4. Resultados e Discussão
4.1.5. Sazonalidade da Macrofauna
Os índices de diversidade e uniformidade apresentam variação de seus valores ao longo dos meses avaliados. A área II apresentou valores mais expressivos de diversidade e uniformidade (Tabela 3), nos meses de novembro (H = 1,109; e = 0,57) e maio (H= 1,125; e = 0,469), nos meses que apresentaram os maiores valores de precipitação pluvial e conteúdo de água do solo. No período de disponibilidade de água os invertebrados iniciam a reprodução e com a oferta de alimento aparecem os predadores, favorecendo a existência de várias ordens (PINHEIRO et al., 2014). De acordo com Reis e Souza (1986) a umidade do ar, conteúdo de água do solo e precipitação, influencia direta ou indiretamente a população dos insetos pelo fato deles terem em seus corpos 70 a 90% de água. Para Dantas et al. (2009) o efeito da precipitação na população edáfica é direta, afetando mecanicamente a população, causando variação de umidade do solo ou ainda afetando a quantidade de alimento disponível.
Tabela 3. Diversidade, Uniformidade e Abundância da macrofauna edáfica, e dados mensais de precipitação pluvial e conteúdo de água do solo em áreas de caatinga sob o pastejo caprino.
Índice de Shannon Índice de Equabilidade Abundância PP*
(mm)
Conteúdo de água do solo (%)
Mês Área I Área II Área III Área I Área II Área III Área I Área II Área III Total Área I Área II Área III
Outubro 0,946 0,581 0,921 0,394 0,252 0,400 200 363 335 898 1,6 1,53 2,53 2,58 Novembro 0,810 1,109 1,058 0,352 0,57 0,543 324 145 107 576 39,4 3,21 3,01 4,46 Dezembro 0,869 0,713 0,697 0,485 0,366 0,335 039 205 136 380 0,0 1,4 2,05 1,72 Janeiro 0,299 0,263 0,227 0,129 0,126 0,109 963 1035 824 2822 5,2 1,86 1,86 1,86 Fevereiro 0,610 0,134 0,123 0,313 0,064 0,068 207 920 1235 2362 11,2 2,9 2,53 8,4 Março 0,469 0,589 0,353 0,204 0,229 0,153 574 762 646 1982 25,8 2,54 2,4 2,54 Abril - - - 43,4 1,6 5,27 9,61 Maio 0,587 1,125 0,626 0,255 0,469 0,285 508 274 477 1259 101,9 7,76 6,93 8,17 Junho 0,740 0,586 0,860 0,298 0,244 0,317 361 403 640 1404 15,5 1,86 3,53 4,23 Julho 0,435 0,464 0,539 0,175 0,211 0,245 606 335 416 1357 24,6 0,92 1,55 2,41 Agosto 0,123 0,212 0,521 0,076 0,132 0,290 764 421 378 1563 13,6 0,56 1,58 2,34 Setembro 0,156 0,253 0,253 0,097 0,141 0,141 510 616 799 1925 7,2 1,78 2,76 3,15
Área I (10 caprinos); Área II (5 caprinos); Área III (Sem caprino). Meses (Outubro de 2013 - Setembro de 2014). *PP - Precipitação Pluvial
No período seco os caprinos se alimentam da serapilheira e por isso a área I que apresenta o maior número de caprinos foi observado os menores índices de diversidade, uniformidade e abundância dos organismos da macrofauna (Tabela 3).
A área III apresentou um maior conteúdo de agua do solo (Tabela 3), decorrente da maior cobertura vegetal, pois não há caprinos nesta área que se alimentem da serapilheira. A radiação solar emitida não incide diretamente no solo e sim na cobertura vegetal deste, contribuindo para um maior conteúdo de água no solo nesta área. No entanto a área III não apresentou melhores índices de diversidade em relação a área II. Embora tenha apresentado maior abundância dos organismos edáficos que as outras áreas avaliadas (Tabela 3), o que demonstra que a densidade de fauna edáfica pode ser afetada pela quantidade de cobertura vegetal (FORMIGA, 2014) e pelo conteúdo de água do solo.
Com relação à distribuição do número de indivíduos de acordo com os pulsos de precipitação (Figura 10), as áreas se comportam diferentemente, o que é justificado pelas condições oferecidas nas áreas com taxas de lotações diferentes e inter-relações entre a fauna (exemplo relação presa e predador). A ausência de presas pode eliminar a ocorrência dos predadores e, assim levar a uma modificação na densidade dos indivíduos (VICENTE et al., 2010).
O número de indivíduos é menor quando ocorrem os maiores pulsos de precipitação (Figura 10), nos meses de Novembro (39,4 mm) e Maio (52,2 mm). A redução dos grupos faunísticos, foi decorrente das mudanças nas condições de sobrevivência agravada pelos acréscimos de precipitação mensal, no qual foi superior ao que a área poderia suportar em um único dia. Albuquerque (2013) e Souto (2006) também constataram redução do número de indivíduos quando ocorreu um aumento de precipitação mensal.
Após ocorrer os pulsos de precipitação são verificados maiores abundâncias dos organismos edáficos, sugerindo que a macrofauna edáfica não responde imediatamente a precipitação pluvial. É necessário um tempo para que a vegetação e o solo respondam bem a chuva e assim propicie condições favoráveis para sobrevivência e aumento de indivíduos. A maior oferta de alimento no solo se dá pelo acúmulo de serrapilheira na área experimental, uma vez que logo após o término do período chuvoso ocorre queda acentuada das folhas do estrato arbustivo-arbóreo para as espécies: Catingueira (Poincianella bracteosa), Marmeleiro (Croton sonderianus), e Malva (Sida sp.), entre outras (ARAUJO, 2010).
Em trabalhos realizados nas mesmas áreas de Caatinga sob pastejo caprino, Araujo (2010) e Formiga (2014), também observaram alta variabilidade dos organismos da macrofauna durante o período experimental para as três áreas avaliadas e constataram um aumento dos organismos edáficos logo após os pulsos de precipitação, resultados que demonstram que o comportamento da macrofauna edáfica vem se repetindo nas áreas de caatinga sob o pastejo caprino.
Figura 10. Precipitação pluvial diária, e distribuição do número de indivíduos da macrofauna edáfica nas áreas de caatinga sob o pastejo caprino, . na Estação Experimental de São João do Cariri, Paraiba. Área I (10 caprinos), Área II (5 caprinos), Área III (sem caprinos).
Diferente da abundância a diversidade (Índice de Shannon) é maior onde ocorrem os picos de precipitação (Figura 11). A maior abundância dos indivíduos foi registrada em janeiro (2822 ind.), fevereiro (2362 ind.) e setembro (1925 ind.), quando comparado aos outros meses, coincidindo com os menores índices de Shannon e Equabilidade, que se apresentam baixos em todas as áreas avaliadas (Tabela 3). Esses resultados evidenciam que o alto número de indivíduos da macrofauna edáfica nestes meses reduziu à diversidade, uma vez que, quanto maior o número de indivíduos, maior é a chance de algum grupo ser o predominante, reduzindo a equabilidade e a diversidade das ordens, que está associada a uma relação entre número de ordens (riqueza de ordens) e a distribuição do número de indivíduos entre as ordens, equabilidade (MOÇO et al; 2005, NUNES et al., 2009).
A maior diversidade dos organismos da macrofauna edáfica no período chuvoso deve-se a maior disponibilidade de alimentos e temperaturas mais amenas. De acordo com Barros et al. (2008) e Lima et al. (2010) a ausência de uma clara dominância entre as espécies somente ocorre em razão dos aportes orgânicos serem diversificados, o que permite a colonização por diferentes organismos.
Figura 11. Precipitação pluvial diária e Diversidade (Índice de Shannon) da macrofauna edáfica nas áreas de caatinga sob o pastejo caprino na . Estação Experimental de São João do Cariri. Área I (10 caprinos), Área II (5 caprinos), Área III (sem caprinos).
4.2. Mesofauna