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Esta seção apresenta aspectos relevantes sobre a temática da pesquisa e tem por objetivo mostrar a viabilidade da utilização do sensoriamento remoto para a elaboração de mapas temáticos, através das fotografias aéreas e imagens de satélite, que podem auxiliar nas análises da caracterização da realidade físico-espacial dos municípios e contribuir para a melhoria do ordenamento do território e da preservação ambiental.

2.2.1 Sensoriamento Remoto

Sensoriamento remoto é a área que estuda as técnicas de obtenção de imagens da superfície terrestre a partir de sensores instalados em plataformas espaciais (satélites), supondo-se que existem entre os objetos e o sensor uma interação energética, seja por sua emissão própria ou pela reflexão da energia solar ou por um feixe energético artificial (ERBA, 2007, p. 302).

A câmara fotográfica é um exemplo simples de sensor comumente utilizado e os sensores remotos são “[...] equipamentos capazes de transformar alguma forma de energia em um sinal passível de ser convertido em informação sobre o ambiente, sem contato físico entre esses sensores e os alvos de interesse [...]” e, utiliza a energia eletromagnética para alcançar este feito usando a “[...] sensibilização química no filme para gerar suas imagens” (BRITO, 2007, p.12).

Segundo Erba (2007), os sensores ativos são aqueles que têm a capacidade de emitir um feixe de energia que serão recolhidos após a reflexão sobre a superfície dos objetos observados. O satélite mais comum utilizado é o RADAR, que trabalha em faixa de microondas e não é afetado pelas condições climáticas (chuvas, ventos, nuvens, etc). Os sensores passivos são limitados pela coleta de energia eletromagnética a

partir de objetos da superfície terrestre, seja pela luz solar ou pela luz emitida por sua própria temperatura e, geralmente são afetados pela presença de nuvens. Dentre os satélites utilizados, estão o LandSat, SPOT, NOAA, Ikonos e QuickBird (NOGUEIRA, 2009).

Segundo Loch e Erba (2007, p.79), “pode-se afirmar que o sensoriamento remoto contempla os produtos e os sistemas fotogramétricos e imageadores que permitem gerar dados cartográficos”. A fotografia pancromática, é o produto que melhor retrata a realidade, pois capta as radiações que conformam o campo de visão humana do espectro eletromagnético. “A câmara fotográfica atua como o olho captando a área de interesse num instante, registrando-a num filme preto e branco ou colorido” e existem também, as fotografias infravermelhas que captam a radiação além do campo de visão humana.

Para a interpretação da biodiversidade, as imagens multiespectrais que cubram a região do infravermelho próximo e médio, permitem identificar dentre outras informações, diferentes espécies de vegetação, distinguir áreas de solo exposto, rochas, pastagens e plantações, pois, apresentam refletâncias altas, porém, “[...] a partir de 1.500m, as distinções entre solos e vegetação são mais acentuadas, enquanto para a água é praticamente zero” (MELLO, 2008).

2.2.2 Fotogrametria e fotointerpretação

A Fotogrametria, na visão de Andrade (2003, p.1), “é a ciência e tecnologia de obter informações confiáveis através de processos de registro, interpretação e mensuração de imagens” e tem seu maior campo de aplicação na elaboração de mapas em colaboração com outras ciências como a Geodésia e a Cartografia.

Loch e Erba, (2007, p.67), afirmam que a fotogrametria se divide em duas áreas de especialização, a métrica, que permite a determinação de distâncias, elevações ou volumes e contribui para a elaboração de documentos cartográficos, conforme medidas realizadas nos fotogramas e, a interpretativa, que proporciona o reconhecimento de alguns padrões de objetos como formas, comprimentos, tonalidades ou texturas, baseados em imagens fotográficas.

Conforme Jensen (2009, p.151) “fotogrametria é a arte e ciência de realizar medições precisas por meio de fotografia aérea” e as técnicas de medições podem ser realizadas por meio analógico ou digital. As analógicas são realizadas utilizando-se de fotografias aéreas impressas em papel fotográfico medindo 23 x 23 cm ou por cópias de transparência positiva e, as digitais, necessitam de computador utilizando-se de fotografias digitais ou digitalizadas.

Eberl (1982, p. 46), informa que para determinar as especificações ideais para os voos fotogramétricos, é necessário realizar estudos detalhados sobre as redes de triangulação, o controle de solo, a triangulação aérea e as propriedades de elevação, resultando em produtos de fotografias aéreas pancromáticas, na escala de 1:30.000, para a cobertura total; 1:5.000 para áreas rurais e urbanas separadamente e 1:10.000 abrangendo a área urbana e rural e, em produtos cartográficos com escala de 1: 500 para as áreas urbanas.

Loch e Erba (2007, p.64) reforçam, que as bases urbanas devem apresentar dentre outros detalhes, as edificações, as divisas de lotes, o sistema viário e curvas de níveis com equidistância de um metro, sendo necessário para esta caracterização, um voo fotogramétrico em escala de 1:5.000, 1:8.000 ou até 1:10.000, com restituição fotogramétrica em escala 1:2.000 para a área urbana e 1:10.000 para todo o município.

Já as bases rurais requerem um recobrimento em escalas 1:25.000 ou 1:30.000, evidenciando dentre outros elementos, as divisas das parcelas rurais, rodovias e estradas, edificações maiores e malha urbana nas proximidades, rios, lagos, açudes e curvas de níveis equidistantes de 10 em 10 metros.

Mello (2008, p. 2) coloca que com o avanço da informática e com os Sistemas de Informações Geográficas - SIG, “[...] o Sensoriamento Remoto, a Fotogrametria e a Cartografia assumiram papel preponderante na Gestão e Planejamento Urbano, Rural e Ambiental”.

Loch (2008) cita que as fotografias aéreas ou outros sensores podem ser aplicados no planejamento urbano, no monitoramento da expansão urbana, preservação do meio ambiente e controle ecológico, às redes de drenagem, ao

cadastro urbano e rural, redes elétricas, construção de estradas, entre outros.

2.2.3 Mapas temáticos

Para um resultado confiável sobre a caracterização da realidade físico-espacial municipal é importante que se tenha um Cadastro Territorial Multifinalitário (CTM), pois, permite criar bases para o planejamento urbano e regional, oferecendo diversas vantagens que auxiliam no suporte a gestão pública, a partir de um sistema cartográfico de qualidade e de um banco de dados atualizado (LOCH e ERBA, 2007).

O Cadastro Técnico, na visão de Pereira e Loch (2008, p. 2) “(...) tem se mostrado cada vez mais eficaz por permitir estruturar uma grande quantidade de informações com múltiplas finalidades e organizá-las espacialmente através de mapas temáticos ou outras saídas cartográficas”.

Philips (2010) cita que, “(...) o cadastro de parcelas será o fundamento para qualquer outro cadastro temático. Cada cadastro temático tem seu próprio objetivo e se refere muitas vezes a objetos distintos [...]. No caso do cadastro parcelar, são representadas todas as unidades territoriais do município com a mesma prioridade usando as mesmas técnicas, independentemente da importância para um determinado cadastro temático.

Segundo Loch (1993) para que se tenha a gestão do território, é necessário o acompanhamento sistemático da dinâmica dos fenômenos que interferem no espaço físico territorial e urbano sendo essencial a análise de mapas da área de interesse (em escala compatível), elaborados em diferentes épocas, de maneira que, os gestores visualizem a situação presente, entendam as mudanças temporais e possam administrar as ações futuras.

Para Loch e Erba (2007) um diagnóstico elaborado em séries temporais pode auxiliar, por exemplo, nas observações a respeito de desigualdades, possibilitando justificar as ocorrências de mudanças nas legislações devido às alterações ocorridas no município, visto que ele é fruto das ações da comunidade.

Segundo Arruda e Sá (2006, p. 80), a partir de análises espaciais “(...) pode-se acompanhar a dinâmica das

transformações da paisagem urbana de forma mais eficaz, observando e propondo ações mais eficientes quanto à ocupação e ao uso do solo na produção do espaço urbano”, auxiliando arquitetos, urbanistas e planejadores, na elaboração da legislação ou em intervenções urbanísticas.

Loch e Erba (2007, p. 132) destacam que, como cada cidade tem autonomia de elaboração do seu plano diretor e independência administrativa “(...) o investimento do cadastro urbano normalmente é muito lucrativo para o poder municipal, não somente através do incremento de arrecadação, mas também pela possibilidade de tomar decisões com base na realidade representada na cartografia cadastral”.