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2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

2.4 Tipos textuais

2.4.1 Sequências textuais narrativas

Sobre esse assunto, Gancho (2006, p.06) afirma que narrar ―é uma manifestação que acompanha o homem desde a sua origem.‖ Ou melhor dizendo, a narração é inata ao homem. E a história da humanidade mostra que diversos documentos oficiais foram escritos ou oralizados na forma da narração, tais como: os mitos, as novelas, os filmes, a notícia de jornal etc. Além disso, Wachowicz (2012, p. 56) ressalta que a ―sequência narrativa, juntamente à argumentativa é provavelmente a estrutura composicional textual mais estudada pela tradição ocidental.‖ Entendemos, por isso, que essa sequência textual deve ser contemplada cuidadosamente em sala de aula.

Sabemos que contar histórias sempre compôs o cotidiano das pessoas. A diferença entre as narrações realizadas hoje e no passado é que, anteriormente, eram exclusivamente realizadas pela modalidade oral; já, hoje, além dessa modalidade, e com predominância, também, na escrita, temos diversos meios e suportes digitais para contá- las, recontá-las, publicá-las, enviá-las, comentá-las, modificá-las em tempo real ou posteriormente quando convier.

Segundo van Dijk (1982, p. 153), ―os textos narrativos são ‗forma básicas‘ globais muito importantes da comunicação textual.‖24

Ou melhor, as narrações são alicerces para quem possui dificuldades de entendimento da comunicação textual, sobretudo da comunicação primária e mais elementar que corresponde não só à conversação oral, mas também a produção escrita a respeito de acontecimentos recentes ou de acontecimentos remotos ocorridos. O autor também aponta um segundo grupo de narrações, do qual fazem parte os gêneros piadas, mitos, contos populares e, por fim, em um outro nível mais profundo, alude às narrações literárias dotadas de uma estruturação mais elaborada.

O autor assegura que o protagonismo de uma narração está nas ações, o que a fazem distinguir, sumariamente, de outros textos, como, por exemplo, de um catálogo, de uma receita ou, até mesmo, de uma bela descrição de uma paisagem. Além disso, é preciso que o texto narrativo possua algo que desperte atenção do leitor, já que não é interessante ouvir uma narração da escovação de um dente, por exemplo, ou de uma noite de um sono tranquilo, mas sim é necessário que apresente um fato que construa uma imagem futura e diferente para o leitor. Por isso, a primeira categoria de uma

superestrutura narrativa, de acordo com van Dijk, é a ‗complicação‘.25 Isso é comprovado, pois a ideia central do texto, nesse caso, será, na maioria das vezes, apresentada por meio de um relato mais detalhado de informações, explorando algumas ações da narrativa.

Com isso, é possível assegurar que a primeira categoria da narração não possui como essencialidade a presença de pessoas, entretanto, quando há o desdobramento de reações diante do acontecimento, percebe-se a necessidade do surgimento delas. Assim, van Dijk (1982, p. 155) chama esse processo de ―uma diluição da complicação. Por isso, a categoria narrativa tradicional correspondente é a ‗RESOLUÇÃO‘ (em inglês: resolution).‖26

. Dito de outra forma, temos o aparecimento de uma nova categoria dependente da primeira. E de acordo com o mesmo autor, o desfecho que surgirá nessa nova classe pode ser favorável ou não, exitoso ou não.

Portanto, com essas duas categorias iniciais, as quais van Dijk (1982) denominará de ‗acontecimento‘, o alicerce da narrativa está formado. Segundo ele, também, cada acontecimento desenvolve-se em quatro situações (o que aconteceu? Onde aconteceu? Como aconteceu? Quando aconteceu?) cuja denominação será o ‗marco‘. A Junção desses dois últimos faz surgir o ‗episódio‘. Este pode ser vivenciado através de diversos acontecimentos. Essa pluraridade de possíveis ‗episódios‘ o autor chama de ‗trama‘.

Os quatro tópicos anteriormente elencados constituem a parte essencial de uma superestrutura da narrativa, porém van Dijk (1982) afirma que o narrador do texto também pode interferir no percurso do texto narrativo, emitindo alguns posicionamentos específicos. Nessa situação, estaremos diante da ‗avaliação‘. Esta, junto com a trama, representam a real história. Por fim, podemos observar também que algumas narrações contêm o anúncio e o epílogo os quais, conforme van Dijk (1982, p. 155-156), ―são de natureza mais pragmática que semântica, uma vez que se referem às ações atuais e futuras do falante/narrador e ou do ouvinte.‖ Ou seja, a história, muito conhecida como fábula, possui, no seu desfecho, um clímax que conduz a um ensinamento de um dado imbróglio a ser aceito ou não. Portanto, diante disso, apresentaremos em forma de um diagrama o esquema proposto pelo autor:

25 Essa categoria apresentada pelo autor tem base nos estudos de Labov & W.A L etzky (1967) que são os únicos que analisaram as narrativas especificamente naturais.

26 Una ‗dilución‘ de la complicación. Por eso, la categoria narrativa tradicional correspondiente es la RESOLUCION( en inglés: resolution).

Esquema 2 – Estrutura narrativa Fonte: van Dijk (1982, p. 156)

O autor faz ainda algumas observações, explicando que não fará o detalhamento de análises mais profundas de outras estruturas narrativas mais complexas. Todavia, certas categorias da narração, através da descrição empírica, podem aparecer implicitamente, tais como: o marco, a avaliação e a moral, uma vez que é possível o ouvinte identificar esses elementos no momento da comunicação. Já para as narrativas oral ou escrita, deve-se apresentar o lugar, o tempo e a descrição das pessoas, embora seja possível aceitar estruturas distintas, sobretudo, para as bases narrativas tradicionais. Ou seja, em um texto literário, podemos iniciar pela complicação e, em seguida, detalhar outros pormenores dos personagens.

O autor também esclarece outras situações de variáveis para os textos narrativos. Porém, nossa pesquisa não possui como objetivo esmiuçar as diversas estruturas do tipo textual da narração, mas sim entender como o ensino do gênero notícia com a temática futebol pode incentivar os alunos a escreverem textos da ordem do narrar, sobretudo a NEE, para serem publicadas em um blog. Para tanto, uma breve noção a respeito da estrutura narrativa explorada por van Dijk já seria, a nosso ver, o suficiente, visto que procuramos detalhar mais a estrutura e análise da notícia quando falamos da sequência narrativa.

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