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CAPÍTULO 4 – ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS DADOS

4.2 CONSIDERAÇÕES SOBRE AS CONCEPÇÕES DAS ESTUDANTES ANTES E

4.2.2 Segundo eixo: evolução dos modelos atômicos

No segundo eixo – evolução dos modelos atômicos - procuramos investigar nas estudantes dois pontos básicos que remetem aos modelos atômicos. Em primeiro lugar, analisamos como as estudantes justificam a pluralidade de modelos atômicos antes e após o desenvolvimento da proposta didática. Do mesmo modo procuramos, num segundo momento, investigar quais modelos atômicos são conhecidos pelas estudantes. Passaremos a analisar os dados constituídos referentes a este eixo a partir de seus pontos.

4.2.2.1 Pluralidade de modelos atômicos

Com este primeiro ponto, objetivamos entender como as estudantes justificam a existência dos diferentes modelos atômicos, sobretudo os vinculados aos livros didáticos. Em relação aos dados constituídos através do questionário inicial, as principais justificativas apontadas pelas estudantes estão agrupadas no (QUADRO 19): pensadores para se chegar a um modelo exato”. (E06)

“Nada, pois sem uma explicação boa não será fácil compreender e tirar dúvidas de certos assuntos”. (E07)

Diversos estudos

realizados 5 17%

“São atribuídos devidos a vários estudos e pesquisas assim surgindo vários modelos”.

(E08)

Visões diferentes 3 10%

“São vários teoristas com várias formas de pensamentos e que podem ser vista de alguma maneira diferente, um pode pensar diferente do outro”. (E10)

Tecnologia 1 3% “A tecnologia se aprofundando cada vez

mais na ciência”. (E30) QUADRO 19 – QUESTIONÁRIO INICIAL: PLURALIDADE DE MODELOS ATÔMICOS

Em relação aos dados acima observamos que 10 estudantes (33%) justificaram a existência dos modelos atômicos com base na evolução do conhecimento científico. Convém ressaltar que possivelmente estas estudantes compreendem a evolução como um aperfeiçoamento contínuo do conhecimento científico, ignorando as crises e remodelações ocorridas. Percebemos nestas estudantes, portanto, uma visão acumulativa da ciência, no que se refere à pluralidade dos modelos atômicos.

Por sua vez, para 6 estudantes (20%), a existência dos diversos modelos atômicos se deve unicamente à uma suposta finalidade pedagógica, uma vez que estes estão presentes nos livros didáticos e facilitam o aprendizado de Ciências.

Entendemos que este subgrupo apresenta uma visão aproblemática e ahistórica da ciência, na medida em que as estudantes não estabeleceram uma relação entre os diversos modelos atômicos.

Por fim, constatamos que 3 estudantes (10%) justificaram a pluralidade dos modelos atômicos atribuindo-a às visões distintas dos cientistas. Em relação às demais respostas dadas, 4 estudantes não articularam suas justificativas de forma clara e compreensível enquanto que uma estudante deixou de responder a esta questão. Neste sentido, podemos inferir que a maioria das estudantes apresentou visões deformadas da ciência, no que se refere à pluralidade dos modelos atômicos.

Na sequência passaremos a analisar as respostas obtidas no questionário final para a questão da pluralidade dos modelos atômicos. Para tal, organizamos as respostas dadas pelas estudantes no (QUADRO 20):

Existência de diversos modelos atômicos longo de estudos realizados, tendo em vista as falhas de cada um. Então os modelos de certa forma foram “evoluindo” por isso há vários modelos”. (E23)

Diversos estudos

realizados 7 23%

“Aos diversos e diferentes estudos realizados ao longo dos anos acerca destes modelos”.

(E22)

Incompreensível 1 3%

“O uso de livros didáticos não são usados no cotidiano do aluno. E também não tira a dúvida de um aluno quando ele tiver”. (E07) QUADRO 20 – QUESTIONÁRIO FINAL: PLURALIDADE DE MODELOS ATÔMICOS

Conforme observado, as justificativas dadas pelas estudantes se encaixam em duas categorias. Para 22 estudantes (74%) a evolução do conhecimento científico ao longo da História da Ciência explica a existência dos diferentes modelos atômicos. Em sua maioria, estas estudantes destacaram que os modelos foram sendo propostos, de modo a superar as limitações presentes em teorias anteriores, entretanto descartaram em suas respostas elementos que possam sugerir a interpretação de um processo evolutivo, o qual iria culminar em um eventual modelo atômico definitivo, isto é, que representasse plenamente a realidade. Neste sentido, compreendemos que estas estudantes destacam o caráter evolutivo da história dos modelos atômicos, reconhecendo, porém, que os mesmos apresentaram limitações que motivaram novas investigações e, assim superações. Podemos dizer que, em grande parte, este subgrupo superou a visão acumulativa, marcada pela interpretação simplista da evolução dos conhecimentos científicos.

Por sua vez, 7 estudantes (23%) apontaram a existência de diversos estudos realizados como justificativa para a existência dos diversos modelos atômicos. Para estas estudantes, a pluralidade de modelos atômicos é resultado do trabalho de diversos cientistas ao longo da História da Ciência. Em sua maioria, estas estudantes reconheceram um pluralismo metodológico na atividade científica e, como consequência disto, a existência dos diversos modelos atômicos é resultado da ‘visão de cada cientista’.

Em relação aos dados iniciais é importante destacar que a suposta finalidade pedagógica não apareceu em nenhuma resposta analisada. No que se refere ao as-pecto da pluralidade de modelos atômicos, inferimos neste caso que a proposta didática produziu uma perturbação nas estudantes. Podemos considerar, portanto, que o estudo da evolução dos modelos atômicos, por meio de uma abordagem HFC, contribuiu para “mostrar como o pensamento científico se modifica com o tempo, evidenciando que as teorias científicas não são ‘definitivas e irrevogáveis’, mas objeto de constante revisão” (PEDUZZI, 2001, p.158).

4.2.2.2 Modelos atômicos conhecidos pelas estudantes

Com este segundo ponto analisaremos quais modelos atômicos são de domínio das estudantes (suas características e os responsáveis por sua formulação). Para tal, pedimos que as estudantes indicassem quais modelos atômicos conheciam, representando-os através de desenhos e apontando os responsáveis por sua formulação. Organizamos as respostas obtidas no questionário inicial no (QUADRO 21):

Modelos atômicos conhecidos pelas estudantes

Modelo Quantidade de estudantes que Porcentagem

Dalton

Representou 5 17%

Indicou o seu responsável 2 7%

Representou e indicou corretamente 1 3%

Thomson

Representou 3 10%

Indicou o seu responsável 3 10%

Representou e indicou corretamente 2 7%

Rutherford

Representou 10 33%

Indicou o seu responsável 5 17%

Representou e indicou corretamente 3 10%

Bohr

Representou 1 3%

Indicou o seu responsável 2 7%

Representou e indicou corretamente 1 3%

QUADRO 21 – QUESTIONÁRIO INICIAL: MODELOS ATÔMICOS CONHECIDOS

Em relação a este ponto, percebemos que um pequeno grupo de estudantes conseguiu representar algum modelo atômico. Apenas uma estudante (E12) representou corretamente os modelos de Dalton e de Bohr. Um subgrupo de 10 estudantes (30%) conseguiu representar o modelo de Rutherford, embora apenas 3 estudantes (10%) souberam associar o nome de Rutherford ao desenho.

Percebemos neste caso que, possivelmente, estas estudantes se basearam em analogias para representar este modelo (por exemplo, o sistema planetário). Este resultado sugere que, ao final de sua formação escolar, a maior parte das estudantes retém para si uma representação clássica da estrutura da matéria baseada no modelo atômico de Rutherford, sem conhecer, entretanto, as limitações deste modelo o que pode refletir uma visão deformada aproblemática e ahistórica da ciência. Nenhuma menção foi feita ao modelo de orbitais atômicos, desenvolvido a partir da Mecânica Quântica.

Constatamos, portanto, que existe uma compreensão frágil das estudantes em relação aos principais modelos atômicos, uma vez que a maioria do grupo apresentou vagas lembranças sobre os modelos estudados nas séries anteriores em outras disciplinas.

Passaremos a analisar os dados obtidos em relação a este ponto após o desenvolvimento da proposta didática. Para tal, organizamos o (QUADRO 22) a partir das respostas das estudantes:

Modelos atômicos conhecidos pelas estudantes

Modelo Quantidade de estudantes que Porcentagem

Dalton

Representou 21 70%

Indicou o seu responsável 21 70%

Representou e indicou corretamente 18 60%

Thomson

Representou 21 70%

Indicou o seu responsável 19 63%

Representou e indicou corretamente 17 57%

Rutherford

Representou 21 70%

Indicou o seu responsável 24 80%

Representou e indicou corretamente 19 63%

Bohr

Representou 15 50%

Indicou o seu responsável 19 63%

Representou e indicou corretamente 15 50%

QUADRO 22 – QUESTIONÁRIO FINAL: MODELOS ATÔMICOS CONHECIDOS

Através dos dados acima percebemos que, em relação ao quadro anterior, houve um aumento considerável no número de estudantes que foram capazes de representar e indicar corretamente os principais modelos atômicos. O modelo atômico de Rutherford obteve o maior índice entre os modelos, sendo representado

e indicado corretamente por 19 estudantes (63%). Embora não mencionado no quadro acima, convém salientar que 3 estudantes fizeram menções ao modelo dos orbitais atômicos.

É importante ressaltar a evolução dos índices de porcentagem após o desenvolvimento da proposta didática. Os dados refletem que, necessariamente, a proposta didática contribuiu no sentido de perturbar a visão fragilizada em relação ao domínio de tais modelos. Desta vez uma parcela significativa das estudantes representou corretamente o modelo atômico de Bohr, o que nos leva a inferir que o desenvolvimento da proposta didática cumpriu com o objetivo de apresentar os principais modelos atômicos às estudantes, por meio de uma abordagem HFC.

Na sequência passaremos a analisar as concepções das estudantes acerca da estrutura da matéria.