FOTO 11 - Palestrante e plateia do II Encontro Estadual do Geopark
1 GEOPARK: DO CONCEITO À IMPLEMENTAÇÃO
1.5 SERRA DA BODOQUENA: GEOLOGIA E ARQUEOLOGIA
Composta, sobretudo por rochas carbonáticas pertencentes ao Grupo Corumbá (Proterozóico), a Serra da Bodoquena constitui uma das mais
Quadro 5. Composição do Conselho Gestor.
extensas áreas cársticas do Brasil formada por cavernas e relevos cársticos. O carste caracteriza-se pelo sistema desenvolvido sobre rochas solúveis com cavernas, aqüífero de condutos e forma de relevo típico. Situada na região sudoeste do Estado de Mato Grosso do Sul é tradicionalmente conhecida pela baixa incidência de cavernas, na maioria com dimensões reduzidas, apesar das condições favoráveis para o desenvolvimento da espeleogênese, como uma grande exposição de rochas carbonáticas, clima úmido e desnível topográfico. Abaixo segue o mapa 7 referente a distribuição espacial das cavernas da Serra da Bodoquena:
Mapa 7. Distribuição de cavernas em relação às principais unidades de relevo. Numeração correspondente ao cadastro na Sociedade Brasileira de Espeleologia.
Segundo Sallun Filho e Karmann (2005, p. 43), a importância do Patrimônio Espeleológico da Serra da Bodoquena foi firmada através do tombamento das grutas Lago Azul e Nossa Senhora Aparecida em 1978, pelo reconhecimento como Patrimônio da Humanidade e Reserva da Biosfera, e pela criação do “Parque Nacional da Serra da Bodoquena” em 2000. O Parque Nacional da Serra da Bodoquena abrange uma área de 77.232,00 hectares, caracterizado como uma Unidade Conservação atinge parte dos municípios de Bonito, Bodoquena, Jardim e Porto Murtinho. Essa área assim como o Sistema Nacional de Unidades de Conservação, visa preservar ecossistemas naturais de grande relevância ecológica e beleza cênica, possibilitar a realização de pesquisas científicas e o desenvolvimento de atividades de educação ambiental, turismo ecológico e recreação em contato com a natureza. Devido sua condição geológica, refletindo na diversidade da fauna e flora a região da Serra da Bodoquena pode torna-se propícia a ocupação de agrupamentos humanos na pré-história e história.
Dentro da área do Geopark Estadual Bodoquena-Pantanal existe diversas potencialidades que podem ser exploradas turisticamente e cientificamente, como por exemplo, os sítios arqueológicos, paleontológicos e geológicos. De acordo com o cadastro nacional de sítios arqueológicos do IPHAN - Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o Estado de Mato Grosso do Sul possui cerca de 650 sítios arqueológicos cadastrados até o momento, estes sítios encontram-se especialmente em regiões fluviais dos rios Paraguai e Paraná. Apesar de haver na região um interesse paisagístico e turístico, o contexto da Serra da Bodoquena e seus ambientes fluviais de entorno, nos municípios circundantes na porção sudoeste, seu conteúdo arqueológico é pouco conhecido. Neste sentido trabalhos voltados à arqueologia nas regiões em torno da Serra da Bodoquena, contribuem para interpretação científica acerca do povoamento pretérito da região através do resgate dos vestígios arqueológicos e salvaguarda do patrimônio arqueológico além de viabilizar o desenvolvimento de atividades como a educação patrimonial, visando a ampliação da percepção da comunidade local acerca do patrimônio arqueológico e da necessária definição de práticas de preservação desses testemunhos culturais e de seus ambientes associados.
Existem poucas pesquisas sistemáticas em Arqueologia na porção sudoeste da região da Serra da Bodoquena e até o momento não há sítios cadastrados no IPHAN dos municípios de Bodoquena, Bonito, Jardim e Guia Lopes da Laguna (consulta realizada em 20/02/2012), contudo, são municípios que revelam indícios de um grande potencial regional para a existência de sítios arqueológicos, pré-históricos, históricos, etno-históricos ou urbanos. Indícios estes presentes no relevo, recursos hídricos, matéria prima propícia para o desenvolvimento da indústria lítica, argilas de boa qualidade para a fabricação de cerâmica, diversidade animal, vegetal e de áreas de solos férteis propiciando o fácil cultivo.
No município de Bodoquena, alguns integrantes da ONG denominada ECOA, propuseram campanhas de levantamento espeleológico na serra da Bodoquena, foram encontrados três recipientes inteiros de cerâmica arqueológica e doados ao Laboratório de Pesquisas Arqueológicas da UFMS (foto 3), hoje integram a exposição de longa duração do Museu de Arqueologia da UFMS (MuArq).
Foto 3. Potes cerâmicos da tradição arqueológica “Campos de Xerez”
Fonte: Museu de Arqueologia da Universidade federal de Mato Grosso do Sul - 11/2011.
As características desses potes cerâmicos não se enquadram em nenhuma das tradições arqueológicas brasileiras. As ocorrências desse tipo de trabalho cerâmico estendem-se pelos municípios de Bonito, Miranda, Bodoquena e Aquidauana, áreas municipais embutidas no espaço que outrora no período colonial, era conhecido como Campos de Xerez, em função disto as cerâmicas com essas características foram denominadas tradição arqueológica Campos de Xerez.
Nos anos de 2009 a 2011, foi aprovado e executado o projeto “Levantamento arqueológico no município de Bodoquena, MS (Termo de Outorga FUNDECT nº 079/09)”. O projeto teve como objetivo compreender o processo de povoamento pré-histórico e/ou histórico do contexto da Serra, piemonte e ambientes fluviais, possibilitando possíveis modelos explicativos preliminares da Arqueologia regional. Os resultados parciais deste projeto criaram bases para estimular práticas de Educação Patrimonial no sentido de elucidar a comunidade local sobre a conservação dos sítios e vestígios arqueológicos. O projeto foi coordenado pelo professor Doutor em Arqueologia
Gilson Rodolfo Martins (MUARQ/UFMS4), foram descobertos 4 sítios
arqueológicos: - Sítio córrego Seco/Canaã 1 (foto 4); - Sítio córrego campina 1 (foto 5); - Sítio córrego campina 2 (foto 6) e - Sítio córrego campina 3 (foto 7).
4 Museu de Arqueologia da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul Foto 4. Parede fragmentada de pote cerâmico arqueológico.
Fonte: Museu de Arqueologia da Universidade federal de Mato Grosso do Sul - 11/2011.
Foto 5. Pote cerâmico arqueológico encontrado em caverna.
Fonte: Museu de Arqueologia da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul - 11/2011.
Foto 6. Pote cerâmico arqueológico.
Fonte: Museu de Arqueologia da Universidade federal de Mato Grosso do Sul - 11/2011.
Foto 7. Pote cerâmico arqueológico encontrado em caverna.
Fonte: Museu de Arqueologia da Universidade federal de Mato Grosso do Sul - 11/2011.