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Sex ratio

No documento UNIVERSIDADE DE LISBOA (páginas 41-44)

3.4 Abundância

3.4.3. Sex ratio

De forma geral, o sex-ratio variou consoante a estação do ano. No Outono permaneceu equilibrado (em ribeiras permanentes). No Inverno prevaleceram as fêmeas e na Primavera os machos. As ribeiras temporárias são os habitats que mais contrariaram esta tendência, com sex-ratio superior a 1 no Inverno e inferior a 1 na Primavera. A maior diferença entre os sexos aconteceu nas ribeiras permanentes onde no Inverno foi registado o valor mais baixo encontrado (0.36) e na Primavera o valor mais elevado (1.73) (Tabela 15).

Tabela 15: Valores de sex-ratio por habitat e por época de amostragem.

Nas ribeiras, são evidentes as oscilações do sex-ratio por estações do ano (Tabela 15) e por tipo de habitat, que apresentam sempre sex-ratios desequilibrados em sentidos opostos.

A ausência de valor para charcos permanentes no Inverno deve-se ao facto dos indivíduos capturados nesta estação do ano terem sido apenas juvenis e indiferenciados ao nível de género.

Sex Ratio Outono Inverno Primavera Total por habitat

Ribeira permanente 1 0.36 1.73 1.04

Ribeira temporária - 1.45 0.78 1

Charco permanente - - 1.625 1.625

Charco temporário - 0.65 1.14 0.94

4. DISCUSSÃO E CONSIDERAÇÕES FINAIS

O presente trabalho indica que houve uma contracção na distribuição de P. clarkii na bacia do rio Sado entre os anos de 2003 e 2009, e que esta contracção esteve relacionada com factores geográficos, características do substrato e impactos resultantes da intervenção humana. Em relação ao estudo realizado em 2003, houve também um aumento no número de variáveis explicativas da distribuição do lagostim; nesse ano, as variáveis envolvidas foram apenas a distância entre o ponto e uma eventual “fonte” de lagostins, a elevação e a velocidade de corrente. Finalmente, os pontos temporários assumiram uma maior importância em 2009, pois houve alteração do hidroperíodo em 21% dos pontos anteriormente considerados permanentes e que se revelaram de carácter temporário em 2009.

Procambarus clarkii está largamente distribuído pelo globo44 e encontra-se em expansão no SO da Península Ibérica.47,90,86No entanto, no presente trabalho foram documentadas limitações à distribuição e colonização de novos habitats na bacia do rio Sado, encontrando-se restrito a algumas áreas. O número de pontos que nunca foram colonizados é superior ao número de pontos que sempre apresentaram lagostim; adicionalmente, houve mais extinções locais de P. clarkii entre os dois anos de estudo do que colonizações de novos pontos.

A estagnação e contracção da distribuição de lagostim na área de estudo é explicada pelo facto de que o carácter colonizado ou não colonizado por lagostim se ter mantido igual de 2003/04 para 2009 em 82% dos pontos, com apenas 18% dos locais a sofrer alterações (75% das quais foram extinções locais). Essas flutuações ocorreram predominantemente nos charcos temporários mediterrânicos, considerados como habitats peculiares e de dinâmicas próprias.

Os pontos permanentes são os mais estáveis e registaram poucas alterações; em 2009 houve um aumento na distribuição do lagostim nas ribeiras permanentes, o que constitui uma colonização possivelmente definitiva, visto que nos pontos de ribeiras permanentes não houve perdas de lagostim. Entretanto os pontos temporários confirmam-se como habitats mais dinâmicos, sendo os mais alterados, com ênfase na perda de lagostim ocorrida em 9 desses pontos. No Outono de 2008, que foi muito seco, mais de 50% dos pontos com lagostim foram em ribeiras permanentes, nas quais nem sempre se manteve água corrente, muitas vezes com conservação de apenas alguns

manutenção das populações de P. clarkii e serviram como focos para a sua expansão no Inverno, quando quase duplicou a sua frequência de ocorrência. Estes pontos “fontes de lagostim” são de extrema importância para qualquer acção de erradicação ou de contenção de P. clarkii nesta área. Tal como previsto em 2003/04, a invasão em habitats permanentes tendeu a aumentar, excepto em ribeiras em maior altitude e com corrente mais forte.

Os habitats temporários estão em menor risco de serem colonizados. Quando se encontram próximos a uma fonte de lagostim, é provável que tenham sido colonizados pela dispersão por terra dos próprios indivíduos adultos de P. clarkii,87,54,26 devido a grande capacidade de dispersão e colonização desta espécie. Em relação aos pontos mais distantes de uma fonte é possível suspeitar de uma introdução mediada por seres humanos. Provavelmente a introdução propositada não é frequente na área de estudo.

Visto que esta espécie de lagostim é generalista, pensava-se que a sua expansão era basicamente limitada por factores geográficos,26,97entretanto o presente trabalho verificou a importância de períodos climáticos extremos, de alterações no uso do solo e da vegetação como características que também podem limitar a sua expansão.

Sazonalidade

No presente trabalho, a sazonalidade foi um factor marcante para a distribuição de

P. clarkii na área de estudo e mais importante que em 2003/04. Neste ano, as diferenças

climatéricas entre as estações foram mais acentuadas que em 2003/04. Este aspecto é importante para uma intervenção de contenção de lagostim, visto que em anos mais secos como 2008/09 a ocorrência de P. clarkii diminuiu em quase 50% no Outono, sendo essa a melhor época para esse tipo de trabalho. Em 2003/04 houve sempre um aumento da área colonizada entre o Outono e a Primavera, o que não se verificou em 2009, quando houve perda entre o Inverno e a Primavera, devido à dessecação de alguns locais, que aconteceu mais cedo em 2009.

Na bacia do rio Sado, em apenas um local amostrado em ribeira permanente não havia lagostim. Em comparação, nos charcos temporários houve grandes flutuações entre as estações, com apenas 1 ponto colonizado no Outono passando para 10 pontos no Inverno, sendo importante sua identificação para futuras intervenções e contenção. As ribeiras são ambientes mais estáveis de fácil colonização e recolonização de zonas que entretanto secaram; já os charcos, por estarem isolados, são ambientes mais difíceis de colonizar e recolonizar.

No período entre os dois estudos houve um ano extremamente seco – 2005 - o que pode ter contribuído para a erradicação do lagostim em charcos permanentes. De facto, os 2 charcos permanentes que perderam lagostim secaram completamente em 2005 (relato dos proprietários). Alguns dos charcos temporários que foram colonizados em 2003/04 cumpriam todos os critérios para serem recolonizados, isso é, estarem muito próximos a ribeiras (entre 15m e 270m), possuírem vegetação aquática, intervenção mínima entre os charco e a fonte de lagostim. No entanto não foram colonizados em 2008/09; neste caso, a razão para a não colonização pode estar relacionada com a diminuição da abundância de indivíduos na ribeira.

Distância entre o local “fonte” de lagostim e o local a colonizar

Os trabalhos prévios sobre as distâncias de deslocação do lagostim referem-se às distâncias percorridas geralmente em arrozais ou em ribeiras,87 ou seja, habitats aquáticos. Entretanto, Kerby et al. (2005)(55) descreveram a importância da dispersão por terra. Para a bacia do rio Sado foi verificada uma grande importância da distância percorrida por terra pelos indivíduos para a sua dispersão.26 Segundo estes últimos autores, a distância entre os pontos isolados e as ribeiras “fonte” de lagostim é um factor determinantepara o sucesso de colonização de novos pontos e no ano de 2003/04 essa distância chegou até 250 metros. Em 2009, esta distância continua a ser um factor determinante para a colonização de novos habitats por P. clarkii na bacia do rio Sado, verificando-se apenas uma ligeira alteração nas distâncias percorridas, pois grande parte dos pontos colonizados estavam a uma distância menor que 270m.

A distância máxima de colonização de charcos temporários documentada neste trabalho foi percorrida entre o rio Sado (fonte para a colonização) e um charco. Entre eles existe uma floresta de pinhal pouco intervencionada que pode ter fornecido a sombra e a humidade necessária para a realização do trajecto. Segundo Aquiloni et. al. (2005)88apenas a temperatura do ar e da água são factores importantes para a movimentação de lagostim.

No documento UNIVERSIDADE DE LISBOA (páginas 41-44)

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