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“FORMA INTERIOR” DA LINGUAGEM

1. Semanticidade e semântica

estrutural – variante coseriana. 1.3. Semântica e semasiologia. 1.4. A verdadeira semântica cognitiva é a semântica estrutural.

2. A actividade cognoscitiva. 3. Lógica coseriana.

4. Distinções funcionais coserianas na lógica da linguagem.

Como se apresenta a linguagem na sua totalidade? O que dá consistência, estabilidade, dinamismo e abertura à linguagem? Em que medida esta problemática visa a energueia da linguagem? Quais são os objectivos funcionais desta abordagem diferentes dos das abordagens anteriores?

1. Semanticidade e semântica

Ao tratar filosoficamente a natureza da linguagem, Coseriu considera necessário analisar as respostas dadas às questões: O que significa ser semântico? O que é a semanticidade?392 A fórmula aristotélica εν σημαίνειν393, por ele traduzida como

“significar um único”, “significar uma única coisa, uma única unidade”, permite reconhecer nas coisas uma unidade constante que essencializa algo através da

392 “Ce înseamnă a fi semantic? Ce este semanticitatea?” Eugen COŞERIU, “Filosofia limbajului”,

Prelegeri şi conferinţe..., p. 16.

designação, ou, pura e simplesmente o “entendido” ou significado que nos permite utilizar a mesma palavra para nomear uma série infinita de coisas. Filosoficamente, a significação aponta para a possibilidade de designar uma unidade de essência, um modo de ser dos objectos extra-linguísticos. Uma palavra não é uma garantia da existência dos seres e coisas denominadas que existem como tal, mas pode significar o facto de ser duma realidade na sua particularidade. Tomemos como exemplo a palavra criança, significando o “facto de ser criança” (a criancidade*), o que se reconhece facilmente em cada criança, tal como a palavra comida significa não só comida em si, mas vai mais além das determinações ligadas à sua origem, tem toda uma carga cultural, isto é, o seu modo de preparação, tradições religiosas (a comidacidade*). Coseriu discursa sobre a operação do espírito que torna possível esta criação de significação, descrita por Aristóteles na obra De anima como νοέσις των aδιαίρετων394, uma captação do unitário, o que não pode ser analisado, dividido, traduzida para latim como “apprehensio simplex, indivisibilium intelligentia”395. Como Aristóteles, Coseriu insiste na ausência de ligação entre análise e síntese como operações da razão e a operação que capta o unitário, νόεσις των αδιαίρετων, que se realiza na linguagem.

1.1. Coseriu considera a semântica fundamental na construção e função da linguagem. Para ele, ser linguístico significa em primeiro lugar ser semântico:

“Na linguagem tudo é semântico: a gramática não o é menos que o léxico, a palavra

em geral e as línguas não o são menos que o discurso. Mas não existe uma semântica em si.” 396

Ao abordar-se a “ars combinatoria” e jogo de palavras, permanece-se na superfície da expressão linguística assim como o oposto, isto é, declarando-se uma semântica autónoma, auto-suficiente, com valor em si própria, comete-se um erro grave ao separar a linguagem do pensamento e ignorar o lado linguístico. Para Coseriu, ser semântico significa actividade mental entendida como conteúdo vivo, não fixo. A clareza semântica é dada através da sua contínua recriação em cada situação e por cada falante. A semanticidade reside quer nos elementos linguísticos, quer na actividade mental do

394 Idem, De anima, 430a.

395 Santo TOMÁS de AQUINO, In libros Peri Hermeias exposition, Proemium, 1, e Lect. III, 2-3, Hegel,

Enzyklopäedie, & 459 fazem referências a ARISTÓTELES, De interpretatione, 16ª, 10-17. Apud

Eugenio COSERIU, Gramática, Semántica, Universales…, p. 26.

396 “Dans le langage, tout est sémantique: la grammaire ne l’est pas moins que le lexique, la parole en

générale et les langues ne le sont pas moins que le discours. Et ce qui n’est pas sémantique en soi- même.” Eugenio COSERIU, « Pour et contre l’analyse sémique », in Proceedings of the XIIIth

homem, e por conseguinte, não existe uma semântica em si mesma, deve sempre relacionar-se com as actividades humanas já que a actividade de falar é marcadamente semântica.

“O «plano de expressão» é determinado pelo «semântico» e pode assumir por sua vez

funções miméticas de simbolização directa ou de evocação. Por conseguinte, falar de semântica equivale a falar de toda a linguística.”397

Não existe semântica sem linguística, deve-se analisar atentamente a relação íntima entre as duas, que não se reduzem uma à outra, como por vezes se interpreta.

1.2. A semântica estrutural estuda a estrutura da significação ou do significado lexical, o conteúdo dos lexemas e a sua estruturação numa língua, respectivamente as relações internas dum domínio ou dum objecto de estudo. Quando se aprende uma língua, na realidade analisa-se o estado das coisas e reportamo-lo a um significado. Este facto é fundamental nas traduções, pois, antes de mais, deve-se entender qual o facto denotado e, em seguida, pesquisar o significado na língua para a qual se traduz. Assim, numa tradução não se passa dum significado a outro, já que o mesmo é apenas instrumento de designação. No acto de tradução sucede primeiramente uma operação semasiológica, que responde à pergunta sobre o que designa esta significação ou aquele significado, em seguida uma operação onomasiológica quando se interroga: como se denomina aquele facto noutra língua.398

Na semântica estrutural proposta por Coseriu e seguida pelos seus discípulos da “Escola de Tübingen”, entre os quais se destaca Horst Geckeler399, distinguem-se os seguintes tipos de estruturas ou relações estruturais: as paradigmáticas e as sintagmáticas. As primeiras são estruturas constituídas in absentia ou apositivas (se A então não B), e as sintagmáticas in praesentia (se A então B) ou de combinação. Tome-se em atenção o quadro coseriano relativo à sua teoria semântica:400

397 “Le « plan de l’expression », y est déterminé par « le sémantique » et peut d’ailleurs assumer à son

tour des fonctions mimétiques de symbolisation directe ou d’évocation. Parler de sémantique équivaut par conséquent à parler de toute la linguistique”, Ibidem.

398 Veja-se E. COŞERIU, “Semantică Structurală”, Prelegeri şi conferinţe..., p. 86.

399 Horst GECKELER, Semántica estructural y teoría del campo léxico, trad. De Marcos Martínez

Hernández, Madrid, Gredos, 1976 [1971]. Livro dedicado ao seu “estimado mestre Eugenio Coseriu no

seu quinquagésimo aniversário”. No quarto capítulo (pp. 211-245) apresenta a construção da semântica

estrutural coseriana que utiliza criativamente a teoria do campo lexical de Trier e Weisgerber, tal como o princípio das oposições funcionais e a análise do conteúdo em traços distintivos, numa reinterpretação e precisão do campo linguístico através do seu funcionamento.

Coseriu concebe uma relação in absentia dum termo que pertence a um paradigma, por exemplo os paradigmas das cores, do conhecimento humano do mundo por ele denominado “entendido”.

Na acepção coseriana, o conceito de campo lexical é entendido como o paradigma resultante da divisão duma zona contínua do significado lexical através de oposições directas imediatas como o são, por exemplo, os verbos de movimento, os adjectivos que caracterizam a temperatura, os nomes das cores e outros.401

“Pensamos que a teoria dos campos conceptuais deve ser combinada com a doutrina

funcional das oposições linguísticas.” 402

O carácter específico do estruturalismo semântico coseriano mantém o aspecto funcional da linguagem como elemento determinante, constituindo-se como doutrina sólida do funcionamento da linguagem e do pensamento na distinção das realidades e na construção através de oposições que não se reduzem umas às outras, como defende a prática estruturalista saussuriana. No texto literário, nos sermões ou na fala alusiva, o sentido é actualizado pelas estruturas paradigmáticas, o que a semântica generativa interpreta como ilustrações da estrutura de profundidade, como pode ver-se, por exemplo, num dos mais curtos discursos na história da oratória:

“Éramos jovens e estúpidos. Agora a juventude passou.”403

401 Eugen COŞERIU, “Semantică Structurală”, Prelegeri şi conferinţe... p. 88.

402 “Pensamos que la teoría de los campos conceptuales debe ser combinada con la doctrina funcional de

las oposiciones lingüísticas.” Idem, “Para una semántica diacrónica estructural, Principios de semántica estructural…, p. 39.

Conclui-se logicamente a ‘permanência da estupidez’. O sentido pertence à estrutura paradigmática, a algo que não está patente no texto que tem toda uma carga semântica dada pelas palavras e relações existentes, mas sendo algo completamente diferente.

“A prova da comutação deve aplicar-se também às relações lexicais, não para

identificar as unidades […] mas para estabelecer os traços distintivos que as caracterizam e, deste modo, as oposições de conteúdo dentro das quais funcionam.”404

A prova de comutação, longe de ser automática ou um tipo de acto reflexo, é um primeiro e elementar estádio de manifestação da criatividade, da energueia orientada no sentido de construir uma significação. Manifesta-se “em dizer as coisas tal como estão”.

“Dito de outra forma: na prática, um campo estabelece-se na base de oposições

simples entre as palavras e termina onde uma nova posição exigiria que o valor unitário do campo se convertesse no traço distintivo.”405

A prática da fala, o funcionamento da linguagem e suas diversas perspectivas de abordagem modificam a percepção tradicional das estruturas analisadas na sua substancialidade, estruturas essas que ilustram quer a visão do mundo quer a técnica de o interpretar. A existência duma classe lexical numa língua está directamente ligada à organização linguística, ao seu funcionamento, às combinações gramaticais ou lexicais específicas daquela língua e não do ponto de vista da realidade objectiva. Esta observação é fundamental na distinção entre o linguístico e o extra-linguístico. Assim, por exemplo, as palavras “mão” e “boca” combinam-se com ser humano, e “pata” e “focinho” com os animais. Relativamente ao verbo, pode-se distinguir nas línguas uma

403 “Eram tineri şi proşti. Acum tinereţea a trecut” discurso de Dumitru Mircea, redactor chefe da revista

cultural Tribuna, Cluj-Napoca, Roménia, proferido na celebração dos 25 anos da nova série, a 10 de Fevereiro de 1982.

404 “La prueba de la conmutación debe aplicarse también a las relaciones léxicas, no para identificar las

unidades – que, en este caso, suelen estar dadas como tales – sino para establecer los rasgos distintivos que las caracterizan y, de este modo, las oposiciones de contenido en las que ellas funcionan.” Eugenio

COSERIU, “Para una semántica diacrónica estructural”, Principios de semántica estructural…, p. 39 Numa nota, Coseriu menciona o seu parecer acerca da interpretação das realidades lexemáticas “un

contrasentido querer conmutar rasgos de significado como «aîné» y «cadet» en la unidad francesa frère para mostrar que no cambia (es decir, para identificarla en cuanto unidad de contenido), puesto que los rasgos «aîné» y «cadet» no pertenecen en absoluto a esta unidad, ni siquiera como rasgos de «sustancia» no distintivos (asociativos); cf. nuestra intervención en el VIII Congreso de Lingüística, Actes Oslo, pág. 698.” Ibidem, nota 27, p. 39. Referência bibliográfica completa: Idem, Contribuciones a los debates del VIII Congreso Internacional de los Lingüistas, Universidad de la República, Facultad de

Humanidades y Ciencias, Montevideo, 1957, reimpresso no Proceedings of the Eight International Congress of Linguists, Oslo, 1958, pp. 697-699.

405 “Dicho de otro modo: en la práctica, un campo se establece sobre la base de oposiciones simples,

entre las palabras y termina allí donde una nueva posición exigiría que el valor unitario del campo se convierte en rasgo distintivo.” Idem, “Para una semántica diacrónica estructural”, Principios de semántica estructural…, p. 40.

selecção combinatória, isto é, verbos que seleccionam nomes de pessoas e outros de animais, tal como verbos adlativos, que denominam uma acção orientada para o agente e ablativos, que denominam uma acção iniciada por um agente para um ponto externo.

As estruturas secundárias visam a formação das palavras numa língua. A modificação evidencia uma estrutura, uma relação lexical minimal na língua, não implicando uma função proposicional, a função na frase. A formação das palavras conduz a uma gramaticalização do vocabulário e nela a palavra criada é restituída ao vocabulário, entrando nas categorias gramaticais respectivas.406 O desenvolvimento textual tem como base uma função proposicional implícita, produz uma mudança duma classe morfológica para outra, permitindo, nas línguas românicas retomar exactamente o predicado: Joana é belíssima. A sua beleza… A “beleza” reactiva mentalmente o sintagma “é bela”… ou: “Amanhã vou partir para o Porto” (‘partirei’).

Numa composição existem efectivamente dois elementos numa relação gramatical ou “paragramática” que se combinam e, em função da sua natureza, existe combinação lexemática, quando ambos os elementos são lexemas, específica para as línguas alemã e grega e prolexemática quando um elemento é lexema e o outro é de natureza pronominal.

1.3. Os fundamentos da semântica e semasiologia são tratados por Eugenio Coseriu na apresentação da semântica de Michel Bréal, considerado o fundador da semântica407. Os que consideram Michel Bréal como o fundador da semântica lexical ignoram a contribuição alemã, respectivamente a de Chr. C. Reisig e a sua “semasiologia” (Bedeutungslehre) no estudo Vorlesungen über lateinische Sprachwissenschaft escrito seis décadas antes, onde “se afirma e se justifica a autonomia semântica lexical”.408 Reisig opera uma semântica diacrónica e outra

sincrónica na explicação da troca do significado lexical, respectivamente: a) sinédoque, b) metonímia, c) metáfora, d) truque transitivo e intransitivo, e) truque de espaço e tempo, f) modificação dos verbos. Coseriu menciona igualmente August Scheicher e o seu Die deutsche Sprache (1860), onde a semiologia ocupa um papel importante entre as disciplinas linguísticas descritivas e históricas necessárias ao estudo da palavra: fonologia, morfologia e ideologia ou semasiologia, respectivamente o estudo do som, da

406 Veja-se Idem, “Semantică Structurală”, Prelegeri şi conferinţe..., p. 88-89. 407 Michel Bréal utilizou o termo “sémantique" no seu Essai de sémantique de 1897.

408 Eugenio COSERIU, “Bréal: su lingüística y su semántica”, in Cien años de investigación semántica:

de Michel Bréal a la actualidad. Actas del Congreso Internacional de Semántica, Universidad de La

forma e da função entendida como significado. Na sua análise, refere o estudo do linguista romeno Lazăr Şăineanu, Ensaio sobre a semasiologia da língua romena409,

onde este destaca a contribuição de Arsène Darmester em La vie des mots étudiées dans leurs significations (1887) sublinhando o facto de o autor francês utilizar o termo semântica em lugar de semasiologia410.

“A semântica lexical de Bréal é, sem dúvida, superior à semasiologia do seu tempo,

mas não é outra coisa senão semasiologia.”411

Coseriu considera importante a distinção operada por Bréal entre as “mudanças lexicais” com motivação “extrínseca”, histórica ou objectiva e outras determinadas pela própria natureza da língua: a) restrição do sentido; b) ampliação do sentido; c) metáfora, d) condensação do sentido, e) passagem dum termo abstracto para o concreto412.

Para Coseriu, o termo semântica em Bréal não é uma simples ocorrência, constitui o enfoque de toda a sua teoria e identifica dois sentidos diferentes:

“Por um lado, justifica a semântica em relação com os níveis da palavra e apresenta a

semântica lexical como «semântica propriamente dita» […] Mas, por outro lado, entende por «semântica» […] algo mais amplo: uma linguística histórica geral elaborada do ponto de vista do conteúdo.”413

A partir da segunda acepção dada ao conceito de semântica, Coseriu formula as suas apreciações positivas relativamente à teoria de Michel Bréal. A semântica “in-forma”, dá forma e toma como fundamentais as causas intelectuais que determinam a transformação da língua414, dando importância aos factos psíquicos humanos presentes em todas as línguas. Por esta razão, considera a linguagem como o instrumento mais importante da civilização humana, procura formular leis no plano do conteúdo,

409 Lazăr ŞĂINEANU, Studiu de semasiologie a limbii române, Bucureşti, s.n., 1887.

410 Darmaster emprega apenas uma vez o termo semântica no capítulo III, primeira parte, p. 88, Eugenio

COSERIU, “Bréal: su lingüística y su semántica”…, p. 29, nota 31.

411 “La semántica léxica de Bréal es, sin duda, superior a la semasiología de su tiempo, pero no es otra

cosa que la semasiología.” Ibidem, p. 32.

412 Ibidem, p. 31.

413 “En efecto, Bréal emplea el término sémantique en dos sentidos diferentes. Por un lado, justifica la

semántica en relación con las niveles de la palabra (cf. 3.2. do presente estudo) y apresenta la semántica léxica como ‘semántica’ propiamente dicha (cf. n. 36); y esto quizá se manifieste un vago recuerdo de la semasiología de los alemanes, en particular de la de Schleicher. Pero, por otro lado, entiende por “semántica” – y éste parece ser para él el sentido genuino y preferido – algo mucho más amplio: una lingüística histórica general hecha desde el punto de vista del contenido. Por ello, sus “significaciones” no son sólo los significados léxicos, sino también los categoriales y gramaticales”.

Idem, “Bréal: su lingüística y su semántica”…, p. 33.

414 “El tema de esta semântica son «les causes intellectuelles qui ont présidé à la transformation de nos

parcialmente análogas às de M. Grammont para o plano da expressão como: “naturalidade” linguística, “especificidade”, “repartição”, “irradiação” etc., entendidas não como leis cegas, mas seguidas pela actividade que constrói as línguas. Um outro contributo importante de Bréal, segundo Coseriu, consiste em considerar a linguagem como obra humana e não um organismo natural, como então se pensava. Nesta linha considera a mudança linguística como um facto mental não dependente de causas externas, não subordinado a nenhuma necessidade natural. Para ele as únicas “causas” da mudança linguística seriam “a inteligência e a vontade dos homens”415.

“O mérito de Bréal não consiste em ter introduzido o homem no estudo das línguas,

mas em tê-lo introduzido (de acordo com Humboldt) como criador permanente das línguas. E este homem é, para Bréal, o homem como indivíduo e o homem em geral, não o homem como mero representante duma comunidade ou dum grupo social.”416

Como qualquer disciplina, a semântica tem o seu início ligado ao lado material da pesquisa da língua, tornando inteligível a variabilidade linguística em todos os seus níveis.

1.4. Coseriu questiona a semântica cognitiva417 tendo como precursores Berlin e Kay418, autores duma célebre obra sobre a filogénese dos nomes das cores em diversas línguas, interpretando o valor cognitivo de vários grupos cromáticos nucleares: branco – preto, branco – preto – vermelho e variantes como: branco – preto – vermelho – amarelo ou branco – preto – vermelho - verde. Analisa a semântica dos protótipos da professora Eleonor Heider/Rosch demonstrando que o problema dos protótipos não é semântico, mas sim um problema objectivo pelo modo como são reconhecidas as classes dos objectos através das palavras. 419 Esta teoria foi adoptada por alguns linguistas em

415 Ibidem, p. 36.

416 “El mérito de Bréal no es de haber introducido el hombre en el estudio de las lenguas, sino el de

haberlo introducido (de acuerdo con Humboldt) como creador permanente de las lenguas. Y este hombre es, para Bréal, el hombre como individuo e el hombre en general, no el hombre en cuanto mero representante de una comunidad o de un grupo social.” Ibidem, p. 43.

417 Idem, “Semántica estructural y semántica cognitiva”, in Jornadas de Filologia. Homenaje al Prof.

Francisco Marsá, Barcelona, pp. 239-282; “Structural semantics and «cognitive» semantics", tradução

em língua inglesa por K. WILLEMS e T. LEUSCHNER, Logos and Language, I, 1, Tübingen, pp. 19-42.

418 Coseriu refere-se à conhecida obra: Brent BERLIN and Paul KAY, Basic Color Terms. Their

Universality and Evolution, Berkeley – Los Angeles – Oxford, University of California Press, 1991

[1969]. Investigaram 20 línguas, encontraram 22 termos para as cores e identificaram 7 graus na evolução dos termos básicos das cores.

oposição à semântica analítica, tentando definir o conteúdo através dum número de características necessárias e suficientes.420

“A semântica cognitiva não é uma semântica da língua e não valoriza a língua, mas as

coisas e a classificação das mesmas”.421

A passagem dum tipo de realidades a outro é gradual. As espécies, entendidas como conceitos, não são dadas através da nossa experiência linguística, pois denominam as realidades, os objectos, e não as significações. Quando se afirma que não se pode demarcar uma fronteira exacta entre dia e noite, isso não quer dizer que os significados de “dia” e “noite” sejam vagos, pelo contrário, exactamente porque estas significações são claras, quando se fala sobre noite e dia sabe-se exactamente sobre o que se está a falar.

A única semântica cognitiva que nos diz qual e como é o conhecimento linguístico através da linguagem é a semântica estrutural, por ele entendida como a disciplina do conhecimento diferenciado e delimitativo sem qualquer análise ou descrição das características. Para o ensino das línguas, a tradução, elaboração de dicionários, para a lexicologia necessita-se desta semântica e não da semântica descritiva, não devemos saber como são as coisas quando falamos, mas sim saber como