmetro BTEX sempre abaixo dos limites de detecção analíticos. Quanto ao parâmetro PAH, apenas na quarta campanha os poços PM-02 e PM-03 apresentaram concentrações de naftaleno, entretanto abaixo do SSTL aplicáveis, e os demais compostos ficaram abaixo dos limites de detecção analíticos.

O poço PM-05, na primeira campanha, apresentou concentrações para os compostos xilenos e naftaleno, abaixo dos SSTL aplicáveis calculados para a área. Na segunda campanha, apresentou um decréscimo na concentração do composto naftaleno e não alterou para o composto xileno. Na terceira campanha apresentou um decréscimo na concentração do composto xileno, e em relação ao naftaleno um acréscimo em sua concentração, ficando abaixo dos SSTL. Já na quarta campanha, o resultado analítico demostrou concentrações de benzeno, xileno e naftaleno abaixo dos SSTL, apesar de haver um acréscimo nas concentrações dos compostos em relação à campanha anterior.

O poço PM-06, na primeira campanha, apresentou concentração para o composto naftaleno abaixo dos SSTL calculados para a área. Na segunda campanha apresentou um decréscimo na concentração do composto naftaleno, mantendo-se na terceira e quarta.

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