ÁREAS DE ESTUDO
4.2 Distrito de Setúbal
4.2.2 Santiago do Cacém
a. Localização
Santiago do Cacém é uma cidade do distrito de Setúbal, região do Alentejo e subregião do Alentejo Litoral, com uma população residente de 6568 habitantes. É sede de um dos maiores municípios de Portugal, com 1058,62 km² de área e 31105 habitantes (2001), subdividido em 11 freguesias. O município é limitado a norte pelo termo de Grândola, a nordeste por Ferreira do Alentejo, a leste por Aljustrel, a sul por Ourique e Odemira e a oeste por Sines e tem litoral no oceano Atlântico. É o único município de todo o Alentejo que contém 2 cidades dentro do seu termo.
b. Geologia
Sob o ponto de vista geomorfológico a área do concelho de Santiago do Cacém pode-se dividir em três unidades distintas: a zona montanhosa; a planície litoral e a planície do Vale do Sado (Programa Rede Social, 2002).
Na zona montanhosa, as serras de Grândola e Cercal constituem uma espécie de Charneira de orientação quase uniforme fazendo a divisão das outras unidades, com inclinações diferenciadas; A zona litoral é aplanada e baixa, na parte noroeste do Concelho, dando mesmo lugar à formação de lagoas, devido à existência de um cordão de dunas e areias
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de praia junto ao litoral. A área do concelho nesta planície é reduzida e a planície do Vale do
Sado é uma zona aplanada com ligeiras ondulações, dissecada pela rede hidrográfica,
constituída pelo rio Sado e seus afluentes. A forma do relevo está associada quase sempre às formações xistosas subjacentes, que apresentam em geral relevos arredondados. Quanto ao relevo pode-se observar que as freguesias situadas perto das cumeadas têm o terreno acidentado, o solo é argiloso, calcário ou xistoso, nomeadamente as freguesias de: Santiago do Cacém, São Francisco, Santa Cruz, São Bartolomeu da Serra e parte de Abela e Cercal do Alentejo. São planícies, ou ligeiramente onduladas com solo arenoso as freguesias de Alvalade, Ermidas do Sado, São Domingos, Cercal e Santo André. As maiores elevações encontram-se na serra do Cercal com 364 metros de altitude, nas serras do Martinel e da Senhora do Livramento situadas na freguesia de São Francisco. Ao nível das depressões, existem numerosos vales e várzeas no concelho (Programa Rede Social, 2002).
A área estudada situa-se na região litoral do Baixo Alentejo. Está representada na carta geológica de Portugal (Folha 42-C Santiago do Cacém), dos Serviços Geológicos de Portugal (Inverno, Manuppella, Zbyszewski, Pais & Ribeiro, 1993). Na Carta Biogeográfica de Portugal, Santiago do Cacém está situado no Superdistrito Serrano-Monchique, que é um território constituído pela Serra síenitica de Monchique e serras xistosas (também quartzíticas e metavulcaníticas) e graníticas, em geral de baixa ou média altitude (Grândola, Cercal, S. Luís, Espinhaço de Cão, Caldeirão) (Costa et al, 1998).
c. Cobertura Vegetal
O coberto vegetal é essencialmente dominado por espécies florestais como Pinus pinaster e Eucalyptus globulus. Porém, em alguns locais, ocupando extensões consideráveis, podem ainda encontrar-se outras espécies, tal como: Quercus suber, Olea europaea, Arbutus unedo e Pinus pinea em estruturas de tipo montado, matagais e mato (Carvalho, Figueira, Jones, Sérgio & Sim-Sim, 2002).
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4.2.3 Praia do Porto das Carretas – St. André (Santiago do Cacém)
a. Localização
Localizada no concelho de Santiago do Cacém, distrito de Setúbal, também designada por Praia da Vacaria.
b. Geologia
No que respeita à Geologia, a Praia do Porto das Carretas (St. André) na Carta Biogeográfica de Portugal, pertence ao Superdistrito Costeiro Vicentino que é caracterizado por ser um território silicioso, constituído por areias (charnecas) e xistos, com a excepção da Carrapateira que é calcícola, situado entre Melides e os calcários da Península de Sagres. Situa-se também nesta unidade uma grande área de dunas consolidadas e dunas fósseis sobre xistos (Costa et al, 1998).
c. Cobertura vegetal
Na zona do limite superior da maré do sistema dunar a flora é exclusivamente constituída por espécies anuais, devido à perturbação sazonal a que está sujeita - a maré. No entanto, a deposição de detritos orgânicos transportados pela maré gera um manancial de nutrientes que é explorado por estas espécies para obterem uma rápida produção de biomassa. Devido à sua tolerância à salinidade do substrato e à sua necessidade destes nutrientes, estas plantas dizem-se halonitrófilas e são geralmente plantas suculentas de crescimento rápido. Das espécies mais frequentes citam-se Cakile maritima (eruca-marítima) e Salsola kali, mais raramente aparecendo Euphorbia peplis (Biologia no Verão, 2010).
A flora que compõe a duna embrionária é ligeiramente mais rica, sendo maioritariamente de espécies perenes, apesar da instabilidade do meio. Consiste basicamente em colónias de Elymus farctus, Polygonum maritimum, Euphorbia paralias, Medicago marina, Otanthus maritimus e muito raramente Glaucium flavum (papoila-das-areias). É uma
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zona muito instável pelo que estas plantas têm de lidar frequentemente com o soterramento, além de terem de suportar os efeitos da salidade.
A duna primária é uma etapa mais evoluída da embrionária, com uma flora semelhante, mas mais rica devido à menor hostilidade. Tipicamente a planta que domina é Ammophila arenaria (estorno), um elemento importantíssimo para a fixação da areia e a estabilização das dunas, que forma geralmente tufos altaneiros. Elymus farctus está aqui ausente. Outras espécies podem ser encontradas, todas elas adaptadas a este ambiente em constante mudança: Eryngium maritimum (cardo-rolador), Calystegia soldanella, Armeria pungens, Euphorbia paralias, Otanthus maritimus (cordeirinho-das-praias), Pancratium maritimum (narciso-das-areias), Lotus creticus, Silene littorea, Malcolmia littorea e Herniaria maritima. Em Santo André, a duna primária não está individualizada, correspondendo ao talude da duna secundária, ou por vezes estando ausente e havendo um intermédio entre esta e a duna secundária (Biologia no Verão, 2010).
A duna secundária apresenta uma vegetação bastante característica, onde moitas compactas de espécies arbustivas de maior porte alternam com áreas despidas de vegetação (nos locais mais expostos ao vento) ou com um coberto baixo e esparso de herbáceas e subarbustos (em locais mais abrigados). Tipicamente em Portugal a duna secundária integra duas espécies estruturantes, entre várias outras dependentes do sistema em causa: Corema album (camarinha) e Juniperus phoenicea (zimbro-das-areias), que são aquelas de maior porte que constituem as moitas. No caso de Santo André são também frequentes Artemisia crithmifolia (artemísia) e pontualmente algumas espécies das areias pós-dunares.
Ao nível de pequenos subarbustos e herbáceas, regista-se em Santo André a presença frequente de Helichrysum picardii (perpétua-das-areias), Iberis procumbens, Thymus carnosus, Sedum sediforme, Armeria pungens, Anagallis monelli, Linaria lamarckii e Linaria ficalhoana.
As areias depositadas para o interior, para trás da duna secundária, são revestidas por um coberto vegetal mais ou menos contínuo, composto por pequenos arbustos bem adaptados à secura mas que são incapazes de combater a instabilidade do solo e de sobreviver às condições mais rigorosas da duna secundária, como a salinidade que é praticamente nula. As condições menos hostis permitem o maior desenvolvimento desta vegetação em relação à
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duna secundária, podendo até apresentar uma cobertura arbórea de pinheiro-bravo. Dos arbustos destacam-se Stauracanthus spectabilis (tojo-espectacular), Lavandula sampaiana (rosmaninho), Helichrysum picardii, Santolina impressa, Halimium calycinum e Thymus camphoratus, pela sua dominância (Biologia no Verão, 2010).
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MÉTODOS
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