Projeto III – Rastreio Cardiovascular numa farmácia do Caniço da ilha da Madeira
1. Doenças cardiovasculares e fatores de risco
1.1 Sedentarismo
O sedentarismo caracteriza-se pela ausência de um estilo de vida ativo, associado a uma atividade física inexistente. Estudos epidemiológicos indicam que um período de tempo alargado com um comportamento sedentário está associado a uma elevada taxa de morbilidade e mortalidade relacionada com o surgimento de doenças cardiovasculares. Esta evidência é tão notória que atualmente existem diversos países que disseminaram guidelines que recomendam a minimização de comportamentos sedentários(48).
A recomendação da Fundação Portuguesa de Cardiologia (FPC) é a prática de atividade física diária e regular de, pelo menos, 30 minutos, que pode ser distribuída em 3 períodos de 10 minutos ao longo do dia. Exemplos disso são subir escadas, caminhar, nadar ou andar de bicicleta. A atividade física aconselhada implica movimento, força ou manutenção da postura corporal que se traduza num aumento de aporte de oxigénio(49).
1.2 Hipertensão
O sistema circulatório tem por função bombear o sangue, para que este irrigue todos os tecidos e células do organismo. Este mecanismo implica que seja exercida uma determinada pressão sobre as paredes das artérias. Esta pressão, que é normal e até essencial para que o sangue se desloque através dos vasos sanguíneos, é a chamada “pressão arterial”.
Existem, contudo, uma série de fatores de ordem genética ou ambiental, que podem ocasionar um aumento exacerbado da pressão exercida sobre a paredes das artérias. Nesta situação, estamos perante um caso de hipertensão arterial (HTA)(47).
Estima-se que em Portugal, existem perto de dois milhões de indivíduos hipertensos. No entanto, deste número, apenas(50):
• 50% sabe que sofre desta patologia;
• 25% está medicado;
• 11% tem a tensão efetivamente controlada.
Precisamente por existir uma percentagem tão elevada de doentes que, por desconhecimento ou por falta de monitorização, não mantêm a pressão arterial em níveis adequados, se considera a HTA como um dos principais fatores de risco no aparecimento de doenças cardiovasculares(50).
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1.2.1 Recomendações da Direção Geral de Saúde (DGS):
Uma vez que a HTA geralmente não manifesta sintomas, é importante proceder a um controlo regular dos níveis da pressão arterial. Quando se trata de adultos saudáveis, a recomendação passa por efetuar a medição da pressão arterial, pelo menos, uma vez por ano. No caso de subgrupos de risco, como o são a população obesa, diabética, fumadora ou com antecedentes familiares de doença cardiovascular, esta monitorização deve ser mais frequente, respeitando as indicações médicas(51).
A prática de uma atividade física regular permite, em muitas situações, uma normalização significativa dos níveis de pressão arterial. A preferência é optar por exercícios que compreendam movimentos cíclicos e constantes (natação, marcha, corrida ou dança, por exemplo) e evitar esforços físicos intensos que provoquem um pico na pressão arterial durante o esforço(51).
Uma das recomendações mais significativas está relacionada com o aporte de sal na dieta. Uma das alterações sugeridas passa pela utilização de condimentos alternativos, como ervas aromáticas ou sumo de limão em detrimento do uso de sal. É igualmente importante, evitar também todos os alimentos naturalmente salgados ou aos quais se proceda a adição de sal durante a sua preparação, como é o caso dos enchidos, enlatados, refeições pré-preparadas, aperitivos ou águas minerais com gás. É importante também evitar o consumo de bebidas alcoólicas.
1.2.2 Valores de pressão arterial e diagnóstico de hipertensão
A medição da pressão arterial é quantificada através de dois valores numéricos:
• O primeiro valor e, regra geral, mais elevado, diz respeito à pressão que o sangue exerce nas paredes das artérias quando o coração está a bombear sangue. É a denominada pressão arterial sistólica — habitualmente designada pelos utentes de “máxima”.
• O segundo valor, por sua vez, indica-nos a pressão que o sangue exerce nas artérias, quando a musculatura cardíaca está relaxada. É a chamada pressão arterial diastólica — habitualmente chamada de “mínima”.
Regra geral, a pressão arterial ideal deve manter-se em valores inferiores a 120/80. Acima destes valores acresce o risco de doença coronária ou acidente vascular cerebral. Contudo, as normas da DGS (Anexo X), padronizam todos os parâmetros efetuados na medição da pressão arterial, de forma a estabelecer metodologias clínicas, desde o local de medição bem como as condições em que a mesma deve ser efetuada. A
Apesar da HTA ser uma patologia silenciosa, que em geral, manifesta poucos sintomas, existem sinais e sintomas que podem ser indicativos de uma pressão arterial elevada, como podem ser as dores de cabeça, tonturas ou hemorragias nasais.
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1.3 Tabagismo
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o consumo de tabaco per si, na Europa, é responsável por um milhão e duzentas mil mortes anuais. Em Portugal, o consumo de tabaco atinge cerca de 20 a 26% da população, com predomínio de 75% em indivíduos do sexo masculino. O tabagismo causa um grande prejuízo à saúde pública e ao Serviço Nacional de Saúde (SNS), sendo responsável pela diminuição da qualidade vida e longevidade. Apresenta como agravante o fato de ser um fator de risco não apenas para o fumador, mas para todos aqueles que se expõem frequentemente ao fumo passivo(53).
1.3.1 Consequências do tabagismo
Se considerarmos o número de anos de vida perdidos, os fumadores apresentam menos dez anos de vida do que os não fumadores, sendo que o tabaco é considerado responsável por 25 a 30% da totalidade dos cancros, 80% dos casos de doença pulmonar crónica obstrutiva, 75 a 80% dos casos de bronquite crónica, 90% dos casos de cancro do pulmão e 20% da mortalidade por doença coronária(53).
A nível estatístico, é possível afirmar que as doenças cardiovasculares são duas a quatro vezes mais frequentes nos fumadores. A cessação tabágica é, pois, a medida preventiva mais eficaz na diminuição do risco de enfarte do miocárdio, angina de peito, doença arterial periférica e acidente vascular cerebral. Atualmente, é possível aceder a consultas de cessação tabágica nas Unidades de Saúde Familiar (USF)(54).
1.4 Obesidade
Em Portugal, estima-se que cerca de 50% da população apresente excesso de peso e destas, perto de um milhão de adultos sofra de obesidade. Estes números são alarmantes se pensarmos que estão muitas vezes relacionados com hábitos de vida sedentários e planos alimentares inadequados(55).
Considerada, entretanto, pela OMS como uma epidemia, a obesidade afeta tanto a longevidade quanto a qualidade de vida. Por favorecer o aparecimento de patalogias como a diabetes mellitus tipo II, a hipertensão arterial ou a dislipidemia, o excesso de peso e a obesidade apresentam impacto no aumento do risco cardiovascular. Estima-se, por exemplo, que a hipertensão seja 2,5 vezes mais frequente nos indivíduos obesos que em indíviduos com o peso normal(55).
1.4.1 Obesidade e IMC
O índice de massa corporal (IMC) permite classificar o grau de obesidade. Calcula-se dividindo o peso (em Kg) pela altura elevada ao quadrado (em metros).
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Segundo a OMS, o excesso de peso corresponde a um IMC entre 25 e 30 e a obesidade surge quando o IMC é igual ou superior a 30, como representado na Tabela 8(55).
Tabela 7- Classificação do peso indivíduo através do índice de massa corporal.
Classificação IMC (Kg/m2) Baixo peso < 18.5 Variação normal 18.5 – 24.9 Pré-obesidade 25.0 – 29.9 Obesidade Classe I 30.0 – 34.9 Obesidade Classe II 35.0 – 39.9
Obesidade Classe III ≥ 40.0
1.5 Diabetes
A diabetes mellitus (DM) define-se como um grupo de doenças metabólicas caracterizada pela hiperglicemia resultante da produção deficiente de insulina, da resistência à sua ação ou ambas. A hiperglicemia crónica está associada a danos a longo prazo, tais como a disfunção e falha de diferentes órgãos, sobretudo olhos, rins, coração e vasos sanguíneos(55).
O relatório global da OMS de 2016 reporta a existência de 422 milhões de adultos com DM, sendo que anualmente 1,5 milhões de mortes se encontram atribuídas a esta patologia(56).
Em Portugal, no ano de 2015, estima-se que a prevalência de DM na população portuguesa com idades compreendidas entre os 20 e os 79 anos seja de 13,3%, o que representa mais de 1 milhão de portugueses. Estatisticamente verificou-se também um predomínio da DM muito superior nos homens (15,9%) do que nas mulheres (10,9%). Observou-se também que existe um aumento da prevalência da DM com a idade, concluindo-se que mais de 25% da população com idades compreendidas entre os 60 e 79 anos apresentam esta patologia(56).
1.5.1 Classificação: Diabetes mellitus tipo 1 e Diabetes mellitus tipo 2
Dentro da patologia, estão referenciados dois tipos distintos que diferem no mecanismo pelo qual um indíviduo desenvolve hiperglicemia.
A DM tipo 1, responsável por apenas 5 a 10% dos casos de DM, também intitulada de insulinodependente, é considerada uma patologia autoimune que promove a destruição das células β do pâncreas, provocando uma insuficiente secreção de insulina(55,56).
Por sua vez, a DM tipo 2 é a forma mais frequente, representando cerca de 90 a 95% dos doentes com a patologia, sendo também denominada como não insulinodependente. Esta forma caracteriza- se pela deficiência relativa de insulina por defeitos na secreção da hormona, podendo apresentar ou não fenómenos de insulinorresistência. Ao contrário da DM tipo 1 estes
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doentes muitas vezes não necessitam de insulina para sobreviver, recorrendo apenas a terapia oral(55,56).
1.5.2 Diagnóstico
Segundo a DGS, o diagnóstico de diabetes e da hiperglicemia intermédia ou identificação de categorias de risco aumentado é feito com base nos parâmetros e valores do plasma venoso na população em geral, como apresentado na Tabela 8(57,58).
Tabela 8- Critério de diagnóstico para diabetes mellitus.
Hiperglicemia intermédia Diabetes mellitus Glicemia em Jejum ≥110 – <126 mg/dl (ou ≥ 6,1
e < 7,0 mmol/l) Anomalia da glicemia de jejum
≥126 mg/dl (ou ≥ 7,0 mmol/l) Glicemia na prova de
tolerância à glicose oral (PTGO) às 2h ≥ 140 – <200 mg/dl (ou ≥ 7,8 e < 11,1 mmol/l) Tolerância diminuída à glicose ≥ 200 mg/dl (ou ≥ 11,1 mmol/l) Hemoglobina glicosilada A1c --- ≥ 6,5%
No caso de se tratar de um individuo assintomática, o diagnóstico não deve ser baseaado num valor isolado anormal de glicemia em jejum ou HbA1, devendo sempre ser confirmado numa segunda análise, preferencialmente uma a duas semanas após(58,59).
É aconselhável reger o diagnóstico por apenas um parâmetro de medição. No entanto, caso ocorra uma avaliação simultânea de glicemia em jejum e hemoglobina glicosilada A1c, e se ambos forem valores de diagnóstico, este fica confirmado, contudo se um destes for discordante, o parâmetro anormal deve ser repetido numa segunda análise(58,59).
1.6 Dislipidemia
Dislipidemia trata-se, por definição, de uma alteração do perfil lipídico de um indíviduo associada ao colesterol no sangue. O colesterol, de uma forma geral, é um conjunto de moléculas produzidas em grande parte pelo fígado que estão presentes em todas as células do organismo. Em quantidades normais é fundamental ao metabolismo: participa nos sais biliares (importantes para a digestão das gorduras), na constituição das hormonas sexuais e adquire uma função essencial na constituição e na manutenção das membranas celulares. Contudo, quando em excesso, conduz a um quadro de aterosclerose. Existem diferentes tipos de moléculas quando falamos em colesterol(59).
As lipoproteínas de baixa densidade (LDL) representam as moléculas de colesterol que sofrem oxidação e se depositam na parede arterial, originando o seu endurecimento e obstrução
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com a formação de placas ateroescleróticas, sendo por isto considerado popularmente como o “mau colesterol”(59).
Por sua vez, as lipoproteínas de alta densidade (HDL) representam o “bom” colesterol uma vez que competem pela remoção do LDL do sangue e das paredes das artérias.
No perfil lipídico surgem também os triglicerídeos, que se caracterizam por componentes de grande parte das gorduras alimentares (animal e vegetal). Quando em excesso no sangue também estão associados a um maior risco cardiovascular(59).
A grande preocupação associada às dislipidemias e ao seu elevado impacto no risco cardiovascular, está relacionada com fenómenos de aterosclerose, fenómeno no qual a gordura sanguínea se acumula nas paredes das artérias, tornando-se sólida e formando placas (placas ateroscleróticas) que impedem a passagem do sangue e a irrigação do coração e do cérebro, podendo originar eventos agudos cardiovasculares(59).
Segundo recomendações da American Heart Association, contida nas guidelines de estilo de vida e dieta de 2015 a 2020, torna-se importante promover a adesão a um estilo de vida saudável associado a uma dieta equilibrada, que dê preferência a alimentos contendo gorduras insaturadas, como o peixe gordos, ovos e azeite, em detrimento de gorduras saturadas como o óleo, lacticínios ou carnes vermelhas(60).
1.6.1 Etiologia da doença e valores recomendados
A etiologia da dislipidemia pode ser multifatorial, sendo que existe uma forte componente genética associada ao seu desenvolvimento, mesmo em indivíduos com um estilo de vida ativo e saudável. Contudo, existem fatores de risco que influenciam de forma significativa este parâmetro, como o são uma alimentação rica em gordura e pobre em fibras e vegetais, a obesidade, o sedentarismo, a insulinorresistência (em doentes obesos e diabéticos) bem como problemas endócrinos como o hipotiroidismo(61).
De uma forma geral, os valores recomendados encontram-se definidos pelas normas da DGS e estão de acordo com o apresentado na Tabela 9(61).
Tabela 9- Valores recomendados dos diferentes parâmetros lipídicos. Colesterol Total ‹ 190 mg/dl
Colesterol LDL ‹ 115 mg/dl
Colesterol HDL › 40 mg/dl no homem › 45 mg/dl na mulher Triglicéridos ‹ 150 mg/dl
Relativamente à terapêutica em doentes que apresentem dislipidemias, as mais recentes orientações recomendam a utilização de estatinas em indivíduos com doença cardiovascular
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conhecida, independentemente do nível de colesterol-LDL. Relativamente à prevenção primária, é recomendado o uso de estatinas em indivíduos com um nível de colesterol-LDL ≥190 mg/dl ou com colesterol-LDL ≥70 mg/dl e diagnóstico concomitante de diabetes mellitus ou um risco de doença cardiovascular igual ou superior a 7,5% a 10 anos, calculado através do recurso à Avaliação do Risco Cardiovascular SCORE (Systematic Coronary Risk Evaluation)(Anexo XI).
2. Intervenção Farmacêutica
2.1 Objetivos
Uma das principais preocupações enquanto estagiária passava por ter a capacidade de estimular na população um estilo de vida saudável, assumindo sempre um papel proactivo no sentido de ajudar a comunidade a aderir à promoção de cuidados de saúde vocacionados não exclusivamente no tratamento, mas sim na prevenção.
Por isso, aquando do surgimento do convite através da Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto de participar nesta atividade, o meu entusiasmo e empenho associaram-se ao objetivo de:
• Atender a formações especializadas na área do aconselhamento farmacêutico vocacionado para a avaliação do risco cardiovascular.
• Contactar com uma população diversificada, adaptando sempre o discurso e os parâmetros consoante a faixa etária, o sexo, os valores apresentados e as necessidades de cada indíviduo.
• Promover a adesão a hábitos de vida saudáveis, auxiliando o utente com dicas e conselhos práticos acerca de alimentação saudável e atividade física.
• Interagir com uma equipa multidisciplinar constituída por profissionais de diversas áreas da saúde, desde farmacêuticos, bombeiros, socorristas e enfermeiros.
2.2 Métodos
O evento decorreu no centro da freguesia do Caniço, pertencente ao município de Santa Cruz, na ilha da Madeira, durante o fim de semana de 12 e 13 de Maio de 2018.
O rastreio encontrava-se divido em três estações diferentes, sendo a primeira a de medição dos parâmetros antropométricos que estava responsável por avaliar o peso, a altura do indíviduo bem como pelo registo do sexo e idade, realizada por profissionais da área do desporto. A segunda etapa compreendia a medição dos parâmetros cardíacos e bioquímicos: pressão arterial, frequência cardíaca, glicemia e colesterol total, sendo esta efetuada em parceria por socorristas da Cruz Vermelha Portuguesa e estudantes do MICF. A terceira e última etapa estava destinada a área de promoção de saúde e aconselhamento farmacêutica, realizada por estudantes.
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Todos os parâmetros eram mantidos em registo num formulário online (Anexo XII), que no final era submetido para tratamento de dados estatísticos, com o consentimento informado do utente. A duração total do rastreio foi de 18 horas, tendo sido realizado das 09:00 – 18:00 do dia 12 e do dia 13.
2.3 Discussão
No total, foram registados no rastreio 482 participantes, divididos por 204 participantes no dia 12 (sábado) e 278 participantes no dia 13 (domingo). Dos participantes registado, 58% (n=298) eram do sexo feminino e 42% (n=184) do sexo masculino (Figura 8).
Figura 8 – Percentagem de participantes por género.
Relativamente à faixa etária, a grande maioria dos participantes situava-se na faixa etária dos 51 aos 65 anos de idade, como é visível pela Figura 9.
Figura 9 – Número de participantes por faixa etária.
Quando consideramos a pressão arterial, a grande maioria (n=254) dos
participantes apresentou uma medição intermédia, considerada como uma pressão arterial
normal-alta, apresentando valores que se situavam entre os 120 e os 140 mm Hg para a
pressão sistólica e os 80 – 90 mm Hg para a pressão diastólica (Figura 10).
42% 58%
Percentagem de participantes por género Sexo masculino Sexo feminino 92 126 154 94 16 18 - 35
anos 36 - 50anos 51 - 65anos 66 - 80anos 81 - 99anos
N úm er o de pa rt ic ipa nt es
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Figura 10 – Número de indivíduos por medição de PA.
Relativamente às medições efetuadas de glicemia, a grande maioria dos inquiridos afirmava não tomar medicação antidiabética (n=327) conforme se pode observar na Figura 11. Dos indivíduos que efetuavam terapêutica antidiabética, 62% (n=97) apresentava valores de glicemia acima do valor recomendado (Figura 12).
No que diz respeito aos valores obtidos na medição dos níveis de colesterol total, os resultados foram alarmantes. Cerca de 71% (n=341) dos indivíduos que efetuaram a medição apresentavam valores acima dos 190 mg/dl para o colesterol total (Figura 13).
Aos 71% de indivíduos que apresentou valores superiores a 190 mg/dl foi questionado se tomavam algum tipo de medicação para o colesterol, sendo que a 68% (n= 232) dos quais respondeu negativamente (Figura 14).
Contudo, é importante ter em atenção a influência de fatores externos nos resultados da medição de colesterol total, tendo em conta que para que esta seja considerável fiável deve ser realizada de preferência após um jejum de, no mínimo, 12 horas.
154 254 74 N ùm er o de indi ví duos
Número de indivíduos por medição de PA
68% 32%
Toma medicação antidiabética?
62% 38%
Valores de glicemia nos indíviduos que tomavam medicação Valor £ 120/ 80 mm Hg Valor ≥ 120/80 mm Hg e £ 140 / 90 mm Hg Valor ≥ 140/ 90 mm Hg
Figura 11 – Resposta à questão “Toma medicação antidiabética?”.
Figura 12 – Valores de glicemia nos indivíduos que tomavam medicação.
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2.4 Conclusão
A participação neste rastreio permitiu-me crescer enquanto profissional de saúde, tendo em conta a diversidade e o número de indivíduos que aderiu a esta atividade em apenas dois dias. O balanço final foi positivo, uma vez que me permitiu experienciar todas as etapas contidas no processo, desde a medição da pressão arterial, parâmetros bioquímicos e culminando na importante tarefa de prestar aconselhamento farmacêutico adequado, fundamental neste tipo de intervenções na comunidade.
Foi também importante pela aprendizagem de cooperar com uma equipa multidisciplinar (Anexo XIII), com uma panóplia de competências distintas, que pretendiam unir esforços em torno de um objetivo comum: a promoção da saúde.
O principal objetivo destes rastreios é o despiste e deteção primária de situações de risco, sendo que foram detetadas algumas situações consideradas de risco cardiovascular (entre outras), nas quais se procedeu a um encaminhamento do utente para uma observação clínica mais pormenorizada.
Em suma, a intervenção farmacêutica foi um sucesso, tendo excedido as expectativas quer da entidade organizadora (no caso a Farmácia do Caniço) quer de todos colaboradores que nela participaram, unindo esforços em prol de uma comunidade saudável, ativa e feliz.
71% 29%
Valores de medição do colesterol nos participantes
68% 32%
Toma medicação para o colesterol?
Figura 13 – Valores de medição do colesterol nos participantes.
Figura 14 – Resposta à questão “Toma medicação para o colesterol?”.
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Considerações Finais
Após 5 anos de um crescimento pessoal e académico, o estágio curricular representa o primeiro passo para a vida profissional. O estágio é em si o culminar desta aventura que se inicia com um misto de sonho, nervosismo e medo de quem alcançou o seu percurso académico mais desafiante. O nervosismo dá assim lugar à confiança, o sonho torna-se inexoravelmente uma realidade próxima e o medo dissipa-se, dando lugar à certeza de nos estarmos a tornar um membro fundamental no exercício da sua atividade. Hoje, sinto-me incomparavelmente mais rica, não apenas em conhecimento, mas em experiência, determinação e entusiasmo.
Da Faculdade levei as bases empíricas que me proporcionaram um suporte no exercício da atividade prática. Do estágio levei a experiência e, nisso, resta-me agradecer a toda a equipa da FFE, que me orientou, apoiou e transmitiu todo seu conhecimento não apenas técnico, mas acima de tudo, humano. Aqui me foi fomentada a vontade de ser mais, de ser melhor e de aprender a buscar o conhecimento constantemente.
Chego a esta fase consciente que levo em mim a melancolia de quem está prestes a “abrir asas e voar”. O caminho ainda é longo e isto é apenas o início, contudo, afirmo convencida que hoje sei que este é o ponto de partida para tudo o que o exercício desta profissão me reserva.