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3 MÉTODO

4.1 VARIÁVEIS DE MODELOS MENTAIS DINÂMICOS

4.1.2 Senso de Cooperação

Esta variável é caracterizada por uma busca de relações harmoniosas e de cooperação com o meio onde interagem, e de relacionamentos com base na confiança, delegação de poderes e autonomia do grupo. Para tanto, o homem deve ser percebido como um ser de natureza complexa, altruísta, auto-suficiente em seu desenvolvimento e com

competência para alcançar resultados que deverão ser construídos com base na soma das potencialidades existentes no grupo. O senso de grupo e a capacidade de participação e de percepção do potencial humano fazem com que este grupo esteja mais habilitado a interagir na atualidade.

A visão sistêmica colocada na variável Percepção Dinâmica da Realidade facilita a ocorrência de relações harmoniosas e de cooperação, visando a inter-relação de potenciais para o alcance de objetivos comuns, a percepção dos resultados a longo prazo e da dinâmica dos acontecimentos. O senso de grupo está na base de qualquer realização desses indivíduos, assim como a percepção de homem com um ser capaz de evoluir frente às exigências da realidade.

Esta variável ocorre na totalidade das entrevistas realizadas, sendo que, 19% encontram-se exatamente na média de equilíbrio de percepção do grupo, e 12,5% mostram- se acima desta média, totalizando 31,5% do grupo com estes indicadores em seus discursos, como mostra a figura 3, contendo o gráfico resultante.

0 2 4 6 8 10 12 14 16 P1 P2 P3 P4 P5 P6 P7 P8 P9 P10 P11 P12

Cooperação

Figura 3: Gráfico Demonstrativo de Senso de Cooperação

tais relações. Comparando-se ao índice de 67% da variável de Percepção Dinâmica da Realidade, torna-se possível entender o percentual de senso de cooperação como um movimento crescente em direção a relações de harmonia e cooperação, visto que a compreensão de uma realidade interligada e dinâmica e a necessidade de se adequar a mesma, já se mostra presente e caracterizando a maioria do grupo de dirigentes da empresa.

Os indicadores desta variável mais encontrados nas entrevistas foram os de busca de relações harmoniosas com o contexto e a crença na capacidade humana de auto desenvolvimento frente aos fatos, assim como a percepção da complexidade da natureza humana. O grupo de dirigentes da empresa D, mostra em sua minoria uma tendência de preterir valores e necessidades individuais, em função dos valores e necessidades grupais ou sociais. Isto mostra um direcionamento à construção de relacionamentos embasados no senso de grupo, facilidade de delegação de poder e autonomia aos indivíduos pertencentes a tais grupos. As relações com o meio externo são construídas com base na harmonia e cooperação, visto que este se mantém como participante ativo da sobrevivência do grupo, a partir das trocas que são realizadas entre os mesmos.

O indicador mais ocorrente nos discursos dos participantes que trouxeram a variável de senso de cooperação, foi a percepção do homem como um ser de natureza complexa e com capacidade de desenvolver-se frente à realidade que se expõe. Esta percepção mostrou-se presente no discurso dos participantes, através de colocações como a de P5 de que:

[...] uma pessoa, seja ela quem for, se a gente prestar a atenção, a gente subtrai riquezas impressionantes das pessoas, sabe, o conflito é bom, e acho que este é o grande... é conseguir saborear as diferenças que as pessoas têm, entendeu, ou pontos de vistas diferentes, das atitudes diferentes, dos gostos diferentes... isso tudo é muito, querendo dizer, entender a riqueza das coisas, a gente começa a ver que não é tão simples, rico, e se a gente souber lidar com isto bem, entender as pessoas, o que elas estão pensando... mas é importante entendê-las.

Este aspecto é refletido pela constante busca de desenvolvimento de competências disponibilizadas, pela empresa, como é trazido por P4 quando expressa que:

[...] a empresa sempre disponibilizou para todos os funcionários algumas oportunidades. Eu acho que quem souber usar e buscar um aperfeiçoamento nestas oportunidades, ela dá seu retorno.

A crença de que aqueles que se esforçam ou querem crescer saberão utilizar tais oportunidades, permeia a cultura da organização, visto que a empresa não quer - e acredita que não deve - assumir um papel assistencialista.

A crença de alguns dirigentes de que as pessoas são componentes importantes no alcance dos objetivos organizacionais e que o comprometimento das mesmas vem de sua capacidade inerente de adaptação, mostra a percepção das mesmas como leais e capazes. P8 traz em seu discurso esta compreensão ao dizer que:

[...] é preciso que as pessoas tenham autonomia e aí entra a questão: que sejam desafiadas. Eu sempre confio. Isto é um dogma para mim, confio na honestidade e na capacidade... capacidade de auto-motivação...

O indicador de percepção humana, como descrito acima, permeia alguns componentes do grupo, porém este ainda não foi totalmente incorporado pelo restante do grupo; e aqueles que já a concretizam em seu discurso, mesclam tal crença com a necessidade de, ainda, manter o controle como forma de manutenção do poder, o que muita vezes gera uma dissonância entre a percepção da realidade e o discurso destes dirigentes.

Com uma compreensão de ser humano de natureza complexa, capaz e realizadora, as relações tendem a direcionar-se à harmonia e cooperação entre indivíduos e os ambientes em que os mesmos convivem. O indicador de busca de relações harmoniosas com base no senso de grupo e na cooperação foi o segundo indicador mais freqüente entre os participantes que demonstram valorizar este tipo de atitude frente ao meio e frente aos outros indivíduos. Isto é demonstrado pela percepção de P10 que coloca que:

[...] a empresa precisa aprender correr riscos... fazer com que as pessoas reconheçam que se elas tiverem dificuldades, elas vão ter apoio, porque a pessoa que tentar arriscar alguma coisa e na hora da dificuldade não tiver apoio, ela não arrisca de novo. Então tem que ter o apoio da chefia dela. A punição, eu acho, é uma coisa que tem que realmente acabar... já estamos bem melhor.

de dirigentes da empresa, apesar de se originarem de uma cultura de dominação do outro e do ambiente, possui a compreensão de que:

[...] a gente (o grupo de dirigentes) consegue afinar melhor, pelo menos no aspecto de valorizar as pessoas, de cumprimentar as pessoas quando fazem um bom trabalho... de dar voto para que a pessoa desenvolva alguma coisa e consiga se superar e que apresente resultado, que se motive com isso, então essa linha, nós estamos com maior sinergia (P3).

Mostra-se bastante presente a compreensão do potencial humano, porém ainda é muito orientado pela busca de certezas que faz com que seu comportamento se molde à necessidade de controle das situações, ainda que se esteja buscando desenvolver uma boa capacidade de delegação.