O ether bronihydrico ou brometo d'ethylo, des- coberto em 1829 por Serullas, foi pela primeira vez submettido á experimentação physiologica por Nunne- ley em 1849.
Levado talvez pela analogia de composição com a dos principaes anesthesicos, procurou o notável ex- perimentador estudar as propriedades do brometo de ethylo para em seguida, confrontando as com as dos dous anesthesicos vulgarmente empregados, ver se d'esté parallelo resultaria o descobrimento de alguma superioridade evidente.
Coroadas as suas experiências sobre os aniraaes dos mais auspiciosos resultados, e apesar de confirma- das mais tarde em 1865 pelas observações clinicas do
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mesmo auetor, que affirma, na communicação feita so bre este assumpto, ter colhido um êxito completo em todas as operações praticadas debaixo da influencia d'esté importante anestbesico, a maioria dos práticos, exclusivamente voltada para o ether e chloroformio, acolheu com frieza esta descoberta.
Foi só posteriormente aos trabalhos de Rabuteau, que se começou a ligar alguma attenção a este impor tantíssimo assumpto.
Apresentadas pelo professor Robin em Dezembro de 1876 á Academia de Medicina, as conclusões do notável pharmacologista eram de tal forma claras e explicitas, que não tardou que o brometo d'ethylo fos se objecto de novas e mais importantes observações. Assim appareceram em 1877 a 1879 os trabalhos de Tunebull, Byfort, na America, Terrillon e Ivon, em França, dando um novo impulso á introducção d'esté agente anesthesico pelo conhecimento das suas impor tantes propriedades.
Encarecendo, como veremos, as propriedades do brometo d'ethylo, estamos longe de affirmar que elle possa substituir em todos os casos o ether ou o chlo roformio e muito menos de o considerar como reali sando o ideal da anesthesia; o nosso intento é simples mente mostrar que as particularidades da sua acção sobre o organismo podem tornarse em extremo apro veitáveis n'um grande numero de casos, em que o emprego d'outros anesthesicos deve considerarse como perigoso pelas circumstancias especiaes em que se rea lise.
As condições a que deveria satisfazer um anes
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thesico perfeito, ideal que até hoje não foi possível at- tingir, são as seguintes:
1.° Acção rápida sem periodo d'excitaçao, e po- dendo prolongar-se tanto quanto o exijam as circums- tancias do momento.
2.° Innocuidade completa no presente e no fu- turo.
3.° Ausência de propriedades irritantes sobre as vias respiratórias.
4.° Eliminação prompta e restituição rápida e integral do doente ás condicções anteriores.
5.° Administração prompta, fácil e ao alcance de todos os práticos.
Percorrendo as condições impostas, é faeil veri- ficar que um tal desideratum está muito longe de ter uma realisação completa com os meios de que actual- mente dispomos, e é de crer que nunca um semilhan- te resultado se consiga pelo emprego d'uma única sub- stancia, attendendo á extrema variabilidade de orga- nisação e susceptibilidades physiologicas e pathologi- cas, que dão ao problema uma complexidade notável. E' por isso que se torna indispensável a adopção de vários agentes anesthesicos dotados de propriedades différentes e suficientemente estudados para que pos- sam accommodar-se tanto quanto ser possa ás exigên- cias d'um caso particular.
Este modo de ver, em opposição com o emprego exclusivo d'uma substancia única, conduz naturalmen- te ao estudo das indicações e contra-indicações relativas á substancia a que Duret liga uma importância gran- de e que justifica plenamente as investigações tenden-
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tês a esclarecer e precisar as propriedades do brome- to d'ethylo, como as de qualquer outra substancia em que se reconheça uma acção anesthesica suficiente- mente intensa e duradoura para satisfazer ás variadas exigências da therapeutica cirúrgica.
Seguiremos no estudo das propriedades do bro- meto d'ethylo a marcha que naturalmente se segue em assumptos d'esta ordem; e assim estudaremos o resultado da experimentação sobre os animaes e em seguida das observações clinicas a que se tem proce- dido com o cuidado que exigem experiências de tão valioso alcance.
Foi sobre os porcos da índia e sobre os cães que recahiram as principaes experiências de Terrillon; collocando os primeiros n'um recipiente de vidro de 5 a 6 litros de capacidade, onde conjunctamente se in- troduziu uma esponja contendo 4 a 5 grammas de brometo d'ethylo, observou que o somno anesthesico sobrevinha rapidamente sem periodo inicial d'excita- ção, prolongando-se sem inconveniente durante muito tempo desde o momento em que houvesse o cuidado de estabelecer intermittencias, cujos espaços eram re- gulados segundo o estado do animal submettido á ex- periência.
Nos cães os resultados obtidos foram approxima- damente os mesmos, o que confirma as experiências de Rabuteau que sustenta serem por vezes suíficientes
dois minutos d'inhalaçao para que um cão d'uma cor- polencia regular seja completamente anesthesiado.
Segundo Terrillon, para que este resultado se consiga d'um modo completamente satisfactorio e sem
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que o período d'excitaçao seja muito sensível, é indis- pensável que as primeiras inhalações sejam sufficien- temente condensadas. E' por isso que nas experiên- cias do auctor 15 a 16 grammas de liquido lançado em trez vezes sobre a esponja e sufficientemente ap- proximado do focinho do cão deram como resultado uma anesthesia completa e profunda no fim de trez minutos, ao passo que a mesma quantidade de liquido n'uma simples compressa imperfeitamente adaptada á entrada das vias respiratórias deu como resultado um período d'excitaçao relativamente considerável, sendo necessários dez a doze minutos para se conseguir a anesthesia, e ainda assim com difficuldades de respira- ção dependentes d'uma accumulação excessiva de mucosidades na parte posterior dos fossos nasaes e do esophago.
Durante o período de anesthesia, que pôde pro- longar-se por bastante tempo, havendo o cuidado ne- cessário em attender a cada instante ás perturbações respiratórias, as pupillas do animal conservam-se di- latadas e a conjunctiva insensivel. Suspensas as inha- lações, o animal recupera os sentidos mais rapidamen- te do que com o emprego do ether ou chloroformio e
sem haver a receiar o apparecimento da intoxicação profunda, tão frequente nos cães submettidos ás inha- lações do chloroformio.
A ausência de vómitos no cão, não tendo sido alimentado desde o dia antecedente, foi constante em todas as experiências; a insensibilidade foi completa e profunda como provam as operações praticadas du- rante a anesthesia e as irritações variadíssimas a que
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foram submettidos os órgãos mais sensiveis do ani- mal, sem que em nenhum dos casos houvesse indícios alguns de reacção dolorosa, revellando-se por uma excitação qualquer. Voltando a si, o animal conserva por alguns minutos uma incerteza de movimentos e excitação análogos aos phenomenos de embriaguez.
As rãs são egualmente sensiveis á influencia do brometo d'ethylo. A anesthesia sobrevem 10 a 15 mi- nutos depois de terem sido introduzidos na agua sa- turada d'esta substancia.
Taes são a largos traços os resultados da expe- rimentação physiologica nos animaes mais próximos do homem.
Foram os resultados satisfactorios d'estas expe- riências habilmente dirigidas que auctorisaram a obser- vação clinica, sendo certo, como vamos vêr, que em todos os casos até hoje registados sobre este assumpto se tem conseguido uma anesthesia prompta e isenta de perigos.
Dividiremos com Terrillon em trez períodos a acção do brometo d'ethylo.
1.° Periodo inicial que precede a anesthesia e a resolução muscular.
2.° Periodo d'anesthesia.
3.° Periodo de recuperação dos sentidos o phe- nomenos consecutivos.
1° periodo—Percorrendo as observações de Ter-
rillon, citadas por Duval no sea importantíssimo tra- balho sobre a anesthesia geral pelo brometo d'ethylo, e estudando por outro lado as conclusões a que chega na communicação feita sobre este assumpto á Socie-
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dade de Cirurgia, é fácil verificar a duração insigni- ficante d'esté período e a rapidez com que se succe- dem os phenomenos que n'elle se manifestara.
Facilmente tolerado pela mucosa das vias respi- ratórias em virtude do pouco poder irritante que pos- sue, não provoca por isso mesmo os phenomenos dis- pneicos e a tosse a que dão logar os anesthesicos vul- garmente empregados, e pela mesma razão a syncope inicial do primeiro período de chloroformisação, que por vezes fulmina com rapidez assustadora, é muito menos para receiar com este anesthesico, acrescentan- do, que em nenhum dos casos até hoje observados se tenha dado um terrível accidente.
Os phenomenos de excitação d'esté primeiro pe- ríodo são por vezes quasi insignificantes, sendo para notar que as contracções musculares tem um caracter essencialmente différente das que se manifestam du- rante o período análogo da chloroformisação e sobre- tudo da etherisação; não são movimentos convulsivos e desordenados que apparecem como consequência da excitação nervosa; são pelo contrario contracções tó- nicas, permanentes, nomeadamente accentuadas nos alcoólicos, e que cedem poucos momentos antes da anes- thesia confirmada, em que são substituídos por uma resolução muscular completa. E' esta contractura mus- cular que, affectando os músculos thoracicos, difnculta por vezes os movimentos respiratórios n'este primeiro período. O pulso, sempre accelerado, adquire em cer- tos casos uma rapidez considerável. A congestão da face e do pescoço, tão característica do brometo d'e-
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thylo, apparece n'este periodo, e as pupillas conser- vam-se medianamente dilatadas.
Todos estes phenomenos se manifestam, como di- zemos, com uma rapidez considerável, muitas vezes no curto espaço d'um minuto; mas para que estes re- sultados se consigam é indispensável que âs primei- ras doses do anesthesico administradas, sejam consi- deráveis, 5 a 6 grammas, e que a compressa sobre que se lança seja longa e cubra a maior parte da fa- ce do doente, aconselhando-lhe ao mesmo tempo que pratique largas inspirações destinadas a fazer penetrar na torrente circulatória grande quantidade de vapor anesthesico n'um periodo relativamente curto.
2.° período.—N'este periodo, á medida que a anesthesia se accentua, a respiração e circulação acce- leram-se, principalmente todas as vezes que se lança sobre a compressa ou esparja uma nova dose de bro- meto. A face e o pescoço conservam se congestiona- dos, cobrindo-se a fronte d'um suor abundante; todos estes phenomenos estão em perfeita opposição cem o que se manifesta na anesthesia provocada por outros meios, em que ha uma tendência pronunciada para a anemia e para a syncope.
Quando a anesthesia pelo brometo d'ethylo se torna completa e profunda, a frequência dos movi- mentos respiratórios attenua-se, e a respiração tor- na-se fácil e livre desde o momento em que se haja tido cuidado em tirar com uma esponja as mucosida- des, que tendem a accumular-sé na bocca e na pha- ryngé, produzidas muito provavelmente em con- sequência dos phenomenos congestivos do encephalo,
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e que pódora por obstrucção mecânica compromet- ter um pouco as funeções da hematose, exigindo por conseguinte uma intervenção immediata.
São 03 esforços provocados pela presença d'estas mucosidades, que podem simular os phenomenos de regorgitamente ou de vomito, que em geral não se manifestam, se tiver havido uma abstenção completa de alimentos algumas horas antes da administração do anesthesico.
A insensibilisação obtida pelo brometo d'ethylo é completa, permittindo praticar as operações mais dolorosas sem que o doente accuse o menor soffri- mento.
3." período.—N'este periodo é que principalmen-
te se accentuam as vantagens do brometo d'ethylo pela facilidade e rapidez com que o doente recupera os sentidos. O despertar do doente, diz Terrillon, c notavelmente rápido, um minuto, e raras vezes minu- to e meio depois de cessar a administração do anes- thesico, e qualquer que tenha sido a duração da anes- thesia, o doente está em estado de responder ás per- guntas que se lhe fazem, de conversar mesmo com facilidade, sem mal estar nem tendência para o som- no, n'uma palavra, recuperando integralmente no cur- to espaço de tempo, a que nos referimos, as condi- ções normaes de funecionalismo cerebral.
Relativamente á frequência de vómitos n'este pe- riodo, são necessárias observações em maior numero, para que possam tirar-se conclusões seguras; porque, embora Servis diga que são menos frequentes c tena- zes do que os do chlorolbrmio e do ether, as obser-
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vagões de Terrillon mostram claramente que, sendo raros os effeitos vomitivos durante a anesthesia, são pelo contrario frequentes no terceiro periodo, princi- palmente algumas horas depois de se suspenderem as inhalações anesthesicas.
Estas observações não são todavia debaixo d'esté ponto de vista demasiadamente concludentes, porque recahiram na maior parte, como o próprio Terrillon confessa, sobro mulheres dyspepticas e impressioná- veis, que por conseguinte vomitam com a maxima fa- cilidade; Servis que liga a este phenomeno uma im- portância muito secundaria, aconselha, comomeio effi- caz de os combater, pequenos fragmentos de gelo
administrados repetidas vezes.
Taes são os resultados da applicação do brometo d'ethylo como agente d'anesthesia geral, segundo a communicação feita por Terrillon á Sociedade de Ci- rurgia, e submottida á discussão em 1880.
Os resultados d'esta discussão ficaram, como não podia deixar de ser, um pouco duvidosos, attendendo ao numero relativamente pequeno d'observaçoes, que de certo possuiam os práticos abalisados, que toma- ram parte na discussão.
Vernueil refere-se á grande energia d'esté agente pela rapidez considerável dos seus effeitos, sem toda- via lhe notar uma reconhecida vantagem sobre o chlo- roformio. Refere-so, baseando-se em experiências pes- soaes, aos effeitos locaes, que julga extremamente aproveitáveis nas cauterisações extremamente doloro- sas a que se tem de proceder por vezes na prática da cirurgia.
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Championnière refcrindo-se ás observações feitas nas applicações obstétricas, considera-o approveita- vel, notando-lhe uma certa analogia com o ether ap- plicado nos mesmos casos, e aventa por isso mesmo a ideia de o associar ao chloroformio, attendendo aos effeitos um pouco différentes d'estes dous agentes.
As observações de Nicaise são mais pronunciada- mente favoráveis ao brometo d'ethylo, confirmando as asserções de Terrillon e dos práticos americanos. Só a opinião de Berger se destaca de todas as outras pelos inconvenientes que procura attribuir ao novo anesthe- sico, affírmando em ultima analyse, que não ha van- tagem alguma em dar a preferencia ao brometo d'e- thylo sobro o chloroformio.
Fundamenta este clinico as suas asserções nas experiências a que procedeu com Charles Richet so- bre um numero considerável de cães e coelhos, asse- verando ter notado uma rapidez insólita na morto pro- duzida por este anesthesico, porque é, segundo o au- ctor, extremamente curto o periodo que separa a anes- thesia confirmada da morte nos animaes submettidos por um certo tempo á influencia dos vapores de bro- meto nas experimentações physiologicas.
A excitação considerável que notou nos cães su- bmettidos á experiência, a salivação abundante com fraqueza e ondulação do pulso e dilatação da pupilla, precedendo a morte, são outros tantos inconvenientes que Berger allega para rejeitar o emprego d'esté agente.
Mais do que a experimentação physiologica con- sidera o auetor concludentes os resultados da obser-
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vação clinica, ntío pelas experiências pcssoaes, por- que não as tem, mas pelos resultados obtidos nas cli- nicas de Gosselin em que julga devorem considerar- se como perigosos os phenomenos d'agitaçao tetânica, vermelhidão da pelle e dilatação das veias subcutâ- neas, e ondulação e frequência do pulso, observados n'um doente submettido ás inhalações do brometo d'ethylo, e ainda os phenomenos hysteric os com agi- tação extrema, nauseas e vómitos que se seguiram ao emprego do mesmo agente n'uma mulher hysterica; observação a que attribuiu um valor considerável pelo confronto que se estabeleceu com os resultados obti- dos pela anesthesia chloroformica n'uma outra mulher cm condições análogas no tocante a intensidade da affecção nervosa.
Como conclusão das considerações expostas, in- siste Berger em julgar como imprudente o sem van-
tagem o emprego do brometo d'ethylo, como agente
anesthesico geral, em todas as operações que pela sua delicadeza ou importância exijam que se prolongue consideravelmente o periodo d'anesthesia cirúrgica.
Esta opinião demasiadamente exclusivista e in- fundada de Berger, é insustentável perante os argu- mentos de que lançou mão o professor Tcrrillon para a refutar.
Effectivamente, se attendermos ás condições em que foram praticadas as experiências physiologicas de Berger, e as confrontarmos com as circumstancias dif- férentes em que Terrillon procedeu e em que as doses de brometo foram relativamente minimas, e sufficien- temente misturadas com ar, para que os accidentes as-
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phyxicos fossem evitados, facilmente comprehendcre- mos como não appareceram os accidentes a que se refe- re Berger, e como por outro lado se produzem, segundo affirma Terrillon, uma insensibilidade e resolução mus- cular completa, a ponto de se poderem praticar sem a minima dôr nem indicio de reacção operações doloro- síssimas, delicadas e de longa duração.
Por conseguinte, em opposição ás ideias de Ber- ger diremos com Terrillon e com os clínicos america- nos, que nas experimentações physiologicas nos ani- maes se nota uma differença considerável entre a ac- ção do brometo d'ethylo e do chloroformio, recahindo indubitavelmente em favor do primeiro.
Pelo que respeita ao cheiro do brometo d'ethylo, que Berger considera em extremo desagradável, esta asserção nem sempre é verdadeira, porque na maioria dos casos talvez, o brometo tem apenas um cheiro análogo ao do ether e perfeitamente supportavel. Os processos de preparação devem necessariamente influir n'estas variantes de propriedades physicas e por con- seguinte estar dependentes de novas investigações.
A dilatação pupillar e a turgescência congestiva da face com pequenez de pulso, que tauto impressio- naram Berger na experiência a que assistiu nas clinicas de Grosselin, estão longe de merecer uma similhante im- portância, por isso mesmo que, como já vimos, é um phenomeno constante, apparecendo com maior ou me- nor intensidade em todos os casos de anesthesia por este meio, e que são de natureza a inspirar-nos muito menos cuidados de que a pallidez e tendência para a syncope, tão frequente na anesthesia chloroformica.
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Em apoio da innocuidade relativa do brometo d'ethylo, citaremos as proprias palavras de Lervis:
«Empreguei-o, diz Lervis, em todas as circums- tancias variadíssimas, que podem attestai- o valor d'um agente anesthesico; em condições perfeitamente insó- litas de debilidade e traumatismo, prolongando por vo- zes a sua acção durante muito tempo em operações d'alta importância, administrando-o em todas as ida- des sempre com resultados satisfactorios e ao abrigo de qualquer manifestação perigosa.»
Citamos as palavras de Lervis por ser precisa- mente o clinico, que junctamente com o dr. Turnebull maior numero de casos de anesthesia por este modo nos pode apresentar, e por isso mesmo mais auetori- dade apresenta em assumptos d'esta ordem.
E' pois fora de duvida, que os adversários do brometo d'ethylo lho attribuem perigos que realmente não possuo. Não queremos com isto dizer, que elle seja absolutamente benigno, porque casos haverá, ain- da não conhecidos, em que os phendmenos asphyxi- cos ponham em risco a vida do doente; o que quere- mos significar ó, que este agente possue em certos casos
incontestáveis vantagens sobre o chloroformio, princi- palmente nas operações rápidas e que não exigem a resolução muscular, porque n'esscs casos a facilidade da anesthesia, a maneira rápida e agradável com que o doente desperta logo quo a operação termina, são as melhores condições que se podem desejar.
O único accidente, que podemos receiar em ope- rações de longa duração, ó a difficuldade respiratória, resultante em grande parte da accumulação da sali-
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va, e podendo dar logar a um começo d'asphyxia; mas a facilidade com que se combate este symptoma, suspendendo as inhalações e eliminando a saliva com uma esponja, atténua consideravelmente a gravidade d'esté accidente.
Pelo que temos dito se conclue que o brometo d'ethylo, empregado como agente d'anesthesia geral, tem dado resultados perfeitamente satisfactorios, que nos auctorisam a emprehender novos estudos e obser- vações com o fim de esclarecer este assumpto, inques- tionavelmente d'um alcance prático importantíssimo debaixo do ponto de vista das indicações a que pôde satisfazer pelas propriedades de que é dotado, inteira- mente différentes das que pretencem ao ether, ao chlo- roformio e a todas as outras substancias que até hoje se têem empregado como meios de anesthesia geral.
Mas para que estes resultados favoráveis se con- sigam, é indispensável que no modo de administração haja o cuidado de satisfazer a um certo numero de