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CAPÍTULO 3 – MÉTODO DE PESQUISA 44

3.2   Metodologia de desenvolvimento 46

3.3.1 Seleção das referências bibliográficas 48

Um esquema de revisão analítica é necessário para avaliar de forma sistemática a contribuição de um determinado corpo de literatura. Para isso, estruturou-se este roteiro para realizar a pesquisa e seleção dos materiais a serem utilizados neste estudo. O objetivo é melhorar a qualidade do processo de revisão, bem como alcançar melhores resultados, empregando um processo transparente e reprodutível.

Toda a pesquisa de materiais a serem utilizados neste estudo se deu por intermédio das bases de dados Scopus e Web of Science, devido a credibilidade e quantidade de publicações disponíveis. A busca inicial foi realizada utilizando três palavras chaves em conformidade com os interesses do estudo: “inovação”; “gestão do conhecimento”; “startup”, e suas respectivas combinações.

Estes três temas apresentam crescimento quanto ao número de publicações científicas (Figura 6) nos últimos anos. Nota-se, no entanto, que este crescimento é mais instável para o tema de “startup”, e foi necessária maior precaução ao analisar estes documentos devido ao grande número de possíveis interpretações para este termo.

Figura 6: Número de publicações acadêmicas por tema Fonte: SCOPUS, 2016.

Os principais periódicos que publicam nestas áreas também foram definidos, e as publicações neles presentes foram priorizadas na seleção para a fundamentação teórica deste estudo. A Tabela 1 expressa os cinco periódicos com maior número de publicações sobre cada um dos temas abordados.

Tabela 1: Periódicos com maior número de publicações por tema

Tema Periódico Quant.

Inovação

Research Policy 1220

Tecnological Forecasting 884

Tecnovation 759

International Journal of Technology 611

Modern Healthcare 541

Gestão do conhecimento

Journal of Knowledge Management 502 Expert Systems with Applications 383

Nurse Education Today 343

International Journal of Technology 320 International Journal of Project 269

Startup

Electronic Engineering Times 112

Small Business Economics 39

Pulp and Paper Project Report 27

Petroleum Economist 27

Journal of Business Venturing 26 Fonte: SCOPUS, 2016

Devido ao elevado número de materiais presentes nas bases de dados, alguns filtros foram aplicadas na pesquisa. A tabela 2 demostra os resultados de cada filtragem realizada. Na primeira filtragem (F1), utilizou-se os filtros “revisados por pares”; “artigos”; “inglês” e “português”; nas áreas temáticas de “Business & Economics”; ”Social Sciences” e “Engineering”. A segunda filtragem (F2) se deu pelos artigos mais citados, que tiveram pelo menos 50 citações, exceto para as palavras-chaves isoladas, o qual se estabeleceu 200 citações. Houve também a leitura dos resumos (F3) para avaliar adequação com os interesses de pesquisa. Foram excluídos artigos que: divergiam do foco da pesquisa, aplicados a outras áreas do conhecimento ou de baixa relevância.

Tabela 2: Filtragens das referencias bibliográficas

Fonte: SCOPUS, 2016; WEB OF SCIENCE, 2016

Um grupo adicional de artigos (AD1) foi criado para englobar na amostra os artigos mais recentes (2014-2015), por reconhecer que o método baseado em citação pode discriminar as publicações mais atuais. Neste segundo grupo, o filtro utilizado foi o de relevância. A segunda adição de materiais (AD2) se deu seguindo o método de “bola de neve” (RIDLEY, 2008), no qual citações relevantes foram selecionadas durante a leitura dos artigos que já compunham a amostra. Para isto, foram contrapostos os artigos da mesma área em busca de referências em comum, de modo a criar redes de autores para cada subtema. Uma terceira adição (AD3) deu destaque a publicações de pós graduação do Brasil, teses e doutorados, com o intuito de incrementar o estudo com estudos empíricos realizados no país. A quantidade selecionada em cada adição encontra-se exposta na Tabela 3.

Tabela 3: Adições de referencias bibliográficas

Fonte: SCOPUS, 2016; WEB OF SCIENCE, 2016

Observou-se na análise que a união dos subtemas a serem tratados (Inovação – Gestão do Conhecimento – Startups – Modelagem de Equações Estruturais) ainda não foi explorada na literatura, consequentemente, uma das contribuições deste estudo será ampliar o conhecimento sobre a temática abordada.

Para organizar os materiais selecionados e ter fácil acesso a estes para novas leituras, fez-se uso do software Mendeley, o qual é um gerenciador de referencias. Com isto, foi possível identificar rapidamente os documentos através de palavras-chaves e encontrar autores e termos em comum entre eles, e assim foi possível observar quais autores seguiam a mesma corrente de pensamento.

A identificação destas correntes de pensamento foi possível a partir da análise individual dos artigos que compunham a amostra. E assim foi observado, do mais antigo até o mais recente, quais autores citaram os outros autores presentes na amostra. A Figura 8 mostra a rede de autores selecionados que realizaram estudos sobre o tema de inovação e suas interações com os demais autores.

Figura 7: Rede de autores sobre Inovação Fonte: Elaborado pela autora

Nota-se na Figura 7, que para a amostra de autores selecionada para a pesquisa, alguns nomes centrais aparecem demonstrando o reconhecimento da importância de seus estudos pelos seus pares. Autores como Van de Ven, Nelson e Winter, Porter, Dosi, Madrid-Guijarro et al., Garcia e Calantone surgem como bases para o estudo da inovação em âmbito mundial. Além disso, é possível perceber a confirmação das teorias lançadas por estes autores a partir do número de ligações na rede com autores mais recentes que o citaram como embasamento em seus trabalhos.

A mesma análise de relação entre autores foi aplicada ao tema de gestão do conhecimento. Na Figura 9, observa-se que alguns dos autores centrais para esta área são: Kogut e Zander, Nonaka e Takeuchi, Grant, Ipe e Leonard Barton. Esta rede mostrou-se mais densa do que a rede anterior, a suposição é que a clareza de definições para a Gestão do Conhecimento seja maior do que para o tema de Inovação. De modo que para a GC exista uma maior homogeneidade de assuntos e autores centrais.

Figura 8: Rede de autores sobre Gestão do Conhecimento Fonte: Elaborado pela autora

A partir da contraposição de ideias dos autores citados, e observação dos pontos em comuns nos estudos utilizados no referencial teórico, foi possível formular as hipóteses de pesquisa e identificar um modelo teórico a ser utilizado e validado na pesquisa.

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