1.CATEGORIA: ENSINO
A. CONCLUÍDO
1.3 SERVIDOR
A. CONCLUÍDO
PREPARAÇÃO PARA A OLIMPÍADA BRASILEIRA DE MATEMÁTICA DAS ESCOLAS PÚBLICAS
Uma experiência remota
Diego das Neves de Souza 69 ; Carla Morschbacher 70
RESUMO
A proposta do presente projeto é de contribuir na preparação dos alunos participantes para a Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas - OBMEP. No projeto foram explorados materiais relacionados a OBMEP, como aplicativos, jogos, materiais teóricos e também a prova da primeira fase da Olimpíada, aplicada no IFC - Campus Camboriú, em 2021. Nas atividades do projeto foi possível promover a interação entre os alunos e o professor, identificar e sanar dúvidas dos estudantes, trabalhar a interpretação de texto, explorar e revisar conteúdos matemáticos, discutir conceitos novos e traçar estratégias para resolver problemas das diversas áreas da matemática. Os alunos do projeto que participaram da primeira fase da OBMEP tiveram a oportunidade de aplicar na prática, ideias e técnicas abordadas na teoria, além de estarem melhor preparados para o certame.
Palavras-chave : Matemática. OBMEP. Preparação.
70 Doutora em Matemática, docente do Instituto Federal Catarinense – Campus Camboriú, e-mail:
69 Doutor em Matemática, docente do Instituto Federal Catarinense – Campus Camboriú, e-mail:
INTRODUÇÃO
A Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP) é um projeto nacional dirigido às escolas públicas e privadas brasileiras, realizada pelo Instituto de Matemática Pura e Aplicada - IMPA, conta com o apoio da Sociedade Brasileira de Matemática – SBM e é promovida com recursos do Ministério da Educação e do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações – MCTIC. Foi criada em 2005 para estimular o estudo da matemática e identificar talentos na área. Devido a pandemia causada pelo coronavírus, as provas da olimpíada em 2020 foram adiadas, de modo que estão em curso neste ano de 2021, em sua 16ª edição.
A OBMEP conta com provas de vários níveis, que variam de acordo com o grau de escolaridade dos participantes. Segundo o regulamento especial da 16ª OBMEP, os alunos são divididos em nível 1 (6º ou 7º ano do ensino fundamental), nível 2 (8º ou 9º ano do ensino fundamental), nível 3 (ensino médio) e excepcionalmente na 16ª edição, há a categoria denominada de EXTRAS, relativa a estudantes que concluíram o 3º ano do ensino médio em 2020 e estão sem matrícula ativa na escola. As provas aplicadas por nível são divididas em duas fases: a primeira, composta por questões objetivas, e a segunda, composta por questões discursivas. Geralmente tal padrão tem se repetido em anos anteriores. As provas aplicadas aos alunos da categoria EXTRAS são as mesmas, na primeira e segunda fase, daquelas aplicadas aos alunos do nível 3 regular.
O Instituto Federal Catarinense – Campus Camboriú, tem participado da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas e obtido algumas premiações. No ano de 2019, 7 (sete) alunos receberam certificado de menção honrosa e 1 (um) aluno recebeu medalha de bronze.
Este projeto de preparação para a OBMEP surgiu no ano de 2020, e em 2021, está em curso sua segunda oferta. O objetivo principal do projeto é de preparar os participantes para as provas da OBMEP, dando a eles outras oportunidades de estudar matemática, buscando assim, estimular, promover e aprimorar seus conhecimentos na área. A principal abordagem trabalhada no projeto é a de resolução de problemas, abordagem essa que permite, como mencionada em
Furlanetto, Dullius e Althaus (2012), aos alunos escolherem caminhos que desejam percorrer para se chegar à solução, possibilitando os mesmos ir além da linearidade do ensino tradicional à medida que mobilizam diferentes conhecimentos para se chegar a uma resposta.
PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
O presente trabalho se trata de um relato de experiência, que teve início no ano letivo de 2021, quando foi feita uma consulta aos alunos em algumas turmas do curso técnico em agropecuária, afim de verificar interessados em participar do projeto de preparação para a Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas. Na ocasião, houve manifestação de alunos interessados em diversas turmas.
No intuito de adaptar o projeto a situação de atividades de ensino remotas, foram criados um grupo de WhatsApp, para manter a comunicação entre os membros do projeto, e uma turma no Google Classroom, para auxiliar na organização e disponibilização de materiais. O projeto iniciou sua execução no mês de maio, com aproximadamente 11 alunos.
As atividades do projeto ocorreram semanalmente e em sua maioria de forma síncrona via Google Meet, em horários compatíveis com a do professor e dos alunos, de modo a não ocorrer conflitos com outras atividades dos mesmos. Durante os encontros foram esclarecidas dúvidas dos alunos, revisado conteúdos matemáticos, inserido e debatido conceitos novos, bem como discutido problemas das mais variadas formas e áreas. Também focou-se no estilo, na identificação e em estratégias de resolução de questões relacionadas a OBMEP.
No início das atividades foram abordados alguns problemas de forma lúdica, através de aplicativos e jogos disponíveis no Portal Clubes de Matemática.
Num primeiro momento, os aplicativos e jogos foram selecionados pelos professores. Posteriormente, os próprios estudantes fizeram suas escolhas dentre o rol disponível no referido Portal, e socializaram suas percepções junto aos demais participantes do projeto.
Depois dos aplicativos e jogos, foram abordados materiais do Programa Polos Olímpicos de Treinamento Intensivo - POTI, especificamente os materiais de Assis, Barbosa e Miranda (2015), sendo estes organizados nas áreas de álgebra, combinatória, geometria plana e teoria dos números. Os estudos ao longo das atividades síncronas, ocorreram de forma alternada nestas áreas.
Por fim, depois da realização da primeira fase da OBMEP no Campus , que também ocorreu de forma remota, foi feito a resolução e exploração de conteúdos e questões da referida prova junto aos participantes.
Os materiais utilizados no projeto bem como as gravações das atividades síncronas foram disponibilizados no Google Classroom. A seguir seguem algumas imagens dos momentos ocorridos nas atividades do projeto.
Figura 1 – Exemplo de jogo do Portal Clubes de Matemática abordado no projeto
Fonte: Os autores, 2019.
Figura 2 – Questão extraída dos materiais do POTI e abordada no projeto
Fonte: Os autores, 2019.
Figura 3 – Resolução de questões da prova da primeira fase da OBMEP durante atividade síncrona
Fonte: Os autores, 2019.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Os participantes iniciaram o projeto explorando materiais lúdicos do Portal Clubes de Matemática. Os problemas curiosos, despertaram o interesse dos participantes, e impulsionaram o estudo de vários temas matemáticos.
O estudo dos materiais do POTI foi essencial para atacar e explorar problemas de diversas áreas da matemática, serviram de base e motivação para o estudo de conceitos e teorias relacionadas a álgebra, combinatória, geometria plana e teoria dos números.
A discussão e correção, em atividades síncronas do projeto, de questões constantes na primeira fase da OBMEP de 2021, nível 3, foi um momento ímpar, onde os participantes puderam discutir ideias, comentar sobre soluções que pensaram na prova, esclarecer dúvidas, resgatar conhecimentos adquiridos, rever e aprender técnicas de resolução de problemas.
CONCLUSÕES
Os participantes do projeto trabalharam em materiais oficiais associados a OBMEP. Tiveram a oportunidade de discutir, selecionar e resolver diversos problemas junto ao professor e demais participantes. Ressalta-se, no entanto, que a finalidade dos encontros do projeto não foi somente resolver problemas, revisar ou aprender conteúdos matemáticos, mas também refletir e trocar ideias sobre os mesmos, compreendê-los e torná-los mais acessíveis e intuitivos. O amadurecimento dos participantes do projeto, relativo aos conceitos matemáticos, foi algo notório.
Através dos materiais de Assis, Barbosa e Miranda (2015), foi possível o contato dos estudantes com questões das áreas de álgebra, combinatória, geometria plana e teoria dos números. Temáticas estas identificadas na prova da primeira fase da OBMEP aplicada no IFC – Campus Camboriú, onde houve a participação de integrantes do projeto.
Por fim, vale salientar que diante de tantos aspectos positivos mencionados, a aplicação do conhecimento adquirido e mobilizado pelos participantes ao longo do projeto, na realização da prova da primeira fase da OBMEP, foi evidente. Porém, reflete em apenas mais um ponto importante a ser destacado.
REFERÊNCIAS
ASSIS, Cleber; BARBOSA, Samuel; MIRANDA, Tiago. POTI 2015. Curso Básico.
Álgebra. Disponível em: https://www.ime.unicamp.br/~laurarifo/poti/cb-algebra.pdf.
Acesso em: 29 jul. 2021.
ASSIS, Cleber; BARBOSA, Samuel; MIRANDA, Tiago. POTI 2015. Curso Básico.
Combinatória. Disponível em:
https://www.ime.unicamp.br/~laurarifo/poti/cb-combinatoria.pdf. Acesso em: 29. jul.
2021.
ASSIS, Cleber; BARBOSA, Samuel; MIRANDA, Tiago. POTI 2015. Curso Básico.
Geometria Plana. Disponível em:
https://www.ime.unicamp.br/~laurarifo/poti/cb-geometria.pdf. Acesso em: 29 jul.
2021.
ASSIS, Cleber; BARBOSA, Samuel; MIRANDA, Tiago. POTI 2015. Curso Básico.
Teoria dos Números. Disponível em:
https://www.ime.unicamp.br/~laurarifo/poti/cb-numeros.pdf. Acesso em: 29 jul. 2021.
FURLANETTO, Virginia; DULLIUS, Maria Madalena; ALTHAUS, Neiva. Estratégias de resolução de problemas para a melhoria do processo de ensino e aprendizagem de matemática. In: ANPED Sul, 9., 2012. Anais... Caxias do Sul, RS, 2012.