CAPÍTULO 4 – PERCURSO METODOLÓGICO
4.5 COLETA DE DADOS: INSTRUMENTOS, PROCESSAMENTO E
4.5.6 SEXTA ETAPA: APLICAÇÃO DO FORMULÁRIO
O segundo instrumento de coleta de dados utilizado foi o Formulário que segundo Lakatos e Marconi (2003, p. 212) consiste em uma lista de questões que são formuladas e anotadas pelo pesquisador à medida que recebe as respostas do pesquisado. Sua escolha ocorreu pelos seguintes motivos: pode ser utilizado em diversos segmentos da população pesquisada (idosos alfabetizados e analfabetos); é adequado para a obtenção de dados referentes aos diversos aspectos da vida social; há uniformidade na anotação das respostas; a presença do aplicador auxilia na explicação de perguntas que não estejam muito claras, gera informações sobre a frequência de certos fenômenos na população pesquisada. Sua aplicação teve por fim verificar o perfil e as condições de vida dos idosos pesquisados.
Para a elaboração do formulário foram realizados os seguintes procedimentos: primeiro foram estabelecidos os parâmetros de conteúdos (perfil social, estilo de vida, condições de moradia, composição familiar, rede de apoio, avaliação funcional, gastos com o BPC) a serem pesquisados a partir das leituras realizadas sobre envelhecimento, por se entender serem esses elementos determinantes para caracterizar o status do idoso pesquisado; em segundo lugar, foram definidos os elementos que deveriam estar contidos em cada conteúdo a ser pesquisado; em terceiro lugar, foi selecionada a estrutura de cada questão (aberta ou fechada), em quarto lugar houve a pré-codificação das questões e, por último, foi organizada a classificação hierárquica das questões elaboradas e sua apresentação gráfica. Posteriormente, foi elaborado o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido(TCLE) (vide Apêndice “A”) e o roteiro da estrutura do formulário (vide Apêndice “D”).
O formulário elaborado ficou composto por diversas questões agrupadas em 8 seções, cada uma delas estruturada com o objetivo de identificar estas informações: dados de identificação, perfil social, condições de moradia, composição familiar, estilo de vida, rede de apoio familiar e social, avaliação funcional e fins do BPC. Por meio dessas informações foi possível obter uma ideia geral da situação pessoal e doméstica do idoso e relacioná-la com o status que o idoso possui.
A primeira seção foi denominada dados de identificação e composta por 8 questões que permitem descrever os dados sociodemográficos do idoso pesquisado, como: sexo, idade, endereço (para identificar a região no município onde estão localizados), local de nascimento (estado), estado civil, religião, número de filhos e cor da pele. Essas variáveis possibilitaram caracterizar a amostra.
A segunda seção refere-se ao perfil social do idoso. Composto de 6 questões, descreve a escolaridade, fontes de renda e benefícios, atividade profissional já exercida, ajuda econômica de terceiros.
A terceira seção diz respeito às condições de moradia e, por isso, descreve por meio de 10 questões a estrutura física da moradia e os serviços públicos que a moradia do idoso utiliza. As informações coletadas dizem respeito ao local da propriedade, se a propriedade é própria ou alugada, o tipo de construção, número de cômodos, banheiros, eletrodomésticos, meios de comunicação e meios de transporte.
A quarta seção inclui aspectos relativos à composição familiar. Descreve, por um conjunto de 6 questões, o arranjo familiar em que o idoso está inserido, bem como a estrutura familiar. Está composta de perguntas sobre: mora só ou acompanhado, com quem mora, número de filhos vivos e falecidos, número de enteados, número de filhos adotivos e irmãos vivos.
A quinta seção é relativa ao estilo de vida do idoso. É constituída de 5 questões, operacionalizadas da seguinte forma: uso de bebidas alcoólicas, tabagismo, número de refeições completas por dia, uso de medicações.
A sexta seção mostra a rede de apoio familiar e social do idoso, com o fim de descrever as relações entre a família e o idoso e, ao mesmo tempo, identificar quem cuida do idoso, onde vive o cuidador, qual é o seu perfil e qual é a relação do cuidador com o idoso. É composta por 4 questões.
A sétima seção tem a ver com a avaliação funcional do idoso. Através de suas 9 questões descreve se o idoso palmense, beneficiário do BPC, tem uma vida independente e autônoma. Para isso, foram elaboradas perguntas que avaliaram o desempenho dos idosos na realização de Atividades da Vida Diária (AVD)40 e Atividades Instrumentais da Vida
Diária (AIVD)41.
A oitava seção descreve os fins do recurso do BPC, isto é, informa como o valor do BPC está sendo aplicado. Os gastos foram definidos em 6 itens da seguinte maneira: em medicamentos, alimentação, vestuário, lazer, educação, habitação, família.
Para fins de teste e treino dos procedimentos de pesquisa, o formulário, depois de redigido, foi testado antes de sua aplicação definitiva.
40 Atividades da Vida Diária (AVD) são as atividades realizadas no dia a dia e estão vinculadas ao autocuidado e à sobrevivência, isto é, cuidado com o corpo. São exemplos dessas atividades a alimentação, higiene, locomoção, movimentação etc. (KAWASAKI; DIOGO, 2001). Um instrumento para avaliar o grau de dependência e independência do desempenho dos idosos para realizar as AVD é o Índice de Katz.
41 Atividades Instrumentais da Vida Diária (AIVD) são as atividades que subsidiam a vida cotidiana e requerem melhor desempenho da capacidade funcional, portanto, estão relacionadas com as atividades de gerenciamento e cuidado com a casa e com os familiares. Como exemplos citam-se: lavar e passar roupas, preparar refeições, limpar a casa, controlar as finanças, usar transporte, realizar atividades extradomiciliares (ir a banco, supermercado, farmácia, padaria etc.) (KAWASAKI; DIOGO, 2001). Um instrumento para avaliar a capacidade funcional dos idosos para realizar as AVD é o Índice de Lawton.
4.5.6.1 O Pré-Teste do Formulário
Para verificar a qualidade, fidedignidade, precisão e validade do instrumento aplicado, foi realizada uma prova preliminar com o formulário. A finalidade desta prova, geralmente designada como pré-teste ou teste piloto, foi evitar as ausências de respostas devido a possíveis falhas na sua elaboração, tais como: questões desnecessárias ou complexas, imprecisão dos termos utilizados, falta de clareza no questionamento, vocabulário desconhecido, perguntas ambíguas e outras fontes de erros. Também contribuiu para verificar os procedimentos, prazos, materiais e equipamentos necessários para a aplicação do formulário, isto é, minimizou os problemas de execução e aperfeiçoou o exercício da coleta de dados (LAKATOS; MARCONI, 1991).
Nesse sentido, o instrumento inicialmente planejado foi posteriormente testado em duas etapas: primeiramente pelos aplicadores e, em seguida, por 32 idosos (8,1% da amostra) não beneficiários do BPC que residiam no setor onde o aplicador morava.
A primeira etapa foi realizada na primeira quinzena do mês de junho de 2013, quando os 8 aplicadores contratados reuniram-se com a pesquisadora para conhecerem o formulário que iriam utilizar para a coleta de dados da pesquisa. Inicialmente, a pesquisadora leu e explicou os objetivos de todas as questões do formulário. Em seguida, cada aplicador fez uma leitura individualizada e, ao mesmo tempo, respondeu o formulário. Posteriormente, foram entrevistados com o fim de se obter informações sobre as dificuldades encontradas no preenchimento de cada questão do formulário, como também na formatação desse instrumento. As dificuldades identificadas foram analisadas e os ajustes sugeridos e aceitos por todos foram digitados, gerando uma nova redação para o formulário inicial.
A segunda etapa aconteceu na segunda quinzena do mês de junho de 2013, quando cada aplicador recebeu quatro formulários para serem respondidos por quatro idosos do seu bairro. Todos os idosos que aceitaram responder o formulário foram entrevistados, pelos aplicadores, sobre a dificuldade que encontraram para assimilar o que estava sendo perguntado em cada questão do formulário respondido. Cada aplicador anotou as dificuldades relatadas pelos idosos.
No último sábado do mês de junho de 2013, um novo encontro foi realizado entre a pesquisadora e os 8 aplicadores. Cada aplicador relatou o que aconteceu sobre: o tempo de resposta, estratégia de acesso utilizada para abordar o idoso, apoio ou restrição da família, compreensão das questões, dúvidas que os idosos manifestaram, explicações complementares que tiveram de dar para cada questão e sobre os objetivos da pesquisa. As informações foram transcritas para um painel e nova análise foi realizada, de forma conjunta entre aplicadores e pesquisadora, para cada questão do formulário. Os novos ajustes sugeridos foram inseridos no formulário, gerando a versão final desse instrumento.
Após esse processo, foi possível obter um formulário mais fidedigno e preciso, indicando que as respostas terão mais credibilidade.
4.5.6.2 Coleta, tratamento e análise dos dados do formulário
De posse da estrutura definitiva do formulário, aprovação do projeto de pesquisa pelo Comitê de Ética da Fundação Universidade do Tocantins (UNITINS), autorização do órgão municipal responsável pelo BPC, contratação e capacitação dos 8 aplicadores, seleção da amostra e sua classificação por bairro (ARNO, ARSO, ARNE, SUL I, SUL II), inicia-se sua aplicação aos idosos participantes da pesquisa e, de forma simultânea, o acompanhamento da pesquisadora em relação ao andamento da coleta de dados.
A pesquisadora dividiu a amostra em 8 grupos e, por isso, foram obtidas oito listas, sendo entregue uma para cada aplicador.
A aplicação do formulário foi executada no período de julho a setembro de 2013, pelos oito aplicadores, que no período diurno visitaram o domicílio dos idosos beneficiários do BPC no Município de Palmas/TO e preencheram 393 formulários com dados desse público.
Sempre que se chegava ao domicílio, o aplicador, ao entrar em contato com o idoso ou com sua família, se apresentava e explicava os motivos da sua presença e os objetivos da pesquisa. Ao identificar os aspectos relacionados à receptividade, disponibilidade e presteza para a pesquisa, o aplicador solicitava licença para entrar e todos se acomodavam em geral na sala ou em área externa e sombreada da residência.
Nesse momento, reapresentava os fins da pesquisa, divulgava os passos da pesquisa, garantia o anonimato e a confidencialidade dos dados, apresentava o termo de
consentimento e solicitava a assinatura do idoso nesse termo. Após esse procedimento inicial, o aplicador pegava um formulário e anotava o nome e endereço do idoso pesquisado e dava prosseguimento ao preenchimento do formulário.
Para preenchimento do formulário, adotou-se como procedimento uma conversa entre o aplicador e o idoso, seguindo a ordem das perguntas já formuladas no instrumento de pesquisa. Sendo assim, quem preencheu o formulário foi o aplicador, a partir unicamente das respostas fornecidas pelos idosos. Escolheu-se essa forma de proceder, com o intuito de obter dados mais fidedignos, controlar o tempo de execução da pesquisa e facilitar a compreensão das questões. Ao final da coleta dos dados foi percebido pela equipe que o procedimento foi adequado devido ao baixo grau de escolarização dos pesquisados.
Ao final de cada encontro, o aplicador informava que a pesquisadora visitaria o idoso para obter informações complementares para a pesquisa.
Após a coleta dos dados, cada formulário recebeu um código numérico e seus dados foram digitados no programa Statistical Package for the Social Sciences (SPSS), versão 2.2. Após digitação e validação, foi feita uma análise descritiva dos dados onde foram calculadas as frequências absolutas e relativas. A análise deu-se por meio da correlação entre as variáveis e teoria estudada.