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4. RECONHECENDO

5.1. Tipos de Agricultores

5.1.1. Segmento Patronal

Reúne indivíduos oriundos principalmente das famílias herdeiras das Sesmarias (séc. XIX) e dos agricultores capitalizados de outras regiões do estado que adquiriram áreas no período da modernização e diversificação produtiva (século XX). São encontrados na região estabelecimentos desse segmento com áreas de 500 até 10.000 ha.

Suas propriedades ocupam predominantemente o território da APA, prevalecendo em todas as Zonas Agroecológicas identificadas. Entretanto, poucos residem no local, mantendo suas residências nas sedes dos municípios onde se localizam as áreas produtivas ou mesmo nas outras cidades de grande porte do Estado.

A mão-de-obra ocupada na atividade produtiva é basicamente contratada, por assalariamento ou pagamento de diárias e inclusive pela “troca de favores”. A atividade do proprietário corresponde ao gerenciamento, principalmente financeiro e estrutural, pois em alguns casos até as decisões produtivas são tomadas por outros agentes (capatazes, administradores, assessores técnicos, etc.). Outro fator importante é que alguns são moradores das localidades, mas a maioria não, o que diferencia a gestão do empreendimento e a rede de relações do local para os dois casos. Dentre os agricultores patronais que são moradores, pode-se encontrar a figura do proprietário-trabalhador, principalmente naquelas unidades onde há pouca mão-de-obra contratada. Mesmo assim, dificilmente a família toda reside no meio rural.

Emergidos da modernização da agricultura, sua produção de riqueza depende da exploração do trabalho assalariado combinado à intensificação tecnológica e à especulação sobre os preços dos produtos e da terra.

As famílias dos proprietários por vezes são originárias de outras regiões do RS e ligadas a outros setores da economia e, geralmente, não residem no estabelecimento nem mantém ligação com a dinâmica das localidades rurais. Por isso, ficam alguns membros da família responsáveis pela administração dos negócios, ou deixam a cargo de terceiros a gestão das unidades de produção agrícola. Os mais jovens, em alguns casos trabalham juntamente com os empregados, no entanto possuem formação profissional específica. A renda familiar, por sua vez, é complementada por salários de membros que são profissionais liberais e por atividades em outros setores.

A mão-de-obra contratada, além dos serviços de diaristas nas mais diversas funções, pode ser composta por uma equipe de funcionários fixos com: caseiro, cozinheira, peões, tratoristas, assistência técnica e administração, variando conforme o tamanho, o sistema de produção e o grau de especialização. Muitos dos funcionários são de outros locais ou mesmo dos centros urbanos, especialmente os assalariados permanentes, pois, em geral, os critérios para desempenhar as atividades exigem qualificação específica não encontrada dentre os moradores dos rincões. Estes desempenham algumas funções temporárias e esporádicas, por demanda sazonal. Constrói-se nesse âmbito uma relação estritamente profissional entre patrão- empregado, com cumprimento mais efetivo de exigências legais trabalhistas pelos contratantes e de produtividade do trabalho pelos contratados. Em alguns casos, os funcionários são chamados de “colaboradores”, de modo a estreitar essa relação.

As unidades funcionam nos moldes empresariais, são as cabanhas e agropecuárias, produtoras de monocultivos com valor agregado no produto, geralmente em função das tecnologias de alto custo aplicadas (genética e equipamentos). Elas tem as maiores áreas, de até 10.000 hectares, principalmente as que desenvolvem também a pecuária em sistemas semi-intensivos. As projeções normalmente ficam em torno da valorização do produto e retorno de capital investido, dependendo desse fator a ampliação da área e continuidade das atividades com os atuais produtos. Mesmo não sendo a regra geral, a opção por manter-se nas áreas em vista de arrendamento facilita essa migração de localidade ou atividade, não imobilizando capital na aquisição de terra. A busca por nicho de mercado para colocação dos produtos se reflete na relação com a Unidade de Conservação, procurando maior agregação de valor em

função de a produção ser feita em conformidade com proposta da APA do Rio Ibirapuitã (marketing ambiental).

II. Tradicionais

São originários da lógica de obtenção da terra como fonte de poder, baseada no pressuposto da propriedade, do patrimônio a ser conservado, bem como na racionalidade latifundiária.

a) Típicos

São os estancieiros e fazendeiros. Seus sistemas são extensivos em área e mão-de- obra, pois, além das atividades, também o número de trabalhadores por unidade de área é baixo, de modo que a prática se desenvolve em áreas medianas a grandes (entre 500 a 2000 hectares). Em grande parte das propriedades, os proprietários são moradores, mas geralmente sem a família, os jovens estudam na cidade. Entretanto, há uma noção de patrimônio familiar a ser preservado pelos filhos quando da sucessão, e mesmo pelo investimento de parte da renda gerada fora, na manutenção da unidade.

A mão-de-obra contratada restringe-se a um ou dois peões campeiros e caseiro, quando o proprietário não reside no imóvel e a família tem outras fontes de renda externas. Os funcionários em geral são moradores da região ou mesmo da unidade de produção onde trabalham, estabelecendo um vínculo entre suas famílias e as famílias dos empregadores por sucessivas gerações. Nessa relação, os contratantes procuram alocar nos trabalhos demandados os membros dessas famílias da localidade, os quais também disponibilizam sua mão-de-obra em troca dessa garantia ou de atos que consideram benéficos, tais como transporte, doação de gêneros alimentícios e roupas, presentes em geral, orientação em casos manejo com itens burocráticos, entre outros. O compadrio também é uma forma de garantir a continuidade desse vínculo através das gerações.

Em unidades com áreas de várzea adequadas para o plantio de arroz, estas se encontram em condição de arrendamento para terceiros. Foram registrados alguns casos de descapitalização em unidades tradicionalmente ligadas à pecuária extensiva devido a investimento próprio sem o retorno esperado nas culturas do arroz e grãos de sequeiro. Conforme os relatos, a frustração deu-se em função de “não saberem lidar com a planta”, o que

indica que o baixo grau de especialização técnica nessas atividades apresenta-se como uma restrição para o seu desenvolvimento.

b) Com Turismo

Refere-se às estâncias42 com sedes antigas e bem estruturadas, com histórico geralmente ligado à produção pecuária e de perfil tradicional típico. Na trajetória de sua formação e continuidade, carregam semelhanças quanto à desistência ou à necessidade de complementação da atividade produtiva, pelo desinteresse da família em seguir com a produção agrícola ou pela dificuldade na administração desta.

Tais estâncias exploram as características histórico-culturais da região, como a presença das cercas de pedra, de antigas senzalas, dos móveis antigos, pinturas, armas utilizadas nas revoluções ocorridas na região, antigas ferramentas de trabalho, etc. Além disso, aproveitam as peculiaridades do pampa, como a presença de animais silvestres nas proximidades das sedes, a visão do horizonte distante, os arroios e sangas, e as próprias práticas de manejo com o gado e as ovelhas, a culinária local, entre outros. Visam um segmento da sociedade com maior poder aquisitivo, oriundo dos grandes centros urbanos. Esses estabelecimentos são encontrados na Zona Alta.