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2.5 Secagem da madeira

2.5.5 Secagem da madeira de Eucalyptus

De forma geral, a secagem da madeira de eucalipto pode ser considerada lenta e de grande complexidade.

Em determinadas espécies do gênero Eucalyptus, a movimentação de água das partes internas para as zonas superficiais da madeira é fortemente influenciada pelos elevados gradientes de umidade na madeira e pela própria constituição anatômica.

Os elementos de vaso, fibras, parênquima radial e longitudinal que compõem a estrutura anatômica da madeira dos eucaliptos apresentam variações

dentro e entre diferentes grupos de espécies, sendo fatores relevantes na secagem da madeira de eucalipto.

Em temos de anatomia, a ocorrência de pontoações de pequeno diâmetro, presença de tilose, baixa frequência de vasos, pequena largura de vasos, etc. afetam a permeabilidade da madeira, dificultando o deslocamento de água.

Seguindo uma classificação anatômica para madeira de Eucalyptus como as realizadas por Tomazello Filho (1985) e Alzate (2004), é possível avaliar quais são os caracteres mais influentes na secagem do eucalipto. Tiloses, quando presentes, implicam na obstrução do lume dos vasos, reduzindo-se a permeabilidade e a velocidade de secagem. Os vasos dispersos, pouco numerosos, com pequenos diâmetros a médios, predominantemente solitários e porosidade difusa contribuem para uma secagem mais complexa e lenta.

De acordo com Raven et al. (2001), em madeira com porosidade difusa, a água movimenta-se com velocidade dez vezes menor que em outra com porosidade em anel (maior variação na largura dos poros).

As placas de perfuração simples, embora mais eficientes (água flui mais livremente), são menos seguras quando comparadas às pontoações das coníferas, pois, nas placas, uma bolha de ar pode obstruir o fluxo por toda a extensão do vaso.

As pontoações em abundância são muito pequenas em diâmetro, dificultando ainda mais a secagem. As paredes das fibras são de delgadas a médias, minimizando os efeitos negativos da anatomia na velocidade da secagem. Os raios são numerosos, mas extremamente baixos e muito finos, resultando em uma velocidade de secagem mais lenta.

A saída de água pode ser ainda reduzida quando a madeira estiver com casca, já que esta possui suberina, impermeável a líquidos e gases. A espessura

da casca, a estrutura e a deiscência também podem ser influentes (Latorre & Henriques, 2008).

Santos (2002) afirma que, além da estrutura anatômica peculiar, a variação nos padrões de distribuição da umidade na direção radial e longitudinal da madeira de eucalipto é um dos principais fatores responsáveis pela dificuldade de secagem de madeiras do gênero e pela propensão ao aparecimento dos defeitos inerentes ao processo de secagem.

A madeira de eucalipto tem como característica uma variação acentuada nos padrões de distribuição da umidade ao longo do tronco e no sentido radial.

As informações relativas à distribuição da umidade no interior da madeira, além da grande importância para a secagem, são úteis na segregação de toras de umidade mais uniformes, de modo a facilitar a secagem, tanto no que diz respeito à minimização de defeitos quanto à obtenção de menor variabilidade em torno da umidade média pretendida (Oliveira et al., 2005). Os mesmos autores afirmaram que espécies como E. citriodora e E. paniculata se destacam por uma nítida e uniforme distribuição da umidade ao longo do tronco e na direção radial. Nestas duas espécies, o gradiente de umidade entre as regiões internas e superficiais raramente é superior a 20%. Já para E. grandis e E. urophylla, esse diferencial de umidade pode atingir 80% (Figura 6).

Carmo (1996), estudando a umidade de madeiras de E. citriodora, E. pilularis, E. cloeziana e E. grandis, com 21 anos de idade, apresentaram valores máximos de umidade de 52%, 58%, 54% e 70%, respectivamente.

Oliveira et al. (2005), trabalhando com diferentes espécies de eucalipto aos 16 anos de idade, encontraram teores médios de umidade que variaram de 63% (Eucalyptus citriodora, de densidade básica 0,730 g/cm³) a 102% (Eucalyptus grandis, de densidade básica 0,490 g/cm³). Nas madeiras mais densas (0,720 g/cm³), os teores de umidade foram mais baixos, como em E. paniculata e E. cloeziana, respectivamente 62% e 64%. Valores intermediários

de umidade foram encontrados para o E. tereticornis e E. pilularis (77% e 86%) de densidade básica 0,660 e 0,600 g/cm³, respectivamente, e mais elevados em E. urophylla e E. grandis, cujos valores de densidade básica são de 0,540 e 0,490 g/cm³ e umidade são 96% e 102%, respectivamente. Os mesmos autores também avaliaram a distribuição de umidade longitudinal e radial em árvores de eucalipto após o corte, como mostrado nas Figuras 6 e 7.

FIGURA 6 Variação longitudinal da umidade da madeira de sete espécies de Eucalyptus.

Fonte: Adaptado de Oliveira et al. (2005)

Observando a variação de umidade da madeira ao longo do tronco, Oliveira et al. (2005) afirmaram que a base da árvore (toras de maiores diâmetros) tende a apresentar maior umidade, reduzindo-se até a metade da altura, e com aumento a partir do terço superior e no topo, com teor de umidade próximo ao da base da árvore (exceção para o E. tereticornis e E. paniculata).

novamente para 90% no topo do tronco. A madeira de E. urophylla apresentou variação de teor de umidade da madeira ligeiramente maior no topo da árvore, com variação semelhante ao de E. grandis. Em E. tereticornis, o teor de umidade da madeira decresceu da base até um quarto da altura, atingindo o valor mais elevado na extremidade do tronco. Em E. paniculata, o teor de umidade mostrou-se crescente a partir da base até o ápice do tronco, com variação de, aproximadamente, 20%.

A variação de umidade no sentido medula-casca, para diferentes posições no tronco da árvore de Eucalyptus urophylla, pode ser observada no gráfico da Figura 7.

FIGURA 7 Variação do teor de umidade na direção medula-casca e ao longo do tronco, para sete espécies de Eucalyptus urophylla.

Fonte: Adaptado de Oliveira et al. (2005)

Estes autores observaram que a distribuição de umidade radial em Eucalyptus urophylla não segue um padrão uniforme. O gradiente de umidade entre a região mais interna e a externa foi de 80%. Para espécies como E. citriodora e E. paniculata, o gradiente foi de 20%. Em E. grandis, também foi de 80% e, em E. tereticornis e E. pilularis, de 60%. As espécies analisadas

apresentaram tendência de queda de umidade a partir da medula, estabilizando- se após e sofrendo um ligeiro acréscimo na região periférica do alburno.

Carmo (1996) verificou que as umidades mais elevadas da madeira ocorrem na base do tronco das árvores e próximo à medula, com diminuição nos sentidos longitudinal e radial, com a ressalva de que o teor de água indica um valor mínimo no cerne mais externo, elevando-se novamente no alburno. Como por exemplo, em árvores de E. camaldulensis, na região basal do tronco, o maior teor de umidade foi observado na região da medula, próximo de 103%.

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