3 Trabalhos Relacionados: Contexto em processos de Negócio
3.2 Segundo Grupo: Contexto Associado a Processos de Negócio
Essa seção trata dos trabalhos sobre contexto e processos de negócio. Na
literatura são relatadas as abordagens apresentadas a seguir.
O Modelo de Conhecimento Centrado em Processo (MCCP) considera uma
perspectiva de nível empresarial sobre as relações entre o desempenho da empresa,
33
Park, 2008). O objetivo do MCCP é identificar e categorizar o tipo de conhecimento a
ser criado e acumulado em uma maneira centrada no processo. O MCCP classifica o
conhecimento em dois tipos: o conhecimento do processo e o conhecimento de apoio a
tarefas.
Gatti et al. (2009) propôs a arquitetura A-CoBrA que é uma Arquitetura
Sensível ao Contexto de Atividades para Gestão do Conhecimento em Processos de
Negócio e permite processar, raciocinar, compartilhar e recuperar o conhecimento
contextual de atividades intrínsecas a um processo de negócio. O Broker de Contexto de
Atividades é o componente central dessa arquitetura, permitindo o compartilhamento de
conhecimento contextual de atividades. Já a Arquitetura de Integração de Sistemas de
GC e Sistemas de Gestão de Processos de Negócio (GPN) (J. JUNG et al., 2006) trata o
conhecimento de sistemas convencionais de GC, e o conhecimento extraído das
informações geradas em todo o ciclo de vida da GPN. Das propostas estudadas, ela é a
única que contempla o ciclo de vida da GPN integrado com o da GC.
Nunes et al. (2007) apresentaram um modelo para apoiar a Gestão de
Conhecimento baseado em Contexto. Esse modelo prevê a captura, a representação, o
armazenamento, a recuperação e a apresentação de conhecimento contextual em uma
estrutura de memória organizacional, em um cenário de uma atividade em um processo
de negócio. Esse modelo visa a estabelecer uma memória organizacional com os
resultados das atividades e também com o contexto através do qual os seus resultados
foram alcançados. Os autores desenvolveram um modelo para representar o contexto
através de uma ontologia formal que inclui: (i) informações que existem durante a
execução de uma atividade (tempo, artefatos), (ii) informações sobre indivíduos ou
34
indivíduos dentro da atividade realizada. Porém, esse modelo não considera contexto do
ambiente externo.
Em comum, todos esses trabalhos consideram importante a associação do
conhecimento contextual com as atividades de um processo como forma de facilitar o
seu reuso, porém, não consideram as variáveis do ambiente externo para adaptação de
seus processos com a exceção da proposta de J. Jung et al. (2006) que faz uso do
benchmarking.
Saidani e Nurcan (2007) também discutem a relevância do contexto na
modelagem de processos de negócio, e incluem na modelagem de processos a descrição
do contexto de execução. Essa abordagem é baseada em quatro procedimentos:
elicitação do contexto, categorização do contexto, adaptação do contexto e mensuração,
e instanciação de processos de negócios. Eles propõem uma taxonomia das informações
de contexto mais comuns (localização, tempo, recursos e organização) para apoiar a fase
de elicitação, sem fornecer um método explícito para isso.
Poucas abordagens na literatura apontam para a importância do contexto externo
em execuções de processos de negócio. Rosemann et al. (2008) argumentam que
identificar, documentar e analisar elementos contextuais (que possam levar a mudanças
nos processos) é a base para o entendimento das interrelações entre as mudanças no
cenário ambiental de uma organização e o seu processo. Os autores propõem integrar
contexto na modelagem de processos, uma vez que o contexto impacta a estrutura do
modelo de processo, e definem um meta modelo que considera a estrutura de um
processo, seus objetivos e contexto. Além disso, eles descreveram um framework de
contexto que foi apresentado no Capítulo 2. Em seguida, eles propõem o seguinte
procedimento para usar esse framewotk: (i) identificar os objetivos do processo; (ii)
35
elementos contextuais, (v) tipificar o contexto. O método proposto nessa dissertação
foca na etapa 4 desse procedimento e, diferentemente deste, é baseado em evidências.
Soffer et al. (2010) propõem uma abordagem para o aprendizado e,
gradualmente, a melhoria dos processos de negócio, considerando três elementos:
caminhos do processo, contexto e objetivos. Assim como o método proposto nessa
dissertação, eles argumentam que o sucesso de uma instância de processo pode ser
afetado não só pelo caminho efetivamente executado, mas também por condições
ambientais, não controladas pelo processo. Essa abordagem de aprendizagem é
baseada em uma base de experiência, incluindo os dados de instâncias de execução
do processo: caminho real, o resultado alcançado, e informações de contexto.
3.3 Considerações Finais do Capítulo
Neste capítulo foram apresentados os trabalhos relacionados com a proposta
dessa pesquisa. O método proposto usa como base o modelo analítico PESTEL,
apresentado nesse capítulo, para segmentar o ambiente externo em várias áreas que são
usadas para se identificar os KTs e os seus KIQs, ou seja, as áreas de monitoria ajudam
a identificar as necessidades de informação. O modelo PESTEL também foi usado em
outros trabalhos (PLOESSER, JANIESCH, RECKER, & ROSEMANN, 2009)
(PLOESSER, RECKER & ROSEMANN, 2010) para categorizar o contexto externo
relevante ao processo. Outros modelos analíticos podem ser usados para apoiar na
definição das necessidades de informação e para analisá-las no método proposto nessa
dissertação, além de o analista de IC e o tomador de decisão terem flexibilidade de usar
outras áreas de monitoria não previstas no modelo PESTEL.
Foram apresentados também os trabalhos que relacionam contexto a processos,
36
externo em atividades específicas do processo de negócio. Nessa dissertação é proposta
a identificação do contexto externo relacionado a atividades de um processo de negócio,
permitindo assim que os responsáveis pelo processo possam dinamicamente interferir
no resultado dessa atividade específica, aplicando os conhecimentos adquiridos
37