X
n=1
|ϕ(en)|=
∞
X
n=1
|J(y)(en)|=
∞
X
n=1
|yn|<∞,
o que mostra que (en)∞n=1 ∈`w1(c0).
Em espa¸cos de Banach de dimens˜ao infinita, sempre existem sequˆencias fraca-mente p-som´aveis que n˜ao s˜ao absolutamente p-som´aveis. Resultados com esta caracte-riza¸c˜ao s˜ao conhecidos como Teoremas do tipo Dvoretzky-Rogers.
Proposi¸c˜ao 1.2.8 (Dvoretzky-Rogers, vers˜ao fraca). Seja E um espa¸co de Banach e 1≤p < ∞. Ent˜ao `p(E) = `wp(E) se, e somente se, E tem dimens˜ao finita.
Demonstra¸c˜ao. Uma demostra¸c˜ao deste teorema ´e encontrada em [Pe05, Teorema 3.3].
1.3 Sequˆ encias Cohen fortemente p-som´ aveis
Nesta se¸c˜ao estudaremos o espa¸co das sequˆencias Cohen fortemente p-som´aveis em um espa¸co de Banach E. Este espa¸co foi introduzido por Joel S. Cohen [Co73] e inicialmente era chamado de fortementep-som´aveis. Este espa¸co de sequˆencia ´e completo e ´e um subconjunto pr´oprio do espa¸co `p(E) quando E tem dimens˜ao infinita, como se ver´a a seguir.
SejamEum espa¸co de Banach, 1≤p <∞ep0 o conjugado dep, isto ´e, 1p+p10 = 1.
Parap= 1 tomaremos p0 =∞.
Defini¸c˜ao 1.3.1. Uma sequˆencia (xi)∞i=1 em um espa¸co de BanachE ´eCohen fortemente p-som´avel se a s´erie P∞
i=1ϕi(xi) convergir para toda sequˆencia (ϕi)∞i=1 ∈ `wp0(E0), com
1
p +p10 = 1.
Denotaremos por `phEi o conjunto de todas as sequˆencias Cohen fortemente p-som´aveis emE. Este conjunto ´e um espa¸co vetorial com as opera¸c˜oes usuais de sequˆencias.
De fato, a sequˆencia identicamente nula ´e Cohen fortemente p-som´avel e portanto`phEi
´e n˜ao vazio. Dados (xi)∞i=1,(yi)∞i=1 ∈`phEi e λ∈K, ent˜ao
∞
X
i=1
ϕi(λxi+yi) =
∞
X
i=1
(λϕi(xi) +ϕi(yi))
= λ
∞
X
i=1
ϕi(xi) +
∞
X
i=1
ϕi(yi)<∞ para toda sequˆencia (ϕi)∞i=1 ∈`wp0(E0). Portanto, λ(xi)∞i=1+ (yi)∞i=1 ∈`phEi.
Proposi¸c˜ao 1.3.2. Seja(xi)∞i=1 uma sequˆencia emE. Ent˜ao a s´erieP∞
i=1ϕi(xi)converge para toda (ϕi)∞i=1 ∈ `wp0(E0) se, e somente se, a s´erie P∞
i=1|ϕi(xi)| converge para toda (ϕi)∞i=1 ∈`wp0(E0).
Demonstra¸c˜ao. Suponhamos que a s´erieP∞
i=1ϕi(xi) converge sempre que (ϕi)∞i=1 ∈`wp0(E).
Para o caso real, defina
ψj =
( ϕj, se ϕj(xj)≥0
−ϕj, se ϕj(xj)<0 . Dado (ϕj)∞j=1 ∈ `wp0(E0), por defini¸c˜ao, P∞
j=1|ξ(ϕj)|p0 < ∞ para toda ξ ∈ BE00. Pela linearidade de ξ, resulta que
∞ Em ambos os casos, temos que
∞
A volta ´e imediata, pois, em um espa¸co de Banach, toda s´erie absolutamente convergente
´e convergente.
Em seu artigo, Cohen [Co73] define uma norma neste espa¸co pondo σp((xi)∞i=1) = sup
Campos [Ca13] define a seguinte norma em`phEi:
k(xi)∞i=1kC,p = sup
Estas normas s˜ao iguais. De fato, pela desigualdade triangular, temos
e consequentemente obtendo a desigualdade contr´aria.
Proposi¸c˜ao 1.3.3. Sejam1≤p < ∞ e E um espa¸co de Banach. Ent˜ao `phEi,k · kC,p Teorema do Gr´afico Fechado. Suponha que
Mostraremos que (yi)∞i=1 = (ϕi(xi))∞i=1 =ux((ϕi)∞i=1).
Assim, considerando o operador linear
JE :E →E00, JE(x)(ϕ) = ϕ(x) para todo x∈E e ϕ∈E0,
e que E eJE(E) s˜ao isometricamente isomorfos (veja [BPT15], Proposi¸c˜ao 4.3.1), ent˜ao sup e, consequentemente, para todoi∈N,
k→∞lim ϕ(k)i (xi) =ϕi(xi). (1.4)
Assim, por (1.3) e (1.4) e pela unicidade do limite, temos que yi = ϕi(xi), para todo i ∈ N, o que mostra que (yi)∞i=1 = ux((ϕi)∞i=1). Portanto, ux tem gr´afico fechado, e consequentemente ´e cont´ınua (ver Proposi¸c˜ao A.0.3). Assim,kuxk<∞ e segue que:
kuxk = sup
k(ϕi)∞i=1kw,p0≤1
kux((ϕi)∞i=1)k1
= sup
k(ϕi)∞i=1kw,p0≤1
k(ϕi(xi))∞i=1k1
= sup
k(ϕi)∞i=1kw,p0≤1
∞
X
i=1
|ϕi(xi)|
!
= k(xi)∞i=1kC,p, ou seja, k(xi)∞i=1kC,p <∞.
Verifiquemos as propriedades da norma:
(N1) Por defini¸c˜ao, temos que k · kC,p ≥0. Se a sequˆencia ´e nula, ent˜ao k0kC,p = 0. Por outro lado, quandok(xi)∞i=1kC,p = 0, temos que (xi)∞i=1 = 0, pois, caso contr´ario, existiria um xj 6= 0 para algum j ∈ N e tomando a sequˆencia (ϕi)∞i=1 = (ejγi)∞i=1 em E0 com kγik= 1 para todoi∈N e kxjk=|γj(xj)|, ent˜ao
0<kxjk=|γj(xj)|=
∞
X
i=1
|ϕi(xi)| ≤ sup
k(ψi)∞i=1kw,p0≤1
∞
X
i=1
|ψi(xi)|=k(xi)∞i=1kC,p, o que nos levaria a um absurdo.
(N2) Dados λ ∈K e (xi)∞i=1 ∈`phEi, temos k(λxi)∞i=1kC,p = sup
k(ϕi)∞i=1kw,p0≤1
∞
X
i=1
|ϕi(λxi)|
= |λ| sup
k(ϕi)∞i=1kw,p0≤1
∞
X
i=1
|ϕi(xi)|
= |λ| · k(xi)∞i=1kC,p.
(N3) Para provar a desigualdade triangular, dadas (xi)∞i=1,(yi)∞i=1 ∈`phEi, como k · k1 ´e norma em`1, ent˜ao
∞
X
i=1
|ϕi(xi +yi)| = k(ϕi(xi+yi))∞i=1k1
≤ k(ϕi(xi))∞i=1k1+k(ϕi(yi))∞i=1k1
=
∞
X
i=1
|ϕi(xi)|+
∞
X
i=1
|ϕi(yi)|.
Da´ı,
k(xi)∞i=1+ (yi)∞i=1kC,p = sup
k(ϕi)∞i=1kw,p0≤1
∞
X
i=1
|ϕi(xi+yi)|
≤ sup
k=1 uma sequˆencia de Cauchy em `phEi. Logo, dado ε >0,existe N ∈N tal que se k, k0 ≥N, temos que
Observe ainda que para todoxi ∈E, temos kxikE = sup e consequentemente converge. Digamos que, para cadai∈N, x(k)i ∞
k=1 convirja para xi.
Proposi¸c˜ao 1.3.4. Seja E um espa¸co de Banach. Se 1≤p≤ ∞, ent˜ao `phEi ⊆`p(E).
Mais ainda, `1hEi=`1(E).
Demonstra¸c˜ao. Dado (xi)∞i=1 ∈`phEi, ent˜ao k(xi)∞i=1kp Hahn-Banach
= sup
ϕ∈B`p(E)0
|ϕ((xi)∞i=1)|
= sup
(ϕi)∞i=1∈B`
p0(E0)
∞
X
i=1
ϕi(xi)
≤ sup
(ϕi)∞i=1∈B`
p0(E0)
∞
X
i=1
|ϕi(xi)|.
Pela Proposi¸c˜ao 1.2.5, sup
(ϕi)∞i=1∈B`
p0(E0)
∞
X
i=1
|ϕi(xi)| ≤ sup
(ϕi)∞i=1∈B`w
p0(E0)
∞
X
i=1
|ϕi(xi)|=k(xi)∞i=1kC,p,
Portanto, segue quek(xi)∞i=1kp ≤ k(xi)∞i=1kC,p.
Consideremos o caso p=∞. Tome (xi)∞i=1 ∈`∞hEi. Sendo que kxikE ≤ k(xi)∞i=1kC,∞
para todo i∈ N, temos que (xi)∞i=1 ´e limitada e portanto (xi)∞i=1 ∈ `∞(E). Como (xi)∞i=1 foi escolhida de forma arbitr´aria, segue que `∞hEi ⊂`∞(E).
Verifiquemos agora que`1hEi=`1(E). Se (ϕi)∞i=1 ∈`w∞(E), uma vez que`w∞(E) =
`∞(E0), ent˜ao (ϕi)∞i=1 ´e limitada. Logo, existe M ≥0 tal quekϕik ≤M, para todo i∈N. Da´ı, para todas as sequˆencias (xi)∞i=1 ∈`1(E) e (ϕi)∞i=1 ∈`w∞(E), ent˜ao
∞
X
i=1
|ϕi(xi)| ≤
∞
X
i=1
kϕik · kxik ≤
∞
X
i=1
Mkxik ≤M
∞
X
i=1
kxik<∞.
Operadores Entre Espa¸cos de Sequˆencias
J´a sabemos que a inclus˜ao `p(E) ⊂ `wp(E) sempre ´e v´alida (Proposi¸c˜ao 1.2.5) e que quando o espa¸co de Banach E tem dimens˜ao infinita, esta inclus˜ao ´e estrita (Exem-plo 1.2.7). Isto motiva introduzir a no¸c˜ao de operador que melhora a convergˆencia de s´eries no sentido de transformar sequˆencias fracamente p-som´aveis em absolutamente p-som´aveis1. Com racioc´ınio similar, podemos falar de operadores que levam uma sequˆencia absolutamentep-som´avel em Cohen fortemente p-som´avel, uma vez que `phEi ⊆`p(E).
O objetivo central deste cap´ıtulo ´e estudar os operadores (lineares) Cohen for-temente p-somantes - que operam entre os espa¸cos `p(E) e `phEi. Devido `a rela¸c˜ao existente entre o operador Cohen fortemente p-somante e o seu operador adjunto, aqui tamb´em ser˜ao apresentados os operadores absolutamente p-somantes (que operam entre os espa¸cos `wp(E) e `p(E)) e alguns resultados cl´assicos desta teoria.
2.1 Operadores absolutamente p-somantes
Todo operador linear cont´ınuo T entre os espa¸cos de Banach E e F transforma uma sequˆencia (xi)∞i=1 ∈ `wp(E) em uma sequˆencia (T(xi))∞i=1 ∈ `wp(F). Em outras pala-vras, existe um operador induzido
Tbw : `wp(E) →`wp(F)
(xi)∞i=1 7→Tbw((xi)∞i=1) := (T(xi))∞i=1
1Um estudo detalhado desta teoria ´e dado por Pietsch [Pi67].
18
e o que mostra queTbw est´a bem definido. Disso, temos que
´e ditoabsolutamente p-somante seT transforma sequˆencias fracamente p-som´aveis em E em sequˆencias absolutamentep-som´aveis em F, isto ´e, o operador
Tb: `wp(E) →`p(F) (xi)∞i=1 7→(T(xi))∞i=1 est´a bem definido.
O espa¸co de todos os operadores absolutamente p-somantes entre os espa¸cos de BanachE e F ser´a denotado por Πp(E;F).
Dados um espa¸co vetorialE ex1, . . . , xm ∈E, as sequˆencias (x1, . . . , xm,0,0, . . .) ser˜ao identificadas como as sequˆencias finitas (x1, . . . , xm) = (xi)mi=1.
E poss´ıvel caracterizar os operadores absolutamente´ p-somantes atrav´es de desi-gualdades. A fim de precisar melhor esta ideia, consideremos a seguinte
Proposi¸c˜ao 2.1.2. Sejam 1 ≤ p < ∞ e T ∈ L(E;F). As seguintes condi¸c˜oes s˜ao equivalentes:
(i) T ´e absolutamente p-somante;
(ii) Existe uma constante C > 0 tal que
∞
X
i=1
kT(xi)kp
!1p
≤C sup
ϕ∈BE0
∞
X
i=1
|ϕ(xi)|p
!1p
, (2.1)
sempre que (xi)∞i=1 ∈`wp(E);
(iii) Existe uma constante C > 0 tal que
m
X
i=1
kT(xi)kp
!1p
≤C sup
ϕ∈BE0
m
X
i=1
|ϕ(xi)|p
!1p
, (2.2)
para toda sequˆencia finita x1, . . . , xm em E.
Denotando porπp(T)o ´ınfimo das constantesC que satisfazem a desigualdade (2.2), temos que πp(T) =
bT .
Demonstra¸c˜ao. Veja [Si10, Proposi¸c˜ao 2.1.7] (fazendo p=q).
A proposi¸c˜ao a seguir afirma que πp(·) ´e uma norma em Πp(E;F).
Proposi¸c˜ao 2.1.3. (Πp(E;F), πp(·))´e um espa¸co vetorial normado.
Demonstra¸c˜ao. Veja [Sa08, Proposi¸c˜ao 2.3.15] (fazendo p=q).
A classe dos operadores absolutamente p-somantes satisfaz a seguinte ordem de inclus˜ao baseada no parˆametro p:
Proposi¸c˜ao 2.1.4 (Teorema de Inclus˜ao). Sejam E e F espa¸cos de Banach e 1≤ p1 ≤ p2 <∞. Ent˜ao
Πp1(E;F)⊂Πp2(E;F).
Demonstra¸c˜ao. Sejam T ∈Πp1(E;F), m∈N e x1, . . . , xm ∈ E. Sendop1 < p2 e fazendo
1 p = p1
1 − p1
2 e λi =kT(xi)kpp2, parai= 1, . . . , m, temos kT(λixi)kp1 =
T
kT(xi)kpp2xi
p1
=kT(xi)kp1pp2 · kT(xi)kp1
= kT(xi)kp1pp2+p1 =kT(xi)kp2. Note que, como 1p = p1
1 − p1
2, ent˜ao 1p p1
+ p12 p1
= 1. Da´ı,
m
X
i=1
kT(xi)kp2
!p1
1
=
m
X
i=1
kT(λixi)kp1
!p1
1
≤ C sup
O teorema a seguir ´e um resultado central da teoria dos operadores absolutamente somantes e pode ser encontrado em ([PS11], Theorem 2.1).
Teorema 2.1.5 (Dvoretzky-Rogers). Sejam E um espa¸co de Banach e 1 ≤ p < ∞.
Ent˜ao Πp(E;E) = L(E;E) se, e somente se, dimE <∞.
Do que foi dito no teorema acima, em particular, o operador identidade em E ´e absolutamentep-somante se, e somente se, a dimens˜ao deE for finita.