Desde sua instituição em 1996, o SARESP passou por modificações em seu funcionamento, as quais apresentaremos brevemente neste capítulo.
A Resolução SE nº 27 de 29 de março de 1996 é o dispositivo legal que dispõe sobre o SARESP e traz em seus “considerandos”:
- a necessidade de estabelecer uma política de avaliação de rendimento escolar
em nível estadual, de forma articulada com o Sistema Nacional de Avaliação da
Educação Básica-SAEB/MEC;
- a imprescindibilidade de recuperar o padrão de qualidade do ensino ministrado no Estado de São Paulo;
- a importância em subsidiar o processo de tomada de decisões que objetivem
melhoria da administração do sistema educacional através de resultados
- a necessidade de informar a sociedade e a comunidade educacional sobre o
desempenho do sistema de ensino;
- a necessidade das Delegacias de Ensino e Unidades Escolares obterem
resultados imediatos para tomada de decisões, em seus níveis de atuação; (SÃO
PAULO, 1996, grifo nosso).
Podemos observar que a qualidade do ensino abordada no referido dispositivo legal está ligada à melhoria da administração do sistema que será efetivada por meio de resultados do desempenho que informarão a sociedade. Como os resultados são imediatos, serviriam para as Delegacias de Ensino e Unidades Escolares na tomada de decisões.
Os objetivos do SARESP estão presentes no artigo 1º do dispositivo legal da seguinte forma:
I – desenvolver um sistema de avaliação de desempenho dos alunos do ensino fundamental e médio do Estado de São Paulo, que subsidie a Secretaria da Educação nas tomadas de decisão quanto à Política Educacional do Estado;
II – verificar o desempenho dos alunos nas séries do ensino fundamental e médio, bem como nos diferentes componentes curriculares, de modo a fornecer ao sistema
de ensino, às equipes técnico-pedagógicas das Delegacias de Ensino e às Unidades
Escolares informações que subsidiem:
a) a capacitação dos recursos humanos do magistério;
b) a reorientação da proposta pedagógica desses níveis de ensino, de modo a aprimorá-la;
c) a viabilização da articulação dos resultados da avaliação com o planejamento
escolar, a capacitação e o estabelecimento de metas para o projeto de cada escola, em especial a correção do fluxo escolar. (SÃO PAULO, 1996, grifo nosso).
Com a apresentação dos objetivos do SARESP, constatamos que:
O referido sistema possui uma proposta em que a capacitação dos profissionais do magistério deve ser realizada em função dos resultados das avaliações;
A proposta pedagógica é alterada (reorientada) em função das avaliações; O planejamento escolar se dá em função das avaliações;
Há o estabelecimento de metas para cada escola.
Castro (2009) assinala que o SARESP possui os seguintes objetivos:
[...] a produção de diagnósticos precisos da qualidade do ensino oferecido nas escolas públicas paulistas e o acompanhamento sistemático dos resultados na educação, constituindo um importante instrumento de monitoramento das políticas públicas de educação no Estado de São Paulo. (CASTRO, 2009, p. 288).
Lammoglia (2013) discute sobre o “Documento de implantação do Saresp” de 1996, que foi produzido para o “Seminário Internacional sobre Modelos Avaliativos” realizado em
1996 pela SEE-SP, Fundação Carlos Chagas e Fundação de Desenvolvimento Administrativo, com o apoio do Banco Mundial. De acordo com a autora, o referido documento traz
[...] os principais motivos pelos quaia o Saresp foi implantado, seus objetivos, sua abrangência, as ações a serem realizadas para sua execução, os resultados esperados, o processo de implantação, os instrumentos que seriam utilizados para coletar e analisar dados e como se daria o processo nos próximos anos. (LAMMOGLIA, 2013, p. 105).
Para implantação do SARESP, as justificativas estão amparadas na descentralização da máquina administrativa e no fortalecimento das Delegacias de Ensino e das Unidades Escolares, “[...] a fim de que se possa alcançar uma maior eficiência na prestação de serviços educacionais.”. Nesse sentido, “[...] esse sistema de avaliação vem para que se possa estabelecer um fluxo contínuo de informações sobre a situação do Ensino Fundamental e Médio entre a SEE, as demais redes (federais, particulares e municipais) e as Unidades Escolares.” (LAMMOGLIA, 2013, p. 105-106). Dessa forma,
[...] espera-se que a verificação do desempenho dos alunos e a posterior divulgação dos resultados, por Unidade Escolar, permitam articulações desses resultados com o planejamento escolar, a capacitação de recursos humanos no magistério e o estabelecimento de metas para o projeto de cada escola, em especial com relação ao fluxo escolar. (LAMMOGLIA, 2013, p. 106).
A autora assinala ainda a presença da cultura avaliativa no documento como um dos produtos esperados, com o objetivo de valorizar os dados e de utilizá-los no aprimoramento da qualidade do ensino. Para melhoria das condições de trabalho na escola, o documento propõe “[...] que sejam feitas reflexões e discussões acerca dos resultados obtidos nas diversas instâncias envolvidas [...]”, mas “[...] não são apontadas ações específicas sobre como essas reflexões, nem como as intervenções na escola, seriam feitas.” (LAMMOGLIA, 2013, p. 106).
Dessa forma,
É dito, sem detalhamento, que as escolas serão capacitadas para corrigir as provas e analisar os questionários, podendo, assim, elaborar relatórios que visam a subsidiar o planejamento escolar, a capacitação de educadores e o estabelecimento de metas para a gestão do ensino, mediante correção do fluxo escolar. (LAMMOGLIA, 2013, p. 106).
A autora assinala que o SARESP abrange obrigatoriamente todas as escolas da Rede Estadual e aquelas das Redes Municipal e Particular que aderirem ao Sistema e que o mesmo envolve “[...] os componentes curriculares julgados fundamentais para a construção de conhecimentos básicos.” (LAMMOGLIA, 2013, p. 106).
Conforme já explicitado, o SARESP, desde sua implementação, passou por diversas transformações, sendo que no período compreendido entre 1996 e 1998, o referido sistema de avaliação “[...] desempenhou papel de avaliação diagnóstica: as séries avaliadas responderam a dois questionários, destinados aos alunos e aos professores, cujo conteúdo buscava analisar os fatores que influenciavam no desempenho dos alunos.” (PINTO, 2011, p. 66).
De acordo com Arcas (2009, p. 56), no Documento de Implantação do SARESP “O público alvo do sistema se vinculava a cada uma das instâncias da estrutura da SEE, indo desde gestores das políticas públicas, passando pelos órgãos centrais e intermediários, a escola, a comunidade escolar e a sociedade como um todo.”. O documento previa também “[...] a continuidade das atividades para os anos subsequentes de 1997 e 1998, já indicando certa continuidade dessa política.” (ARCAS, 2009, p. 56).
De acordo com Lammoglia (2013, p. 107), no documento,
Definem-se como instrumentos de coleta de dados: testes de rendimento escolar, questionário da escola, instrumentos de controle (listas de presença, relatórios) e orientações para essa coleta, ou seja, manuais com instruções que seriam enviados para as escolas. Como instrumentos de correção e codificação das respostas são apresentados: manual de correção dos testes de rendimento, manual de correção da redação, manual de tabulação e análise de dados.
Dando continuidade à análise do documento de implantação do sistema de avaliação, Arcas (2009, p. 56-57) assinala que
[...] na sua implantação o SARESP, enquanto estrutura, incluía de forma clara a participação das equipes escolares na avaliação, não só como forma de poder viabilizar a aplicação e correção das provas, mas de envolver professores, coordenadores e diretores na análise dos dados, na reflexão dos resultados obtidos e na elaboração de propostas a partir desses resultados analisados. Portanto, os procedimentos de desenvolvimento da avaliação previam a participação das escolas na aplicação dos testes, correção e análise dos resultados, além de um posicionamento da unidade escolar sobre seu resultado e propostas de superação dos problemas identificados na avaliação no âmbito da escola. (ARCAS, 2009, p. 56- 57).
Acerca das aplicações previstas, o documento indicava que no ano de 1996
[...] seriam avaliados os alunos matriculados na 3a e 7a do Ensino Fundamental de todas as escolas do estado. Os alunos de ambas as séries seriam avaliados em Português e Matemática, e somente os alunos da 7a série seriam avaliados em Ciências e Geografia/História. Os conteúdos de todas as provas remeteriam a serie anterior as avaliadas, ou seja, 2a e 6a série. Ainda no segundo semestre do mesmo ano haveria outra aplicação para estudantes de 3a, 5a e 7a séries, que fariam avaliação de Português, Matemática, História, Geografia e Ciências, a novidade ficaria por conta da introdução da redação. (ARCAS, 2009, p. 57).
As provas de 1996, 1997 e 1998 seguiram as orientações do Documento de Implantação, com algumas alterações, que se seguem abaixo (LAMMOGLIA, 2013).
De acordo com Lammoglia (2013, p. 109), “Em 1996, não foram realizadas duas avaliações como era previsto, mas somente uma com os alunos das 3as e 7as, no dia 23/04/1996. Como era início do ano, foram avaliados os conteúdos das séries anteriores.”
Para o ano de 1997, o Documento de Implantação do SARESP “[...] previa que fossem avaliadas as 4a e 8a séries do Ensino Fundamental, nos mesmos componentes curriculares de 1996. Dessa vez a novidade foi o início da avaliação no 1° ano do Ensino Médio, sendo os alunos avaliados em Português, redação e Matemática.” (ARCAS, 2009, p. 57).
Já em 1998,
[...] as séries do Ensino Fundamental avaliadas seriam 2a e 6a, com provas de Português, redação e Matemática para as duas séries e Ciências, Geografia/História apenas para as 6a. No Ensino Médio, alunos do 2° ano seriam avaliados em Português, redação, Matemática, História, Geografia, Física, Biologia e Química. (ARCAS, 2009, p. 57).
Lammoglia (2013, p. 109) esclarece que
Em 1998, foram avaliados alunos das 5as séries do Ensino Fundamental e 1as do
Ensino Médio, no dia 02/06/1998, também referentes às séries do ano anterior. Foram avaliados todos os alunos das referidas séries, entretanto somente em um componente curricular. Assim, alguns alunos responderam aos testes de Matemática, outros de Português, o mesmo ocorrendo com os outros componentes curriculares.
Depreende-se do exposto que a avaliação não foi realizada em conformidade com o previsto no Documento de Implantação do SARESP analisado por Arcas (2009).
Arcas (2009) assinala que nos três anos contemplados no Documento de Implantação do SARESP, a avaliação envolveu “[...] as escolas, professores, diretores, supervisores, dirigentes, tentando esclarecer pais e alunos da importância da prova.”, conforme previsto e que “Recebeu relatórios e emitiu relatórios sobre os resultados do SARESP e, segundo o discurso oficial, a partir dos resultados desencadeou ações no sistema.” (ARCAS, 2009, p. 57).
De acordo com Lammoglia (2013, p. 109-110), as provas aplicadas em 1996, 1997 e 1998 foram pautadas principalmente pelo “[...] documento Parâmetros para Avaliação
Educacional, elaborado pela Coordenadoria de Estudos e Normas Pedagógicas (Cenp).”,
sendo que “A partir de 1997, além da Teoria Clássica da Medida, foram utilizados procedimentos derivados da Teoria da Resposta ao Item (TRI) [...]” para que a proficiência do aluno fosse estimada no que estava sendo avaliado e para comparação entre resultados de provas em anos diferentes.
Em 1999 o SARESP não foi aplicado e em 2000, “[...] perde a característica de estudo longitudinal.” (LAMMOGLIA, 2013, p. 113). Nesse ano
[...] foram avaliadas as 5a e 6a séries do Ensino Fundamental e a 3a série do Ensino Médio, sendo que para as séries do Ensino Fundamental houve avaliações envolvendo os componentes curriculares de Língua Portuguesa, incluindo redação, Matemática e Ciências; enquanto que para o Ensino Médio as avaliações realizadas contemplaram Língua Portuguesa, incluindo redação Matemática e Biologia. Os alunos das séries avaliadas fizeram a prova apenas de um dos componentes curriculares. (ARCAS, 2009, p. 57).
Ainda no ano de 2000, “[...] o questionário destinado a gestão escolar passou a ser respondido pelo diretor e pelo professor coordenador, ocorrendo também à inclusão de um questionário que se destinava ao supervisor de ensino.”, e, “A partir desse ano a avaliação passou a ser aplicada no final do ano, diferentemente do que vinha ocorrendo até então. (ARCAS, 2009, p. 57-58). Dessa forma, os alunos “[...] respondem a provas com conteúdos relativos à série em que estão matriculados.”, sendo que “[...] o acesso aos resultados só é possível no ano posterior [...]” (LAMMOGLIA, 2013, p. 112).
Em 2001,
[...] orientando-se pela estruturação curricular definida pelo regime da Progressão Continuada, a avaliação foi destinada aos alunos de finais de ciclos do Ensino Fundamental (4as e 8as séries). [...] sendo avaliados somente conteúdos de Língua Portuguesa com Redação, com revisões nas matrizes curriculares de referência para a avaliação. [...] A partir desse ano, foi usada somente a Análise Psicométrica Clássica, o que não permite comparações entre alunos que responderam a diferentes provas. (LAMMOGLIA, 2013, p. 113-114).
Pinto (2011, p. 66) assinala que em 2001, “[...] os resultados da avaliação foram utilizados para a certificação dos alunos nos finais dos ciclos do Ensino Fundamental, o que desencadeou várias críticas a respeito do assunto.”.
De acordo com Arcas (2009, p. 58), “O uso dos resultados do SARESP para decidir sobre a continuidade de estudos dos alunos, ou seja, aprovação ou reprovação ao final do ano letivo revelou, naquele momento, um uso que a avaliação externa ainda não havia adquirido desde sua adoção em 1996.”
De acordo com Dantas (2013, p. 56), “[...] a partir de 2000, iniciou-se a aferição da condição de cada escola de manter os alunos frequentando as aulas. Por isso, as taxas de reprovação tornaram-se critérios para premiar ou não as escolas com viagens e verbas para o desenvolvimento de projetos pedagógicos.”
Outro ponto importante a ser destacado é que as escolas, a partir dos resultados do SARESP, foram classificadas por cores: “[...] azul: escolas acima da média geral; verde: escolas pouco acima da média; amarelo: escolas na média geral; laranja: escolas pouco abaixo da média; vermelho: escolas bem abaixo da média.” (DANTAS, 2013, p. 56).
Já no ano de 2002, “[...] a avaliação foi realizada por amostragem.” (PINTO, 2011, p. 66), cumprindo a função de monitoramento (LAMMOGLIA, 2013).
Vale ressaltar que, no ano de 2002, a avaliação seria realizada com a utilização do mesmo modelo utilizado no ano anterior. Entretanto, seus resultados não foram utilizados para aprovar e reprovar (ARCAS, 2009).
Pinto (2011, p. 66) aponta que “[...] de 2003 a 2005, o Saresp foi uma avaliação censitária, ou seja, avaliou todos os alunos de todas as séries do Ensino Fundamental e Médio.”
Em 2003, 2004 e 2005, o Saresp abrangeu todas as séries e todos os alunos, com provas em Leitura e Escrita, incluindo uma prova objetiva e uma proposta de redação, tornando-se o exame com maior número de alunos avaliados no Brasil. Para estudos de fatores que influenciam o desempenho, foram aplicados questionários aos alunos e à equipe escolar. (LAMMOGLIA, 2013, p. 115).
A autora assinala ainda que
“
Em 2004, voltou-se a utilizar procedimentos derivados da TRI, incluindo a aplicação de uma prova de ligação (com itens das provas dos períodos da manhã, tarde e noite) em uma amostra de alunos, para que os resultados entre os períodos de cada série pudessem ser comparados.” (LAMMOGLIA, 2013, p. 115).De acordo com Arcas (2009, p. 59),
No SARESP de 2005, apesar de manter as mesmas características de 2003 e 2004, ou seja, censitário para todos os alunos e séries do Ensino Fundamental e Ensino Médio, a grande novidade seria a introdução de uma prova de Matemática, lembrando que a última vez que esse componente curricular havia sido avaliado foi no SARESP de 2000. Para a realização das provas de Leitura e Escrita e de Matemática, além da redação a partir da 3a série do Ensino Fundamental, o SARESP ocorreu em dois dias, sendo distribuídas entre eles as provas de Leitura e Escrita, Matemática, redação e o questionário sócio-econômico para os alunos.
Lammoglia (2013) esclarece que nos anos de 2003, 2004 e 2005 os resultados individualizados do SARESP foram fornecidos às unidades escolares, com o objetivo de que fosse facilitado o uso dos resultados pelos educadores.
Em 2006,
[...] a SEE, tendo como secretária Maria Lúcia Vasconcelos, decidiu suspender a realização da prova sob a alegação de que os dados da avaliação de 2005 envolvendo cerca de 5 milhões de alunos ainda não haviam sido analisados até então. Além disso, o governo de São Paulo tinha a pretensão de alterar a metodologia da prova que seria aplicada no ano de 2007. (PINTO, 2011, p. 66).
A partir de 2007, o SARESP é retomado com novas orientações, sendo destacadas por Pinto (2011, p. 66) as seguintes inovações:
[...] adoção de metodologia de comparação dos resultados com o Saresp 2005 e entre estes e o Saeb e o Prova Brasil; adoção da escala de desempenho do Saeb nas disciplinas de Língua Portuguesa e Matemática; atuação dos professores na aplicação das provas em escolas estranhas à sua atuação docente, com exceção da 1ª e 2ª série do EF; observadores estranhos à escola; aplicação de questionários de
gestão; e, uso dos resultados como parâmetros de acompanhamento das metas estabelecidas.
De acordo com o autor, das mudanças acima elencadas, [...] destacam-se a aplicação dos questionários de gestão escolar que permitem levantar dados referentes aos fatores intra e extraescolares que interferem no desempenho do aluno.”, que “[...] são aplicados aos alunos, diretor, professor das disciplinas e séries avaliadas e ao professor coordenador. (PINTO, 2011, p. 66-67).
As mudanças realizadas no ano de 2007 foram as mais importantes “[...] sob o ponto de vista técnico para adequá-lo às características de um sistema de avaliação em larga escala.” (PINTO, 2011, p. 67). São elas:
a. Pré-testagem dos itens das provas cujo objetivo seria dotar os instrumentos de mais qualidade métrica, o que facilita a medição;
b. Adequação das habilidades avaliadas no Saresp às do SAEB/Prova Brasil para a quarta e oitava séries do Ensino Fundamental e terceira série do Ensino Médio, o que facilita a comparação;
c. Colocação do Saresp na escala métrica do SAEB/Prova Brasil para facilitar tanto a medição quanto a comparação. (PINTO, 2011, p. 67).
Castro (2009) destaca que a metodologia do SARESP foi alterada, uma vez que, por não estar na mesma métrica que o Sistema Nacional, não era possível estabelecer comparações com as avaliações nacionais:
Para concretizar a Nova Agenda da Educação Paulista proposta no Plano de Metas, era necessário que o SARESP passasse a adotar a mesma métrica do SAEB/Prova Brasil, de modo a produzir resultados comparáveis com as avaliações nacionais, além de permitir comparar a evolução das escolas da rede estadual a cada ano, sem o que seria impossível implantar o regime de metas por escola. (CASTRO, 2009, p. 289, grifo nosso).
Diante do exposto, é possível afirmar que Castro (2009) compreende que o SARESP é de grande importância para o monitoramento das políticas educacionais do estado de São Paulo e que sua reformulação foi importante para o estabelecimento de metas para escolas.
Lammoglia (2013) assinala que, a partir de 2007, os resultados do SARESP foram utilizados para o acompanhamento de metas a serem alcançadas pelas escolas, com sua utilização na composição do IDESP.
A autora destaca ainda que em 2007 “Foram avaliadas as 2as, 4as, 6as e 8as séries do Ensino Fundamental e 3as séries do Ensino Médio, em Língua Portuguesa com Redação e Matemática.”; que “ Aplicou-se também uma avaliação diagnóstica aos alunos da 1ª série do Ensino Fundamental como apoio à implantação do Programa Ler e Escrever.” e que “Teve-se acesso aos diagnósticos de desempenho por aluno.” (LAMMOGIA, 2013, p. 117). Além
disso, houve aplicação de questionário aos professores, professor coordenador e diretor, com o objetivo levantar os perfis dos estudantes para caracterizar fatores que podem interferir no desempenho escolar (LAMMOGLIA, 2013).
No ano de 2008,
[...] as séries avaliadas continuaram sendo as mesmas que em 2007, entretanto, houve uma ampliação das disciplinas a serem avaliadas, pois além de Português e Matemática, foram aplicadas provas de Ciências, para o Ensino Fundamental, e Biologia, Física e Química para o Ensino Médio. (ARCAS, 2009, p. 61).
Nesse sentido, Lammoglia (2013, p. 15) assinala que “Desde 2008, anual e
alternadamente, as áreas de Ciências da Natureza (Ciências, Física, Química e Biologia) e de Ciências Humanas (História, Geografia, Filosofia e Sociologia) fazem parte da prova.”.
De acordo com Oliveira Júnior (2013, p. 135),
[...] o SARESP apresenta considerável estabilidade em seu funcionamento, a partir da reformulação em sua estrutura, iniciada em 2007 e completada e 2008, com alterações como a contemplação de todas as áreas curriculares, a criação de matrizes de referência próprias de avaliação, o lançamento do Programa de Qualidade da Escola (PQE), a criação do IDESP para atuar nas questões de equidade e qualidade da educação paulista.
Além do PQE,
[...] em 2008 o Governo do Estado vinculou o bônus dos profissionais da educação ao cumprimento das metas de aumento do Idesp, consequentemente, às notas do Saresp e às taxas de aprovação, o que passa a ocasionar um alto impacto do Saresp, no que tange aos aspectos financeiros dos profissionais da rede. (LAMMOGLIA, 2013, p. 16).
De acordo com Santos e Sabia (2015, p. 363), “[...] em 2009, foram incluídas as Ciências Humanas (História e Geografia) e ficaram de fora Ciências e Ciências da Natureza.”, enquanto no ano de 2010 ocorreu “[...] uma nova inversão nas disciplinas avaliadas: saíram as Ciências Humanas e entraram Ciências e Ciências da Natureza.” e, “Em 2011, voltou a ocorrer a aplicação idêntica à do ano de 2009, com uma diferença: a aplicação da redação passou a ser representativa de 10% do conjunto de alunos, excetuando o 3º ano.”
Os autores assinalam ainda que no ano de 2012 “[...] foram repetidas as disciplinas avaliadas no ano de 2010 e a redação representativa.” (SANTOS; SABIA, 2014, p. 363) e que
A partir de 2013 e tendo em vista o compromisso da SEE/SP de alfabetização dos alunos aos sete anos de idade, os estudantes matriculados no 2º ano do ensino fundamental também participaram do Saresp, sendo avaliados em Língua Portuguesa (Linguagens) e Matemática, nos mesmos moldes do 3º ano do ensino fundamental, ficando assim as disciplinas de Ciências Humanas voltadas aos alunos do 7º e 9º anos do ensino fundamental e à 3º série do ensino médio. (SANTOS; SABIA, 2015, p. 363).
Já em 2014, “[..] os resultados do Saresp do ano anterior foram divulgados mais cedo