S3A _ Grupo A _ Edvard Munch [29-04-2008]
Quem quer começar por descrever o quadro.
Maria – A primeira coisa que olhamos é o homem que dá um sentimento de dúvida. Mas depois quando se olha com mais atenção, lá ao fundo ao pé do barco, tem um casal, em que aparece uma mulher vestida de branco e um homem, acabaram de se casar ou assim e isso dá um sentimento de tristeza. Pensa-se que o homem se calhar, podia estar a pensar que podia estar no lugar do homem lá ao fundo, dá uns sentimentos tristes. Em termos da pintura o quadro não é com muitos pormenores, ele só quis dar mais atenção ao homem próximo de nós e entre o mar e o casal lá ao fundo, porque por exemplo, entre o homem aqui próximo e o mar é meio abstrato, não se percebe bem o que está ali, parece rochas como parece areia.
Sim, estou a perceber.
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Maria – Por isso acho que o pintor só quis dar mais atenção ao homem e ao casal e, em termos de expressão, vê-se que o homem está meio triste devido… para onde está direcionado o olhar.
E está a olhar para onde?
Maria – Para o mar e um bocadinho para baixo, dá essa expressão. E vê-se as cores do claro e do escuro, por exemplo, no homem, a cara é muito clara, que é a primeira coisa que olhamos e depois olhamos logo para o mar onde estão as cores mais claras nem olhamos para a roupa do homem nem nada, em primeiro.
E a roupa do homem como é que está?
Maria – Parece só um manto, está muito preto, não tem pormenores, não tem nada. E o pintor distinguiu bem as cores sem pormenores nem nada.
E a utilização de cores?
Maria – Então, distribuiu bem as cores, do claro do escuro, das frias e isso…
Tipo de linhas?
Maria – Curvas, não tem praticamente quase nada reto, é em termos de pinceladas rápidas, não tenta fazer o pormenor de estar direito ou assim… é rápido! Em termos de profundidade está bem feito.
Achas que ser rápido, não estar com muito pormenor, deriva de alguma incapacidade do pintor?
Maria – Não, o pintor pinta muito bem!
Ou é uma coisa intencional?
Maria – É intencional, o pintor vê-se que pinta bem logo aqui pelo que está entre o mar e o homem, vê-se na parte das rochas, não sei se são rochas. Vê-se que ele pinta bem, só que só quis dar mais atenção foi ao sentimento, penso eu.
Achas que é o mais importante neste quadro?
Maria – Acho que é o pintor querer socializar com quem vê o quadro, por assim dizer…
Comunicar.
Maria – Sim.
Quem é que queria falar?
Bartev – Para mim, a obra em si, representa muito de solidão, da maneira como está representada a pessoa. Está sozinho, como a Maria disse, aquela parte entre o mar e a pessoa parece abstrato e como ela referiu, na obra focamos mais a atenção na cara da pessoa. Eu acho que nos focamos mais na cara da pessoa e naquela parte abstrata, que são partes redondas, eu acho que é a única parte da obra mesmo que está estranha.
Que está?
Bartev – Está estranha mesmo.
Esta parte das curvas?
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Bartev – Sim, por isso é que nos chama a tenção. E a cara da pessoa chama-nos a atenção, a roupa da pessoa é escura e aquela parte preta também é escura, e cara da pessoa está entre as duas coisas.
Exatamente e o cabelo também.
Bartev – Sim, por isso é que chama a atenção. Aquela parte preta do manto que está no chão, aquilo para mim, se começar a pensar muito parece uma sombra de uma pessoa, pelo menos dá-me a sensação disso. Do lado esquerdo tem a perna o corpo e isso…
Sim, estou a perceber.
Bartev – Se repararmos no horizonte, estão duas pessoas lá, que suponho que sejam uma mulher e um homem. Não percebo muito bem o canto superior direito que é aquela parte verde assim…
É uma paisagem.
Bartev –Acho que deve ter sido o quadro mais bonito até agora vi, para já.
É? Mais bonito porquê?
Bartev – Não sei, dá-me a sensação que, ao mesmo tempo que transmite a sensação de solidão, transmite a sensação de fantasia, da maneira como está representado. E ilusão, se formos pensar como vemos miragens e isso, dá a sensação que está destorcida, a dançar, a bailar.
Está assim um bocadinho a bailar realmente. Muito bem. Portanto, a maneira como ele pintou, é muito importante para aquilo que transmite? É isso que me estás a dizer?
Bartev – Sim.
O facto de ter os contornos… Como é que são os contornos?
Bartev – São… podia dizer ondulados.
Tudo muito ondulado, sim. E é isso que te remete para a fantasia?
Bartev – Sim.
De tudo aquilo que nós vimos, é este o que tu gostas mais?
Bartev – Sim. É o que transmite mais… apesar de sentimentos maus, podemos considerar. Mesmo assim eu acho que é o quadro que se tivesse de escolher entre os três escolhia este.
Imagina que ele estava representado como, por exemplo, com a técnica do pintor da aula passada?
Lembram-se como é que era?
Bartev – Mudaria tudo.
Se fosse a mesma posição, aqui o homem… Mas o tipo de pintura é diferente, o tipo de pintura mudaria alguma coisa?
Bartev – Mudaria, porque o outro… este aqui se não me engano, na parte das curvas foi feito rápido, a maneira como ele tem feito as linhas e isso. E também a junção das cores. É diferente!
Como é que elas estão aqui?
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Bartev – É mais como se estivesse preto e branco… contraste para fazer a vida… chamar mais a atenção. Enquanto na pintura da aula passada, eu para mim, dizia que era mais detalhado em relação a este aqui, tinha sombras, tinha tudo.
Esta, em termos de realismo, achas que se pode dizer que é uma pintura realista?
Bartev – Eu dizia, eu dizia que, a pessoa que está representada está no mundo real e o resto à volta se calhar é imaginação dele. Se calhar é imaginação o que ele está a pensar, por isso é que fizeram isso. Porque aquela parte preta dá a sensação que é um homem, que é a sombra de uma pessoa, aqui não percebemos muito bem as formas e isso, como a Maria disse, como podem ser rochas ou areia, as pessoas lá não reparamos muito bem, porque são pequenas, até aqui o nosso colega Mário não tinha reparado. Eu acho que é isso.
E ao lado das pessoas? Vês mais alguma coisa ou não?
Bartev – Eu acho que há ali um barco.
Falámos de quase tudo, de quase todos os elementos que aqui estão não é? Quem é que quer dizer se acha que é… Eu já percebi qual é a tua opinião, achas que é um bom quadro?
Bartev – É.
Porquê?
Bartev – Porque… os sentimentos que transmite.
Quem é que quer continuar com a interpretação? Que ideias diferentes é que têm? Posso adiantar que o titulo desta obra é “A melancolia”, é assim que esperavam ver retratado este tema?
Maria – Sim, no abstrato.
Então esperavas, Maria, que a melancolia seria representada…
Maria – No abstrato.
Curioso!
Flávia – Eu acho que devia ser mais escuro.
Mais escuro?
Flávia – Uma pintura assim mais escura, assim mais pesada a nível…
Raquel – Eu também acho que era mais ou menos isso. Esse nome como título e uma praia acho que não tem nada a ver.
Ruben – Eu esperava isso, porque sempre imaginamos a praia como… as pessoas costumam ir à praia sozinhas quando estão muito tristes. E eu esperava isso porque ele vê-se pela cara que está muito pensativo, muito triste, acho que é só isso…
Portanto achas que está adequado?
Ruben – Acho.
Bartev – Eu acho que o título condiz bem com a obra, porque como a Maria disse, aquilo que nós pensamos, imaginação e isso é um bocadinho abstrato mas também não devemos exagerar demasiado porque aquilo que nós imaginamos existe no mundo, aquilo que nós queremos imaginar
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tem que ser aquilo que nós… como hei de explicar? Aquilo que nós sentimos, aquilo que nós vemos no dia-a-dia. Eu posso imaginar ser alto ou mesmo ter muita coisa, mas é uma coisa que se pode ter.
Enquanto abstrato, muito abstrato, não se tem nada, o que é que nós podemos abstrato? Que eu saiba nada. Por isso não podia exagerar demasiado na imaginação e eu acho que uma parte que está mal aí é a casa e as pessoas. Porque se se quer incluir a melancolia nessa obra, eu acho que a casa e as pessoas estragam um bocadinho a obra. Que a parte que transmite pensar, imaginar, fantasia, não incluiria… e também da maneira como está representado não incluía essa casa … se eu imaginasse, não imaginava pessoas.
Maria – As pessoas do fundo ou as três?
Bartev – Não, as do fundo, que a pessoa em si parece mesmo que é realidade o resto é que parece que é…
Maria – Porque se ele estivesse a dizer que eram as três, eu dizia que este sentimento não tinha então nada de tristeza, que era pura e simplesmente uma praia, e pronto, assim já dava mais um sentimento de tranquilidade.
Flávia – Dá a sensação de desespero, de medo, penso que a pessoa sente-se aprisionada por uma pessoa que é obcecada…
Estás a referir-te à mulher ou ao homem?
Flávia – À mulher, de uma forma à mulher e ao mesmo tempo ao pintor, parece que, está obcecado por aquela ideia de ela sentir medo, de sentir…
Achas que está aqui muito presente a ideia, o sentimento de medo?
Flávia – Sim.
Raquel – Culpa também.
Culpa? Onde é que tu vês a culpa?
Raquel – Nos dois! Eu acho que é nos dois.
Cláudia – Eu acho que é uma mulher desesperada mas, eu não percebo muito bem aquela parte ali preta…
É um homem, que está com a cabeça virada…
Cláudia – Quem olha não nota assim muito… E acho que este acontecimento foi numa floresta.
Sim…?
Cláudia – Foi numa floresta… transmite mesmo o desespero!
Para onde é que tu olhas primeiro?
46 Cláudia – Para a mulher.
Porquê?
Cláudia – Por causa das cores, por causa do branco Das cores…
Cláudia – Sim, realça mais…
Bartev – Eu diria que dá a sensação que estamos na altura de1600 e tal, na altura das aldeias, por causa da maneira como está representada a floresta, e também aquilo que nós sabemos dos filmes.
Naquela altura os padres tinham a tentação de estar… de ter amantes ou mulheres, e iam para as florestas terem relações sexuais com elas. Neste caso dá a sensação que, dá-nos duas sensações, ou a mulher quer e o homem ou seja o padre não quer, ou se não, os dois quiseram já tiveram a relação e agora estão desesperados que alguém saiba ou qualquer coisa do género.
Portanto, há a sensação de culpa?
Bartev – Sim, há a sensação de culpa. Nós focamo-nos primeiro na mulher porque é branca a roupa da mulher e a mulher está representada em amarelo clarinho. É ai que nós nos focamos, e também no fundo, a floresta em si é verde escuro e por isso é que dá o contraste. Depois, focamo-nos na pessoa, no homem que está todo preto e só a pele mesmo é que está branca. É só isso.
Maria – Eu acho que este quadro é abstrato, em termos da realidade, porque eu considero este quadro... Eles estão dentro de uma casa, por assim dizer, em termos da imaginação porque é um homem e uma mulher, um casal que, em que dá a sensação de a mulher estar desesperada por alguma coisa e o homem está com culpa, está a redimir-se ou qualquer coisa assim. Eu digo que dá uma sensação de ser uma casa porque, como é que eu hei de dizer, parece que onde a mulher está e o homem, a parte branca inferior parece que tem pedras, cuja dimensão eu considero isso mais do género de uma cama, se formos pensar na imaginação. E acho que a floresta representa um sítio sem fim, está fechado numa casa mas é um sítio sem fim, por isso este também transmite o sentimento de desespero. Acho que o pintor quis focar a atenção toda na mulher, porque a mulher é que tem mais atenção, o homem simplesmente está numa posição curva em que parece que está a culpar-se a redimir-se e acho que quis utilizar a parte da floresta e das pedras, a floresta para dizer aquilo que eu já disse que foi um sítio sem fim, um sítio obscuro, e as pedras brancas, as pedras aqui debaixo para representar, como é que eu hei de dizer…
Em que estás a pensar, que eu ajudo-te a formular a ideia?
Maria – Em termos de,… em cima o lado obscuro, sem fim…
Escuro e obscuro.
Maria – E em baixo o contrário…
A luz.
Maria – A luz, a esperança qualquer coisa assim.
A luz e as trevas é isso?
Maria – É, mais ou menos isso e, por exemplo, o vestido da mulher e o vestido do homem, a mulher é o bom e o homem é o mau, por assim dizer.
Sim, associar o negro ao mau e o claro à luz, que significa o bom.
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Maria – O bom e o mau. E até mesmo na pele do homem, na cor da pele do homem, que está num cinzento, está morto ou pálido, como o Bartev disse.
Muito bem. E que ligação há entre as paisagens e as figuras?
Maria – A mulher, por exemplo, está no centro da parte da floresta.
E distingues bem?
Maria – Distingue-se bem pelas cores frias, pelas cores claras.
Há um elemento que faz a ligação.
Maria – Como assim? Ligação da mulher e da floresta?
Sim.
Maria – Acho que é a parte dos braços.
Achas?
Flávia – Dá a sensação que é a parte do cabelo.
A parte do cabelo... oque é que acontece?
Flávia – Parece que o cabelo dá a sensação de raiz, e que dá terra à mulher. Eu acho que o pintor quis passar para a tela a sua frustração, o medo que ele sentia e que de certo modo a mulher era uma forma de o ajudar.
Explica isso um bocadinho melhor, agora não consegui perceber onde é que isso está.
Flávia – Dá a sensação que o pintor, na vida dele deve ter uma frustração que tenta passar, e a mulher eu acho que é uma forma de o ajudar.
Mais alguém quer dizer alguma coisa sobre esta pintura?
Maria – Acho que também na parte do desespero, também se vê bem o vestido da mulher, em termos de estar todo desabotoado, até vê-se as sombras na parte do peito, ele não quis dar muita atenção a esse pormenor e acho que a mulher, como a Flávia disse, está mesmo a representar o pintor, acho que ele representa-se mais na mulher do que no homem, acho que está a dizer “já chega” ou qualquer coisa assim.
O título desta pintura é “Cinzas”. O título muda alguma coisa?
Vários alunos – Não.
As cinzas fazem-vos pensar em quê?
Maria – Morte.
Vocês não falaram disso aqui.
Maria – O homem parece que está morto.
Flávia – Dá a sensação que a mulher renasceu das cinzas, dá esperança que nunca morre.
Ruben – Agora que a professora disse o título podemos associar que pode ter sido um homicídio.
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Ruben – A mulher ao homem, porque o homem não representa nada, é como se não tivesse a fazer nada, pode estar morto, e assim já explica mais o desespero da mulher.
Bartev – Eu associava duas coisas às cinzas, primeiro, associava a floresta em si, no momento em que a floresta começa a arder e isso, muita cinza e essas coisas. Cinzas, como a Flávia disse, em termos de nunca morrer a única coisa que eu associo a isso é o lendário Fénix, o pássaro que morre e renasce através das cinzas, mas também não tem nada a ver com a obra.
Portanto achas que não tem nada haver?
Bartev – Cinzas em…Nesta obra não, eu acho que o título está mal escolhido.
Esta obra faz parte de uma série que ele fez que tinha a ver com morte, a temática geral.
Bartev – Mas cinzas não… Mas cinzas eu não estou a conseguir colar nesta obra.
Maria – Eu acho que, em termos de filme por assim dizer, acho que este quadro quer mais representar um homem e uma mulher numa floresta, o homem tentou violar ou maltratar a mulher, por causa do vestido e tudo, a maneira que ela está toda despenteada, e a mulher matou o homem. E agora está na parte do desespero em que pensa “o que é que eu fiz?” Mas as cinzas acho que não tem muito a ver.
Bartev – Se excluirmos o homem que está ali, dá-me a sensação que é uma pintura abstrata, apesar daquela parte branca representar uma mulher ou uma alma, assim qualquer coisa, mas com o homem ao lado, dá a sensação que perdeu alguém.
Quem é que perdeu?
Bartev –A suposta mulher ou a mãe, qualquer coisa do género.
O homem perdeu alguém, é isso?
Bartev – Sim. Ele tem a mão sobre o peito, não sei se aquilo é o coração...
É, é o coração.
Bartev – Sim, está apoiado sobre o coração. Dá a sensação que mesmo perdeu alguém e essa pessoa está a sair, não sei se aquilo é um caminho ou à beira do mar. Dá a sensação que levanta e começa a ir com o vento, é isso.
Porque é que dizes que será a mulher ou a mãe?
Bartev – A primeira coisa que me vem à cabeça e também que mais associava à pessoa, porque é uma pessoa… Se perdesse a minha mãe é claro que… A minha mãe é… é a minha vida, posso dizer isso.
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Flávia – Dá a sensação que o pintor quis representar o purgatório, que é o sítio onde as almas sofrem. Duma certa forma parece que ele, de uma forma abstrata, quis representar o purgatório que é o sítio onde vão as almas que se perderam.
Onde é que vês isso aqui? O que é que tem aqui que te lembra o purgatório?
Flávia – Vejo no homem. Vejo principalmente no homem, a cara dele está triste e ao mesmo tempo a forma de ele colocar a mão no peito, como se sentisse dor, de estar ali, um peso! E ao mesmo tempo uma solidão, porque se diz que no purgatório parece que se luta. Acho que é isso que representa.
Raquel – Eu acho que ela também está certa porque, por exemplo, aquela sombra, está ali em frente da mulher, das duas uma, ou está a tentar levá-lo para um sítio, para ele seguir a sombra, ou então está a passar-lhe ao lado, como se ele não tivesse ninguém, estivesse sozinho.
Porque é que sentes que está a passar ao lado? Estás a referir-te à mulher, não é?
Raquel – Sim. Pode ser tipo… quando ela... quando se diz no purgatório, são todas as almas a andarem de um lado para o outro, mas estão todas…
Há procura de um caminho?
Raquel – Sim, há procura de um caminho sozinhas.
Maria – Acho que este quadro representa a solidão porque, parece a realidade e o além. Do género, o homem parece que perdeu a mulher e os filhos, eu digo os filhos porque em baixo, aquilo vermelho, à primeira vista é uma planta, mas no entanto a mim parecem três crianças. Parece que o homem está encostado à árvore com desejo de morrer, com a mão no coração porque perdeu alguém, alguém que lhe era importante. A mulher porque aquilo parece a alma da mulher, não tem cara não tem nada, é um vestido longo, e que parece que está a partir, que está a ir embora, enquanto os filhos já não, os filhos estão ao pé do pai, parece que o estão a consolar antes de partirem com a mãe.
Mas porque é que eles também vão partir? Os filhos?
Maria – Acho que os filhos partem … não. Acho que não partem. Espere aí, porque eu estou a ver… a mão está a vermelho, o coração e os filhos também estão a vermelho. Parece que estão… que vão partir, as almas deles vão partir, mas estarão sempre ligados devido às cores do coração e às cores com que estão representados os filhos, parece que há uma ligação, na mão está o vermelho.
Com o vermelho?
Maria – Sim. E os filhos também estão em vermelho, parece que há uma ligação entre os dois. E a cara do homem, a mão está muito branca ao contrário da cara.
Portanto a mão, achas que tem como função, a cor da mão, fazer a ligação ali com o vermelho?
Maria – Faz a ligação, parece que a mão, ao estar no coração dá aquela coisa de esperança, ainda de ter um bocadinho de esperança de voltar.
O facto de ter vermelho, faz a ligação com esta parte de baixo que tu identificas com os filhos, é?
Maria – Sim.
Mas também tem branco.