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Segundo período 1945-2015: formas-conteúdo, difusão e crises

3 O ESPAÇO-ESCOLAR NO SISTEMA-MUNDO MODERNO

3.2 Capitalismo Histórico-Espacial e a produção do Espaço-Escolar

3.2.4 O longo século XX no Sistema-Mundo Moderno (1850-2015): o Espaço-Escolar, sua expansão e desenvolvimento desigual

3.2.4.2 Segundo período 1945-2015: formas-conteúdo, difusão e crises

Logo após da Segunda Guerra Mundial, o SMM encontra-se estremecido. Os EUA assumem a hegemonia, país que, desde o final do século XIX, já apontava ser o sucessor da Grã-Bretanha no domínio geopolítico mundial166. Com a reorganização geopolítica do mundo e a emergência da URSS, a primeira parte desse período tem tensões importantes. Os componentes econômico-políticos e ideológico-culturais do sistema-mundo conseguem uma expansão por meio da consolidação de uma EMC. Nesse contexto, a América Latina conseguirá maior protagonismo, resultado de um processo de industrialização tardia. Com

164 É importante ressaltar que neste período assistimos a uma série de movimentos na ordem econômico-politica que tem impactos nos modos de produção industrial. Temas como o fordismo, keynecianismo terão

desdobramentos importantes frente a ideias de modernização educacional. Um bom exemplo desta relação pode ser encontrado em Saviani (2008) ao descrever os processos de incipiente industrialização no Brasil e as ideias pedagógicas que começam a delinear uma modernização no Sistema Técnico da Educação.

165 A Primeira Guerra Mundial, resultado entre outras pela luta do espaço pelos centros do SMM, deixou claro que as ideias de fraternidade, igualdade e liberdade, que consolidam as revoluções europeias, eram agora objeto de debate pela contradição dos fatos. Alem da emergência de novos atores sociais que ainda hoje, tem relevância na luta pelo espaço; referimo-nos tanto a trabalhadores, mulheres e movimentos raciais, assim como a

concorrência que geraram as independências no século XIX.

166 J. Hobson em seu texto intitulado “A evolução do Capitalismo Moderno” (1983), aponta uma série de elementos que já mostravam como os EUA estavam caminhando para ser a nova hegemonia, no final do século XIX. Cf. HOBSON, J. A evolucao do Capitalismo Moderno. Sao Paulo: VICTOR CIVITA, 1983.

isso, a região consegue a suficiente concentração técnica para inserir-se – ainda perifericamente – aos processos de produção e de modernização, ancorados nas ideias de progresso, desenvolvimento, democracia e Direitos Humanos. Tais elementos marcaram o “mito institucional”, vindos do período anterior, que é exemplificado no nascimento de um sistema-interestatal-especialização representado pela ONU. Os desdobramentos disso no Sistema Técnico da Educação, veremos, são contundentes.

Com a Segunda Guerra mundial dá-se a base para a uma série de refinamentos técnicos que permitiram o controle interestatal, fomentando a consolidação – em algumas regiões recém-integradas – e a expansão do SMM. Isto ocorreu por meio da implementação de sistemas técnicos concretos. Nesse marco, a EMC começa um percurso espacial procurando sair das tensões do capital, o efeito destrutivo que deixou a guerra, a mudança do padrão do ouro pelo dólar – reforçando o papel de EUA, a caída dos preços do petróleo numa sociedade que se baseia nesse combustível. Esse desafio se mostrava expressivo dada à configuração urbana das grandes cidades que tinha, e ainda tem, o automóvel como eixo de mobilização. Além disso, era preciso enfrentar as tensões da denominada Guerra Fria no aparato geopolítico167. Em conjunto, marcam um período de transformações importantes, que agudizam os temas como o espaço geográfico e sua territorialidade pela afirmação de determinados grupos sociais e a emergência de outros.

Um elemento que mostra bem as tensões no interior do SMM, e que marca sua crise, está na Revolução de 1968 (WALLERSTEIN, 2005), pois ela conjuga a incidência dos movimentos antissistêmicos, que reivindicam lutas não concretizadas pelos movimentos do século XIX e que terminam por alimentar outros novos de descolonização na Ásia e África, além de outros contrários às ditaduras na América Latina. O panorama completa-se posteriormente, no final dos anos 1980, com a decadência da URSS e o passo para uma liderança hegemônica dos EUA, num panorama onde o sistema-mundial parecerá conseguir, ao menos no discurso, a totalização-globalização dos seus componentes.

No início dos anos 2000, o atentado terrorista contra as Torres Gêmeas, World Trade Center, em Nova York, não só abriu a porta para o reconhecimento da crise do SMM, mas

167 No período entre 1945-1990 se caracterizou no SMM como de carácter bipolar – em aparências. Para Immanuel Wallerstein (2005) a emergência de dois blocos – URSS e EUA, no fundo fazem parte e se

fundamentam sobre um repertório de meios e fins que se ancoram na geocultura do SMM. A denominada Guerra Fria, paralelamente, suporia um mundo no qual competência pelo controle geopolítico por parte destas potências daria como resultado um indubitável desequilíbrio e polarização que daria força a aparentes contra posições discursivas. De igual maneira devemos assinalar que com a caída da URSS o mundo bipolar acabaria, e não precisamente se um estabeleceria carácter unipolar – que seria a hegemonia de EUA logo depois 1990, senão um mundo multipolar, entendendo que a crise do SMM é um período Técnico-científica-Informacional (SANTOS, 2000).

também de quem era hegemonia mundial. Esse impacto literal, no jogo geopolítico mundial, gera um movimento que volta toda sua atenção à força ancorada na violência, o que deixará ainda mais aguda a organização de grupos antissistêmicos radicais – extremismo168 –, além da consolidação de sistemas interestatais em diferentes escalas, como os denominados BRICS169, que focam processos de desenvolvimento em regiões até agora periféricas dos tradicionais centros, além de contribuir para reclamar um papel de maior protagonismo dentro do SMM.

Paralelamente, temas como a Primavera Árabe, a construção de Canal Interoceânico na Nicarágua pela China, as agudas tensões migratórias, xenofobia raciais e religiosas no mundo e, particularmente, nos centros do SMM, além da crise econômica de 2008, marcaram um completo panorama que se conjuga com expectativas de desenvolvimento e a situação do capital, além da transferência técnico-científica-informacional. O sistema técnico-educativo encontra-se no centro dessas questões.

Nesse período transitam muitos componentes ideológico-culturais que fazem parte da “geocultura” e resultam da herança que deixou a transferência técnica na etapa concorrencial, como é o caso de: (i) a permanência das teorias geopolíticas do século XIX, onde os postulados apontados pelo Halford John Mackinder (1861-1947), além das discussões da época sobre o espaço, encontram ressonância nesse período, particularmente nas regiões periféricas e semiperiféricas como a Índia, o Brasil e o Sul África, que começam a assumir um papel importante no sistema-mundial; (ii) o permanente discurso da democracia liberadora como eixo de luta nas crises do SMM, argumento que funciona como arma para a invasão dos Estado-Nacionais marginados do status-quo eurocentrado, além de ancorar um mito baseado nos Direitos Humanos e nos processos civilizatórios; (iii) o papel que tem os interesses interestatais agora impulsionados pela especialização – refinamento técnico, representado na reticulada estrutura da ONU; (iv) o aumento na emergência e crescimento de atores e movimentos de difícil demarcação; (v) a expansão dos canais de comunicação hoje são mais difíceis de controlar, bastando ter em conta o incremento nos emissores; finalmente, e para mostra na região da América Latina, (vi) temos a retomada de linhas de ação política orientadas para a atenção social, retomando o Estado benfeitor – tema criticado por muitos que o consideram um retrocesso e, com isso, temos o papel que sociedades de referência atípicas como a Rússia e a China.

168 Ainda que possamos assinalar que a contradição está vinculada precisamente ao “universalismo” pretendido na base eurocentrada do SMM. A configuração institucional deste sistema bate de frente com as estruturas socioculturais de sociedades ancoradas em pressupostos, maiormente religiosos, o que aponta a uma continuação do mito civilizatório sustentado na violência física e epistemológica.

169 Grupo que acolhe as denominadas, a partir de 2000, economias emergentes. Neste grupo temos, seguindo a sigla; Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.

O refinamento técnico do SMM, mediante as possibilidades de transferência técnica, encontra-se de maneira geral nos centros com características próprias do meio técnico- científico-informacional. A compressão do espaço-tempo dissemina a percepção de que a mundialização dos sistemas técnicos acontece tão somente por intermédio da aceitação, pelos diferentes países, dos “mitos institucionais” ancorados na democracia, livre mercado e Direitos Humanos. Contudo, como adverte Santos (2000), o meio técnico caracteriza-se a confluência técnica – já diferenciada na espacialidade do SMM, com a ciência – ancorada numa epistemologia que valoriza o universalismo europeu e a informação – restrita para quem não possui a capacidade técnica de decodificá-la. Assim vivemos em um mundo altamente excludente, embora a difusão de receitas e ferramentas de desenvolvimento esteja disseminada de modo acelerado.

Una de las características destacadas del sistema actual, comparado com los anteriores, es la rapidez de su difusión. Las innovaciones introducidas en los veinte años posteriores a la segunda guerra mundial se han expandido dos veces más rápidamente que aquellas introducidas después de la primera guerra mundial y tres veces más que las incorporadas entre 1890 y 1919. (SANTOS, 2000, p. 151)170.

Essa velocidade, mais que assegurar a transferência técnica, em nossa perspectiva, gera a aglomeração de sistemas técnicos e seus subsequentes sistemas de objetos e ações de um jeito isomórfico, o que gera contradições entre a forma-conteúdo que produzem o espaço. Tema que se desdobra no Sistema Técnico da Educação e no Espaço-Escolar.

Muitos dos avanços técnicos derivados do período anteriormente abordado (1850- 1945) e nesse segundo, não são transferidos por todo o sistema-mundo, ainda que os processos de modernização sejam uma constante e a produção do espaço esteja ancorada mais que nunca no capital e na produção dos sistemas de objetos e ações.

O domínio do Estado, ancorado nos postulados da geocultura que legitimam sua existência para o SMM ou seu ostracismo, gera controle, segundo o Wallerstein (2005), em sete áreas: (i) as regras de intercâmbio nas suas fronteiras; (ii) nos marcos jurídicos; (iii) nas regras para o emprego e o desemprego; (iv) nos custos assumidos pelas empresas; (v) o controle ou via livre aos monopólios; (vi) na cobrança de impostos e (vii) na vigilância de suas fronteiras – território na visão clássica. Acrescentamos que ele tem também um controle

170 Uma das características excepcionais do sistema atual, em comparação com as anteriores, é a velocidade de sua difusão. As inovações introduzidas nos vinte anos após a Segunda Guerra Mundial expandiram-se duas vezes mais rapidamente do que as introduzidas após a Primeira Guerra Mundial e três vezes mais do que as introduzidas entre 1890 e 1919. (SANTOS, 2000, p.151)

sobre o Sistema Técnico da Educação. Essas áreas de influência geram a possibilidade de situar capitais num território determinado e, com isso, o favorecimento da transferência técnica-científica-informacional de sistemas técnicos como a educação.

É por isso que a articulação dos Estados-Nacionais ao sistema-interestatal- especializado resulta determinante vital na análise da produção do espaço. Os sistemas técnicos gerados no interior do SMM e transferidos as semiperiferias e periferias requerem a legitimação desse sistema-interestatal, sendo esse é o caso do Sistema Técnico da Educação – exemplo disso é o papel da Unesco-ONU.

Esse tema se torna relevante e complexo pelo marco isomórfico de sistemas de objetos e ações que produz o Espaço-Escolar, no qual se pode, com prova empírica da hierarquia espacial do SMM, ver a deficiente transferência técnica na América Latina, ainda que na ordem ideológico-cultural dita transferência seja pontual. Para Meyer e Ramirez (2010), a educação “é uma instituição construída culturalmente e não uma resposta prática às necessidades sociais. A educação moderna elabora concepções modernas da pessoa, da sociedade ideal e dos contextos naturais dos direitos humanos” (MEYER; RAMIREZ, 2010, p. 22).

Nesse sentido, para os autores é importante compreender que os mitos racionalizados, vinculados aos sistemas técnicos, ancoram-se a partir da: (i) elaboração de redes de relações complexas; (ii) de um grau de organização coletiva e (iii) do esforço da liderança das organizações locais. Essa racionalização vincula-se aos processos de modernização e fomenta os mitos institucionalizados, promovendo ajustes espaços-temporais que impactam o sistema- técnico da educação. Na visão da teoria institucional:

[...]los mecanismos fundamentales de la rápida difusión de tales instituciones modernas como la educación se encuentran en: 1) las identidades comunes y racionalizadas de los estados-nación, 2) el enraizamiento común de esas identidades en doctrinas de ciudadanía individual, y 3) la inmersión cultural racionalista en ideas técnicas comunes como las que promueve la educación. Estos aspectos comunes organizan a la sociedad mundial. (MEYER; RAMIREZ 2010, p. 117)171.

Nesse sentido, e com a transferência técnica, é possível apontar que o Sistema Técnico da Educação, no período, está fortemente influenciado pelos aportes do período

171 [...] os mecanismos fundamentais da rápida difusão de instituições modernas como a educação são

encontrados em: (1) as identidades comuns e racionalizadas de estados-nação; (2) o enraizamento comum dessas identidades em doutrinas de cidadania individual, e (3) imersão cultural racionalista em idéias técnicas comuns, como as promovidas pela educação. Estes aspectos comuns organizam a sociedade mundial. (MEYER E RAMÍREZ 2010, p.117)

imediatamente anterior, em que a Sociologia172 e a Psicologia173 são protagonistas, esta para exemplificar os trabalhos de Ralph W. Tyler (1902-1994), influenciado por J. Dewey. Seus apontamentos de objetos específicos dentro da educação, como o currículo planejado, serão implantados pelas escolas do EUA – agora sociedade de referência – e transferidos em parte pelo sistema interestatal-especializado. O trabalho desse norte-americano no campo da avaliação, vinculado à National Assessment of Educational Progress – Naep, ajuda em seu reconhecimento como avaliador e teórico do currículo (EISNER, 2011). O planejamento curricular, a concretude de objetivos para gerar experiências de aprendizagem envolve, sobretudo, os testes, como aponta Eisner (2008):

[…] el punto de testage no era crear un distribución entre las notas de los alumnos, sino ofrecer una forma de aprimorar el currículo y determinar si los alumnos habían alcanzado sus objetivos […] los test requerían, en la terminología de estos días, poseer criterios de referencia en vez de normas de referencia. (EISNER, 2008, p. 77)174.

O desdobramento é evidente ao oferecer um olhar racionalizado e de auditoria dentro do Sistema Técnico da Educação, o que marcaria, por exemplo, muitas das recomendações do sistema-interestatal-especializado. É importante considerar que os EUA, em seu papel de sociedade de referência, teve em Benjamin S. Bloom (1913-1999) um representante, que adequou instrumentos de avaliação para a medição de comportamentos concretos (HUSÉN, 2011). Sua participação em diversos projetos educativos175, particularmente na avaliação e planejamento, se estenderá à Unesco-ONU, que contou com sua participação direta em vários seminários para países em desenvolvimento.

172 Pode ser mencionado o Norte-americano Henry Giroux que propõe toda uma discussão sobre o tema da ideologia e cultura, para a construção de uma pedagogia neomarxista (GADOTTI, 2003). Ele influencia autores como P. Mclaren e M. Apple, com indubitáveis desdobramentos na educação, particularmente na América Latina.

173 Autores como, por exemplo, Skinner centra-se na Psicologia comparativa e experimental, fomentando a criação de um campo denominado Análise Experimental do Comportamento (BLEWLEY, 2008).

Acompanhado a corrente influenciada por Thorndike (1874-1949), o norte-americano Frederick Skinner (1904- 1990) será influenciado pelos trabalhos do russo I. Pavlov. O chamado Behaviorismo dará ao pensamento de Skinner elementos relacionados com o planejamento educacional e a importância da ciência para a aprendizagem e mudança do comportamento humano. Ele é considerado como o pioneiro da “tecnologia educacional” nas palavras de Husén (2011).

174 [...] o ponto de teste não era criar uma distribuição entre as notas do aluno, mas oferecer uma maneira de melhorar o currículo e determinar se os alunos atingiram seus objetivos [...] os testes necessários, na terminologia desses dias, tem benchmarks em vez de benchmarks. (EISNER, 2008, página 77)

175 Bloom também participou das agências destinadas a avaliação como a Association for the Evalation of Educational Achivement (IEA) na década de 1960. Importante menção merece o livro de 1956 Taxonomy of

Education Objetives, escrito Krathwohl. Nele os autores desenvolvem uma exposição da taxonomia de objetivos

Podemos dizer que os aportes da Sociologia e da Psicologia aportaram muitas das ideias pedagógicas nesse período. De qualquer forma, esse sistema técnico é marcado pela da ideia de progresso e caminho para conectar-se aos sistemas-redes da EMC, particularmente no que é seu componente ideológico-cultural indissociadamente do econômico-político. Sobre esse fato, Escolano (2000) mostra-nos que:

En las sociedades avanzadas, el tiempo escolar ha entrado en el ámbito de los valores cotizables […] los cronosistemas modernos se diseñan y evalúan por créditos, un constructo creado por la reciente accountability, técnica de cuenta y razón ideada por la tecnocracia académica para racionalizar la cotización de los diplomas y cursos en la bolsa de la globalización y para garantizar la movilidad que el mercado genera. (ESCOLANO, 2000, p. 143)176.

Tal fato se evidencia nos processos de urbanização – vinculados à modernização, que vão ser acompanhados de uma série de recomendações que conectam os sistemas de objetos e ações, premeditadamente pensados para o Sistema Técnico da Educação. Tudo isso vai produzindo um Espaço-Escolar que compartilha proximidades em sua forma-conteúdo, ainda que contraditória, com a hierarquia espacial do SMM.

Nesse panorama, é contundente a configuração do meio técnico-científico- informacional (SANTOS, 2000) e a tentativa de tornar, cada vez mais convergentes, as redes e os artefatos, de modo que a integração possa ser simultânea e instantânea. Vivemos em um tempo em que a convergência midiática se mostra desenvolvida177. O aparecimento do computador pessoal, a internet e os dispositivos móveis permite um fluxo maior na circulação de informações; sua transferência, além de converter a Mídia numa reprodutora de conhecimentos de todo tipo. Isso foi possível pelo refinamento técnico articulado com os processos de produção do espaço pelo capital.

Com isso, o Espaço-Escolar que vem com processos acelerados de aglomeração de sistemas de ações e de objetos – desde finais do século XIX, particularmente nas regiões onde o desenvolvimento espacial desigual afeta sua recepção técnica – começa a ter aderência a um

176 Nas sociedades avançadas, o horário escolar entrou na gama de valores citados [...] os cronossistemas modernos são projetados e avaliados pelo crédito, um constructo criado pela recente técnica de responsabilidade, conta e razão elaborada pela tecnocracia acadêmica para racionalizar o preço dos diplomas e cursos no

intercâmbio de globalização e para garantir a mobilidade que o mercado gera. (ESCOLANO, 2000, p.143). 177 Ancoramo-nos na definição expressa por Vera França (2012, p. 11): “Mídia, palavra latina, já abrasileirada, significa “meios” no plural. Meios de comunicação, meios através dos quais circulam informações, mensagens, imagens; instrumentos e dispositivos através dos quais estabelecemos relações uns com os outros, e com o mundo. Aí se encaixam, portanto, a voz, o rosto, o papel, a escrita, as diferentes formas de imagens visuais”. Cf. FRANÇA, V. O acontecimento e a mídia. Galaxia, n. 24, p. 10-21, 2012. Disponível em:

maior número desses sistemas, ajudado pela convergência digital, numa velocidade tal, que há a percepção de uma crise estrutural em sua forma-conteúdo. Nesse contexto, configuram-se os espaços-rede, que agudizam as tensões e contradições com os espaços-zonais, da contiguidade física.

Tudo isso aponta para a impossibilidade de ignorar a existência de um Espaço-Escolar entrelaçado com os aspectos mundiais. As crises, então, do sistema-mundo e do Espaço- Escolar, acontecem pela concentração dos componentes econômico-políticos e ideológico- culturais que, na geração dos sistemas técnicos e seus subsequentes sistemas de objetos e ações, derivam num movimento contraditório de concentração-bifurcação no espaço nas diferentes escalas geográficas.