CAPÍTULO II – A SAZONALIDADE
2.2 CAUSAS DA SAZONALIDADE
2.2.2 Sazonalidade Institucional
A sazonalidade institucional é a terminologia geralmente adotada para designar, conforme Butler20 (1994 apud ALMEIDA; KASTENHOLZ, 2009):
As flutuações da procura turística explicadas por fatores de caráter institucional, ou seja, aqueles que se referem às opções e decisões humanas de caráter social e profissional e que estão, normalmente, enraizadas em costumes, tradições e, até mesmo, em legislação.
(ALMEIDA; KASTENHOLZ, 2009, p. 7).
Estes fatores estão na origem de oportunidades e limitações ao lazer e, particularmente, ao gozo de férias. Sugere-se que o conjunto diversificado de fatores subjacente a esta categoria possa ser classificado em dois grandes grupos de
20 BUTLER, R. Seasonality in tourism: Issues and problems. Tourism: The State of Art. A. V.
Seaton. Chichester: Wiley, p. 332-339, 1994.
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acordo com o seu teor: os fatores de ordem sócio-cultural e os de ordem socioeconômica conforme quadro 2.
Fatores Socioculturais Fatores Socioeconômicos
• Diferentes calendários instituídos:
- Feriados
- Calendário religioso
- Calendário de eventos pagãos - Calendário cultural e desportivo
• Férias Profissionais
• Férias Escolares
• Condicionantes econômicas
QUADRO 2 – AGRUPAMENTO DOS FATORES EXPLICATIVOS DE CARÁTER INSTITUCIONAL FONTE: ALMEIDA; KASTENHOLZ (2009, p. 7).
A partir do quadro exposto acima, percebe-se que diversos fatores sociais, culturais e econômicos são tão importantes quanto aqueles relacionados à natureza e ao clima. As pessoas viajam quando têm oportunidade e por algum motivo, e neste caso evidencia-se a importância dos feriados, férias escolares, os eventos e conseqüentemente, a condição econômica do indivíduo e\ ou da família.
2.2.2.1 Fatores sócio-culturais
Os diferentes calendários instituídos na sociedade são responsáveis por fluxos turísticos específicos em determinadas épocas do ano para diferentes áreas de destino de acordo com as vocações próprias destas últimas (ALMEIDA;
KASTENHOLZ, 2009). Assim, destinos vocacionados para o turismo religioso (exemplo: Aparecida do Norte - SP, ou Jerusalém em Israel) registram um fluxo de turistas importante em certas datas definidas no calendário religioso, levando à formação de picos de procura inevitáveis nesses locais. Outro tipo de datas e eventos específicos, como por exemplo, o Carnaval, levam os turistas a visitar destinos onde as comemorações anuais se revestem como atrativos turísticos de relevo (exemplo: Rio de Janeiro e Salvador).
Também os eventos de tipo cultural ou desportivo, datados regularmente, impelem a constituição de fluxos turísticos para os destinos onde estes se realizam anualmente. A este tipo de datas há que acrescentar o papel dos feriados nacionais
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e locais, enquanto dinamizadores da constituição de fluxos turísticos. Conforme Butler21 (2001 apud ALMEIDA; KASTENHOLZ (2009):
A crescente importância dos feriados para o turismo e para o fenômeno da sazonalidade resulta da tendência que se tem vindo a verificar para a extensão de uma parte significativa dos mesmos, promovendo shortbreaks e motivando fluxos turísticos relevantes em certas áreas-destino.
(ALMEIDA; KASTENHOLZ, 2009, p. 8).
Alguns feriados também são capazes de mobilizar todo um fluxo de turistas para determinada localidade, seja para participar de eventos, ou simplesmente para descanso e lazer fora de casa, sendo responsáveis por uma grande rotatividade de pessoas nas áreas de destino, como por exemplo, feriados nacionais, como é caso do Carnaval, Páscoa, 1º de Maio, Dia da Independência, entre outros.
2.2.2.2 Fatores sócio-econômicos
Neste grupo encontram-se os fatores talvez mais referidos na literatura no que concerne à sazonalidade institucional: as férias profissionais e as escolares (CEC, 1993; COOPER, FLETCHER et al. 1993; CTP, 1998; BUTLER, 200122, apud ALMEIDA; KASTENHOLZ, 2009, p. 8). Estes dois fatores afetam direta e especialmente a população ativa no que diz respeito ao tempo de lazer e de férias.
Mais especificamente, as limitações quanto à duração, calendarização e repartição das férias laborais e escolares, atuam normalmente e formalmente no consumo turístico e influenciam a concentração da procura numa área de destino em determinada época do ano.
Refletindo sobre a forma de utilização do período de férias laborais, percebe-se que uma percentagem significativa da população ainda goza o período de férias de forma compactada, ou seja, sem qualquer repartição. No entanto, é reconhecido o potencial das férias curtas intercaladas para a redução da sazonalidade.
De acordo com Cockrell23 (1998 apud ALMEIDA; KASTENHOLZ 2009, p. 8-9) a freqüência das viagens tem vindo a crescer continuamente, pois os turistas
21 BUTLER, R. Seasonality in Tourism: Issues and Implications. Seasonality in Tourism. T. Baum and S. Lundtorp. Oxford: Pergamont, p. 5-21, 2001.
22 BUTLER, R. Seasonality in Tourism: Issues and Implications. Seasonality in Tourism. T. Baum and S. Lundtorp. Oxford: Pergamont, p. 5-21, 2001.
23 COCKRELL, N. Outbond Markets/ Market Segment Studies: The Short Break Market in Europe.
Travel & Tourism Analyst - The Economic Intelligence Unit, 5, p.42-50, 1998. pdfMachine A pdf writer that produces quality PDF files with ease!
preferem realizar duas viagens por ano, em vez das longas férias anuais concentradas. Esta tendência, acompanhada pelo decréscimo generalizado da média de duração das viagens, começou no início da década de 80 verificando-se um crescimento mais acentuado das viagens de menos de 4 noites, relacionado com o crescente aproveitamento dos feriados públicos (ALMEIDA; KASTENHOLZ, 2009).
Este crescimento é também apontado pela OMT como uma das principais tendências turísticas:
Muitos turistas preferem férias mais curtas e mais freqüentes durante o ano. Isto oferece a possibilidade de desenvolvimento de novos destinos e de que os destinos atuais possam oferecer aos turistas instalações e serviços para o uso em diferentes estações do ano. (OMT, 1995, p. 21).
As férias escolares, embora sejam definidas de forma rígida quanto à sua duração e calendarização, são geralmente repartidas em três ou quatro períodos por ano, o que, comparativamente com a compactação das férias profissionais num só período, se poderia revelar como uma influência positiva. No entanto, o período de férias escolares de maior duração coincide com o verão (por razões que têm origem remota na necessidade de mão-de-obra extra para as colheitas) (BUTLER24 1994, apud ALMEIDA; KASTENHOLZ, 2009, p. 9), o que leva, consequentemente, a que as férias profissionais sejam igualmente marcadas nessa época, com efeitos diretos na definição dos padrões sazonais da procura. Pode-se constatar, então que esta situação é característica tanto do Hemisfério Norte como do Sul, o que se traduz numa disponibilidade da procura turística, nestas duas diferentes origens, em épocas opostas no ano.
Conforme Almeida e Kastenholz (2009):
As condicionantes econômicas, embora sejam bastante evidenciadas como determinantes gerais da procura turística, não foram ainda suficientemente estudadas quanto à sua influência na formação dos padrões sazonais da procura. Poucos são, inclusive, os autores que destacam o potencial de contribuição deste fator como causa da sazonalidade. No entanto, é importante argumentar a relevância dos fatores econômicos (rendimento, preços, taxas de cambio, etc.) na determinação do comportamento de consumo, com conseqüências na sazonalidade. (ALMEIDA;
KASTENHOLZ, 2009, p. 9).
24 BUTLER, R. Seasonality in tourism: Issues and problems. Tourism: The State of Art. A. V.
Seaton. Chichester: Wiley, p. 332-339, 1994. pdfMachine
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Percebe-se então, a partir do que foi exposto, que os fatores naturais e institucionais são de maior relevância do que os fatores econômicos quando relacionados com o tempo de tirar férias ou viajar por um curto período, mas que os fatores econômicos torna-se relevantes na escolha de um destino em detrimento de outro.