sobra do produto concentrado
Aula 17 Segurança no preparo da calda
Nesta aula você vai aprender que o preparo da calda é o mo- mento em que o trabalhador está mais sujeito a contaminação.
17.1 Cuidados ao manipular
produtos agropecuários
A manipulação da calda exige muitos cuidados, pois é neste momento que o trabalhador está manuseando o produto concentrado. Nesta etapa você deve tomar diversas precauções para evitar acidentes, dentre as quais se des- tacam as relacionadas abaixo. Na figura 17.1 temos um exemplo de como manipular os produtos concentrados.
Figura 17.1: Preparação da calda para aplicação. Fonte: FUNDACENTRO (2002).
• Abra a embalagem com cuidado para evitar derramamento do produto;
• Utilize balanças, copos graduados, baldes e funis específicos para o pre-
paro da calda;
• Faça a lavagem da embalagem vazia logo após o seu esvaziamento;
• Após o preparo da calda, lave os utensílios e seque-os ao sol;
• Use apenas o agitador do pulverizador para misturar a calda;
• Utilize sempre água limpa para preparar a calda e evitar o entupimento
dos bicos do pulverizador;
• Verifique se todas as embalagens usadas estão fechadas e guarde-as no
depósito;
• Manuseie os produtos longe de crianças, animais e pessoas desprotegidas.
17.2 Tecnologia e segurança na aplicação
Tecnologia consiste na aplicação dos conhecimentos científicos a um deter- minado processo produtivo. Dessa forma, entende-se como “Tecnologia de Aplicação de Produtos Fitossanitários” o emprego de todos os conhecimen- tos científicos que proporcionem a correta colocação do produto biologica- mente ativo no alvo, em quantidade necessária, de forma econômica, com o mínimo de contaminação de outras áreas (MATUO, 2001).Para termos segurança durante o trabalho de pulverização, o aplicador deve procurar não ser atingido pelo produto carregado pelo vento, assim como deve evitar caminhar entre plantações que foram recém-pulverizadas, dimi- nuindo a sua exposição (FUNDACENTRO, 2002).
• Diferença entre pulverização e aplicação
a) Pulverização: processo físico-mecânico de transformação de uma subs-
tância líquida em partículas ou gotas.
b) Aplicação: colocação de gotas sobre um alvo desejado, com tamanho e
densidade adequados ao objetivo proposto.
• Diferença entre regular e calibrar o equipamento
a) Regular: ajustar os componentes da máquina às características da cultu-
ra e produtos a serem utilizados. Ex.: Ajuste da velocidade, espaçamento entre bicos, altura da barra entre outros.
b) Calibrar: verificar a vazão das pontas, determinar o volume de aplicação
e a quantidade de produto a ser colocada no tanque. É muito comum os aplicadores ignorarem a regulagem e realizarem apenas a calibração, o que pode provocar perdas significativas de tempo e de produto.
• Interação entre o produto e o pulverizador
Quando se pensa em pulverização, deve-se ter em mente fatores como: o alvo a ser atingido; as características do produto utilizado; a máquina; o momento da aplicação, e as condições ambientais não estarão agindo de forma isolada. A interação destes fatores é a responsável direta pela eficácia ou ineficácia do controle. Qualquer uma destas interações que for descon- siderada, ou equacionada de forma errônea, poderá ser a responsável pelo insucesso da operação. O aplicador sempre deve estar atento à interação produto x pulverizador, por ser uma das que mais frequentemente causam problemas no campo.
Nas áreas onde o agrotóxico está sendo aplicado não deve haver qualquer outro tipo de atividade, nem ser permitido o acesso de pessoas sem ves- timentas e equipamentos de proteção, até que seja cumprido o “período de reentrada” estabelecido no rótulo ou na bula dos produtos utilizados naquela área.
A aplicação deve ser planejada e executada de forma a evitar a contamina- ção dos outras áreas de produção (culturas, pastagens, etc.), rios, lagos ou fontes de água utilizadas pela população. A figura 17.2 nos mostra uma forma segura de aplicar agrotóxico, que é a favor do vento.
Figura 17.2: Aplicação de agrotóxico. Fonte: FUNDACENTRO (2002).
O número de pessoas que se contaminam com agrotóxicos é preocupante no Paraná. Na maioria das vezes, são trabalhadores rurais que não tomam os cuidados necessários. Em todo o estado, a quantidade de acidentes com este tipo de produto só perde para as intoxicações com medicamentos. Segundo dados da Divisão de Zoonoses da Secretaria Estadual de Saúde, são feitas em média cerca de 200 notificações por mês de casos de intoxicação por agrotóxicos. O Paraná é o segundo consumidor do produto no País, com cerca de 40 mil toneladas por ano, conforme mostra a reportagem http:// www. noticias.ambientebrasil. com.br/.../28988-no-parana- acidentes-com-.
O uso de agrotóxicos na agricultura brasileira é intenso e, apesar disso, são escassos os estudos de base populacional sobre as características da utilização ocupacional ou sobre as intoxicações por agrotóxicos. O estudo de Faria et al, (2004) Faculdade de Medicina da Universidade federal de Pelota/ RS objetivou construir um perfil da exposição aos agrotóxicos e analisar a incidência de intoxicações por estes produtos. Os resultados de seu estudo fornecem instrumentos para ações visando à redução das intoxicações ocupacionais por agrotóxicos. Você pode ler todas as pesquisas realizadas para chegar a esta conclusão em: http:// www.scielo.br/pdf/csp/ v20n5/24.pdf
Resumo
Nesta aula você aprendeu que o preparo da calda é o momento em que o trabalhador está mais sujeito a contaminação; deve-se verificar a direção do vento antes de iniciar uma aplicação para evitar maiores contaminações.
Atividades de aprendizagem
Nos dois casos relatados nessa aula, você observou que o uso de agrotóxico é intenso e que no Estado do Paraná são feitas em média 200 notificações de intoxicação por mês. Dessa forma reflita sobre as seguintes questões:
1. Por que podem ocorrer acidentes na etapa de manipulação do produto
concentrado?
2. Que eventos de ordem física, você futuro técnico de segurança do traba-
lho, deve conhecer antes de iniciar uma aplicação de agrotóxico?