Tal como o lubrificante automotivo, a gentileza garante que não haja atritos nos relacionamentos interpessoais. Atendemos de bom grado aos pedidos feitos de maneira gentil, mas resistimos às solicitações rudes ou grosseiras. No entanto, sabemos que ser atencioso e tratar as pessoas com cortesia nem sempre é tão simples no dia a dia, ainda mais se estamos nervosos por algum motivo ou aborrecidos com alguém.
Um pedido feito de maneira amável tem grandes chances de ser atendido.
Pense num casal à mesa de um barzinho. Enquanto esperam pelo garçom, a mulher acende um cigarro, sem nem perguntar se o homem se incomoda. Mas ele logo se zanga:
– Quanta falta de consideração! Você sabe muito bem que não suporto fumaça de cigarro e mesmo assim acende um na minha frente? É um absurdo!
Vamos ser francos: há um pedido oculto nessas palavras? Qual será a provável reação da fumante? Será que ela apagará o cigarro imediatamente? Acho que não, principalmente depois de ser tratada dessa maneira. O mais provável é que responda a esse ataque com um contra-ataque:
– Mas quem você pensa que é? Pensa que todo mundo tem que fazer só a sua vontade? Não admito que ninguém fale comigo nesse tom.
E com esse clima de briga começa a discussão.
Por trás de uma enxurrada de críticas esconde-se um pedido.
Muitas pessoas acreditam equivocadamente que, para se fazer respeitar, precisam tratar os outros com rispidez, censurando-os e, algumas vezes, até elevando o tom de voz. Pode ser que esse tratamento funcione com uma criança de 3 anos, mas um adulto certamente não ficará satisfeito ao ser tratado desse jeito.
Quanto mais você atacar seu interlocutor, menos chance terá de que seus pedidos sejam atendidos.
Se você critica, censura ou dá bronca, seu interlocutor certamente ficará na defensiva. Ele se negará a atendê-lo porque se sente atacado. É bem provável que ele pare de prestar atenção ao que você diz, comece a se defender de suas acusações, menospreze o assunto, ponha a culpa em você e até se recuse a continuar a conversa.
É claro que nem todas as pessoas se fecham quando alguém as repreende. Os psicoterapeutas e os mestres zen, por exemplo, sabem suportar os ataques e as críticas ríspidas sem assumir uma postura defensiva. Mas talvez eles sejam os únicos.
Como devemos agir se estamos aborrecidos mas ainda assim queremos que algo mude? Em primeiro lugar, é preciso admitir que estamos aborrecidos, mas sem deixar que esse estado de espírito atrapalhe o que é realmente importante: que a outra pessoa atenda nosso pedido.
Portanto, se você quer que seu pedido seja atendido, aja com equilíbrio e sabedoria, reprimindo sua fúria e explicando o que quer com o máximo de objetividade e neutralidade.
Fale com seu interlocutor sem culpá-lo e sem adotar um tom grosseiro ou usar palavras ofensivas. Antes de chamá-lo para conversar, acalme-se e tenha bem claro em sua mente o que você quer falar. Primeiro reflita, depois aja.
Concentre-se no que quer de seu interlocutor. Nada de sermões ou recriminações. Expresse seu desejo com clareza para não ser mal interpretado e utilize palavras amáveis.
Escute com atenção a resposta dele. Lembre-se de que seu interlocutor tem o direito de dizer “sim” ou “não” ao seu pedido. E que, antes de responder, ele também tem o direito de pensar com tranquilidade.
Repita seu pedido – ainda com muita tranquilidade – se ele não for compreendido da primeira vez.
Mas o que acontece se você quiser muito mostrar que está zangado e que deseja que aceitem seu pedido? Apesar de ser mais difícil, com disciplina e habilidade você pode ser atendido. Recomendo que você não descarregue sua frustração no interlocutor. Expresse o que você está sentindo de maneira que ele se identifique com você sem ficar na defensiva. Fale de si e de seus sentimentos, em vez de pôr a culpa nele.
Quando falar na primeira pessoa, diga como se sente, sem fazer comentários de mau gosto ou ataques verbais. Diga, por exemplo, “estou decepcionado”, em vez de “você me decepcionou”. Em vez de comentar algo do tipo “Você conseguiu me deixar nervoso com a confusão que armou novamente, então a partir de agora quero que...”, prefira algo menos pessoal, como: “Fiquei muito chateado, por isso gostaria de lhe pedir...”
Mencionar os próprios sentimentos numa mensagem pessoal exige certa disciplina verbal. Em vez de começar a falar sem parar, contenha-se por um momento e verifique como se sente. Depois reflita sobre qual seria a melhor maneira de expressar suas emoções.
Em vez de acusar o outro, fale de seus sentimentos.
No início, talvez você considere um pouco estranho esse novo modo de falar e lidar com as pessoas. Mas isso mudará com a prática, e você perceberá que tratar as pessoas de maneira amável é muito mais eficaz do que criticá-las ou repreendê-las o tempo todo. Com uma mensagem pessoal
você mostra que não está de acordo com algo, e faz isso sem atacar ninguém. Assim, as chances de seu interlocutor escutá-lo de verdade serão maiores. O importante é que, depois da mensagem pessoal, você seja capaz de fazer um pedido concreto e objetivo: só assim seu interlocutor saberá o que você deseja.