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SEGURANÇA PÚBLICA

No documento 2011 MPOG PPA 2012-2015 (páginas 97-99)

A segurança pública está entre as principais preocupações dos brasileiros, aparecendo nas primeiras colocações em diferentes pesquisas de opinião pública (IBOPE, 2010; DataSenado, 2010; Instituto Akatu, 2009). Dados recentes do IPEA mostram sensação de insegurança entre a população: 78,6% dos brasileiros adultos têm muito medo de serem assassinados e 73,7% têm muito medo de serem vítimas de assalto à mão armada (SIPS, 2010).

A sensação de insegurança está diretamente associada ao fenômeno da violência, que tem nos homicídios uma de suas expressões mais cruéis. Em 2009, foram registrados mais de 48 mil homicídios no país, correspondendo a uma taxa de cerca de 25 homicídios por 100 mil habitantes. No âmbito regional, as maiores taxas são observadas no Norte (33,0) e no Nordeste (32,5). No que se refere aos segmentos mais vulneráveis, registra-se

que a incidência dos homicídios é maior nos homens jovens (102,61), destacando-se os de raça/cor negra (131,75).

A tendência é de queda e estabilização da taxa de homicídios no país, porém, ao se comparar as diversas macrorregiões brasileiras, percebe-se que o movimento de redução dos homicídios na Região Sudeste é contraposto pelo crescimento da taxa nas outras regiões, destacando-se as regiões Norte e Nordeste. Outra tendência no cenário de segurança pública é a interiorização da violência, expressa pelo crescimento dos homicídios nas cidades médias e regiões de fronteira, que estão em franco crescimento populacional. A configuração territorial da violência também aponta para uma desconcentração dos homicídios brasileiros de grandes aglomerações urbanas do Sudeste, com aumento da sua incidência em capitais e regiões metropolitanas do Nordeste e do Norte.

Um dos principais desafios da segurança é lidar com os espaços urbanos deflagrados, típicos de grandes cidades. Cabe avançar no restabelecimento da presença do Estado nessas regiões, fortalecendo a integração de ações de prevenção da violência e combate de suas causas com ações de repressão e ordenamento social.

Em larga medida, as ações do governo federal têm buscado responder aos desafios no setor, quais sejam: a consolidação de uma visão mais integrada dos problemas associados à segurança pública; a revisão do modelo de policiamento em prol de maior aproximação entre a polícia e a sociedade; o investimento em ações estratégicas e de inteligência com base em informações qualificadas; a superação da visão do encarceramento como forma prioritária de promover o tratamento e a reinserção social dos infratores; a ampliação dos espaços de participação democrática na gestão da política de segurança pública; e, não menos importante, o compartilhamento de diretrizes e a articulação de algumas iniciativas em nível nacional. Deve-se reconhecer que a ampliação dos investimentos na política de segurança pública vem destinando recursos não apenas para o funcionamento e modernização dos órgãos clássicos do setor, ou seja, as forças policiais e o sistema judiciário penal, mas também para os programas referentes às políticas preventivas da criminalidade e da violência.

Entre as medidas estruturais, voltadas para as instituições de justiça e segurança, destaca- se a capacitação de agentes de segurança pública, dentro da visão de polícia comunitária. A segurança na fronteira brasileira ganha destaque no próximo PPA, pois esses territórios são a principal via de abastecimento do crime organizado no país e porta de entrada de drogas, armas e contrabando. O Brasil possui 16.399 km de fronteira, que coloca o desafio para o governo federal, em parcerias com entes federados e outros países, de ampliar a presença efetiva do Estado nessas áreas.

No que diz respeito à política penitenciária, o déficit prisional no país impõe-se como um dos grandes desafios para o governo na área de segurança pública. Para enfrentar

este problema, o Governo Federal, em parceria com as unidades da federação, pretende reduzir o déficit carcerário fortalecendo os investimentos em ampliação de vagas e incentivando instrumentos que contribuem para a redução da população carcerária, como o instituto da liberdade vigiada por meio do monitoramento eletrônico. Outra meta do PPA é implantar o Sistema Nacional de Alternativas Penais, que visa não só reduzir a demanda por vagas no regime fechado, como também promover a humanização do sistema de justiça penal, já que este se mostra mais efetivo na reabilitação e reinserção social dos condenados.

A agenda de grandes eventos esportivos internacionais que serão sediados pelo Brasil nos próximos anos é outro foco que tem demandado atenção, devido ao grande número de pessoas que se espera reunir, e em torno do qual o Governo Federal deve manter esforços, especialmente em treinamento, inteligência policial e aparelhamento das instituições de segurança pública.

Quanto ao consumo de drogas, têm sido empreendidos esforços para a convergência de ações dos diferentes segmentos do governo e da sociedade civil para implantação de políticas de prevenção do uso indevido, atenção e reinserção social dos usuários e dependentes de drogas. Destaca-se a previsão de instalação dos Centros Regionais de Referência no âmbito de instituições de ensino superior públicas para formação permanente dos profissionais que atuam no âmbito da justiça e nas redes de atenção integral à saúde e de assistência social com usuários de crack e outras drogas e com seus familiares. A iniciativa proporcionará um grande avanço no desafio de capacitar os atores governamentais e não-governamentais necessários para desenvolver ações voltadas à prevenção do uso, ao tratamento e à reinserção social de usuários de drogas e ao enfrentamento do tráfico de drogas ilícitas.

No documento 2011 MPOG PPA 2012-2015 (páginas 97-99)