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valores •cognitivos' e 'instrui�entais' acontecem na 'ciência'por

causa de sua processualidade, de sua capacidade de diversi­ ficação e transformação, o desenvolvimento cientifico perde toda linearidade e transparência. As oposições e alternativas não acontecem como. corrupção do discurso sistêmico e abrangen­ te, mas .como tensão in�erna dum saber ao qual pertencem com igual propriedade a dispersão e a articulação.

Não ignora.mos que cada projeto de produção cogniti­ va tem a .tarefa de recuperar o já desenvolvido por outros projetos e sociedades. Essa recuperação, porém, se dá

a posteriore da demarcação do objeto de estudo, de objetivos e critérios de seleçã<::> que estabelecem um campo de·pertinên­ cia e uma •estimativa' da 'dosagem'. atribuivel a .cada assunto. O que afirma.mos, l.ogo, é que não há j ustificações 1Ógicas

. nem metodológicas, nem derivadas duma •estrutura' da ciência (como a 'frente de pesquisa •), que determinem de modo suficien­ te e necessirio um objeto de estudo ou programa de pesquisa� Existe sempre uma escolha, uma tomada de decisão que são res­ ponsabilidade dos sujeitos so·ciais, instituições e indivi- duos que assumem, numa situação dada, a produção cognitiva.

Coincidência entre a 'ordem' ou 'classificação

,,

,

do conhecimento • e lli�a ordem 'logico -ontologica ' As 'jurisdições • em que se fragmenta o saber expri­ mem 'regiões • do ser ou do real, ou 'faculdades •, 'formas • da co�sciência�Agrupamentos de atividades e produtos cognitvos devem seguir, logo, aquelas divisões 'jurisdicionais'.

Uma 'leitura' das unidades cognitivas em que se organi-

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za, por exemplo, o discurso academico, permitiria ver que, geralmente, as 'divisões· jurisdicionais•· adotadas como cri té-

,

rios de seccionamento, e os movimentos contrarias de integra-

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- (

de 'departamentos' , etc. , sao os de maior 'sucesso' nos pai- .ses centrais tomados como referência.

A histbria da ciência, :por outro lado, reflete as variações das formas de · �grupar' saberes particulares, da 'abrangência' das áreas de conhecimento, das relações 'legitimas' entre áreas do saber, e estas variações aconte­ cem não só entre épocas, mas também entre paises ou • regiões' culturais. Uma coisa tão Óbvia, nem sempre

é

lembrada ao se

falar da 'ciência' : Estados Unidos, Russia, Alemanha, Ingla­ terra, França, Tchecos1ovaquia, etc., oferecem ' mapas cogniti­ vos' que têm diferenças: estilos e tradições que particula­ rizam suas atividades cognitivas, condições materiais de vida que qualificam seus critérios de seleção e relevância. Eles são visiveis na história da educação, nos produtos teóricos. e nas ' linhas de pesquisa• . Os pontos

,,

· de 'encontro' e 'distan- ciamento•, alias, desenhariam novos mapas cognitivos,

'

onde as vezes uma ' unidade', demarcada por linhas dominantes , de· tratamento dum assunto, poderia abranger mais dum pais, gerando novas 'fronteiras ' politico�cu1turais.

A

4.

Modelos de transferencia entre sociedades e entre grupos (intra-sociais).

,oi , • A •

Uma concepçao ' monista'_ da c1enc1a e 'unidimensional' dos modelos de desenvolvimento cientifico-tecnológico só pode levar a um modelo unilateral de transferência, dirigida

. , ' ,

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das areas ' desenvolvidas' para as areas de depressao ou

cartncia, de modo que todas as operações são reguladas desde o polo emissor.

As operações reciprocas e horizontais nunca serão ,

entre areas igualmente deprimidas ou •não desenvolvidas•. Quando acontecem (reversão do polo sub-desenvolvido recebedor em polo emissor), são 'gerenciadas' pelo polo emissor dominan-

1

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te, que regula assim, quase sempre, as relações indiretas entre áreas subdesenvolvidas.

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Dentro deste contexto, a sociedade não desenvolvida

, �

so pode agir das seguintes maneiras, numa estrategia de desen- volvimento analógico, sob o primado de relações unilaterais centro/periferia:

a. ser um consumidor eficaz, importando bons produtos do polo emissor-non:nativo •.

b. procurar substituir a fonte emissora, convertendo-se ,

num produtor analogo ao polo emissor-non:nativo. e. complementar a fonte geradora, com atividades e

produtos derivativos, de adequação do conhecimento cientifico � tecnológico, ou dos ' protótipos* ,.

à

situação e demanda da socie_dade nacional ou local. 5 . Possibilidade de desenvolver modelos de transferência não-

,

anal.ogicos.

O modelo analÓgico-unilinear de transferência de conhe­ ciment.os e tecn9logias, que é consistente com a tese 'monista' da ciência, implica, no .fundo, um modelo 'monista • de socieda­ de.

Assim como o pensamento do século XVII I , levanta a te­ se do 'indi v[duo ' como ·• invariável' que entra na composição de todo agregado social ( a socied�de civil,. a sociedade politi­ ca, a sociedade econômica), o pensamento posterior desenvolve a concepção monista das sociedades humanas, que tende a identi­ ficar uma 'invariável' estIUtural universal, que opera sob os

, - ,

processos historicos. Outra fon:na desta concepçao e o monismo ' finalista• , que admite a diversidade histó rica, mas como ·fases pr6vias duma 'sociedade ideal.' def_initiva, de modo que a dinâ­ mica temporal se interrompe quando aquela alcaça seu • estado

de finalização • º Conforme estas teorias do ' modelo Único • ou

,

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analisadas com uso dos prefixos: • pre•, 'pos', ou com outras particulas indicadoras de 'minoridade' e 'deficiência':

• sub-desenvolvidas', •atrasadas', 'defazadas•, etc.

A pluralidade de modelos alteniativos de organização social pennitiria pensar nãs relações entre sociedades como

A , - • ( 24) •

f t

sendo de equ1valenc1a e nao de analogia • De a o, as

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relações entre sociedades, igualmente recebedoras e emissoras de saber, bens e recursos, implicaria um equilibrio de poderes e relaçÕes de produção, entre sociedades nacionais e grupos . étnicos, .que não reflete a realidade atual.

O modelo. de transferência baseado na equivalência só poderia ser realizado na ausência da relação fática da depen­ . dência. Não deixa de ser, porém, um espaço de possibilidade .

para o pensamento de propostas de desenvolvimento C/T,. onde,

. A ,

aos modelos de •transferencia analogica•, possamos contrapor um modelo de relações multilaterais_ e rec{procas/h.orizontais

(entre sociedades não centrais. de diverso. ' ?apital' sociocog-·

nitivo e perfis •análogos' de necessidades).

- Nbssa conclusão, nesta primeira parte, é totalmente J?rovisÓria e parcial� 'F.stamos cada vez mais certos, porém, que a� restrições não são acidentais nem meros limites indivi­ duais.

F.

provável que não se possa dar uma resposta única · ao problema de definir modelos de t�ansferência válidos.para

qualquer tipo de conhecimento ou atividade social geradora de demanda.

. ( . A

Rxistem •cojunturas• politicas, economicas, particu- ' laridades no desenvolvimento das áreas do conhecimento, liga­

das

à

história do pais, aos problemas emergentes que unificam ou dispersam suas capacidades cognitivas; a suas relações geo­ politicas e as suas tradições culturais, que levam a diversifi­ car •estágios• e 'projetos'_educacionais e cientificos, nas diferentes áreas cognitivas. Uma das .condições econômicas da

A . ,

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