18. Processo de fabricação e montagem
18.1 Processo atual
18.1.1. Sequência de operações e GFP
Para essa etapa do estudo, será dado destaque aos detalhamentos em relação à fase anterior do projeto, na qual foram definidas as fichas de processo. A determinação dessas alterações foi feita através de entrevista com a Sra. Maria Lúcia Amado, gerente de produção na Anta Confecções.
Antes de mais nada, um detalhe que faltava nas fichas de processo: os métodos de fixação utilizados na Anta Confecções para a montagem do enfesto e junção do risco ao enfesto são alfinetes e fitas adesivas. Todo o processo de enfestagem é feito de forma manual, e esses materiais são utilizados para facilitá-lo. Nesse caso, considera-se a fita como um material consumível e os alfinetes não, ainda que alguns alfinetes se percam durante o processo produtivo.
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Na parte de enfestagem e corte, foram fornecidas poucas informações sobre distâncias. O que se sabe é que os tecidos são retirados do estoque de matéria prima, e, enquanto isso, o risco é impresso em um plotter específico de forma que eles cheguem quase que simultaneamente à mesa de corte.
O enfesto, então, é montado de acordo com as necessidades da empresa: podem ser diversas camadas do mesmo tecido dobradas, ou misturar diferentes tecidos na mesma pilha. Os enfestos chegam a uma altura normalmente de 5 cm a 7 cm, dependendo dos tipos de tecidos enfestados.
A parte de corte ocorre como descrito na seção anterior. Informações adicionais foram obtidas sobre o espaço necessário e sobre a capacidade de se fazer o processo de forma contínua. O corte é uma operação que requer, em si, muito espaço. Na Anta, por exemplo, há doze mesas de corte, cada uma delas de 10m x 2m (e não 13m x 2m, como informado anteriormente). Além disso, o estoque em si está no mesmo galpão das mesas: nas paredes do galpão há grandes prateleiras, de 1,8m de largura e grande extensão, onde são depositados os tecidos que chegam.
Até por essa grande necessidade de espaço, as operações de risco e corte são feitas em uma plante, ao passo que a costura, a inspeção de qualidade são feitas em plantas separadas. Uma das funções do agrupamento por peças similares, feito ao final do processo de corte, é justamente essa: facilitar o transporte para a fábrica onde será feito o processo de costura.
Nessas partes do processo (ou seja, nessa planta de corte como um todo), todas as peças são processadas em grandes lotes. Foi averiguado, conforme conversa com a Sra. Maria Lúcia, gerente de produção, que um lote típico nessa fase do processo conta com cerca de 100 peças. Já na planta de costura, cada peça é trabalhada individualmente. Essas considerações serão úteis principalmente na parte seguinte do relatório, em que são considerados os tempos para fabricação do produto como um todo.
As principais diferenças descobertas através dessa entrevista estão, porém, na parte das operações de costura. Foi concluído que, na verdade, as máquinas envolvidas e a sequência de operações são um pouco distintas do que se tinha escrito no plano macro. Elas serão descritas nos parágrafos abaixo.
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Antes de começar a operação de costura em si, há um setor que prepara os pedaços de peças a serem trabalhados. Esses funcionários recebem as peças que vieram da costura e separam-nas por tamanho, tipo, preparam também etiquetas, e levam cada peça para a máquina onde ela será agregada ao produto final. Essas máquinas são ditas pesadas (maquinário pesado), pois o próprio tecido a ser trabalhado é em si pesado, por causa das exigências normativas que ele tem que atender. As operações e respectivas máquinas em si são:
- A primeira operação é a de costura reta. Nessa etapa são feitos processos de preparação para as peças como costas, bolsos, gola, carcela (reforço na manga antes dos punhos) e punhos.
- Depois, a camisa vai para a máquina fechadeira, que fecha ombros, manga e laterais. Em alguns casos, quando as máquinas fechadeiras estão todas ocupadas, essas camisas podem ser fechadas nas máquinas de interloque / overloque (a mesma máquina faz ambos os tipos de costura).
- Com as principais partes já unidas, a camisa volta para a máquina de costura reta, que prega gola, colarinho, etiquetas e faz a barra da camisa.
- O último passo é passar pelo setor de acabamento, que conta com as máquinas caseadeira – que faz as casas para os botões; botoneira – que prega os botões; e travete – que faz os reforços em bolsos e passadeiras e calças, principalmente.
- A parte de overloque e interloque, que havia ganhado destaque no relatório anterior, não foi incluída no roteiro pela Sra. Maria Lúcia. Segundo o apurado, são operações mais gerais de costura, mas não tão necessárias na confecção de vestimentas de trabalho. Isso porque o próprio tecido a ser trabalhado já tem características de tecido “pesado”, que dispensa esse tratamento. Além disso, o acabamento interno é mais importante em roupas a serem vendidas em varejo, por isso o overloque não é tão importante nesse caso. O interloque só é usado, como citado, para fazer o fechamento de algumas peças.
Naturalmente, a escolha de processos de costura varia de confecção para confecção. Nesse caso específico, o importante é obedecer à norma, em suas exigências ignífugas (resistência a chamas) e de resistência a calor.
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Todas essas operações de costura são feitas em um grande galpão, dividido em grandes áreas funcionais, cada uma com máquinas do mesmo tipo. As costureiras ficam geralmente cada uma em uma bancada separada de 1,5m por 1m.
Pelo trabalho ser feito em grande velocidade por cada uma das costureiras, não é tão raro que ocorram erros de costura. Para corrigir esses erros, duas supervisoras circulam pelo galpão em busca de erros de costura, e oferecendo também suporte às costureiras em eventuais dificuldades. O objetivo é prevenir erros de acontecerem e, caso eles aconteçam, tentar corrigi- los o mais próximo de sua fonte possível, para diminuir o custo com retrabalhos e rejeitos posteriormente.
Quando as peças estão prontas, elas são agrupadas em lotes, e cada lote é submetido ao controle de qualidade, que pode aprovar ou impedir sua expedição. Esse processo é detalhado melhor na parte do relatório que especifica o plano de controle e correção.
Abaixo é mostrado, portanto, o Gráfico de Fluxo de Processo em Ramos para o produto atual, incluindo todas as operações, transportes, esperas, inspeções e atrasos presentes nesse fluxo. Todas as matérias-primas utilizadas nesse processo estão incluídas na BOM (Bill ofMaterials) apresentada na seção anterior deste relatório.
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18.1.2. Tempos de operação e esquema de Folha Padronizada de