CAPÍTULO 2: O ACIDENTE DO TRABALHO, A RESPONSABILIDADE DO EMPREGADOR E O
2.1.4 SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO – SAT/GILRAT
SAT/GILRAT.
A primeira norma que tratou do tema do acidente do trabalho foi a Lei nº 3.724 de 15 de janeiro de 1919, que adotou a teoria do risco profissional. Essa teoria decorria da atividade profissional da vítima. Veio para introduzir definitivamente a teoria da responsabilidade objetiva do empregador, afastando a discussão em torno da culpa. Havendo o acidente de trabalho, a responsabilidade pela indenização era do empregador, não havendo necessidade de se averiguar quem teve culpa no acidente. Santos, M. (2014).
Portanto foi criado o Seguro de Acidentes de Trabalho (SAT), em 1919, de natureza privada, em que o empregador contratava uma empresa para cobrir e reparar qualquer questão decorrente de acidente de trabalho sofrido pelo Trabalhador. Dessa forma, o empregador repassava à empresa seguradora a responsabilidade de cobrir as despesas decorrentes do acidente do trabalho sofrido pelo empregado.
Assim diversos diplomas legais surgiram nos últimos cem anos, culminando com a Constituição Federal de 1988, de forte conteúdo social, onde se encontram diversos artigos no âmbito da proteção acidentária, com ênfase no artigo 6º, como norma geral, e no inciso XVIII do artigo 7º, específico para Seguro de Acidentes do Trabalho, in verbis:
Art. 6º São direitos sociais ... [...] a saúde, o trabalho, [...] a segurança, a previdência social [...];
Art. 7 º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais [...]
XXII – redução dos riscos inerentes ao trabalho, por meio de normas de saúde, higiene e segurança; [...]
XVIII – seguro contra acidentes de trabalho, a cargo do empregador, sem excluir a indenização a que este está obrigado, quando incorrer em dolo ou culpa;
Por sua vez, o inciso XXVIII, do artigo 7º estabelece entre os direitos dos trabalhadores o seguro contra acidentes de trabalho, a cargo do empregador, sem excluir a indenização a que este está obrigado, quando incorrer em dolo ou culpa. O artigo 7° da CF/88, ao dispor sobre os direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, instituiu, em seu inciso XXVII, fonte de custeio adicional, suportada pelo empregador, aos benefícios decorrentes do acidente do trabalho, assegurando a redução dos riscos inerentes ao trabalho, por meio da conjugação de esforços entre saúde, segurança e higiene do trabalho.
O Seguro de Acidente do Trabalho no Brasil teve sua construção histórica a partir do século passado por intermédio dos movimentos operários e da conscientização da necessidade de proteção acidentária. O chamado SAT (Seguro de Acidentes do Trabalho), ainda de acordo com Castro e Lazzari (2009, p. 264) “trata-se de seguro obrigatório, instituído por lei,
mediante uma contribuição adicional a cargo exclusivo da empresa e destina-se à cobertura de eventos resultantes de acidente de trabalho.”
CIVIL E PREVIDENCIÁRIO. ACIDENTE DE TRABALHO. AÇÃO REGRESSIVA DO INSS CONTRA O EMPREGADOR. ART. 120 DA LEI Nº 8.213/91. PRESCRIÇÃO. RESPONSABILIDADE DA EMPRESA PELA ADOÇÃO E OBSERVÂNCIA DAS MEDIDAS DE PROTEÇÃO À SEGURANÇA DO TRABALHADOR. NEGLIGÊNCIA. SEGURO DE ACIDENTE DO
quanto à adoção e fiscalização das medidas de segurança do trabalhador, tem o INSS direito à ação regressiva prevista nos arts. 120, 121 e 19, caput e § 1º, da Lei nº 8.213/91. 2. Os fundos da previdência social, desfalcados por acidente havido hipoteticamente por culpa do empregador, são compostos por recursos de diversas fontes, tendo todas elas natureza tributária. Se sua natureza é de recursos públicos, as normas regentes da matéria devem ser as de direito público, porque o INSS busca recompor-se de perdas decorrentes de fato alheio decorrente de culpa de outrem. Assim, quando o INSS pretende ressarcir-se dos valores pagos a título de pensão por morte, a prescrição aplicada não é a prevista no Código Civil, trienal, mas, sim, a quinquenal, prevista no Decreto nº 20.910, de 6 de janeiro de 1932. 3. Para que seja caracterizada a responsabilidade da empresa, nos termos da responsabilidade civil extracontratual, imperioso que se verifique a conduta, omissiva ou comissiva, o dano, o nexo de causalidade entre esses e a culpa lato sensu da empresa. 4. O fato de a empresa contribuir para o Seguro de Acidente do Trabalho - SAT não exclui sua responsabilidade nos casos de acidente do trabalho decorrentes de culpa sua, por inobservância das normas de segurança e higiene do trabalho. 5. Cuidando-se de pretensão de ressarcimento, de índole civil, considerando-se ainda a natureza securitária da Previdência Social, os juros de mora devem incidir desde a citação, pois neste momento inicia a mora quanto ao ressarcimento pretendido. 6. Os juros de mora devem incidir no quantum indenizatório na base de 0,5% ao mês desde a data do evento danoso até 10/01/2003 (vigência no novo Código Civil), quando passam a incidir à taxa de 1% ao mês, e, a partir da vigência da Lei nº 11.960/09 (30/06/2009), devem ser aplicados os índices oficiais de remuneração básica e juros da caderneta de poupança para fins de atualização monetária, remuneração do capital e compensação da mora.” (grifos nossos).
Verifica-se, assim, que o não cumprimento pelas empresas das normas regulamentadoras quanto à saúde e segurança no trabalho aumenta o número de acidentes de trabalho, consideravelmente. A respeito desse elevado número de acidentes que tem ocorrido já há alguns anos, e permanecem até hoje, Castro e Lazzari (2014, p. 539) ressaltam:
Apesar da exigência legal de adoção, pelo empregador, de normas de higiene e segurança do trabalho, e da imposição de indenização por danos causados, em casos de conduta comissiva ou omissiva de empregador, o número de acidentes é absurdo. O aspecto da prevenção, em regra, é relegado a segundo plano pelas empresas, sendo a razão de tais números.
No mesmo entendimento, que colaboram com os pensamentos dos doutrinadores Cláudio Brandão(2005), Edilton Meireles (2016, p.58-59). No âmbito constitucional, a Carta Magna de 1988 prevê, no art. 7º, caput e inciso XXII, o direito fundamental do trabalhador à redução de riscos inerentes ao trabalho, por meios de normas de saúde, higiene e segurança, dirigidas tanto ao Poder Público quanto ao empregador privado, revelando o dever de cuidado
objetivo para com a prevenção e minimização dos riscos decorrentes da atividade laborativa. Nesse mesmo contexto, a CLT prevê, no art. 157, incisos I e II, deveres que cabem às
empresas. E ainda Vólia Bomfim Cassar(2011) que pontifica: “As doenças profissionais, os acidentes de trabalho, as enfermidades físicas e psíquicas e a redução da capacidade laborativa muitas vezes decorrem das más condições em que o trabalho se realiza ou do
ambiente hostil de trabalho (...) O empregador também está obrigado a fornecer gratuitamente o equipamento de proteção individual adequado ao risco e a mantê-lo em perfeito estado de conservação e funcionamento (art. 166 da CLT)”
A contribuição, chamada de Seguro de Acidente de Trabalho (SAT), atualmente denominada GILRAT, financia os benefícios advindos de acidentes de trabalho, assim como, as aposentadorias especiais, em virtude de doenças ocupacionais relacionadas à saúde e à integridade. A Constituição Federal de 1988, no artigo 7º, XXVIII e XXXIV, garante aos empregados urbanos, rurais e aos trabalhadores avulsos, seguro para os acidentes do trabalho, suportado pelo empregador, sem elidir sobre a indenização a que está obrigado, quando implicar dolo ou culpa.