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1.7. OBJETIVOS DA PESQUISA

2.2.2. Setor Têxtil no Rio Grande do Sul

Na economia gaúcha, o surgimento do setor têxtil ocorreu nas últimas décadas do século XIX e novas indústrias instalaram-se na região, dentre elas a indústria têxtil. Devido ao ocorrido, cabe abordar as origens da indústria têxtil no Rio Grande do Sul, que em virtude de sua latitude, apresenta um clima de transição entre a zona tropical e a zona temperada, criando condições climáticas próprias, portanto, diferentes do resto do Brasil, pois em algumas regiões é comum a ocorrência de geadas e neve. Frente ao desenvolvimento da região colonial, o imigrante europeu conseguiu gerar importantes impulsos à industrialização do Estado. (VOGT, 2003). O autor ressalta que os primeiros estabelecimentos industriais de grande porte a instalar-se no Estado, com mais de cem operários, foi do setor têxtil, que se estabeleceu no sul do Estado, por causa das vantagens de localização e a proximidade ao porto.

As condições criadas, graças à intensa atividade agrícola, estimularam o setor secundário, gerando um marcante intercâmbio comercial. Estas condições favoreceram o

processo de industrialização no Estado, pela própria existência de mercado interno, a aproximação da matéria prima e, a distância dos demais centros industriais do País estimulou o desenvolvimento da indústria regional (HERÉDIA, 1995).

A indústria têxtil do Rio Grande do Sul desenvolveu-se regionalmente e foi um dos ramos de destaque da indústria gaúcha, levando-se em consideração alguns elementos como, a formação do mercado, a estrutura de comercialização, a procedência do capital e o tipo de mão de obra (HERÉDIA, 1995). Em 1915, as principais indústrias de Fiação e Tecelagem do Estado estavam concentradas em algumas cidades, entre elas a indústria Chaves Irmãos & Cia, localizada em Caxias do Sul, conforme o relatório da Secretaria dos Negócios do Interior e Exterior de Porto Alegre, que teve sua história, assim definida na obra de Herédia (2003), onde relata a história de vida do empreendedor Hércules Galló, que denominou o nome do atual Bairro Galópolis, em Caxias do Sul.

Hércules Galló destacou-se industrialmente quando ingressou na Sociedade dos Italianos, com um capital de mais de 100.000 liras, permitindo que assumisse a direção da empresa. Com a chegada da crise, no final do século XIX, que prejudicou as atividades da cooperativa, Galló percebeu que realizaria seu sonho, pois neste período a sociedade cresceu e adquiriram novos lotes de terras no Travessão Solferino, deste modo, em consequência do crescimento, Galló comprou a cooperativa dos Italianos, nomeando-a como Companhia de Tecidos de Lã, onde dirigiu as atividades, juntamente com sua esposa Edwige Strona. Depois de dois anos a empresa já aparecia como uma das dez maiores do Estado (HERÉDIA, 2003).

Sobre a posição ocupada pela indústria têxtil no setor secundário da economia Rio- Grandense, há de se considerar dois enfoques distintos: um deles refere-se a essa indústria como sendo a primeira a desenvolver-se em bases, verdadeiramente, industriais; já o outro a destaca por se colocar entre as maiores indústrias da época no Estado (REICHEL, 1978, p. 14). Em 1907 as indústrias existentes no Rio Grande do Sul, eram em sua maioria, pequenas empresas e, devido ao seu porte, ocupavam um número pequeno de empregados e se formavam com pequenos capitais. Já as indústrias têxteis eram empresas que se formavam com volume maior de capital e absorviam maior mão de obra que as demais indústrias da época. Indicado pelo Censo de 1907, o Rio Grande do Sul foi o Estado que melhor desenvolveu elementos da base estrutural em mercado, capital e matéria prima para se destacar na produção têxtil (REICHEL, 1980).

O estabelecimento de colonos alemães e italianos no Rio Grande do Sul, contribuiu para uma nova composição de produção, desenvolvida ao longo do século XIX, focalizando

novos interesses e necessidades. Desta forma, a colonização do Rio Grande do Sul é resultado do processo histórico, pelo qual passou a ser relacionada aos interesses e necessidades do mercado interno brasileiro, que devido ao desenvolvimento da região colonial pelo imigrante europeu, alcançou a geração de importantes impulsos para a industrialização do Estado (VOGT, 2003).

No Rio Grande do Sul, a indústria do complexo têxtil gaúcho desenvolve processos produtivos e estratégias de atuação distintas e, essa ocorrência torna-as mais competitivas, no momento que se direcionarem para um segmento específico (CASTILHOS, 1998). São compostas por capital nacional, tendo somente uma de capital estrangeiro e uma de capital misto, produzindo para o mercado interno; apenas 11 exportam. Segue na Tabela 3, a classificação e percentual do PIB regional brasileiro.

Tabela 3 - PIB regional brasileiro de 2002 - 2006

Unidades da Federação

Produto Interno Bruto

2002 2003 2004 2005 2006

% Posição % Posição % Posição % Posição % Posição

São Paulo 34,63 1 34,11 1 33,14 1 33,86 1 33,87 1

Rio de Janeiro 11,60 2 11,06 2 11,48 2 11,50 2 11,62 2

Minas Gerais 8,65 3 8,75 3 9,13 3 8,97 3 9,06 3

Rio Grande do Sul 7,14 4 7,33 4 7,10 4 6,72 4 6,62 4

Paraná 5,98 5 6,44 5 6,31 5 5,90 5 5,77 5 Bahia 4,11 6 4,01 6 4,07 6 4,23 6 4,07 6 Santa Catarina 3,77 7 3,93 7 3,99 7 3,97 7 3,93 7 Distrito Federal 3,80 8 3,71 8 3,64 8 3,75 8 3,78 8 1º a 8º 79,67 79,34 78,87 78,91 78,73 Fonte: IBGE (2011)

A evolução da participação das regiões em produção de têxteis, em percentual, em média, incluindo a produção de fios, tecidos, malhas e confecções, foi de 30,8%, em 2005, para 29,5%, em 2009. Porém, analisando somente o setor de malhas, a Região Sul representou, em 2009, 50,2%, ou seja, a maior participação no setor de malhas do País (IEMI, 2011). Através do relatório de pesquisa e planejamento estratégico do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas, SEBRAE (2002), dentre as atividades relatadas no trabalho, está a Fabricação de artigos do vestuário produzidos em malharias. Na Tabela 4, segue o esboço dos municípios brasileiros especializados na área.

Tabela 4 - Municípios fabricantes de artigos de vestuário produzidos em malharias

(continua)

MUNICÍPIOS ORDENADOS POR GRAU DE ESPECIALIZAÇÃO NA ATIVIDADE

Atividade (classe CNAE): Fabricação de artigos do vestuário produzidos em malharias (tricotagens) (4295 estabelecimentos) Município UF (1) nº de estabelecimentos (2) nº de Empregos (3) % no Município (4) QL

1 Monte Sião MG 826 1696 79,7 150,9 2 Jacutinga MG 480 1280 58,7 111,1 3 Águas de Lindóia SP 153 280 50,8 96,2 4 Inconfidentes MG 44 92 40,4 76,4 5 Nova Petrópolis RS 114 389 30,2 57,1 6 Ouro Fino MG 107 213 27,2 51,5 7 Socorro SP 86 327 19,2 36,3 8 Campos de Jordão SP 53 194 15,0 28,4 9 Imbituva PR 40 111 13,6 25,8 10 Farroupilha RS 129 740 10,6 20,1 11 São Lourenço MG 32 49 8,8 16,7 12 Gramado RS 48 59 6,1 11,5 13 Canela RS 31 79 5,3 10,1 14 Caxias do Sul RS 115 1025 1,8 3,3 15 Blumenau SC 49 3006 1,2 2,3

(1) Nesta tabela estão incluídos apenas os municípios com 30 ou mais estabelecimentos na Atividade citada e cujo QL seja maior ou igual a um. (2) Total do número de empregados CLT efetivo na Atividade.

(3) Participação dos estabelecimentos da Atividade no município no total de estabelecimentos da Indústria no município.

(4) Quociente de Localização = (2) ÷ (Participação dos estabelecimentos da Atividade no País no total de estabelecimentos da Indústria no País).

Fonte: SEBRAE (2002)

De acordo com o estudo do comportamento do mercado de trabalho formal, na indústria de transformação do Estado do Rio Grande do Sul, no ano de 2010 (última informação disponível), que teve como base os dados disponibilizados pelo Ministério do Trabalho e do Emprego, segue dados da pesquisa, que visam contribuir para um melhor entendimento das relações do mercado na indústria gaúcha. Segundo a Câmara de Dirigentes Lojistas, a Serra Gaúcha possui uma representatividade de 50% da produção têxtil e confecção do Rio Grande do Sul, segundo a Associação Brasileira da Indústria Têxtil (ABIT), 25% do consumo têxtil no País é importação (CDL, 2011).

De acordo com a FIERGS (2012), a indústria têxtil no Rio Grande do Sul possui 14 subsetores e 691 estabelecimentos, voltados em sua maioria para a fabricação de artefatos têxteis para uso doméstico, que conta com 224 estabelecimentos. A segunda atividade no Estado, nesse segmento, é o acabamento em fios, tecidos e artefatos têxteis, com um total de 111 estabelecimentos, seguido da fabricação de tecidos de malha, com 82. Quanto ao porte, as indústrias são caracterizadas, em sua maioria, por microempresas, que correspondem 88,9% do total. O setor emprega mais de 10 mil pessoas no Estado do Rio Grande do Sul, ou seja, 23% da mão de obra utilizada no setor. A remuneração média por trabalhador nessa indústria é de 2,2 salários mínimos. As microempresas possuem menor remuneração, com uma média de 1,6 salários mínimos e as empresas de porte médio são as que melhor remuneram, pagando em média para os seus funcionários 2,9 salários mínimos.

No Rio Grande do Sul existe um equilíbrio na proporção de trabalhadores do sexo masculino (48,5%) e feminino (51,5%). Nas empresas de porte médio, a mão de obra é

marcada mais intensamente por homens (61,6%), enquanto que nas microempresas, os trabalhadores são predominantemente do sexo feminino (63,2%). O grau de instrução dos trabalhadores é baixo, pois, segundo a FIERGS (2012), apenas 2,9% dos trabalhadores possuem educação em nível superior completo e 4% em nível superior incompleto, sendo que 34,8% dos empregados possuem ensino médio completo e 26,9% fundamental incompleto.

A fabricação de artigos de vestuário, produzidos em malharia, é a segunda atividade no Estado pertencente à indústria têxtil de vestuário e acessórios, no qual possuem seis subsetores e um total de 3,1 mil estabelecimentos. Em relação ao porte, as indústrias deste segmento são caracterizadas em sua maioria por microempresas, que correspondem a 91,2% do total. As empresas de pequeno porte possuem 248 estabelecimentos, o que representa 8,1% do total desta indústria. As de médio porte, com 22 estabelecimentos, representam 0,7% do total. A indústria de vestuário e acessórios emprega 25,1 mil pessoas no Estado do Rio Grande do Sul. Cabe destacar que as microempresas concentram não somente o maior número de estabelecimentos, mas também de empregados (42,6%). A remuneração média por trabalhador nessa indústria (1,6 salários mínimos) é abaixo da observada para a indústria de transformação do Estado. As microempresas possuem menor remuneração, com uma média de 1,4 salários mínimos por trabalhador e as empresas de grande porte são as que melhor remuneram neste setor, pagando em média para os seus funcionários 2,9 salários mínimos. A maior parte dos trabalhadores da indústria do vestuário e acessório é do sexo feminino (83,8%), sendo maior nas empresas de grande porte (87,6%) e menor nas de porte médio (81,1%). O grau de instrução deste segmento é baixo, pois apenas 2,2% dos trabalhadores possuem educação em nível superior completo e 3,8% em nível superior incompleto. A maior parte dos empregados (40,2%) possui ensino médio completo (FIERGS, 2012).