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4 MATERIAL E MÉTODOS

4.1 SELEÇÃO E PREPARO DAS AMOSTRAS

Após aprovação pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Faculdade de Odontologia de Piracicaba (046/2015), foi realizado um estudo in vitro dividido em 2 etapas: em cada uma delas foram usados 45 incisivos superiores permanentes. Todos os 90 dentes utilizados receberam o mesmo protocolo de seleção e preparo. Foram limpos com pontas de ultrassom e armazenados em uma solução de timol a 0,2% à 4ºC.

Os dentes foram radiografados no sentido vestíbulo-lingual, com tempo de exposição de 0,2 segundos e distanciamento do cone do aparelho de raios-X ao filme radiográfico de 12 cm. As imagens radiográficas foram examinadas e as raízes que apresentarem dois ou mais canais, trincas, reabsorções radiculares, tratamento endodôntico e calcificações foram descartadas. Dentes com curvaturas e forame maior que #25 também foram excluídos do estudo.

As amostras foram medidas através de uma régua endodôntica e tiveram suas coroas removidas com o auxílio de um disco diamantado de dupla face 0,10 X 22 mm (7020, KG Sorensen, Cotia, São Paulo, Brasil) em baixa rotação sob refrigeração com água para o estabelecimento de um comprimento único para todas as raízes de 15 mm, a partir do ápice (Abi-Rached et al., 2014).

Inicialmente, o canal foi preenchido com 1 mL de clorexidina gel 2% (Endogel, Essencial Farma, Itapetininga, São Paulo, Brasil), que atuou como substância química auxiliar durante todo o preparo. Foi introduzida uma lima K #15 (Dentsply Maillefer, Ballaigues, Suíça) até sua visualização através do forame apical e determinação do comprimento da raiz. A seguir, foi usada uma lima de níquel-titânio #30.10 do sistema Easy Endo (ProDesing S, Easy Equipamentos Odontológicos, Belo Horizonte, Brasil) para o preparo dos terços cervical e médio do canal. No preparo do terço apical, foi usada uma lima reciprocante de níquel-titânio #25.08 (Reciproc, VDW, Munique, Alemanha) atuando 1 mm além do forame apical. Em todas as etapas citadas, o canal esteve sempre preenchido com 1 mL de clorexidina gel 2%, sendo que a cada troca de instrumento, esta substância foi removida através da irrigação com 5 mL de soro fisiológico 0,9% e aspiração com pontas Capillary Tips (Ultradent, Indaiatuba, São Paulo, Brasil), sendo o canal novamente preenchido com 1 mL de clorexidina gel 2%. As soluções de irrigação e a substância química auxiliar foram

introduzidas no canal radicular usando uma seringa de 5 mL de plástico descartável (Injex, Ourinhos, São Paulo, Brasil) e uma agulha 20 x 0,55 mm (Injex, Ourinhos, São Paulo, Brasil), inserindo-a até uma profundidade 2 mm aquém do comprimento de trabalho. A patência do canal foi mantida entre cada troca de lima, com a passagem de uma lima tipo K #15 (Dentsply Maillefer, Ballaigues, Suíça) além do forame apical. Ao término da instrumentação, todas as amostras foram irrigadas com solução de EDTA 17% durante 3 minutos, sendo que houve uma troca desta solução a cada minuto, correspondendo ao “padrão ouro” apresentado na literatura (Scelza et al., 2004). Para remoção da solução de EDTA foi usado 5 mL de soro fisiológico 0,9%.

As amostras tiveram seus canais secos com o auxílio de pontas

aspiradoras Capillary Tips® (Ultradent, Indaiatuba, São Paulo, Brasil) e pontas de

papel absorvente estéreis #25 (Reciproc®, VDW, Munique, Alemanha).

4.1.1 PRIMEIRA ETAPA:

Os 45 dentes usados nesta etapa foram divididos aleatoriamente através do site random.org, em 3 grupos conforme o método de inserção do curativo intracanal

(Tabela 1) e foram inseridos em silicona de condensação Speedex® (Vigodent, Rio de

Janeiro) para evitar que o curativo saísse pelo forame apical (Tan et al., 2013) (Figura 1).

Figura 1 - Amostras, após corte da coroa e antes do preparo químico-mecânico, inseridas no silicone de condensação para colocação do curativo

Tabela 1 - Técnicas usadas para inserção do curativo

Grupos Técnica Nº de espécimes

G A Lentulo #40 em baixa rotação 15

G B Seringa UltraCal® 15

G C Lentulo #40 + agitação ultrassônica 15

Para o curativo intracanal usada no grupo A, foi uma pasta na proporção

de 1 parte de Ca(OH)2 para 1,5 partes de clorexidina gel 2% + fluoresceína (Merck

Millipore, Darmstadt, Alemanha) na quantidade de 0,1% da massa obtida da mistura do Ca(OH)2 com a clorexidina gel. Ela foi inserida no canal radicular com uma lentulo

#40 em baixa rotação (5.000 rpm) (Deveaux et al., 2000) a 2 mm do comprimento de trabalho (Balvedi et at., 2010) por 3 vezes (Sigurdsson et al., 1992) sendo retirada com movimento contínuo sempre em contato com as paredes do canal radicular (Deveaux et al., 2000).

Para o curativo usado no grupo B, foi usado Ca(OH)2 35% em solução

aquosa, (UltraCal® XS, Ultradent, Indaiatuba, São Paulo, Brasil) (seringa UC)

cuidadosamente misturado com fluoresceína (Merck Millipore, Darmstadt, Alemanha)

na quantidade de 0,1% da massa de Ca(OH)2 usada, injetada com uma ponta

NaviTips® 29 ga de 25 mm (Ultradent, Indaiatuba, São Paulo, Brasil) (Rached-Júnior

et al., 2014). Foi colocado um marcador de silicone na agulha, a 14 mm de sua ponta, ou seja, 1 mm aquém do ápice dental (Smutkeeree et al., 2015). O curativo foi então inserida lentamente de apical para coronal até que curativo fosse visualizado na embocadura do canal (Simcock & Hicks, 2006; Smutkeeree et al., 2015).

O curativo intracanal usado no grupo C foi preparado de modo semelhante àquela usado nas amostras do grupo A sendo que foi agitado através do Ultrassom Piezoelétrico ENAC OE-505 (Osada, Los Angeles, Califórnia, EUA) com ponta Irrisonic (Helse, Santa Rosa de Viterbo, São Paulo, Brasil) na potência 1, conforme instruções do fabricante, a 1 mm do comprimento real de trabalho (CRT). Foram realizados 3 ciclos de AU de 20 segundos cada um, totalizando 1 minuto de agitação. Entre cada ciclo, nova quantidade de curativo foi levado ao canal usando os mesmos parâmetros da colocação inicial (Duarte et al., 2012).

A seguir, as embocaduras dos canais foram limpas e as cavidades de

de Janeiro, Brasil) e os dentes foram armazenados numa incubadora à 37 °C e a 95% de umidade relativa do ar por 7 dias (Balvedi et at., 2010).

4.1.2 SEGUNDA ETAPA:

Os 45 dentes utilizados na segunda etapa desta pesquisa receberam o

curativo intracanal através da AU, da mesma maneira que as amostras do grupo C da primeira etapa deste trabalho.

As embocaduras dos canais, cavidades de acesso seladas e as amostras

foram armazenadas da mesma forma já citada anteriormente.

A seguir, os dentes foram divididos aleatoriamente em 3 grupos conforme

o método que foi utilizado para a remoção do curativo intracanal (Tabela 2).

Tabela 2 - Técnicas usadas para remoção do curativo de Ca(OH)2 do canal radicular

Grupos Técnica Nº de espécimes

G 1 EDTA 17% + lima manual 15

G 2 EDTA 17% + agitação com Easy Clean® 15

G 3 EDTA 17% + agitação ultrassônica 15

No grupo 1, cada amostra teve inserida uma lima tipo K #25 a 1 mm do

CRT. Ela foi usada com movimentos de limagem durante 5 segundos, seguida por irrigação com 15 mL de soro fisiológico. Na sequência, o canal foi preenchido com 1 mL de EDTA 17% por 1 minuto, renovada por 2 vezes, sendo feita uma irrigação final com 10 mL de soro fisiológico (Lambrianidis et al., 2006; Abi-Rached et al., 2014). Posteriormente, os canais foram secos com o auxílio de pontas aspiradoras Capillary Tips® (Ultradent, Indaiatuba, São Paulo, Brasil) e pontas de papel absorventes

estéreis Reciproc® #25 (VDW, Munique, Alemanha) (Balvedi et at., 2010).

No grupo 2, cada amostra teve seu canal irrigado com 15 mL de soro

fisiológico, sendo posteriormente preenchido com 1 mL de EDTA 17% e agitado com

o Easy Clean® (Easy Equipamentos Odontológicos, Belo Horizonte, Brasil) a 1 mm do

CRT por 20 segundos, sendo que após este tempo a solução foi renovada. Este procedimento foi repetido 3 vezes totalizando 1 minuto, conforme instruções do fabricante sendo feita uma irrigação final com 15 mL de soro fisiológico. Os métodos de secagem do canal foram os mesmos usados para os espécimes do grupo 1.

No grupo 3, os canais foram irrigados com 15 mL de soro fisiológico, sendo a seguir preenchidos com 1 mL de EDTA 17% e agitado através de do emprego do

Ultrassom Piezoelétrico ENAC OE-505 (Osada, Los Angeles, Califórnia, EUA) com ponta Irrisonic (Helse, Santa Rosa de Viterbo, São Paulo, Brasil), na potência 1 (conforme instruções do fabricante), por 20 segundos, a 1 mm do CRT. Após os 30 segundos de AU, a ponta foi removida e a solução de EDTA foi mantida por mais 30 segundos em contato com as paredes do canal. Finalmente, o EDTA foi renovado e o protocolo repetido mais duas vezes (Herrera et al., 2013). Após os procedimentos de agitação, os canais foram irrigados com 10 mL de soro fisiológico, sendo secados através do mesmo protocolo usado nos grupos 1 e 2.

Por fim, as embocaduras dos canais, as cavidades de acesso seladas e as amostras armazenadas da mesma maneira que na etapa 1 fase desta pesquisa.

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