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Segunda intervenção: conhecimentos epilinguísticos – reconhecendo a

4 UMA PROPOSTA DE INTERVENÇÃO PEDAGÓGICA PARA O ENSINO DO

4.3 SEQUÊNCIA DIDÁTICA: O SUJEITO ANAFÓRICO COMO RECURSO PARA A

4.3.2 Segunda intervenção: conhecimentos epilinguísticos – reconhecendo a

Concordamos com Miller (2016)12 quando afirma em seu artigo, O Trabalho

Epilinguístico na Produção Textual Escrita, que entre as atividades linguísticas (de produção

textual) dos alunos e as atividades metalinguísticas (de sistematização, descrição da língua) há um enorme vácuo que, para os alunos, torna a produção de texto uma tarefa vazia, sem muita significação.

Assim, faz-se cada vez mais necessário o desenvolvimento, em sala de aula, de atividades que possibilitem a reflexão da língua, tendo em vista sua utilização de forma consciente para fins de produção, seja ela oral, seja escrita. Desse modo, ao professor de LP, cabe a tarefa de desenvolver e aplicar atividades epilinguísticas.

Para esta proposta de intervenção, escolhemos uma das produções dos alunos (sem identificar a autoria, a fim de não causar possíveis constrangimentos) para projetar no quadro, por meio de projetor multimídia, e analisar, juntamente com a turma, as estratégias de retomadas presentes na superfície do texto e as formas de preenchimento do sujeito usadas pelo autor. Além disso, confrontamos essa produção com outras orais e escritas feitas por outros alunos da turma e textos de outras tipologias, cujo uso do sujeito anafórico fosse mais variado em relação à produção do aluno. Nesse caso, foram selecionados dois textos escritos de diferentes tipologias – uma notícia (Andar em montanha-russa cura pedra nos rins13) e um artigo de opinião (Um ministro insustentável14) – e a transcrição de fragmentos de uma reportagem exibida no Fantástico no dia 18 de setembro de 2016, conforme Anexos C e D.

Com isso, não se pretendeu fazer uso de metalinguagem – em se tratando da conceituação e da classificação da anáfora, consoante Raposo et al. (2013), pelo menos não nesse momento. Objetivamos, na verdade, recuperar os conhecimentos dos alunos sobre construção de sentença e de retomadas textuais e, somente em momento oportuno, utilizaremos os conceitos de sujeito e de anáfora. Adiante, apresentamos o plano de aula descritivo dessa atividade (Quadro 8).

12

Disponível em: <26reuniao.anped.org.br/trabalhos/stelamiller.rtf> Acesso em: 16 set. 2016. 13

LEONARDI, Ana Carolina. Andar em montanha-russa cura pedra nos rins. Superinteressante, 4 nov. 2016. Disponível em: <http://super.abril.com.br/ciencia/andar-em-montanha-russa-cura-pedra-nos-rins> Acesso em: 29 set. 2016.

14

ESTADÃO. Um ministro insustentável. O Estado de S. Paulo, 28 set. 2016. Disponível em: <http://opiniao.estadao.com.br/noticias/geral,um-ministro-insustentavel,10000078590>. Acesso em: 29 set. 2016.

Quadro 8 – Plano de aula da segunda proposta de intervenção.

Aula:

Análise de produção do aluno x Análise de texto(s) prototípico(s)

Objetivo da aula:

Apontar as estratégias de uso do sujeito anafórico usadas na produção dos textos orais e escritos dos alunos, a fim de que eles percebam possíveis diferenças em ambas as modalidades.

Fase 1:

Duração: 2 aulas de 50 minutos Procedimentos metodológicos:

Serão selecionados dois textos produzidos pelos alunos, um oral e outro escrito, para serem projetados no quadro e, em seguida, a professora fará questionamentos à turma como, por exemplo: vocês percebem alguma retomada de elementos nesses textos? Como foram feitas essas retomadas, ou que elementos foram utilizados para se fazer essas retomadas? Haveria alguma possibilidade de mudar esses elementos usados nessas retomadas? Nesse sentido, o que vocês modificariam nesse texto?

A partir das respostas dos alunos, a professora iniciará as explicações acerca das variações linguísticas, das adequações nos textos necessárias ao contexto, à modalidade da língua e à finalidade comunicativa. Destacará, posteriormente, a categoria gramatical sujeito como recurso anafórico na construção textual, buscando sempre partir de observações e apontamentos dos alunos.

Material:

Projetor multimídia;

Quadro, piloto.

Fase 2: Duração: 2 aulas de 50 minutos Procedimentos metodológicos:

Após a análise das produções dos alunos, a professora trará textos de diferentes tipologias e modalidades que apresentem outras estratégias de retomadas com sujeitos anafóricos, destacando, durante a apresentação, peculiaridades de cada modalidade.

Fonte: Autoria própria

4.3.3 (Re)vendo o conceito: sujeito gramatical x sujeito anafórico

Nesta etapa, pretendemos explorar os conhecimentos dos alunos sobre a categoria gramatical sujeito e, posteriormente, atualizar/explorar esses saberes segundo os estudos de Castilho (2010), Duarte (2008) e Martins (2013) sobre a natureza e a representação do sujeito gramatical no PB. Ainda neste trabalho, destacamos que os livros didáticos dizem muito pouco sobre a referenciação, limitando-se, apenas, ao pronome. Com isso, nada é falado sobre as anáforas e sua importância como recurso progressivo nos textos.

Compreendemos que, mesmo os alunos realizando remissões na superfície de seus textos, não há uma reflexão ou uma sistematização das estratégias de retomadas. O conceito de anáfora, então, será novo para grande parte dos estudantes, assim como as diversas

estratégias de se realizar as retomadas no texto. Objetivamos, com a aplicação da SD, apresentar-lhes a categoria gramatical sujeito como recurso anafórico em suas produções e, para tanto, serão ministradas aulas expositivas cujo conteúdo terá como base teórica a proposta sistematizada na gramática do português de Raposo et al. (2013) acerca da anáfora e suas formas de ocorrência na superfície textual.

A fim de que se tenha maior compreensão/entendimento por parte dos alunos acerca dos conceitos trabalhados, serão utilizados fragmentos tanto de textos produzidos por eles quanto de outros que apresentem exemplos prototípicos de sujeito anafórico. Para explorar a definição de sujeito, segundo o que define o livro didático, serão apresentadas aos alunos algumas sentenças, nas quais eles deverão destacar essa categoria. Portanto, no Quadro 9 segue a atividade que eles deverão realizar e que subsidiará à professora um panorama acerca da compreensão dos alunos em relação à categoria gramatical estudada.

Quadro 9 – Atividade 1 aplicada na terceira intervenção

De acordo com alguns livros didáticos, a categoria gramatical sujeito pode ser assim definida:

(i) “Em uma oração temos, uma informação sobre algo ou alguém. O termo da oração que exprime sobre o que ou sobre quem se fala chama-se sujeito” (DELMANTO; CARVALHO, 2012, p. 186, grifo do autor).

“O verbo da oração concorda em número (singular ou plural) e pessoa (primeira, segunda ou terceira) com o sujeito” (DELMANTO; CARVALHO, 2012, p. 187).

“Para deixar o texto conciso, é possível suprimir o sujeito quando ele pode ser subentendido pelo contexto” (DELMANTO; CARVALHO, 2012, p. 188, grifo do autor).

“O sujeito pode aparecer antes ou depois do predicado. Quando aparece antes do predicado, dizemos que a oração está na ordem direta; quando aparece no meio ou depois do predicado, dizemos que o sujeito é posposto e que a oração está na ordem indireta” (DELMANTO; CARVALHO, 2012, p. 189, grifo do autor).

“A função de sujeito pode ser desempenhada por substantivos, por expressões organizadas em torno de um substantivo, por pronomes etc.” (DELMANTO; CARVALHO, 2012, p. 189).

(iv) “Palavra(s) com a(s) qual(is) o verbo concorda em número e pessoa” (GIACOMOZZI, VALÉRIO; REDA, 2010, p. 33)

(v) É o termo da oração que informa de quem ou de que se fala e com o qual o verbo geralmente concorda (CEREJA; MAGALHÃES, 2012, p. 82).

1: Com base nessas definições, diga qual é o sujeito em cada sentença.

a) A bolsa, eu comprei ela com 50% de desconto. b) A bolsa foi comprada com 50% de desconto.

c) Na liquida Natal, comprava-se uma bolsa de couro legítimo com 50% de desconto.

d) Houve promoção de bolsas na Liquida Natal. Estavam com 50% de desconto. e) Existem bolsas mais valiosas que joias.

Espera-se que, considerando as definições dadas na atividade, os alunos apresentem certas dificuldades em destacar o sujeito gramatical em algumas sentenças. Para ajudá-los, as definições dadas ao sujeito por Castilho (2010), Duarte (2008) e Martins (2013) servirão como ponto de reflexão acerca dos critérios gramaticalmente relevantes para se compreender o sujeito. Na sequência, no Quadro 10, descrevemos o plano de aula que terá como foco a reflexão sobre a categoria sujeito e sujeito anafórico.

Quadro 10 – Plano de aula sobre a categoria sujeito

Aula:

Aula expositiva de reflexão sobre a categoria gramatical sujeito, destacando-o como recurso textual de retomada, ou seja, o sujeito anafórico.

Objetivos da aula:

 Fazer uma retrospectiva dos conhecimentos dos alunos sobre sujeito gramatical e, posteriormente, acrescentar-lhes novos conceitos segundo estudos de linguistas;

 Apresentar-lhes o conceito de sujeito anafórico, bem como de anáfora e suas formas de ocorrências.

Fase 1:

Duração: 2 aulas de 50 minutos Procedimentos metodológicos:

A professora perguntará aos alunos o que sabem sobre sujeito gramatical e, conforme forem surgindo as respostas, ela as escreverá no quadro, a fim de que eles possam comparar com as definições encontradas em alguns livros didáticos. Essas definições estarão organizadas em uma pequena atividade que deverá ser respondida pelos alunos. Tomando-a como ponto de partida, a professora fará uma reflexão, junto aos alunos, sobre os problemas dos conceitos presentes no exercício e mostrará as definições dadas pelos linguistas.

Com base nas próprias produções dos alunos e em outros textos, a professora irá conceituar e caracterizar sujeito anafórico.

Material:

Impressora, quadro, piloto, lápis, caneta.

Fase 2: Duração: 2 aulas de 50 minutos

Atividade: Atividade impressa para ser respondida pelos alunos e servir de

avaliação acerca dos novos conhecimentos estudados. Fonte: Autoria própria

Os alunos serão orientados, ainda, a responder a estas duas questões (Quadro 11), retiradas do livro Jornadas.port de Delmanto e Carvalho (2012, p. 190).

Quadro 11 – Questões a ser respondidas pelos alunos ESCOLA ESTADUAL FABRÍCIO MARANHÃO

DISCIPLINA: LÍNGUA PORTUGUESA TURMA: 9º ANO A PROFESSORA: FERNANDA MEDEIROS DATA: ___/____/____ ALUNO(A): ________________________________________

ATIVIDADE DE APLICAÇÃO DOS CONHECIMENTOS 1. Leia, observando o termo destacado, que é sujeito de pode trazer.

Você acha que sabe tudo sobre seu cãozinho? Um cientista vem demonstrando que

seu cãozinho pode lhe trazer surpresas.

a) Reescreva o trecho no caderno trocando o termo destacado pelo pronome ele. b) Reescreva novamente o trecho, agora suprimindo o sujeito seu cãozinho. c) As frases ficaram claras da forma como você as escreveu? Explique.

2. O texto da notícia a seguir foi adaptado para esta atividade, tornando-se bastante repetitivo. Reescreva-o no caderno, suprimindo o sujeito de algumas das orações ou trocando-o por um pronome. Lembre-se de preservar a clareza do texto.

Homem vai a casamento e descobre que é noivo O casal tem dois filhos e o casal vive junto há 25 anos

No último sábado, o operador de máquinas Carlos Henrique de Jesus, 41, chegou à igreja para ser padrinho de um casamento e Carlos saiu como noivo.

Isso porque sua mulher, a doméstica Marilene Batista Lima, 41, preparou toda a cerimônia sem que Carlos soubesse da surpresa.

Carlos e Marilene vivem juntos há 25 anos, Carlos e Marilene têm dois filhos e Carlos e Marilene se casaram no civil em 2005, durante um casamento coletivo, mas a falta de dinheiro impossibilitava a cerimônia religiosa.

Com a ajuda de amigos e do pastor João Machado, o sonho se realizou. Marilene teve que mentir ao marido para manter seu casamento em segredo.

“Dissemos a Carlos que era o casamento de uma amiga e que Carlos seria o padrinho. Na hora da noiva entrar, o pastor contou que era o nosso casamento”, diz Marilene. Carlos, mesmo assustado, disse “sim” e Carlos gostou da surpresa. “Fiquei muito feliz”.

(Agora, 2 jun. 2011. Adaptado). Fonte: Adaptado de Delmanto e Carvalho (2012, p. 190).