“Na sua necessidade de lidar com o coração huma- no em conflito, no seu desejo de reconciliar as con- tradições apresentadas pelo sofrimento, pelo medo e pela fúria, e na busca do bem-estar, os seres huma- nos optaram pela maravilha e pelo deslumbramento e descobriram a música, a dança e a pintura, e a li- teratura”37 (Damásio, 2018, p. 19)
O ato de planificar exige a definição explícita de um propósito pedagógico e a ne- cessidade subsequente de delimitação de estratégias para o atingir. Neste processo, é fundamental prever técnicas, estudar procedimentos, elaborar cenários alternativos, criar estratégias múltiplas que sejam capazes de se adaptarem aos alunos, na eventualidade de as estratégias previstas inicialmente não funcionarem.
37 E, juntando essas manifestações todas, concretizaram a fé em forma de culto e são incentivados a
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A sequência dada na lecionação da disciplina, e que consta na Planificação Anual, foi a sugerida e implementada no Programa da disciplina de EMRC. Considerou-se, depois de uma análise e observação da turma, que essa sequência potenciava e propicia- va o estabelecimento do fio condutor que se desejava dar às aulas e, especialmente era favorecedora da busca de sentido, que se pretendia estabelecer. No entanto, apesar desta observância na sequência das Unidades Letivas, estas foram sendo sujeitas a reajustes, numa adequação às necessidades sentidas pela turma, atendendo à diferenciação dos alunos da turma no processo educativo.
Esse trabalho de reajuste foi efetuado em todas as Unidades Letivas. Do mesmo modo, a Gestão do Currículo foi elaborada para todas as Unidade Letivas e a observa- ção de aulas assistidas também foi efetuada durante o ano letivo inteiro. As planifica- ções e os reajustes produzidos nas restantes Unidades Letivas foram incluídos no Portfólio de Prática de Ensino Supervisionada e aqui não se expõem pelo facto de o presente Relatório se direcionar mais especificamente à Unidade Letiva I: O Amor Hu-
mano.
Os Planos de Aula (Apêndice III) que integram o presente Relatório foram todos elaborados de raiz pela professora estagiária, e sujeitos a muitas retificações para ade- quação o mais fiel possível, desde o momento da sua conceção ao da sua implementa- ção. O ato de planificar é, pois, rigoroso, rígido, difícil e moroso. Essa grande dificulda- de advém exatamente da necessidade imperiosa de o planeamento dever ser eficaz e ao mesmo tempo flexível e aberto a múltiplas possibilidades, que se abrem no contexto da sala de aula. Enquadrar a conceção e planeamento no processo de Gestão do Currículo é um processo complexo, mas crucial, porque neste procedimento de planeamento exis- tem muitos itens que se interrelacionam e tanto revelam como exigem estratégias essen- ciais para a prossecução dos objetivos. Assim se compreende que os professores não sejam meros prescritores curriculares, consumidos pelas prescrições programáticas, mas, antes, devam participar ativamente na planificação curricular e reorganização da mesma nos seus propósitos, objetivos, conteúdos – para que, assim, seja possível ace- der, com eficácia de ensino e de educação, à diversidade dos alunos. Da sequência deste processo, é que brotaram as planificações da Unidade Letiva, de aula a aula. Como fa- zer-se a diferenciação pedagógica?
“La différenciation pédagogique a pour but de favoriser l'apprentissage de tous les élèves. Une démarche de différenciation pédagogique s'amorce donc
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lorsqu'un enseignant ou une équipe-cycle est confronté à un apprentissage non optimal chez un élève, un sous-groupe d'élèves ou un groupe d'élèves. Pour mettre en oeuvre la différenciation pédagogique, nous adoptons et
proposons la démarche suivante en cinq étapes”
(http://differenciationpedagogique.com/questceque/questceque).
Na perspetiva apresentada, a diferenciação pedagógica funciona tendo por base cinco etapas: 1- avaliação do diagnóstico; 2- definição da situação desejada; 3- planifi- cação da ação; 4- ação; 5- avaliação da ação. Este procedimento pode ser encarado co- mo a aplicação da proposta de Schön sobre o mecanismo do desenvolvimento profissio- nal dos professores, apoiado por uma boa supervisão pedagógica, assim resumida por Brandão (2018, p. 1):
“a necessidade (…) de o professor se desenvolver em três processos: . . . o conhecimento-na-ação, a reflexão-na-ação e a reflexão sobre a reflexão-na- ação [que] constituem o ‘pensamento prático’ do profissional, com o qual enfrenta as situações ‘divergentes’ da prática [que «designaríamos por ‘normal’], em função da eficácia das aprendizagens da e na escola”.
Nesse processo, os docentes devem ser corresponsabilizados na assunção das suas decisões que devem sustentar teoricamente; e essa será, porventura, uma grande mais valia no seu percurso docente:
“Ensinar configura-se assim, nesta leitura, essencialmente como a especia- lidade de fazer aprender alguma coisa (a que chamamos currículo, seja de que natureza for aquilo que se quer ver aprendido) a alguém (o ato de ensi- nar só se atualiza nesta segunda transitividade corporizada no destinatário da ação, sob pena de ser inexistente ou gratuita a alegada ação de ensinar”
(Roldão, 2007, p. 95).
A abordagem da Unidade Letiva I: O Amor Humano foi calendarizada em oito tempos letivos de lecionação, sendo que o último tempo foi destinado à avaliação siste- matizada e formalizada de consolidação de aprendizagens. As planificações de cada aula que se apresentam em apêndice foram as que se consideram que melhor refletiam o reajuste proposto na Unidade Letiva selecionada para este trabalho. Nas planificações, foi atendendo ao perfil da turma e às caraterísticas específicas dos alunos que foi dado destaque aos conteúdos, que se explicitam melhor na proposta de reajuste à Unidade Letiva, já exposto anteriormente no capítulo II, no ponto 2.2.
A Planificação Anual – da qual se partiu e sobre a qual foram sendo feitos os jus- tificados reajustes – foi elaborada no início do ano letivo e aprovada pelo Departamento
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de Ciências Sociais e Humanas e pelo Conselho Pedagógico. A mesma é apresentada em Apêndice IV.