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Segundo mandato

No documento JOSUÉ DE CASTRO (páginas 61-65)

Para as eleições de 1958 articula-se em Pernambuco uma ampla fren-te contra a máquina pessedista instalada no poder, então sob o governo do general Cordeiro de Farias. Ela engloba de segmentos empresariais mais modernos aos comunistas. E lança ao governo do estado a chapa formada pelo engenheiro e usineiro Cid Sampaio, tendo como

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vernador o engenheiro Pelópidas Silveira, representando as forças de es-querda e, na ocasião, exercendo o mandato de prefeito do Recife.

O PTB coloca como condição para a sua participação que o núcleo das forças de esquerda não lance candidatos a deputado federal e apóie as candidaturas dos petebistas Josué de Castro e Barros Carvalho. Josué se elege como o deputado federal mais votado da história de Pernam-buco e de todo o Nordeste do Brasil. Na edição de 16/9/1958 o jornal Folha do Povo, porta-voz do PCB, publica um artigo assinado por Davi Capistrano, intitulado “Os candidatos e o salário mínimo”, confirmando o apoio a Josué de Castro e Barros Carvalho como deputados federais e a outros candidatos de esquerda à assembléia estadual:

(...) A causa que defendem as Oposições Unidas de Pernambuco assegura ao operariado de Pernambuco, como, de resto, a todos os cidadãos, o gozo de todas as liberdades, hoje, em nossa terra pi-soteadas pelos patrocinadores da candidatura governista. (...) Por isto os trabalhadores não têm dificuldades em escolher com quem marcharão na atual campanha eleitoral. Suas referências coincidem com seus interesses, estão do lado dos candidatos das oposições.

Cid Sampaio, Pelópidas Silveira, Barros Carvalho, [Antônio] Baltar, Josué de Castro, Clodomir Morais, Miguel Batista, Miguel Arraes, José Cardoso, Francisco Julião, Carlos Luz, Dias da Silva e outros democratas e nacionalistas, experimentados nas pugnas políticas em defesa das liberdades democráticas, das reivindicações dos tra-balhadores e do nacionalismo. (...)

Inúmeras organizações sindicais representativas do movimento ope-rário explicitam o seu apoio à candidatura de Josué de Castro a deputa-do federal em manifesto, destacandeputa-do as suas realizações mais ligadas aos interesses vitais dos trabalhadores: “(...) a sua eleição é para nós, além de um dever, um preito de gratidão e reconhecimento pela invulgar contri-buição por ele prestada à classe operária brasileira”.16

16 Manifesto dos Trabalhadores de Pernambuco à Candidatura de Josué de Castro, assinado pela diretoria do Conselho Executivo dos Trabalhadores de Pernambuco: Wilson Barros Leal, José Bezerra Lima, José Viana Filho, José Balbino dos Santos, Miguel Ferreira da Silva.

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E segue um elenco de atuações de interesse dos operários:

(...)1º inquérito sobre as condições de vida do trabalhador no Brasil, levado a efeito no Recife, em 1932; precursor do salário mí-nimo em trabalho que publicou em 1933; batalhador da primeira linha no reajuste dos salários em 1954; fundador e primeiro diretor do Serviço de Alimentação e Previdência Social (Saps), para resol-ver o angustiante problema alimentar do trabalhador; presidente eleito da Executiva da Organização de Alimentação e Agricultura das Nações Unidas (FAO/ONU), cuja finalidade é a luta universal contra a fome; (...).

Mais uma vez Josué de Castro faz aliança com Francisco Julião, can-didato pelo PSB, reeleito deputado estadual e em marcha ascendente como o grande líder das ligas camponesas e defensor da reforma agrária no Brasil.

A campanha eleitoral de Cid Sampaio contou com a presença de Luís Carlos Prestes, provocando a reação exasperada do Arcebispo de Olinda e Recife, D. Antônio de Almeida Morais Junior17, que determi-nou, em protesto, o dobre dos sinos das igrejas em toda a cidade, na hora do comício. Na recepção a Prestes, no Aeroporto dos Guararapes, estiveram presentes Pelópidas da Silveira e Josué de Castro.

Cid Sampaio assume o governo em 1959 e Pelópidas se mantém na prefeitura, sob o fogo cruzado de uma batalha judicial desencadeada pela direita pernambucana, que pretende retirá-lo e ocupar espaços de poder na capital, com a posse do vice-prefeito. Ele só assume a condição de vice-governador em 1960, entregando a prefeitura a Miguel Arraes de Alencar, um deputado não reeleito por falta de votos, vitorioso como o candidato das Oposições Unidas, com o apoio contrafeito de Cid Sam-paio e por pressão das forças de esquerda.

Na prefeitura, Arraes dá continuidade às iniciativas de Pelópidas e promove novos avanços, como as obras na periferia: escadarias nos morros, poços artesianos, chafarizes, banheiros e lavanderias. O

gran-17 Devido à vulgarização da sua presença pública, a população o apelidou de “Toinho Coca-Cola”.

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de destaque é o Movimento de Cultura Popular, com a alfabetização de adultos, as praças de cultura, o teatro e o apoio à produção cultural nas diversas áreas.

No governo de Cid, os camponeses do Engenho Galiléia conquistam a posse da terra, com a desapropriação aprovada na Assembléia Legisla-tiva e assinada pelo governador, sob pressão popular, a partir de um pro-jeto de lei apresentado pelo deputado socialista Carlos Luiz de Andrade.

Mas os limites do democratismo udenista, que não conseguia absorver as demandas democrático-populares, ao lado das polarizações políticas nacionais, levam ao rompimento da esquerda com Cid Sampaio.

O primeiro grande divisor de águas foram as eleições para a Presi-dência da República. Nos dois pólos opostos, as forças conservadoras, capitaneadas pela UDN, apoiaram a candidatura de Jânio Quadros, tendo como vice o banqueiro Mílton Campos, enquanto as forças de esquerda se vincularam à candidatura do marechal Teixeira Lott, com João Goulart na Vice-Presidência. O segundo divisor se dá com a elei-ção para governador, em 1961, quando Miguel Arraes derrota o usineiro João Cleofas de Oliveira, candidato udenista apoiado por Cid Sampaio.

O terceiro divisor ocorre nas eleições a prefeito, em 1962, com a segun-da eleição de Pelópisegun-das Silveira, derrotando o engenheiro Lael Sampaio, irmão do ex-governador Cid.

As inovações do governo Arraes acirraram a polarização com as for-ças do conservadorismo e da direita, que atuaram permanentemente, por vias legais e ilegais, no sentido de desestabilizá-lo e apresentá-lo como o supra-sumo do “perigo vermelho”. Sobre o político Arraes e a sua atuação como prefeito do Recife e governador de Pernambuco, diz Josué de Castro em Sete palmos de terra e um caixão:

Como político se voltou Arraes com sincero devotamento aos problemas do povo e à busca de soluções democráticas para estes problemas. Cercou-se, em sua administração na Prefeitura do Re-cife e depois no Governo do Estado, de uma equipe de homens co-nhecedores destes problemas que o orientam tecnicamente no com-plexo labirinto das decisões a serem tomadas. Sempre participaram

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desta equipe, é verdade, comunistas, como também socialistas e ca-tólicos ferventes e praticantes e economistas e técnicos, muitos deles com um santo horror às lutas ideológicas, mas todos irmanados e galvanizados por um só ideal comum: a urgente transformação so-cioeconômica do estado-chave do Nordeste – Pernambuco.

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