4.2.1.2 Espiritualidade como transcendência
4.3 Sobre as dimensões espirituais presentes na administração do hospital em estudo
4.3.1 Entendimento sobre a espiritualidade no ambiente de trabalho
4.3.1.1 Sentido de comunidade na equipe
Essa abordagem transcreve se existe no ambiente de trabalho o espírito de equipe, zelo mútuo entre seus membros, sentido de comunidade e propósito comum.
Para alguns respondentes, existe a percepção da diversidade de profissionais no setor do seu trabalho, que formam equipes, como enfermeiros, fisioterapeutas, médicos, técnicos de enfermagem, dentre outros e, que, por serem um grupo muito grande nem todos visualizam o espírito de equipe. Entretanto, se for pensar no grupo como um todo, existe essa preocupação. Também foi relatado que existe um cuidado para visualizar que todos na empresa são dependentes um do outro, ou seja, quando um setor da equipe não está funcionando
adequadamente, é feito um trabalho de tentar ajudar a todos, identificando um sentimento de equipe e propósito comum. De forma mais intimista, para alguns, a equipe é visualizada como uma família, na qual todos devem se ajudar, cuidar um do outro. Conforme as falas de alguns respondentes indicam:
Sim, só um detalhe, há uma heterogeneidade na equipe, são só de médicos em torno de 180, com os enfermeiros, mais uns 180, técnico de enfermagem vão a 600, fisioterapia, então assim, eu não posso dizer que há uma homogeneidade, há uma heterogeneidade, o que eu estou falando é o
pensamento majoritário, então a maioria tem, mas há uma heterogeneidade
nisso, eu tenho plantonistas que não tem uma preocupação com essa relação (a equipe é tudo isso?) Sim, porque no todo somos 9 UTIs, ao todo 163 leitos e uma coordenação geral, cada unidade tem um coordenador específico (Entrevistado 4).
Sim. Ainda a pouco a gente tem uma preocupação com a arengação do outro.
Essa é uma equipe que um depende do outro, o universo da empresa como um todo um depende do outro, e a gente conseguiu mostrar isso, que se aqui não está desenvolvendo bem liga, conversa, vamos ver o que está acontecendo, vamos chamar fulano para lhe ajudar, a gente tem sempre feito
uma coisa desse tipo. Inicialmente eu fazia, mas mostrei a cada um da
necessidade de cada um se dirigir ao outro exatamente nesse sentido, qual é a dificuldade que você está tendo para resolver isso? O que eu posso ajudar? E isso vem sendo feito naturalmente no dia a dia. Ainda há pouco
a gente estava conversando que ontem no fim da noite tinha muita pouca roupa em determinado bloco cirúrgico que é um bloco de muito volume, e hoje de manhã já se ligou para a lavanderia pra encaminhar essa roupa, estamos encaminhando, mas estava demorando porque a roupa que tinha já tinha sido utilizada e já estava chegando ai e tal, mas a demora estava fazendo com que, acabou a roupa que nós tínhamos naquele setor e aí como fazer? Se ligou para o setor de transporte, para ver se o setor iria buscar em outro bloco por empréstimo, enquanto lá não chegava porque lá poderia aguardar. Então passa mesmo a ter uma iniciativa de contornar a situação (Entrevistado 9).
Eu assino a família do ambulatório que faz o Mª Fernanda, porque essa equipe, tem que ser uma família, porque a família é aquela que se preocupa com o outro, não se preocupa só consigo, se eu me preocupo só
comigo eu deixo de ser família, e isso não pode acontecer [...] estou fazendo balanço na farmácia, a maioria diz: Madrinha eu estou livre. Eu agradeço à Deus todos os dias por isso, elas veem se oferecer, coisa que não é comum acontecer (Entrevistado 10).
De maneira geral, os gestores relatados nas falas acima percebem a equipe como parte de uma família ou visualizam que os membros do grupo se preocupam uns com os outros, conforme foi descrito por Ashmos; Duchon (2000), na inferência de uma dimensão presente na espiritualidade no trabalho.
No quesito sobre apoio mútuo entre as pessoas, o entrevistado 9 relatou que trabalha em sua gestão a descentralização das ações, dando responsabilidades a cada um e cobrando compromissos de todos que formam a equipe. Entretanto, sinalizou que essa preocupação se deve também ao processo de acreditação que o hospital está implementando e que contribui diretamente para a facilitação desses processos. Como explicitado na fala seguinte:
Existe sim, é como eu lhe disse, estava muito eu, eu, eu, mas quando eu
cheguei aqui a gente viu exatamente isso, tem o setor de lavanderia, de recepção, o outro internamento, e cada um trabalha isoladamente não tinha
essa coisa como eu mostrei a você agora, de a gente ligar para lá e quando ligar, ouvia: eu não sei, não estou interessado se vire e essa coisa assim, então isso realmente passou a acontecer quando a gente formou essas equipes, e dentro do hospital hoje você tem equipes diferentes (são as mesmas
pessoas 'de antes', mas que estão trabalhando de uma forma diferente). Integrando sempre. E assim vários outros setores que não fazem
composição da nossa equipe de trabalho já passaram a formar também outras equipes e isso tem um processo que a gente chama de acreditação, que está sendo implantado no hospital que contribuiu muito também para isso que a gente tem que ter a exigência do cumprimento de determinadas tarefas e favoreceu muito a criação dessas equipes para que
você, facilitou alguns processos (Entrevistado 9).
Essa percepção do gestor 9, referida na fala acima, evidencia o objetivo dos programas de acreditação que existem na área da saúde. De acordo com Emídio (2009), essas avaliações têm como alvo desenvolver a qualidade dos serviços assistenciais, contemplando investimentos em tecnologia, em treinamento humano, aplicação de melhores práticas, visando o foco na assistência qualitativa do atendimento.