CAPÍTULO 2: PLANOS BRASILEIROS DE DESENVOLVIMENTO
2.3 Planos Plurianuais
2.3.2 Segundo Plano Plurianual
O segundo PPA, vigorou de 1996 a 1999. A elaboração e execução desse esteve sob a responsabilidade de uma nova administração que contava com políticos experientes, acadêmicos de expressão, tecnocratas competentes e alguns poucos empresários Garcia (2000).
Segundo Garcia (2000, p.16), no segundo PPA houve deficiências no enfoque e nos métodos de planejamento e programação adotados. O autor afirma que “Em nada esses enfoques e métodos se distinguiram dos praticados na elaboração e execução do primeiro PPA...”. O autor também comenta que “o reducionismo conceitual e o distanciamento dos altos dirigentes fez do segundo PPA mais um documento formal, um simples cumprimento de determinações constitucionais” (Garcia 2000, p.15), pois, a equipe dirigente do governo, ao
lançar o programa Brasil em Ação, selecionando 42 projetos considerados prioritários, mostrou não-comprometimento com o PPA.
Com relação à política de C&T, o objetivo geral do segundo PPA foi a capacitação científica e tecnológica, também considerada fator essencial para viabilizar o projeto de desenvolvimento sócio-econômico sustentável do País. O plano justifica este esse objetivo apontando para a necessidade de ampliação e ajuste da base de C&T, no sentido de capacitá-la a atender às demandas então vigentes e às necessidades futuras da sociedade, incluído o estímulo às inovações e ao acompanhamento do progresso tecnológico observado nos países desenvolvidos. Para tal, eram essenciais o crescimento dos dispêndios e a diversificação das fontes de investimentos no financiamento das atividades de C&T. Neste cenário, ao MCT cabia o aperfeiçoamento dos instrumentos de mobilização dos participantes no processo de capacitação científica e tecnológica, além do desenvolvimento de ações de forma integrada, cooperativa e em parcerias (MCT, 1996).
No segundo PPA, os objetivos da política de C&T foram agrupados em dois grupos (MCT, 1996, p.22), com objetivos temáticos específicos (Quadro 2):
Quadro 2: Objetivos da Política de C&T do Segundo PPA
1. Aplicações: C&T para o
desenvolvimento;
i. Competitividade;
ii. Solução de Problemas Sociais e Regionais; iii. Meio Ambiente;
iv. Ciência, Tecnologia e Aplicações Espaciais; v. Tecnologia Nuclear;
vi. Tecnologia Militar; vii. C&T Agrícola;
viii. C&T e Infra-estrutura Produtiva. 2. Capacitação do
Sistema de C&T.
i. Atividades Estratégicas;
ii. Base Técnico-Científica Nacional: iii. Formação de Recursos Humanos; iv. Infra-estrutura de P&D.
Para cada um dos objetivos previstos houve detalhamento específico quanto à aplicação e à fixação das metas, regionalizadas em alguns casos. Diferentemente do plano anterior, o segundo PPA explicitou três elementos chaves no processo execução da política de C&T (agentes envolvidos, programas e instrumentos), para cada um dos objetivos.
Segundo o relatório da OEA [1999?], de acordo com as normas de conduta previstas no segundo PPA, os programas nacionais em execução giravam em torno de cinco objetivos, resumidos em:
i. infra-estrutura de C&T e qualificação de pessoal; ii. produtividade, tecnologias portadoras do futuro;
iii. viabilização dos ecossistemas e o uso sustentável dos recursos naturais;
iv. promoção do desenvolvimento social e regional.
Os principais programas para cumprimento das diretrizes da política de C&T estabelecidas pelo segundo PPA foram conduzidos através do MCT. Alguns atendiam a mais de um dos objetivos estabelecidos. Com relação à Infra-estrutura de C&T e qualificação de pessoal, os principais mecanismos, instrumentos, agentes e atores envolvidos na execução do plano foram (OEA, [1999?]):
i. CNPq (fomento);
ii. FNDCT (financiamento);
iii. PADCT e CAPES (bolsas no País e no exterior); iv. Centros de Excelência (Programa Pronex);
v. Institutos de pesquisa.
À época da elaboração do segundo PPA, a estrutura do sistema de pós- graduação contava com mais de 1.600 cursos de mestrado e doutorado, e formava, internamente, cerca de 5.000 novos mestres e 1.500 doutores por ano. Embora houvesse sido mencionada em planos anteriores, persistia o desequilíbrio quantitativo entre as diversas áreas, a insuficiência de pessoal de nível superior e nível técnico em áreas estratégias das ciências básicas e da pesquisa tecnológica. A capacitação de RH, com a alocação de recursos direcionada preferencialmente para as regiões de bases econômicas mais frágeis, era uma dentre as prioridades contidas no segundo PPA.
A reestruturação do sistema de C&T foi apontada no documento como a forma de viabilizar a retomada do desenvolvimento sustent ável. Dentre outros procedimentos, falou-se na revisão das missões e formas de atuação das agências, de modo a regularizar o fluxo dos investimentos em pesquisa e
formação de RH. O plano menciona, também, como uma de suas metas, alcançar um volume de recursos de 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB) no ano de 1999.
Quanto aos objetivos e metas, com relação à base técnico-científica nacional, ficou estabelecido quanto à formação de RH:
i. Ampliar o número de cientistas, engenheiros e técnicos, através da concessão de 240.000 bolsas no País e no Exterior (195.000 do CNPq e 45.000 de outras fontes), em todas as modalidades, desde a iniciação científica, à agregação de pessoal qualificado para capacitação tecnológica das empresas, à formação de cientistas, tecnólogos e engenheiros;
ii. Promover o aprimoramento científico e tecnológico dos profissionais de nível superior, no País e no Exterior, através da concessão de 125.000 bolsas pela CAPES;
iii. Apoiar cursos de pós-graduação como forma de auxiliar sua continuidade e fomentar novos programas, como meta 1.775 cursos/ano;
iv. Garantir o fomento ao ensino e à pesquisa nas instituições federais de ensino superior.
Mesmo tendo sido concebido sob um discurso inovador, persistiram as deficiências, limitações, desconhecimento sobre os processos governamentais, erros e insegurança nas tomadas de decisões. Para solucionar tais questões foi constituído o Grupo de Trabalho Interministerial (GTI). Em 1997, o GTI finalizou seus trabalhos e apresentou as inovações necessárias, buscando integrar o planejamento com a programação orçamentária, mediante o aperfeiçoamento das definições e conceituações das principais categorias programáticas do PPA, da LDO e do Orçamento Geral da União (OGU) (Garcia, 2000).
Dentre as importantes inovações estabelecidas pelo GTI, a transformação do Programa na unidade básica de organização do PPA e o módulo de integração do plano com o orçamento representou um avanço, pois a técnica de orçamento
por programas é recomendada há décadas pela ONU. Permite, desse modo, uma maior conformação com a prática mundial da avaliação por programas, flexibilizando do uso das mais diversas abordagens.