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2. O APOIO A P&D NO PLANO INTERNACIONAL

2.1. Quadro geral da P&D

2.1.1. Países desenvolvidos

2.1.1.2. Setores inovadores

Análise realizada pela UNCTAD17 destaca que os maiores investimen- tos em P&D também estão concentrados em poucos setores.

De acordo com a Tabela 2.2, em 2003, entre os 700 maiores projetos de investimento realizados em P&D, 65,7% ocorreram em apenas três setores: TIC (telecomunicações, TI hardware e TI software e serviços de computadores), automobilística e farmacêutica (incluindo a biotecnologia). Em segmentos de TIC, duas empresas de telecomunicações e duas de TI (software e serviços de computador) foram responsáveis, respectivamente, por 58% e 44% dos inves- timentos em P&D nesses segmentos.

15 Os gastos do setor público com P&D nos países desenvolvidos estão distribuídos principalmente entre defesa, saúde e meio ambiente.

16 Aproximadamente 57% do orçamento do governo dos EUA para P&D, em 2005, foram destina- dos à defesa; no Reino Unido, 1/3 do orçamento; na Espanha, França e Suécia, pouco mais de 1/5.

Ainda segundo a UNCTAD, a composição dos investimentos em P&D por setor varia entre os países, observando-se na maioria deles uma concen- tração em alguns poucos setores. Os EUA constituem caso à parte: os investi- mentos em P&D estão dispersos entre um grande número de setores.

Em determinados países as atividades de P&D chegam a ser desen- volvidas basicamente por uma ou duas grandes empresas. Esse padrão é visí- vel na Finlândia, onde a indústria de telecomunicações respondeu por quase 50% dos negócios em P&D. Isso se deveu em grande parte a uma única empresa, a Nokia, a maior fabricante de telefones celulares do mundo.

Em alguns países, a concentração dos investimentos em P&D em certos setores, embora menor, é ainda expressiva. A indústria automobilística, por exemplo, tem forte participação no total das atividades de P&D na Alemanha (29%) e na Suécia (19%). Também tem peso importante em outros países, como França, Japão, República da Coréia e Itália.

A indústria farmacêutica é menos concentrada geograficamente que a indústria automobilística, mas tem forte presença em alguns países. Na Inglaterra, país europeu que mais investe em P&D no setor farmacêutico, essa indústria é responsável por mais de 20% das atividades de P&D. Nesse país está instalado o maior centro de pesquisas da GlaxoSmithKline, a segunda empresa farmacêutica do mundo em investimentos em P&D.

TABELA 2.2 - 700 MAIORES INVESTIMENTOS EM P&D REALIZADOS POR EMPRESAS, POR SETOR, EM 2003 (%)

Indústria Participação Participação

TI hardware 21,7 13

Automobilistica 18,0 21

Farmacêutica e biotecnologia 17,5 18

Eletrônica e elétrica 10,4 31

TI software e serviços de computador 6,3 44

Química 4,8 23

Aeroespacial e defesa 3,9 35

Engineering 2,9 20

Telecomunicações 2,2 58

Produtos e serviços de saúde 2,2 33

Outros 8,2 -

Mais de 90% dos investimentos em P&D, em equipamentos de escritório e computadores, entre os países da OCDE, são realizados nos EUA e no Japão. Somente a Holanda apresenta uma elevada concentração de investimentos em P&D nesse segmento (27%, em 2002), por conta da Philips, a maior empresa de produtos eletrônicos da Europa. No Japão, 90% dos inves- timentos em P&D estão concentrados em eletrônicos, TIC, automobilística, engineering e na indústria química.

Uma outra maneira de analisar os investimentos em P&D na indústria é classificá-los de acordo com as categorias de intensidade tecnológica da OCDE: alta, média-alta, média-baixa e baixa tecnologia18.

Nos EUA, a maior parte (60%) dos investimentos em P&D na indústria é realizada pelo segmento de alta tecnologia. O mesmo se observa para Irlanda, Canadá e Finlândia. Na União Européia e no Japão, os investimentos em P&D na indústria de alta tecnologia representam, respectivamente, 48% e 46%.

Segmentos de média-alta tecnologia representam mais de 50% dos investimentos em P&D da indústria da Alemanha. A Noruega é o único país da OCDE em que a indústria de média-baixa e de baixa tecnologia representa mais de 40% dos investimentos do setor industrial em P&D.

Outra forma de abordar a evolução das inovações é por meio da análise dos registros de patentes em órgãos de países desenvolvidos. Entre esses órgãos está o European Patent Office (EPO). No EPO, a maior parte das patentes relacionadas a TIC pertence à União Européia (39,8%), com destaque para a Alemanha (14,3%). Em seguida, estão os EUA (28,9%) e o Japão (21,8%). Outros países representam 9,4%, sendo que a Coréia 2,0%. Com relação às patentes de biotecnologia, os EUA detêm a liderança, com 41,5% do número de patentes; a União Européia tem 34,4% - novamente, a Alemanha é o país de maior expressão, com 12,8%. O Japão responde por 12,3% das patentes desse segmento e outros países por 11,9% (Canadá, 2,8%, e Coréia, 1,2%).

18 OCDE op cit. Segundo a classificação da OCDE, as indústrias de alta-tecnologia são: aeronaves e aeroespacial; farmacêutica; equipamentos de escritório; equipamentos de rádio, televisão e comunicação; instrumentos médicos, de precisão e óticos. As indústrias de média-alta tecnolo- gia são: máquinas e equipamentos elétricos; outras máquinas e equipamentos; motores de veículos; química (excluindo farmacêutica); equipamentos de estradas de ferro e transporte. As indústrias de média-baixa tecnologia são: construção e reparo de navios e barcos; produtos de borracha e plástico; coque, produtos de refinamento de petróleo e combustível nuclear; outros produtos minerais não metálicos; metais básicos e produtos de metal. Finalmente, as indústrias de baixa-tecnologia são: manufatura e reciclagem de madeira; celulose e papel; gráfica e publi- cação; produtos alimentícios, bebidas e fumo; têxteis, produtos têxteis; couro e calçados.

Ao comparar a participação dos segmentos do setor serviços nos investimentos em P&D com a da indústria, o trabalho da OCDE mostra que os gastos do setor serviços com P&D têm uma participação pequena no PIB de seus países-membros. Em 2002, o setor serviços representava pouco mais de ¼ do total de negócios com P&D. Vale registrar, contudo, que essa participação aumentou 8 pontos percentuais desde 199319. Mais de 1/3 do total de P&D do setor privado é proveniente do setor de serviços, por exemplo, na Austrália (39%), na Dinamarca (40%) e nos Estados Unidos (33%).

No Japão e na Alemanha, embora a participação do setor serviços nos gastos com P&D tenha aumentado durante a década de 90, ainda ficou abaixo de 10% - entre os membros da OCDE, esses países apresentam as menores participações do setor de serviços nos gastos totais com P&D.

Desde 1993, em todos os países da OCDE, as taxas médias anuais de crescimento dos investimentos em P&D são maiores no setor serviços do que na indústria, com poucas exceções, como a Finlândia. A Irlanda apresenta a maior diferença entre as taxas de P&D dos dois setores: entre 1993 e 2001, os gastos com P&D na Irlanda cresceram 27% ao ano em serviços (devido, prin- cipalmente, ao aumento de P&D em serviços de TI e nestes, em serviços de computadores) e 7% na indústria.

No documento EstudoANPEI-InovaçãoTecnológicanoBrasil (páginas 54-57)