II. ESTUDO EMPÍRICO
5. INTERVENÇÃO EM CONTEXTO REAL
5.3. Atividades / Estratégias
5.3.3. Semana 6|7 Bairro dos Museus | Uma Cidade – Vila Educadora para as
Relembrando a contextualização inicial, a turma do ano anterior que dinamizou a apresentação 2017-2018, Cidade, Uma Obra de Arte – na altura em que realizou o momento de reflexão de projeto (cf. Anexo 1), demonstrou a partir dos seus comentários/reflexões que a cidade, em si mesma, não se tinha tornado, mais educadora, pelo facto de terem participado e criado o momento performativo
apresentado em palco. Este facto chamou a atenção para a necessidade de integrar novas dinâmicas que de alguma forma integrassem a Cidade “física”, território, espaço cultural. A partir deste diagnóstico, foi criado um protocolo com o Serviço Educativo do Bairro dos Museus – Programa Envolve-Te e em trabalho colaborativo com a coordenação do serviço e equipa foi elaborado um desenho de percursos pela Cidade: LandArt - Museu que planificou para o ano 2018/2019, esta nova parceria (cf. Anexo 3). Durante a semana de preparação que aconteceu na 6ª Semana, de 4 a 8 de fevereiro de 2018, foram refletidas estas questões com as duas turmas envolvidas (TAIE16 e TAPSE16), altura em que foram aplicados os questionários para aferir os hábitos e interesses em termos de aproximação à cultura e às artes, ou uma nova performance, num outro palco, uma outra sala de aula, agora em contacto com a vida, numa nova perspetiva.
O percurso programado com o Bairro dos Museus, Uma Cidade – Vila Educadora para as Artes, decorreu entre os dias 20 fevereiro e 28 de março de 2019 e contemplou as visitas em continuidade que são percursos que se estruturam em metodologias ativas e participativas: Olhar, Ver e Interpretar (OVI) e os ateliers com momentos de fruição e atividades planificadas, adequadas ao perfil de cada curso. As visitas foram feitas em dias diferentes com cada turma e os momentos de reflexão também se fizeram em dias diferentes.
Antes de se iniciar o percurso foi feita a proposta de recolha de imagens significativas para posteriormente, em sala de aula, se refletir sobre uma nova forma de olhar, dando um título, e escrevendo sobre aquilo que emergisse como memória, sentido ou sentimento.
5.3.4. Semana 8 – Bairro dos Museus | Land Art
Nesta primeira etapa que contemplou a Land Art como estratégia, ambas as turmas realizaram o mesmo percurso, mas em dias diferentes, 20 e 22 de fevereiro 2019. Pretendia-se redimensionar o olhar, provocando-o a, ainda antes de entrar para o espaço físico do museu, conhecendo o que está ao seu redor, a partir de um percurso entre museus. Neste percurso, que se iniciou frente à Casa de Histórias Paula Rêgo, entre dinâmicas e jogos, havia perguntas e palavras que surgiam e se transformavam em novos sentidos, a partir de obras que se encontram colocadas na paisagem, habitando os espaços verdes do Bairro dos Museus e que falam do Planeta Terra, da
relação entre o corpo humano e os corpos que habitam a paisagem, como as árvores enquanto “casas” como que a convidar a entrar e a abraçar esse caminho.
Figura 16. Ação 3 - 8ª Semana - Land Art – Fechar os olhos para ver
A metáfora do espelho, surgiu aqui também, como primeiro apelo a um caminhar pelo que se vê quando se inverte a perspetiva do olhar, podendo ser um “caminhar no céu”, ou a sugestão de “podermos ser espelhos uns dos outros”, sendo esses outros o nosso património material e imaterial, natural, ou a nossa história, presente, passado e futuro em relação.
Pretendia-se despertar a consciência para as coisas que estando à nossa volta, nem sempre as vemos, estando estas, no entanto interligadas e assim se seguiu para a obra de Bordalo II – Terra, Uma Rocha Estranha. A palavra estranha, que já tinha surgido à pergunta “O que seria acordar e não nos lembramos de nada? (cf. Anexo 16) na fase de construção do guião de palco, interligou-se neste momento a um fenómeno real: o planeta que é a nossa casa a fazer refletir sobre o papel do ser humano nesta relação de cuidado e pertença agora a remeter de forma concreta para a noção de sustentabilidade ou relação entre o papel social presente na sua relação com o das futuras gerações. Esta noção de ter um papel, despertou a consciência e fez emergir muitos comentários, fazendo crer, em ambos os grupos que esta temática é algo a que são sensíveis.
Figura 18. Ação 3 - 8ª Semana - Land Art – Bordalo II | Uma Rocha Estranha
Seguindo para o Parque Marechal Carmona, seguiu-se a obra de Alberto Carneiro – A Árvore em Mim. Mais uma vez a ideia das árvores-casas, agora a convidar a entrar e a abraçar, a sentir, recolocou o aluno frente a uma outra forma de olhar para a paisagem.
Figura 19. Ação 3 - 8ª Semana - Land Art – Alberto Caeiro | Árvore em Mim
A partir deste percurso de palavras: natureza, árvore, arte, mim ou as casas que somos, surge a obra de Marta Wengorovius – Casa.
Figura 20. Ação 3 - 8ª Semana - Land Art - Marta Wengorovius | Casa
Esta casa, acrescenta ao diálogo uma nova palavra: biblioteca. Estando situada mesmo ao lado da Biblioteca Infanto-Juvenil do Parque Marechal Carmona, também ela guarda aquilo que a artista plástica considerou ser os livros mais importantes da história da humanidade. A visita segue observando a paisagem e refletindo sobre a razão de algumas destas obras estarem inseridas na paisagem, a convocar ao olhar para aquilo que vai surgindo e que está ao seu redor.
Este percurso terminou numa atividade dentro dum espaço que é uma estufa, onde as palavras se transformaram em história que se construiu a partir dos objetos que foram sendo recolhidos pelo caminho feito até ali.
Figura 21. Ação 3 - 8ª Semana - Land Art – Atividade Final
Após esta primeira visita, a reflexão fez-se em sala de aula com ambos os grupos, dando início a um novo percurso de registo. Se para a construção de guião se fizeram perguntas para a criação de um produto visual/performativo, pretendia-se agora partir do registo visual para a criação escrita, em busca do intangível que poderia daí emergir. Não se pretendia a descrição do que viram mas a escrita sensível do que Olharam, Viram e Interpretaram.
5.3.5. Semana 9|10 - Bairro dos Museus | Fundação D. Luís | Centro Cultural