Considerações gerais: Não acarretando a dissolução do casamento, mas tão
somente da sociedade conjugal, a separação se apresenta como medida provisória e preparatória de um futuro divórcio.
Espécies:
a) separação consensual ou por mútuo consentimento - exige que o casamento
conte mais de um ano;
b)separação litigiosa:
- como sanção - cabível no caso de grave violação dos deveres do casamento que torne insuportável a vida em comum;
- como falência -cabível no caso de ruptura da vida em comum há mais de um ano consecutivo, não havendo possibilidade de sua reconstituição; - como remédio: cabível quando um dos cônjuges estiver acometido de grave
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continuação da vida em comum, desde que, após uma duração de 02 (dois) anos, a enfermidade tenha sido reconhecida de cura improvável.
- Neste caso, reverterão ao cônjuge enfermo, que não houver pedido a
separação judicial, os remanescentes dos bens que levou para o casamento, e se o regime dos bens adotado o permitir, a meação dos adquiridos na constância da sociedade conjugal.
- Segundo o Código Civil, podem caracterizar a impossibilidade da comunhão
de vida a ocorrência de algum dos seguintes motivos: a) adultério;
b) tentativa de morte;
c) sevícia ou injúria grave;
d) abandono voluntário do lar conjugal durante um ano contínuo;
e) condenação por crime infamante;
f) conduta desonrosa;
g) outros fatos que, a critério do juiz, tornem evidente a impossibilidade de vida em comum.
Efeitos:
- Põe termo aos deveres de coabitação e fidelidade recíproca, bem como ao
regime matrimonial de bens;
- Autoriza sua conversão em divórcio após o decurso de um ano, a contar do
trânsito em julgado da sentença que houver decretado a separação judicial, ou da decisão concessiva da medida cautelar de separação de corpos. A propósito, pelo art. 8° da lei n° 6.515/77, "a sentença que julgar a separação judicial produz seus efeitos à data de seu trânsito em julgado, ou à da decisão que tiver concedido separação cautelar". Entretanto, "a sentença que decretar ou homologar a separação judicial do empresário e o ato de reconciliação não podem ser opostos a terceiros, antes de arquivados e averbados no Registro Público de Empresas Mercantis" (art. 980,CC/2002);
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- Não torna possível a celebração de novo casamento, enquanto não
convertida em divórcio;
- Partilha dos bens, mediante proposta dos cônjuges e homologada pelo juiz
ou por este decidida;
- Suprime o direito sucessório entre os cônjuges;
- Garante pensão alimentícia aos filhos menores e maiores inválidos, bem como ao cônjuge desprovido de recursos, desde que não seja o culpado pela separação litigiosa.
OBSERVAÇÕES:
- Mesmo após a separação, se um dos cônjuges separados judicialmente vier
a necessitar de alimentos, será o outro obrigado a prestá-las mediante pensão a ser fixada pelo juiz, caso não tenha sido declarado culpado na ação de separação judicial, sendo que se o cônjuge declarado culpado vier a necessitar de alimentos, e não tiver parentes em condições de prestá-las, nem aptidão para o trabalho, o outro cônjuge será obrigado a assegurá-los, fixando o juiz o valor indispensável à sobrevivência (art. 1.704, CC/2002).
- Na vigência do CC/1916, o STJ vinha entendendo que a renúncia a alimentos
manifestada por um dos cônjuges no acordo quanto à separação judicial era irretratável. Todavia, o CC/2002 parece ter afastado a possibilidade de haver renúncia quanto a tais alimentos, notadamente em face do disposto em seus arts. 1.704 e 1.707;
- Cessa o dever de prestar alimentos, com o casamento, a união estável ou o
concubinato do credor, bem como se este tiver procedimento indigno em relação ao devedor.
- O STJ já decidiu que é válida e eficaz a cláusula de renúncia a alimentos, quando não ficou estabelecida qualquer cláusula que obrigava o ex-marido a prestar alimentos à ex-mulher, em acordo de separação.
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- Segundo o STJ, quem renuncia, renuncia para sempre. o casamento válido se dissolve pelo divórcio. Dissolvido o casamento, desaparecem as obrigações entre os então cônjuges. A mútua assistência é própria do casamento.
- Separação de corpos, admitindo-se esta, inclusive, como medida
preparatória;
- Atribuição da guarda dos filhos menores e maiores incapazes segundo o que
os cônjuges acordarem a esse respeito na separação consensual ou por - deliberação do juiz, caso não haja acordo. Nesta hipótese, deve tal guarda ser atribuída a quem revelar melhores condições para exercê-la, admitindo- se, inclusive, no caso de os filhos não deverem permanecer sob a guarda de seus genitores, o deferimento da mesma a pessoa que revele compatibilidade com a natureza da medida, de preferência levando em conta o grau de parentesco e a relação de afinidade e afetividade. Aliás, havendo motivos graves, o juiz pode, em qualquer caso, a bem dos filhos, regular a situação deles para com os pais de maneira diferente da estabelecida acima;
- Não altera o vínculo de filiação;
- Assegura ao genitor que não tiver a guarda dos filhos o direito de visitá-los e de tê-los em sua companhia, segundo o que acordar com o outro cônjuge, ou for fixado pelo juiz, bem como de fiscalizar sua manutenção e educação;
- Perda por um cônjuge do direito de usar o sobrenome do outro, no caso de
ser declarado culpado na ação de separação judicial, desde que tal providência seja expressamente requerida pelo inocente e que a alteração não acarrete:
I - evidente prejuízo para a sua identificação;
II - manifesta distinção entre o seu nome de família e o dos filhos havidos da união dissolvida;
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III - dano grave reconhecido na decisão judicial. O cônjuge inocente na ação de separação judicial pode renunciar, a qualquer tempo, ao direito de usar o sobrenome do outro. Nos demais casos de separação, cabe a opção pela conservação do nome de casado;
- Possibilidade de os cônjuges restabelecerem a sociedade conjugal, a
qualquer tempo, por ato regular em juízo. Neste caso, a reconciliação não prejudica os direitos de terceiros, adquiridos antes e durante a separação, seja qual for o regime de bens;
- Impossibilidade do cônjuge do sócio que se separou judicialmente exigir desde logo a parte que lhe cabe na quota social, podendo, entretanto, concorrer à divisão periódica dos lucros, até que se liquide a sociedade (art. 1.027, CC/2002);
- A doutrina e a jurisprudência vêm admitindo a possibilidade de indenização
por dano moral em separação judicial ou divórcio.
14.5 - DIVÓRCIO