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PARTE II. METODOLOGIA

Capítulo 1. Instrumentos da politica de inovação

2.1. Programas quadro

2.1.1. Sexto programa quadro

A Decisão nº 1513/2002/CE do Parlamento Europeu e do Conselho, de 27 de Junho de 2002, referente ao Sexto Programa-Quadro da Comunidade Europeia de atividades no domínio da investigação, desenvolvimento tecnológico e demonstração para contribuição da realização do Espaço Europeu de Investigação (EEI) e para a inovação no período de 2002 e 2006, com um orçamento de 17 500 milhões de euros, correspondendo a um acréscimo de 17% em relação ao seu antecessor.

O Sexto Programa-Quadro de Investigação e Desenvolvimento Tecnológico (6º PQ) respeita ao quadro geral das atividades da UE no domínio da ciência, investigação e inovação. Passa a dar-se ênfase a uma política futura, sendo o objetivo fundamental a constituição do EEI para a melhoria da integração e coordenação da investigação europeia, até ao momento segmentada, possibilitando a criação de emprego e tornar a Europa mais competitiva. O 6º PQ está estruturado em três Programas Específicos: i) estruturação do EEI; ii) integração e reforço do EEI; e iii) reforço das bases do EEI e compreende, ainda as atividades do Centro Comum de Investigação (CCI).

O bastião do efetivo envolvimento da UE na investigação foi o 6º PQ que, visa evitar a duplicação de esforços e auxiliar a UE a obter o máximo partido do seu potencial, abandonando o conceito que colocava o financiamento de projetos como primordial. Os recursos são canalizados para os domínios definidos como prioritários, onde incluem-se a aeronáutica e espaço, à qual foi atribuído um orçamento de 1 100 milhões de euros. A ANA, SA desenvolveu, em conjunto com parceiros europeus, projetos de I&D no âmbito do 6º PQ.

Foram atribuídos 13 345 milhões de euros ao programa específico Integração e Reforço do EEI que, centrou-se em sete temas, incluindo a Aeronáutica e Espaço.

O crescimento do setor aeronáutico, durante as últimas décadas, tem provocado a saturação dos sistemas de controlo do tráfego aéreo e o congestionamento dos aeroportos no lado ar e lado terra. O Programa Específico Integração e Reforço do EEI, teve como objetivo o reforço das bases científicas e tecnológicas naqueles setores para melhorar e reforçar a segurança, a proteção ambiental, a competitividade e retirar o valor acrescentado decorrente da cooperação multinacional. Em conformidade, as ações de investigação focaram-se em grandes linhas de ação, entre outras:

• Na melhoria da segurança das aeronaves - as atividades de investigação incidem no estudo de modelos de segurança, sistemas de segurança avançados, etc. e,

• No aumento das capacidades de exploração e melhoria da segurança do sistema de transporte aéreo - para otimização da utilização do espaço aéreo e dos aeroportos de modo a reduzir os atrasos, através de um sistema de gestão do tráfego aéreo integrado (o céu único integrado). As atividades de investigação centram-se nos sistemas de navegação, comunicação e vigilância no solo e a bordo, na inclusão de

conceitos novos, como seja o de voo sem constrangimentos, no sistema europeu de gestão do tráfego aéreo (ATM).

Quando entrou em velocidade cruzeiro, a UE começou a delinear o seu sucessor, com a convicção que a ciência e tecnologia eram fatores determinantes para o futuro da UE.

No seu Livro Verde intitulado “O Espaço Europeu da Investigação: novas perspectivas” a Comissão Europeia (2007, pág. 2) define resumidamente o EEI como “um mercado

único ‟ da investigação

livremente; uma verdadeira coordenação a nível europeu das atividades, programas e políticas nacionais e regionais de investigação; e iniciativas realizadas e financiadas a nível europeu”.

2.1.1.1. Centro comum de investigação

O Centro Comum de Investigação (CCI) é um organismo que integra a Comissão Europeia, aquando da fundação da UE, em 1958. É um organismo de investigação da UE que, dispõe de uma atividade de investigação própria, mas também tem a missão de aconselhar cientificamente de forma independente e apoiar tecnicamente a Comissão Europeia e as outras instituições da UE na elaboração e implementação das suas políticas. Pretende auxiliar na criação de uma Europa mais segura, limpa, saudável e mais competitiva. O CCI corresponde a uma rede constituída por sete institutos de investigação da UE.

Frequentemente os investigadores de cada Estado-Membro viam os colegas de outro Estado-Membro mais como concorrentes do que uns colaboradores que procuravam os mesmos ideais. Os primeiros Programas-Quadro comunitários forneceram alguns meios no sentido da cooperação transnacional no domínio da investigação, contudo, não foram suficientes! Na cimeira europeia de Lisboa, realizada em Março de 2000, os líderes da UE, reconheceram a necessidade de maior ambição e eficácia, tendo para tal apelado à criação do EEI.

2.1.1.2. Espaço europeu de investigação

O EEI é a pedra basilar do 6º PQ, favorecendo a excelência científica, a competitividade e a inovação por intermédio da melhor cooperação entre os diversos intervenientes científicos, económicos e sociais. O grande objetivo inerente ao EEI é permitir que os investigadores possam trabalhar em qualquer Estado-Membro e reforçar a cooperação transfronteiras.

A Decisão 2002/834/CE do Conselho, de 30 de Setembro de 2002, adota o programa específico de investigação, desenvolvimento tecnológico e demonstração: “Estruturação do Espaço Europeu da Investigação” (2002-2006) (Jornal Oficial L 294 de 29.10.2002).

O objetivo do EEI é: encorajar os centros de investigação para que aceitem investigadores oriundos de outros países; coordenar o programa-quadro com outras iniciativas ao nível regional, nacional e internacional no domínio da investigação e, a partilha dos resultados obtidos pelos investigadores ou seja, uma implementação mais coerente das atividades de investigação nacionais e europeias e o reforço das relações entre as diferentes organizações de cooperação científica e tecnológica na Europa.

Tal implicava a quebra de barreiras que até ao momento dividiam a comunidade científica da Europa em retalhos de equipas de cada Estado-Membro. Era necessário que os melhores cérebros contactassem entre si, fossem encorajados a congregar esforços, a concentrarem-se na excelência e que desenvolvessem esforços com vista a objetivos partilhados.

Da mesma forma que o mercado único aboliu as fronteiras para a circulação de bens, pessoas e capitais, também, o EEI possibilita o trabalho e cooperação dos cientistas em projetos em todo o território da UE. O livre fluxo de recursos e ideias concedeu aos investigadores da Europa todas as oportunidades que à data os seus congéneres americanos já dispunham.

De modo ao EEI ser um êxito, a UE desenvolveu ações que permitissem alcançar o número suficiente de cientistas e investigadores. Em sequência das melhores condições oferecidas noutros locais ou pela falta de oportunidade de emprego, os doutorados produzidos na UE (em maior número comparativamente ao verificado nos Estados Unidos) nas áreas de ciências e engenharia emigram.

O investimento tem vindo a ser uma das soluções para contrariar a fuga de cérebros da Europa. A UE, quando comparada a situação a nível internacional, ainda tem um longo caminho a percorrer até alcançar o mesmo nível dos seus maiores concorrentes, podendo os setores público e privado desempenhar um papel importante na diminuição daquela diferença. Em 2001, a UE investiu 1,9% do seu PIB em investigação, enquanto os Estados Unidos afetaram 2,8% e o Japão investiu na investigação 3,1%. Em 2010 o investimento da UE subiu para 2,01% do PIB e para 2,03% em 20115, contudo

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Eurostat e http://europa.eu/rapid/press-release_IP-12-1324_pt.htm

mantinha-se a discrepância da intensidade I&D da UE comparativamente às duas economias concorrentes e mais competitivas do mundo, os EUA e Japão.

De acordo com a publicação OJE de 16 de Dezembro de 2012, “As grandes empresas europeias aumentaram, em 2011, o seu investimento em investigação e desenvolvimento (I&D) alcançando 8,9 % do seu investimento total, apesar da crise económica, destaca um estudo publicado hoje pela Comissão Europeia (CE). Em 2010, os investimentos das grandes companhias em I&D situaram-se nos 6,1% e ao revelarem o atual incremento, passam a estar em igualdade com os seus principais concorrentes dos EUA (9 %) e acima da média mundial (7,6 %)”.