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Serviço DiffServ – PHB EF

No documento Simulação de redes de comunicações em NS (páginas 164-170)

8. QdS – Qualidade de Serviço

8.2 I MPLEMENTAÇÃO NO NS

8.3.3 Serviço DiffServ – PHB EF

Esta secção tem por objectivo apresentar os resultados obtidos, quando se configura mecanismos de QdS com PHB EF no cenário da figura 8.4. Neste cenário considera-se que para o fluxo de tráfego vital é necessário garantir que nenhum pacote da classe seja descartado. A QdS é configurada para PHB EF e para uma taxa de 3 Mbits/s. Os valores teóricos esperados são apresentados nas tabelas 8.14 e 8.15.

Taxa de transmissão (Mbits/s) Largura de banda (Mbits/s) Percentagem descartes (%) Fluxo 1 4 1 75 Fluxo 2 4 1 75 Fluxo 3 4 3 25 CP 10 3 3 0 CP 12 9 2 77.77

Tabela 8.14 – Valores teóricos para a ligação E1->CO com DiffServ - PHB EF Taxa transmissão (Mbits/s) Largura de banda (Mbits/s) Percentagem descartes (%) Fluxo 1 1 0.5 50 Fluxo 2 1 0.5 50 Fluxo 3 3 3 0 CP 10 3 3 0 CP 12 2 1 50

Tabela 8.15 – Valores teóricos para a ligação CO->E2 com DiffServ - PHB EF

Após a reconfiguração, o cenário é simulado 10 vezes e as ligações partilhadas pelos fluxos são analisadas e os resultados obtidos são apresentados nas tabelas 8.16 e 8.17, com intervalos de confiança de 90%, para as ligações E1-CO e CO-E2, respectivamente.

CP transmissão Taxa (Mbits/s) Largura de banda (Mbits/s) Percentagem descartes (%) Fluxo 1 [3.94, 4.01] [0.97, 1.00] [74.85, 75.68] Fluxo 2 [3.95, 4.02] [0.96, 0.99] [74.98, 75.92] Fluxo 3 [3.97, 4.01] [3.06, 3.07] [22.80, 23.59] CP 10 [2.97, 2.98] [2.97, 2.98] 0 CP 12 [8.91, 9.05] [2.05, 2.05] [76.97, 77.34] Tabela 8.16 – Resultados obtidos para a ligação E1->CO com DiffServ - PHB EF

CP transmissão Taxa (Mbits/s) Largura de banda (Mbits/s) Percentagem descartes (%) Fluxo 1 [0.97, 1.00] [0.48, 0.50] [49.49, 50.41] Fluxo 2 [0.96, 0.99] [0.48, 0.50] [49.68, 50.58] Fluxo 3 [3.06, 3.07] [3.02, 3.03] [1.31, 1.54] CP 10 [2.97, 2.98] [2.97, 2.98] 0 CP 12 [2.05, 2.05] [1.02, 1.03] [50.00, 50.01] Tabela 8.17 – Resultados obtidos para a ligação CO->E2 com DiffServ - PHB EF

Os resultados obtidos e apresentados nas tabelas anteriores são complementados com uma análise gráfica da evolução temporal da largura de banda utilizada em cada ligação, respectivamente nas figuras 8.10 e 8.11.

Capítulo 8 – Qualidade de Serviço

Figura 8.11 – Largura de banda utilizada na ligação CO->E2 com DiffServ- PHB EF

O mecanismo de policiamento é configurado com os mesmos parâmetros da primeira simulação com PHB AF. Na tabela 8.16 verifica-se que o número de pacotes classificados com CP igual a 10 é idêntico ao da tabela 8.8. A diferença está no número de pacotes descartados. Com PHB EF nenhum pacote da classe com CP igual a 10 é descartado, tanto na primeira como na segunda ligação partilhada como se verifica nas tabelas 8.16 e 8.17. As figuras 8.10 e 8.11 ilustram a taxa quase constante de 3 Mbits/s na passagem pelas ligações partilhadas, em contraste com as pequenas oscilações visualizadas na figuras 8.6 e 8.7 para o caso do PHB AF. As oscilações são provocadas pelo armazenamento dos pacotes na fila de espera: no caso do PHB AF o algoritmo de escalonamento é rotativo, ou seja, os pacotes têm que aguardar pela sua vez antes de serem transmitidos, enquanto que no PHB EF o algoritmo de escalonamento é prioritário, ou seja os pacotes são imediatamente transmitidos.

8.4 Conclusões

As grandes quantidades de informação que diariamente circulam nas redes sob a forma de voz, vídeo, imagem e dados, tornam o suporte à QdS um elemento fundamental dessas redes. O IETF formou grupos de trabalho que definiram a implementação da QdS. Destes grupos de trabalho surgiram duas arquitecturas distintas, a Integrated Services (IntServ) e a Differentiated

A primeira arquitectura a surgir foi a IntServ, baseada num protocolo de reserva de recursos designado por RSVP. A análise da QdS é efectuada ponto-a-ponto e o serviço só é fornecido se a reserva for efectuada em todo o percurso. O IETF definiu duas classes de serviço, a

Guaranteed Service e a Controlled Load Service. A primeira classe garante a largura de banda

pretendida pelo fluxo e a ausência de descarte de pacotes nas filas de espera. A segunda classe não garante qualquer largura de banda, mas compromete-se em oferecer ao fluxo um serviço equivalente ao Best-effort numa rede submetida a baixos níveis de carga. A diferença entre o

Best-effort e o Controlled Load Service é que com o segundo modelo o fluxo não sentirá o aumento

da carga na rede. Esta arquitectura é orientada ao fluxo e neste sentido existem alguns problemas: a informação sobre cada fluxo tem que ser armazenada em cada nó e aumenta proporcionalmente com o número de fluxos, causando uma sobrecarga de armazenamento e processamento nos nós; todos os nós têm que suportar o protocolo RSVP para implementar a arquitectura IntServ; em comunicações de curta duração, do tipo WWW, a sobrecarga causada pela sinalização do protocolo pode deteriorar o desempenho da rede sendo percebida pela aplicação.

Na arquitectura DiffServ existe apenas um número limitado de classes de serviço, indicadas no cabeçalho IP de cada pacote (no campo DSCP). A análise da QdS é efectuada salto a salto e é designada por PHB (Per-Hop Behavior). Deixa de existir o conceito de fluxo e surge o conceito de agregado de fluxos, que representa um conjunto de fluxos com requisitos similares, agrupados numa mesma classe. A informação necessária a armazenar na rede deixa de ser proporcional ao número de fluxos, o que torna esta arquitectura mais escalável. Os nós da rede são classificados de nós fronteira (Edge nodes) ou de nós de núcleo (Core nodes), e são agrupados em domínios DS. Um domínio DS é um conjunto de nós interligados que suportam a arquitectura DiffServ, onde é definida uma política de fornecimento de QdS comum para todos os nós. A arquitectura DiffServ pode ser implementada mesmo em redes que suportam parcialmente a arquitectura. Os nós da rede que não suportam DiffServ simplesmente ignoram o campo DSCP dos pacotes e fornecem um serviço Best-effort. Dois grupos de PHB já foram normalizados pelo IETF: Assured Forwarding (AF) e Expedited

Forwarding (EF). O PHB AF disponibiliza um conjunto de 4 classes cada uma com 3 níveis de

probabilidade de descarte (Drop Precedences - DP): baixa, média e elevada. Os requisitos de cada classe são definidos nas políticas da rede. O PHB EF tem por objectivo oferecer baixos

Capítulo 8 – Qualidade de Serviço

valores de atraso, baixos valores de jitter, perdas de pacotes reduzidas e um serviço de largura de banda garantida (como o de uma linha dedicada virtual).

Apenas a arquitectura DiffServ foi estudada por simulação. As simulações permitiram analisar a implementação dos diversos mecanismos existentes na arquitectura DiffServ, para o PHB AF e o PHB EF. No caso do PHB AF e comparando com um serviço Best-effort verificou-se que um dos fluxos existente e considerado fulcral recebeu da rede um tratamento especial, ou seja uma certa QdS. A configuração da arquitectura DiffServ com um PHB EF, permitiu eliminar a percentagem de descarte sofrida pelos pacotes do fluxo fulcral com um PHB AF, ou seja nenhum pacote classificado como pertencente a classe do fluxo fulcral foi descartado. O cenário escolhido é simples, mas os princípios de configuração das diversas arquitecturas são os mesmos, como os de uma rede bem mais complexa.

A decisão sobre qual a arquitectura mais apropriada para configurar uma determinada rede depende de alguns factores, como por exemplo do tipo de tráfego ou das aplicações suportadas na rede.

Conclusões

No documento Simulação de redes de comunicações em NS (páginas 164-170)

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