• Nenhum resultado encontrado

3.7 Preenchendo as lacunas do texto

4.2.1 Scanning e Skimming

Pode ser difícil para alguns alunos aceitar a ideia que algumas partes do texto podem ser ignoradas, mas a verdade é que a leitura de um texto completo pode ser totalmente dispensável em alguns casos. A leitura de um jornal, por exemplo, não é feita em sua totalidade, mas o leitor experiente seleciona as partes que mais lhe interessam. Além disso, a leitura extensiva de um dado texto pode se tornar maçante e lenta, principalmente se ela ocorre em uma língua estrangeira e mais ainda em níveis mais básicos de conhecimento. Neste caso, as dificuldades aumentam devido à falta de compreensão gramatical e o baixo nível de vocabulário que o leitor consegue compreender. Para ajudar esses leitores, duas estratégias de leitura extremamente úteis são scanning e skimming.

20

De acordo com Nuttall (2005, p. 49), scanning consiste em olhar rapidamente um texto com o objetivo de se obter uma informação específica ou determinar se este texto é adequado aos propósitos do leitor. Para que esta técnica seja eficiente, a leitura deve ser feita rapidamente já que scanning não consiste em uma leitura cuidadosa do texto. Como exemplos de prática desta estratégia a autora cita buscar uma determinada palavra ou fato em um livro que todos os alunos possuem (op. cit., p. 49). As informações buscadas pelos alunos podem ser desde uma palavra ou o número de vezes em que ela aparece no texto, uma data, a página em que um fato é mencionado ou uma série de dados como preço de um produto, lugares em um roteiro de viagem, etc.

Neste tipo de leitura, uma grande quantidade de informação é ignorada em detrimento da informação que é buscada pelo leitor (SOLÉ, 1998, p. 93). É o tipo de leitura seletiva que se pratica ao procurar uma palavra no dicionário ou um número no catálogo telefônico, por exemplo. Deste modo, percebe-se que a estratégia scanning é de fato muito importante, tendo aplicações claras no cotidiano dos leitores.

Sobre a utilidade de tal estratégia, Solé declara ainda que

o fomento da leitura como meio para se encontrar informações precisas tem a vantagem de aproximá-la de um contexto de uso real tão frequente que nem somos conscientes disso e, ao mesmo tempo, oferecer ocasiões significativas para trabalhar aspectos de leitura como a rapidez, muito valorizados na escola (op. cit., p. 93).

Já a estratégia skimming consiste em uma leitura rápida do texto com objetivo de perceber a ideia geral do mesmo. Nuttall ressalta que esta técnica é útil principalmente para se lidar com textos difíceis. É claro que a leitura por detalhes de um texto acima da capacidade de compreensão de um aluno, especialmente iniciantes, se tornará extremamente difícil, talvez impossível. Para que uma tarefa seja considerada skimming, ela não pode conter perguntas subjetivas que não poderão ser respondidas através dessa técnica (NUTTALL, 2005, p. 49, 50).

Assim como a estratégia anteriormente analisada, skimming tem aplicações concretas no dia a dia das pessoas. Solé (1998, p. 94, 95) cita como exemplo de aplicação de tal estratégia a leitura de um jornal onde leitores olham rapidamente as manchetes para decidir se querem ou não ler tal reportagem. Para esta autora, “o incentivo deste tipo de leitura é essencial para o desenvolvimento da “leitura crítica”, em que o leitor lê segundo seus próprios interesses e propósitos” (op. cit., p. 94). Finalmente, cabe ressaltar aqui, que esta é uma estratégia extremamente relevante para

21

os alunos em sua vida acadêmica, pois os ajudará a selecionar material de estudo para a execução de trabalhos, como, por exemplo, uma monografia.

4.2.2 Inferências

Sabe-se que todo o texto possui lacunas de conhecimento que devem ser preenchidas pelo leitor e, como já mencionado, este se utiliza de inferências para realizar esta tarefa. Dell‟Isola (2001, p. 51) afirma, por exemplo, que a informação está apenas em parte dada no texto. Deste modo, o leitor precisa inferir outras informações que estariam implícitas.

A mesma autora ressalta ainda que as inferências são operações realizadas na mente pelas quais o leitor constrói hipóteses a partir de outras já dadas (op. cit., p. 44). Assim, no processo de geração de inferências, informações extratextuais são utilizadas para facilitar a compreensão textual. Para isto o leitor acessa seu conhecimento de mundo e busca nele o que falta para preencher as lacunas de informação existentes no texto.

No estudo de uma língua estrangeira isto se mostra ainda mais necessário, já que, as dificuldades de compreensão do código levam o leitor a confiar mais em seu próprio conhecimento de mundo do que nas informações que ele consegue extrair do texto. De fato, em níveis mais básicos, onde muito pouco do código é compreendido, o conhecimento de mundo se torna um aliado importante para a compreensão do texto.

Mais do que isso, alunos que conseguem aprender a gerar inferências mais eficazmente lerão melhor e com mais prazer, como ressalta Nuttall:

Students who can infer meaning from context have a powerful aid to comprehension and will ultimately read more quickly. Learning how to infer can, moreover, be enjoyable. Its problem-solving character appeal to most people and it challenges students to make use of their intelligence (NUTTALL, 2005, p. 72)3.

Entretanto, como Nuttall menciona, para que se possa depreender significado de um determinado texto, faz-se necessário seguir certas pistas que ele proporciona, ou

3 Alunos que conseguem inferir significado através do contexto tem um poderoso auxílio para a

compreensão e irão finalmente ler mais rapidamente. Aprender a inferir pode, ainda, ser prazeroso. Seu caráter de resolução de problemas é atraente para a maioria das pessoas e desafia os alunos a usarem sua inteligência (Tradução minha).

22

seja, o contexto precisa dar uma quantidade de pistas suficientes para que o leitor consiga produzir inferências (NUTTALL, 2005, p. 75).

Documentos relacionados