Republicamos, na íntegra, seis textos produzidos pelo colectivo editorial Ŕ o último apenas da responsabilidade pessoal de João Freire Ŕ da revista A Ideia, em momentos diferentes da sua vida, do Verão quente de 1975 ao presente século, que se afiguram, sem esforço de análise, indicadores seguros do ideário e do itinerário da publicação ao longo dos seus 40 anos de vida. O primeiro texto corresponde à direcção de João [Paulo] Oliveira, o segundo à de Carlos Abreu, o quinto à de Miguel Serras Pereira, os restantes à de J. Freire.
I. SOCIALISMO, SIM! MAS QUAL?
A originalidade do processo aberto em Portugal pelo 25 de Abril de 74 é incontestavelmente a existência do Movimento das Forças Armadas.
Há um ano atrás, as referências que poderíamos fazer a estes militares, até à luz da leitura do seu Programa, que se limitava ao restabelecimento das liberdades fundamentais, eram: ŖEles nos roubaram essas liberdades, aqui há meio século; eles no-las devolvem; desta feita, estamos quites!ŗ
Mas no espaço de um ano, muita coisa mudou neste país. Milhares e milhares de homens começaram a despertar da longa noite fascista, a aperceber-se até que ponto era monstruoso o Ŗsilêncioŗ e a Ŗpazŗ em que dantes se vivia: silêncio e paz de cemitérios
A uma mobilização popular sem precedentes próximos, seguiu-se uma formidável fermentação reivindicativa Ŕ quando não revolucionária Ŕ abarcando largos sectores do operariado e do campesinato pobre. O capital ganhou medo e começou a recear pelos seus privilégios: em breve a crise económica estava lançada, com o seu cortejo de despedimentos e encerramento de empresas. Duas intentonas contra- revolucionárias mostram bem até onde pode ir o atrevimento da mão assassina do fascismo, que por um lado pretende jogar a carta da democracia e do boletim de voto, e por outro arma e compra os instrumentos da reacção antipopular de sempre: igual à do 18 de Brumário, dos versaillais de 1871, das cruzadas franquistas ou dos Pinochets chilenos.
Tal como tantas vezes aconteceu na primeira República ameaçada, também agora, por duas vezes, o povo desceu à rua para barrar o caminho a essa aventura e defender as suas frágeis liberdades, sem se importar com os jogos e as lógicas partidárias dominantes nas altas esferas do Estado, onde o cálculo e a demagogia tomam o lugar da generosidade e da verdade.
Externamente, o cerco do capitalismo internacional começou a apertar-se, pronto a estrangular pretensões revolucionárias perigosas para o statu quo europeu e mundial.
Mas nem a crise nem as ameaças foram capazes de ter mão na dinâmica aberta na base social, nas empresas e administrações, nas escolas, quartéis e latifúndios, respondendo taco a taco s todas as manobras do inimigo de classe. Às greves sucedem-se as ocupações; às reivindicações de salários as exigências de tipo qualitativo e gestionário.
Os partidos políticos entraram na cena portuguesa do após fascismo com todos os direitos de cidade. À noção de fascismo contrapunha-se então a democracia política, à europeia, à burguesa, e nenhum deles a rejeitava. Perante o enorme revolver de entranhas que congestionava a base da sociedade, esta unidade antifascista de fachada saltou em mil bocados e cada um tratou de controlar o mais que podia ser controlado Ŕ em desfavor do parceiro Ŕ no aparelho de Estado, na informação, no controle das organizações de massas, etc. Tudo passou a ser encarado neste plano de luta partidária pelo controle do poder, no quadro de uma gigantesca campanha eleitoral, onde todos os golpes são permitidos.
Por exemplo: a questão da reconstrução do sindicalismo trabalhador foi completamente desnaturada nas suas verdadeiras opções, para se tornar em uma batalha mais, na estratégia geral das Ŗlinhas partidáriasŗ.
Perante este impasse, e acossado por uma certa Ŗvaga de fundoŗ saída do prñprio seio da instituição. O MFA, os militares progressistas, aparecem curiosamente como o único Ŗpartidoŗ que sabe manter a sua unidade interna e incorporar os solavancos a que é sujeito, do exterior, em elementos dinamizadores do seu próprio avanço. Pensemos no caminho percorrido desde há um ano, da Ŗdemocracia políticaŗ à Ŗvia socializanteŗ e ao Ŗsocialismoŗ, da Ŗsolução política da questão colonialŗ às Ŗindependênciasŗ em vias de realização, da posição Ŗo povo é quem escolheŗ ao MFA Ŗmotor do progresso revolucionárioŗ, do liberalismo económico às nacionalizações.
Tudo isto concorreu a que o apoio popular lhe não faltasse, incluído na nova feição que tomou esta primeira consulta eleitoral, com um significado duplo, de plebiscito à orientação geral proposta e encabeçada pelo MFA, e, dentro dela, a um situar relativo das forças partidárias, e das conotações ideológicas que cada uma pressupõe. Dentro deste esquema, a esperança de uma nova sociedade, de um
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novo regime social, baseado nos valores da liberdade e da justiça, parece continuar intacta aos olhos da grande maioria do povo português.
O problema é o de como passar dessa aspiração às suas realizações práticas imediatas. A sabotagem capitalista, interior e exterior, é e será um dado permanente da evolução da situação. Mas esta encontra-se perante opções que, a curto prazo, a marcarão decisivamente. Por um lado, a existência de vanguardas que se propõem todas elas, Ŗconduzir com mão firme o barco da revoluçãoŗ. Motor (auto-proclamado) deste processo, o MFA é de facto a força mais bem colocada para o fazer. Face aos seus concorrentes partidários, ele já ganhou a primeira Ŗmãoŗ, nestes 12 meses iniciais.
Mas a enorme movimentação nas bases, a aversão ao dirigismo e ao controle partidário (mesmo de cor vermelha, muito berrante) que parecem ter fundas raízes no subconsciente histórico e psicológico das massas trabalhadoras deste país, abre uma segunda alternativa, ainda confusa, é certo, mas que vai tomando dia a dia, forma e consistência, alargando a sua influência e aprofundando as suas convicções, e que é subentendida por uma poderosa vontade igualitária e pelo desejo de ser, ela própria, responsável pelas suas escolhas e decisões. Numa palavra: desejo de acção directa.
Cremos que, como em todos os processos revolucionários, estas duas tendências (jacobina e autoritária, contra libertária e descentralizadora) acabam, mais tarde ou mais cedo, por chegar ao afrontamento inevitável, pois a primeira leva à afirmação do Poder e à submissão/demissão das massas, enquanto a segunda tende a uma expansão contínua (ignorando Estados e fronteiras) e a uma igualdade cada vez mais afirmada, pois contém em si o germe da Ŗutopiaŗ mais generosa e humana que se possa conceber: a Anarquia.
Mas as posições estão ainda longe de se estabilizarem e muitas evoluções são possíveis. Temos, no entanto, a profunda convicção de que é neste movimento das bases igualitárias e de acção directa, que está já expropriando e construindo, que um projecto concreto de socialismo libertário poderá ser concebido e elaborado, cristalizando em torno da noção Ŕ se não da palavra de ordem Ŕ de AUTOGESTÃO.
Nós, anarquistas, aí estaremos, pelo escrito, pela palavra e pela acção.
A IDEIA [n.º 3, Agosto de 1975]
II. O QUE NOS DISTINGUE
A reivindicação, genérica, da herança histórica do movimento anarquista ou libertário, nas suas múltiplas facetas e mais altas aspirações: liberdade, solidariedade, autonomia e federalismo. Dentro disto, é-nos simpática uma linha de conduta que poderemos designar por anarquismo social, teorizada por homens como Bakunine, Malatesta ou Berneri, e concretizada no terreno das realizações sociais nos momentos de maior vigor colectivo das revoluções mexicana, russa e espanhola do nosso século.
A convicção de que o mundo actual caminha inexoravelmente para formas cada vez mais impiedosas de sujeição dos indivíduos, para a degradação acelerada da convivência social e do meio natural. A oposição contemporânea capitalismo privado / socialismo estatal é mais do que nunca, uma falsa alternativa, pois não passam de dois modelos de gestão de uma mesma lógica económica e social, através de métodos de dominação política semelhantes. Só uma profunda revolução social poderá criar uma verdadeira alternativa de vida.
A vontade de compreender a realidade social e de agora sobre ela no sentido de soluções libertárias, sem preconceitos e apenas na observância dos grandes princípios do pensamento anarquista. Procuramos assim participar nas lutas sociais que se possam inserir nos nossos objectivos mais longínquos, na medida das nossas possibilidades, e desde que o método de acção fundamental seja a acção directa dos próprios interessados.
A escolha de privilegiar o campo das ideias, da formação teórica e ética, e da criação cultural, como actividade especificamente anarquista. Somos, não obstante, favoráveis à organização, seguindo no essencial os conceitos malatestianos sobre esta questão. Sendo de expressão portuguesa, procuramos actuar em consonância com esse espaço cultural e histórico, sem no entanto nos fecharmos nele.
A opção fundamental de querer a anarquia Ŕ isto é, uma sociedade organizada livremente, sem autoridade nem violência Ŕ em que é o indivíduo concreto o ponto de partida e o ponto de chegada desta utopia.
158 III. PLATAFORMA EDITORIAL
Numa época de cada vez menos certezas, marcada por contrastes de toda a ordem, é com apreensão que encaramos o ascendente que os sistemas e as instituições têm vindo progressivamente a tomar sobre os indivíduos. Quer que se considere uma qualquer situação particular, como por exemplo a portuguesa, quer domínios como a tecnologia, a cultura ou o poder, sempre deparamos com as mesmas tensões: individual/social; autonomia/dependência; realização/alienação. O anarquismo foi, no passado, uma tentativa séria para resolver estas antinomias em favor do homem. É a favor da sua herança humanista que procuramos hoje reflectir sobre os perigos e as potencialidades da civilização do nosso tempo, intervindo em favor do indivíduo e da sua liberdade e propondo outras lógicas económicas e políticas que tragam o sinal de uma cultura e de valores libertários. Tal é o sentido da existência de A Ideia.
A Ideia é uma publicação periódica de carácter doutrinário ou ideológico, guiada por ideais de liberdade
e solidariedade humanas. Como revista libertária de cultura, ela procurará reflectir sobre os mais variados temas contemporâneos: ecológicos, educacionais, económicos, políticos, locais e internacionais; promover formas de criação estética; e ainda contribuir para a investigação histórica sobre o anarquismo. A publicação da revista não tem qualquer intuito lucrativo, pelo que se agradece toda a ajuda financeira desinteressada, As contas de exploração da revista serão publicadas anualmente.
A orientação geral do periódico compete, colectivamente, ao conselho redactorial e aos colaboradores permanentes. As decisões sobre a publicação de textos, arranjo gráfico, etc., cabem ao conselho redactorial. A autoria do editorial e dos escritos porventura não assinados pertence moralmente ao conselho redactorial e, por força da lei, ao director. Pelo conteúdo dos artigos assinados respondem exclusivamente os seus autores, não sendo admitidos pseudónimos.
A Ideia acolhe colaboração escrita de pessoas que, mesmo não se considerando elas próprias anarquistas,
perspectivam os seus trabalhos numa óptica de liberdade e recusa de qualquer forma de opressão. Os originais não solicitados serão bem-vindos e cuidadosamente apreciados, sendo os seus autores notificados no caso de decisão de publicação. Os originais não serão devolvidos. Os artigos não deverão, por regra, exceder 12 páginas dactilografadas a dois espaços e deverão ser acompanhados de um breve resumo, se possível já traduzido nos idiomas francês e inglês, bem como da identificação ou currículo do seu autor. As colaborações não são remuneradas, mas os autores receberão um exemplar da revista, e caso se trate de um artigo e os autores o solicitem, dez separatas do seu texto.
A IDEIA [n.º 42/43, Novembro de 1986]
IIII. MANIFESTO LIBERTÁRIO PARA UM FIM DE SÉCULO
A liberdade é a nossa tradição. De todos os movimentos radicais de cariz libertário, e de toda a história do anarquismo mais explicitamente assumida, a conclusão que extraímos é a de que os seus valores permanecem actuais e o correspondente projecto em aberto. A autonomia individual e o autogoverno colectivo poderão suscitar as maiores incertezas e os debates mais acesos no que se refere às formas e vias da sua instituição e desenvolvimento Ŕ mas para nós são valores primeiros, pontos de referência insubstituíveis, e pensamos que continuam a conter potencialidades de resposta histórica aos desafios e impasses mortíferos deste fim de século.
Ao mesmo tempo, a liberdade só se efectiva e cresce ao ser igual para todos e nas mais diversas esferas sociais. Sem igualdade, a liberdade pode ser fictícia, tal como sem liberdade a igualdade conduz a uniformidade e despersonalização. Nós não preferimos a liberdade à igualdade, ainda que a primeira seja o nosso princípio orientador. Queremos a igualdade como condição da liberdade e do seu desenvolvimento, e vice-versa. Neste sentido, a defesa da liberdade de iniciativa, que defendemos, não pode ser entendida como a liberdade de impor aos outros uma condição de menor liberdade. De facto, liberdade e igualdade implicam-se de modo, por assim dizer, circular. Demonstram-no toda a história do século passado e do presente.
Conhecendo os efeitos resultantes da burocratização e complementar corrupção das relações sociais nos países do Ŗsocialismo realŗ, não podemos deixar, hoje, de defender a liberdade de trabalho, de ideologia política e crença religiosa, e de iniciativa económica e social, mesmo nos chamados países do Terceiro Mundo e não ignorando que eles também podem permitir formas detestáveis de dominação e exploração. O trabalho independente e associado, a participação dos trabalhadores nas organizações de trabalho e uma dimensão humana adequada destas últimas são, contudo, orientações geralmente positivas para a criação de uma verdadeira economia social que, de resto, exigirá igualmente participação, oportunidades de
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escolha, associativismo e democraticidade do lado do consumo e em todas as esferas da actividade económica.
Os anarquistas levantaram-se no passado reivindicando, antes de mais, o direito a serem eles próprios, mas julgando poderem contribuir para criar uma sociedade perfeita, sem opressões, sem Estado, sem violências. Um século mais tarde, nós consideramo-nos, em partem seus herdeiros, sobretudo o seu desejo utópico de libertação. O problema crucial é o de como o homem pode continuar livre nas nossas sociedades massificadas. A realidade é a desordem e o conflito. A sociedade ideal deveria ser capaz de respeitar a desordem e de viver com o conflito, mas diminuindo-lhe as injustiças e os sofrimentos.
A esta luz, o problema do indivíduo e da sociedade Ŕ termos irredutíveis um ao outro e criadores duma tensão que é um dos mananciais mais fecundos da continuidade histórica Ŕ coloca-se com uma clareza renovada. Não se trata de escolher entre um e outro. Deixou de haver lugar para uma certa inocência de actuação individual ou localizada, numa época em que tudo repousa sobre frágeis equilíbrios e interdependências. As Ŗboas soluçõesŗ para nñs, terão também de o ser para os outros. Falar de uma sociedade livre só faz verdadeiramente sentido se afirmarmos ao mesmo tempo a autonomia e o direito às diferenças das singularidades individuais.
O velho anarquismo apostou no operariado e na revolução. A nossa estratégia, hoje, quase à beira do século XXI, já não pode ser essa. Sabemos que não há agente privilegiado, a não ser conjunturalmente, de transformação social. O projecto libertário de que somos herdeiros, e cuja invenção devemos ser capazes de continuar por conta e risco próprios, implica a participação activa e empenhada da imensa maioria dos seres humanos, a promoção de uma relação alternativa entre o indivíduo e a sociedade, entre o Homem e a Terra, entre a criação e as regras, entre o particular e o universal.
Por outro lado, repudiamos o terrorismo e os meios de acção coercivos. A nossa escolha é a de nos colocarmos na esfera de acção social e não na imposição institucional do Estado, é a de oferecermos as nossas ideias e reflexões aos indivíduos comuns e não a de nos instalarmos na manipulação, afectiva e irracional. O que está em jogo na acção libertária não é, conforme uns fórmula clássica, chegar à anarquia hoje ou amanhã, mas caminhar hoje, amanhã e sempre na direcção à anarquia Ŕ entendida como um meio social onde os indivíduos pudessem dispor da máxima liberdade.
Pensamos que uma perspectiva emancipadora poderá vir: da grande força social da juventude e da riqueza proveniente da cada vez maior participação das mulheres em todas as esferas da vida social; de uma transformação no acesso ao saber e à cultura, e no seu uso e desenvolvimento, de forma que cada indivíduo possa beneficiar de uma autêntica liberdade interior e pessoal, e construir uma concepção do mundo que lhe seja própria; dos novos populismos que caracterizam os movimentos sociais do pós- industrialismo, dinamizados em volta de temas como a defesa da natureza, a extensão da democratização das estruturas sociais, o direito à existência e à expressão das minorias, o aparecimento de novas formas culturais, etc.; da emergência de uma nova consciência profissional Ŕ de exigências de realização, autonomia e responsabilidade no trabalho Ŕ baseada num alicerce de conhecimento científico e tecnológico cada vez mais importante.
A Ŗsociedade perfeitaŗ não existe, felizmente, dado que ela será provavelmente a da opressão total para os indivíduos. Não acreditamos pois em qualquer tipo de Ŗsociedade anarquistaŗ. Interessa-nos, isso sim, que o devir das sociedades actuais seja marcado, sempre mais, pelos valores de liberdade e da solidariedade e, nesse sentido, cada vez mais libertárias. É esse, hoje como ontem, o desafio que continuamos a propor.
A IDEIA [n.º 46/47, Novembro de 1987]
V. NOVA PLATAFORMA EDITORIAL
A Ideia é uma revista de reflexão e crítica de orientação libertária. Assim, pretende, através desta
plataforma editorial, propor-se como ponto de encontro, debate e articulação de todas as tradições e tomadas de posição actuais que visem contribuir para a instauração de uma ordem social auto-governada mediante a participação igualitária de indivíduos livres e solidárias.
A liberdade e a justiça que são os fins de tal projecto libertário terão, para efeitos práticos, que ser definidas aqui em termos muito gerais: liberdade igualitariamente exercida de decidir como se trabalha, se habita, convive e vive, implicando a auto-organização a partir da base do conjunto da vida social, bem como a auto-limitação institucional do âmbito do que é público e passível de decisão colectiva, sendo a salvaguarda da irredutível singularidade dos indivíduos um dos valores colectivos fundamentais; justiça garantida tanto pela igual participação de todos na definição das normas que os vinculam como pela
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possibilidade aberta a cada um de propor a alteração das normas existentes. A liberdade e a justiça assim entendidas são também condição e conteúdo da luta pela paz que foi sempre um empenhamento distintivo da melhor tradição libertária.
Na qualidade de revista crítica assim definida, A Ideia pretende igualmente manter as suas páginas abertas àqueles que, não se afirmando embora libertários, estejam empenhados em contribuir para o debate em torno da construção de formas comunitárias assentes nos princípios da emancipação colectiva e da autonomia individual. Esta perspectiva libertária significa também defender o primado do diálogo sobre a autoridade hierárquica e a violência, e até, mais do que só isso, reconhecer na abertura de um espaço dialógico colectivo e público, a que todos tenham igual acesso, uma das fundamentais condições necessárias da afirmação da liberdade e da justiça de que atrás falámos.
Revista política, uma vez que aponta na reinvenção da cidade humana, A Ideia não pode ser apenas isso para o ser bem. Desse modo, as suas páginas tentarão reflectir criticamente acerca do conjunto das questões que se colocam no mundo contemporâneo em todas as dimensões da nossa existência, repercutindo-se de uma maneira ou de outra na vida de todos os dias, sem esquecer que o terreno do quotidiano é o ponto de partida e o alvo decisivos da acção e do pensamento libertários.
Quanto ao modo de funcionamento da revista e às normas de colaboração, a orientação geral de A Ideia cabe, colectivamente, à comissão de redacção e ao colégio dos colaboradores permanentes, competindo no dia-a-dia as decisões sobre a publicação de textos, arranjo gráfico, etc., à comissão de redacção. A responsabilidade pelo editorial e pelos escritos não assinados (ou assinados por um pseudónimo evidente) pertence moralmente à comissão de redacção e, por força da lei, ao director. A responsabilidade dos artigos assinados cabe em exclusivo aos seus autores.
De acordo com o que já foi dito, A Ideia agradece todas as propostas de colaboração que lhe sejam enviadas, comprometendo-se a apreciá-las com a devida atenção. No entanto, os originais não solicitados que não forem objecto de publicação não serão devolvidos. Por regra, as propostas de colaboração