Mesmo com o processo de globalização e com a abertura das fronteiras comerciais, vários países foram os precursores da industrialização, a partir disto, dois conceitos são colocados em pauta, tanto pela sinonímia quanto pela diferenciação o de “empresa multinacional” e “empresa transnacional”. Portanto, buscamos neste item trazer a reflexão de ambos os conceitos, mesmo que alguns autores afirmam que um conceito se aplica ao outro. Procuramos aqui contribuir para essa discussão, muitas vezes carentes de esclarecimentos fundamentados.
1.3.1 Compreendendo a empresa multinacional
Desde o auge da primeira Revolução Industrial o mundo foi conhecendo e aderindo várias transformações, principalmente de cunho tecnológico ou científico, que surgiram para melhorar e fazer com que os processos de produção industriais passassem a serem realizados mais rapidamente. Assim, vários territórios passaram a ser vistos como grandes potências industriais, pois se diferenciavam de muitos no aspecto da industrialização como a Alemanha, os Estados Unidos, Itália, França, Japão, entre outros. Mas além do desenvolvimento e produção em seus territórios procuravam expandir seus tentáculos de forma a implantar filiais em vários países, muitos deles em fase de desenvolvimento, de onde conseguiram uma série de benefícios. A partir daí começava a surgir a empresa multinacional e transnacional.
De acordo com Hymer (1983), desde o início da Revolução Industrial passou a ser verificada uma tendência de a empresa representativa (entendemos como as primeiras empresas a surgirem), aumentando suas dimensões, passando dessa forma da
oficina à fábrica, e assim surgindo à empresa nacional, à empresa multidivisional e a que conhecemos hoje, a empresa multinacional. Em cada uma dessas etapas as empresas adquiriam uma estrutura administrativa muito complexa para assim coordenar suas atividades e um cérebro maior para planificar a sua sobrevivência e crescimento.
Passaram a existir várias definições para designar o que é considerado Multinacional (MN). Muitas delas repousam-se em critérios arbitrários, tipológicos ou mesmo estáticos, como o número de países de implantação ou de filiais estrangeiras, o tamanho, a percentagem do faturamento realizado ou até mesmo dos efetivos empregados no estrangeiro. Dessa maneira, entende-se que as dimensões alcançadas pelas MN tornaram-se muito complexas; e, também globais, o que não se deixam encerrar em apenas uma única definição (ANDREFF, 2000).
Segundo Hymer (1983), as primeiras multinacionais eram de origem americana, onde a empresa privada havia alcançado suas dimensões máximas e também as suas formas mais altas de desenvolvimento. Após as multinacionais americanas, quem passa a ganhar o mundo são as empresas européias que voltam a sua atenção de uma produção nacional para uma produção global.
Como a empresa multinacional é um fenômeno de origem norte-americano, a sua precursora será a empresa nacional norte-americana, que foi criada no final do século XIX, momento em que o capitalismo passou a desenvolver uma estratégia comercial e também de cunho industrial para cidades múltiplas e âmbito continental. A empresa nacional tinha como principal característica uma estrutura administrativa complexa, que era necessária para coordenar e também controlar a produção e a comercialização em massa, em fábricas e em canais de venda geograficamente dispersos. Assim, a administração de empresas se transformou em um campo de atividades muito especializado e o capitalismo norte-americano passou a frente em técnicas de gerência e administração, superando a Europa que mantinha ainda a empresa familiar (HYMER, 1983).
Porém, muitas empresas norte-americanas só adentraram aos países estrangeiros depois que completaram a sua integração em escala continental, e o termo multinacional só passou a adquirir importância depois dos anos de 1960. As multinacionais passaram a assumir como seu próprio habitat, o mundo e, através disso planejaram a produção e também a comercialização em escala global (HYMER, 1983).
O referido autor relata que, para as empresas multinacionais, as fronteiras nacionais estão traçadas com tinta invisível, em uma primeira aproximação, para a
empresa internacional as cidades acabam sendo unidades de análise melhores que os países. E assim a expansão da empresa internacional responde por dois movimentos, de um lado ela difunde o capital e a tecnologia e, de outro, centraliza o controle, constituindo uma rede integrada verticalmente, em que as várias áreas especializam em diferentes níveis de atividade.
Segundo Hymer (1983) existem três aspectos relacionados às empresas multinacionais ou ao sistema de empresas multinacionais, são eles: os movimentos internacionais de capital, produção capitalista internacional e o governo internacional. Para o autor os movimentos internacionais de capital é o investimento direto das grandes empresas em suas filiais e também subsidiárias que estão presentes no exterior, tratando-se do movimento de capital em curto prazo e longo prazo, e também em investimentos em carteira estimulados pela empresa multinacional, que acabam estimulando os investimentos do crescimento das finanças internacionais, aos depósitos em bancos internacionais, os investimentos nos mercados europeus de divisas e títulos, nos investimentos em capital acionário de empresas multinacionais efetuados por não nacionais.
Michalet (1983) relata que uma firma multinacional é uma grande empresa de origem nacional que possui ou controla várias filiais de produção em diversos países, pois pertencem a setores industriais concentrados. A estratégia da empresa Multinacional (MN), modalidade que adquire ao constituir outras filiais, é múltipla como a compra de empresas locais, criação de uma nova unidade de produção, participação no capital de empresa já existente. Michalet (1983, p. 24) explica ainda que:
[...] A compra não se traduz, geralmente, por um aumento do valor adicionado na economia de implantação. Pode ser assimilada, a nosso ver, a uma forma internacional de crescimento externo das firmas, segundo um processo de absorção. De acordo com o relatório da ONU, esta fórmula corresponde a um terço dos investimentos efetuados nos países subdesenvolvidos. Considerando-se seu baixo grau de industrialização, tal prática conduz, em certos casos, a um controle acentuado da indústria local por sociedades estrangeiras. A modalidade da compra é também muito utilizada nos países desenvolvidos.
A compra de empresas nacionais por empresas estrangeiras pode ser observado no Brasil e no Paraná. Muitas vezes a empresa de capital internacional ao se instalar em determinado território observa que tem uma concorrente nacional e acaba por adquiri-lá, tornando a empresa nacional parte de seu capital produtivo. Para elas, isso acaba
tornando-se uma estratégia de mercado, pois, ao adquirir uma empresa nacional adquire junto um mercado consumidor pronto, melhorando seu alcance e tornando quase que a única detentora da produção de determinado produto naquele espaço.
Chesnais (1996, p. 73) explica que a companhia multinacional começou a se constituir da seguinte forma:
[...] Como grande empresa no plano nacional, o que implica, ao mesmo tempo, que ela é o resultado de um processo, mais ou menos longo e complexo, de concentração e centralização do capital, e que, frequentemente, se diversificou, antes de começar a se internacionalizar, que a companhia multinacional tem uma origem nacional, de modo que os pontos fortes e fracos de sua base nacional e a ajuda que tiver recebido de seu Estado serão componentes de sua estratégia e de sua competitividade; que essa companhia é, em geral, um grupo, cuja forma jurídica contemporânea é a de holding internacional; e por fim, que esse grupo atua em escala mundial e tem estratégias e uma organização estabelecidas para isso.
A definição de empresas multinacionais, para Farhat (1996), pode ser compreendida como a que opera, pesquisa, produz, comercializa seus produtos, passa a recrutar pessoal, desenvolve ou adquire tecnologia em muitos países e continentes. Cabe a elas também, quando lhes convém, associar-se a interesses locais ou até mesmo regionais, para que consigam obter resultados mais imediatos nos mercados ou, muitas das vezes, quebrarem resistências ao processo de internacionalização das economias nacionais. As multinacionais sozinhas respondem por uma grossa fatia do produto interno das nações de todo o mundo, e por boa parte da descoberta e desenvolvimento de novos produtos, da sua fabricação e também do marketing dos produtos mais essenciais aos menos importantes. No quesito geração de empregos, trabalhos e correntes de comércio internacional também marcam forte participação.
Quanto ao poder e ao tamanho, para que possa ser considerada uma multinacional, a empresa precisa ser grande, as suas vendas a nível mundial precisam alcançar a cifra de bilhões de dólares por ano. A dimensão da empresa oferece poder de alavancagem para obtenção de recursos de acionistas, banqueiros ou até mesmo outras agências de financiamento ou mesmo licença ou atos do poder público que assim aceite entrar em determinado campo, nele continuar e acabar expandindo para outros setores afins ou não (FARHAT, 1996).
Além disso, Michalet (1983) aponta que formas antigas coexistem com formas modernas, e relata cinco tipos de Empresas Multinacionais: as firmas exportadoras, as EMN primárias, as EMN de estratégia comercial, as EMN globais, e as EMN financeiras. As exportadoras, mesmo que a criação de filiais de comercialização passe a
constituir na história da firma o primeiro passo rumo a multinacionalização, esse tipo de firma não se insere na internacionalização do processo produtivo, elas, na verdade, são as continuações da tradição das grandes Companhias de Navegação das Índias, pertencendo ao capitalismo mercantil. Entretanto, as primárias, situam-se no setor primário, onde encontram-se as companhias de petróleo, sociedades mineradoras, os trustes bananeiros e devido ao fato de ela ser a primeira forma de internacionalização da produção, a sua localização no estrangeiro se faz em função dos recursos naturais existentes.
A EMN de estratégia comercial corresponde ao processo de internacionalização da produção como forma de substituição de importações, nada mais é do que a implantação de multinacionais na medida em que opera um verdadeiro deslocamento da produção, agora por meio da implantação de filiais substitutas. As multinacionais globais são das últimas do ramo a aparecer, elas têm como estratégia produtiva a criação de filiais-ateliers, onde especializa um segmento do ciclo de produção, representando a forma da internacionalização que se encontra baseada na exploração da mão de obra barata. Ela precisa de uma estrutura organizacional que propicie a planificação da produção das filiais em escala mundial, é por isso que sua designação é global ou planetária. Por fim, a EMN financeira mostra a integração entre o sistema bancário e a indústria, seria uma holding que administra as participações financeiras das multinacionais e suas carteiras de patentes e licenças (MICHALET, 1983).
Outro autor que descreve o que seria uma empresa multinacional é Bresser- Pereira (1978, p. 12), que relata que essa expressão parece ter sido então usada pelo seu defensor, David E. Lilienthal, em uma conferência realizada em abril de 1960 no
Carnegie Institute of Technology localizado nos Estados Unidos.
Reservamos a denominação de “empresas internacionais” para caracterizar todas as empresas que possuam filiais em mais de um país, e preferimos definir como multinacionais as grandes empresas oligopolísticas que se expandem em escala mundial a partir dos anos cinqüenta deste século. A expressão “empresa multinacional” surge nessa época, quando o capitalismo mundial modifica estruturalmente seu caráter e ganha dimensão definitivamente mundial e, ainda no século passado, o processo de unificação comercial (através da divisão internacional do trabalho) e financeiro dos países capitalistas centrais e periféricos já ultrapassado, passava agora à unificação industrial do sistema através das empresas multinacionais manufatureiras.
Para Sandroni (1999) o entendimento de multinacional consiste numa estrutura empresarial muito básica do capitalismo dominante nos países que são altamente
industrializados, e que possuem estratégia internacional a partir de uma base nacional e sob o controle de uma direção centralizada. Mas elas também são conhecidas como empresas internacionais ou transnacionais, as multinacionais são o resultado da concentração do capital e da internacionalização da produção capitalista. Esse processo teve início no fim do século XIX, quando o sistema capitalista superou a sua fase concorrencial e passou a evoluir para a formação de monopólios, trustes e cartéis, fenômenos que passaram a acompanhar a hegemonia do então capital financeiro no modo de produção capitalista, passando a ser conhecido como imperialismo.
Nesse novo processo de realização do capital, começa a surgir um mercado dito global, seja de produção de bens, serviços ou de utilização de mão de obra, mas que tem no poder militar, econômico e político concentrado nas nações industriais: Estados Unidos, Grã-Bretanha, Canadá, Japão, França e Alemanha (SANDRONI, 1999).
De acordo com Moreira et al (2004) o principal pilar do capitalismo atual, marcado tanto pelas facilidades de comunicação e transportes de ideias e materiais, tem como principal responsável as empresas multinacionais. As multinacionais para Moreira et al (2004, p. 36) seriam:
(...) proprietárias de instalações de produção ou serviços controlados fora do país onde elas estão baseadas. Tem a sua matriz facilmente identificável. Tais empresas podem ser, além de sociedades anônimas ou sociedades privadas, cooperativas ou entidades pertencentes ao Estado. O processo pelo qual ocorreu a expansão explosiva de empresas que superam a fronteira de seus países de origem é a própria essência do que é multinacional: competição e eliminação de concorrência. Estas empresas buscam, primeiramente, um mercado mundial aos seus produtos e às suas fábricas. Neste mundo sem fronteiras, elas optarão por países que apresentem mão-de-obra barata, matéria prima abundante e incentivos fiscais.
Andreff (2000), acrescenta que com o processo da globalização, as multinacionais deixam de fazer distinção entre os mercados internos de cada país de origem e também dos diversos países hospedeiros, mas passam a influenciar os mercados locais e a competitividade entre os países. Assim, percebemos que as MN têm um grande papel dentro das economias nacionais e ainda como consequência, sobre as rendas que ali são distribuídas. Por isso, as multinacionais estão entre os maiores contribuintes, fontes de rendas importantes para os Estados.
1.3.2 Conhecendo a empresa transnacional
Farhat (1996) diz que o conceito de multinacional é jurídico e societário, contudo o de empresa transnacional é entendido como o mais político e comportamental. Assim Farhat (1996, p. 388) mostra a diferença entre multinacional e transnacional:
- empresa multinacional pressupõe fatos físicos, concretos, em âmbito internacional: capitalização, criação, fabricação e comercialização de produtos; uso mundial de marcas registradas; aquisição e desenvolvimento de tecnologia; política empresarial uniforme, com poder de decisão centralizado; recrutamento de pessoal qualificado em qualquer parte do mundo; - o sentido de empresa transnacional tende ao metafísico: a empresa se coloca acima das barreiras e fronteiras nacionais; os interesses dos seus acionistas – representados pelos conselhos de administração da empresa-mãe e de suas ramificações – precedem outros interesses e objetivos, inclusive os objetivos nacionais dos países onde atuam.
Farhat (1996, p.388) complementa a respeito das transnacionais, no que diz respeito aos preços de transferência para poder minimizar lucros, apontando que elas são:
[...] portanto, aquelas cuja expansão, negócios, vendas, importações, exportações, capital e marketing tendem a “apagar” suas vinculações nacionais, inclusive da empresa-mãe. São supranacionais, pois sua atuação nos mercados, até mesmo no da empresa original, desconhece fronteiras, barreiras lingüísticas e jurídicas. Pairam acima dos Estados hospedeiros. De acordo com Filho (2011, p. 90), entende-se por “Companhias Transnacionais (ETNs) empresas que nascem com o objetivo de expandir seus negócios além dos países os quais possuem sede. O que essas empresas não imaginavam é que também seriam responsáveis por toda a modificação da dinâmica mundial a partir de suas redes de negócios”. O autor ainda afirma que as ETNs nascem, não só com a finalidade de atenderem outros mercados, a partir de oportunidades que a elas são oferecidas por parte dos governantes dos diversos territórios, mas também para garantirem a existência na aldeia competitiva.
Entretanto, para Michalet (1983, p. 29) o entendimento de empresa transnacional pauta-se:
(...) Conclui-se que a transnacional requer o estatuto de um novo agente do cenário internacional; o que implica o conhecimento de jure de sua especificidade. Elas se situam, desde já, em posição comparável à do Estado- nação. O que significa dizer que as firmas internacionais ou transnacionais já não tem nacionalidade. Elas formam entidades soberanas.
A Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento – UNCTAD (2013, s/p), declara o que pode ser entendido como Empresa transnacional:
(...) uma empresa que compreende entidades em mais de um país, que operam sob um sistema de tomada de decisões que permita políticas coerentes e de uma estratégia comum. As entidades são tão ligadas, por propriedade ou de outra forma, que um ou mais deles podem ser capazes de exercer uma influência significativa sobre os outros e, em particular, para compartilhar conhecimentos, recursos e responsabilidades com os outros. (Tradução livre do próprio site).
De acordo com Dicken (2010) a empresa transnacional é entendida como a mesma empresa multinacional. A empresa transnacional tornou-se a principal formadora da economia global presente e também uma grande ameaça a autonomia econômica do Estado-nação, com o passar do tempo houve um expressivo aumento do investimento direto estrangeiro e junto a isso as origens e destinos do (IED) passaram a se tornar cada vez mais diversificadas. Entendemos assim que o investimento externo estrangeiro é considerado apenas como uma medida da atividade desenvolvida pela ETN. Mas pelo fato de os dados do IED se basearem na propriedade de ativos, os mesmos não envolvem todos os complicados métodos pelos quais as empresas participam através de operações transnacionais, por meio de vários tipos de empreendimentos de colaboração e através de diversos modos pelos quais coordenam e controlam transações dentro das redes de produção distribuídas pelos territórios.
Assim, Dicken (2010, p. 125) descreve o que é uma ETN e quais são suas características principais:
Uma empresa transnacional é aquela que tem o poder de coordenar e controlar operações em mais de um país, mesmo que não seja propriedade delas. Sua possibilidade de coordenar e controlar vários processos e transações em redes de produção transnacionais, dentro de e entre países diferentes. Sua possibilidade de se beneficiar com as diferenças geográficas na distribuição de fatores de produção (como recursos naturais, capital, mão de obra) e nas políticas estatais (por exemplo, impostos, barreiras comerciais, subsídios etc.). Sua flexibilidade geográfica potencial – sua possibilidade de alterar e restaurar seus recursos e operações entre localidades, em uma escala internacional ou até global.
Grande parte da economia global, segundo Dicken (2010), é formada pelas ETN por meio das suas decisões que verificam a possibilidade de investimento em determinadas regiões geográficas. A sua geografia passa a estar organizadas de acordo com os fluxos resultantes de materiais, componentes, produtos finais, conhecimento
tecnológico, organizacional, finanças entre as suas operações que estão distribuídas geograficamente pelos diversos territórios.
O autor supracitado destaca o funcionamento das ETNs, pois elas variam muito de um setor para outro, de um país para o outro e também em diferentes partes do mesmo país, e que, dentro do mapa global, são raros os lugares que elas não estão inseridas. Interpretando Dicken, podemos trazer como exemplo, as empresas alimentícias globais, em especial as de fast food, que tem como estratégia a adaptação de suas comidas rápidas de acordo com a comida local. Dicken (2010, p, 129) aborda sobre a orientação para o mercado:
A maioria dos investimentos diretos estrangeiros quer em produção, quer em
marketing e vendas, é elaborada para atender um mercado geográfico
específico, localizando-se dentro desse mercado. O produto ou serviço produzido no exterior pode ser praticamente idêntico ao produzido no país de origem da empresa, embora possam existir modificações implementadas para atender às preferências e necessidades específicas do mercado local.
Mas é importante ressaltarmos aqui que as ETNs não são todas iguais, tanto em tamanho e extensão geográfica e em especial na forma como ocorre o seu funcionamento. Esses monstros econômicos são diferentes uns dos outros, deixando as suas marcas nas mais diversas paisagens. Na realidade as ETNs estão muito longe de adquirir o nome de “organizações sem pátria”, como muitas das vezes elas são denominadas, pois elas permanecessem refletindo as características básicas do seu país de procedência, onde permanecem intensamente incorporadas (DICKEN, 2010).
De acordo com Brum (2002) a transnacional perante o processo de globalização da economia mundial tornou-se a principal força econômica do mundo, e a concentração deste tipo de empresa está em três setores – o automobilístico, químico e o farmacêutico.
Brum (2002) ainda descreve que muitas áreas dos territórios são das transnacionais, e que é preciso deixar lugares para elas se instalarem. A isso o autor enfatiza que como os negócios são cada vez mais mundializados fica cada dia mais fácil determinar de onde vem o lucro e o que cada um dos governos pode cobrar.
Dentro deste contesto, o papel do Estado se resume ao fornecimento de infra-