• Nenhum resultado encontrado

Sexual and reproductive rights during adolescence

No documento 2ª CAPA Anúncio (arquivo anexo) (páginas 72-74)

>

Stella R. Taquette¹

Stella R. Taquette ([email protected]) – Rua Gomes Carneiro, 34/802, Ipanema – Rio de Janeiro, RJ, Brasil. CEP: 22071-110. Recebido em 19/10/2012 – Aprovado em 26/02/2013

1Doutora em Medicina. Professora Associada da Faculdade de Ciências Médicas - FCM e do Núcleo de Estudos da Saúde do Adolescente -

NESA da Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ. Rio de Janeiro, RJ, Brasil.

>

>

>

INTRODUÇÃO

Quando se fala em direitos, surge a per- gunta: o que são direitos sexuais e reprodutivos? O que tem isso a ver com a saúde?

A Declaração Universal dos Direitos Hu- manos¹, adotada pela Organização das Nações Unidas (ONU) no ano de 1948, período pós-

-segunda guerra mundial, estabelece os direitos humanos básicos que devem ser garantidos. Esta declaração introduziu uma nova concepção de direitos humanos e incitou o nascimento e desenvolvimento de área do Direito Internacio- nal, guardiã dos Direitos Humanos, com elabo- ração de Convenções e Pactos que permitiram a formação de um sistema normativo de proteção

>

conferência nasceu um novo paradigma sobre população, que deslocou a questão demográfi - ca para o âmbito dos direitos reprodutivos, inte- grantes dos direitos humanos. Como resultado, estabeleceram-se as bases para um novo modelo de intervenção em saúde reprodutiva, ancorado em princípios éticos e jurídicos comprometidos como o respeito dos direitos humanos.

Em 1995, em Pequim, realizou-se a IV Con- ferência Internacional sobre a Mulher, que con- solidou as conquistas da Conferência Mundial do Cairo e promoveu um avanço na defi nição dos direitos reprodutivos e sexuais como direitos hu- manos. Em sua plataforma de ação, foi incluída a necessidade do abrandamento da legislação dos Estados Partes quanto à criminalização do abor- to, considerado grave problema de saúde.

Cinco anos após a Conferência do Cairo, a ONU fez uma revisão e avaliação da implemen- tação de seu plano (Cairo + 5). A partir daí, dei- xou de ser incluído o direito dos pais em todas as referências dos adolescentes, garantindo o direito deles à privacidade, ao sigilo, ao consen- timento informado, à educação, inclusive sexual no currículo escolar, à informação e assistência à saúde sexual e reprodutiva.

Ter direitos signifi ca ter poder. Garantir di- reitos sexuais e reprodutivos para as mulheres signifi ca romper com a visão de submissão da sexualidade da mulher à reprodução e promo- ve uma nova relação de poder entre homens e mulheres. A saúde reprodutiva é um elemento importante na saúde das mulheres e dos ho- mens, mas ela é mais crítica para as mulheres. Um grande número de doenças que afetam as mulheres está relacionado às suas funções e ao seu potencial reprodutivo e ao modo como as sociedades, infl uenciadas por questões de gêne- ro, cuidam ou deixam de cuidar delas4.

Saúde sexual e reprodutiva (SSR)

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), SSR é o estado de completo bem-estar físico, mental e social em todos os destes direitos. A Declaração trouxe, também,

como contribuição, a defi nição da universalida- de e interdependência dos direitos humanos.

Após a adoção da Declaração Universal dos Direitos Humanos, vários pactos e convenções foram criados, como, por exemplo: a Conven- ção Internacional sobre a eliminação de todas as formas de discriminação racial em 1965; a Con- venção sobre a eliminação de todas as formas de discriminação contra a mulher em 1979; a Convenção Internacional sobre a tortura e ou- tros tratamentos ou punições cruéis, desumanas ou degradantes; a Convenção sobre os direitos da criança em 1989; o Plano de Ação da Confe- rência Internacional de População e Desenvol- vimento no Cairo, em 1994; e a Plataforma de Ação da IV Conferência Mundial da Mulher em Pequim, em 1995, entre outras².

Os Planos de Cairo e Pequim produziram avanços signifi cativos na garantia dos DSR, ape- sar de não terem força de lei como as Conven- ções, Tratados e Pactos. Porém, possuem poder ético-normativo, pois apóiam a interpretação e a elaboração de diretrizes para a implementa- ção de legislação nacional pelos Estados Partes, consoante o acordado em fórum internacional.

O principal marco legal internacional em relação à saúde de crianças e adolescentes foi a Convenção Internacional dos Direitos da Crian- ça, realizada pela ONU em 1989. Esta conven- ção reconheceu crianças e adolescentes como seres em desenvolvimento e sujeitos de direitos. Ela superou a visão da criança e do adolescente como objeto passivo de intervenção da família, sociedade e Estado e introduziu a responsabi- lidade do último na garantia de direitos deste segmento populacional³.

A Conferência Mundial de População e Desenvolvimento, realizada no Cairo em 1994, trouxe importantes avanços, pois seu plano de ação introduziu na normativa internacional o conceito de direitos reprodutivos e inseriu os adolescentes como sujeitos destes direitos. Esta parcela da população, composta por indivídu- os de 10 a 19 anos, deve ser alcançada pelas normas, programas e políticas públicas. Desta

aspectos relacionados ao sistema reprodutivo, e não a simples ausência de doença ou enfer- midade. É a habilidade de mulheres e homens para desfrutar e expressar sua sexualidade sem risco de doenças sexualmente transmissíveis, gestações não desejadas, coerção, violência e discriminação.

Os DSR como direitos humanos fundamen- tais apresentam duas vertentes distintas e com- plementares. Uma aponta a dimensão individual desses direitos. Essa dimensão afi rma o direito à liberdade, à privacidade, à intimidade e à auto- nomia, o que pressupõe a não intervenção do Estado na regulação da sexualidade ou da repro- dução. Já a outra vertente implica a existência de políticas públicas específi cas que assegurem os direitos indispensáveis para o livre exercício dos adolescentes de seus DSR. Para esta última vertente, faz-se necessária a ação do Estado na garantia desses direitos, dentre os quais estão: o acesso à informação e à educação sexual e re- produtiva, a serviços de saúde sexual e reprodu- tiva disponíveis, seguros e adequados; políticas que promovam a igualdade e a equidade entre os sexos, não permitindo a submissão das mu- lheres e das meninas e eliminando qualquer dis- criminação sexual5.

A seguir são apresentados os principais di- reitos sexuais e reprodutivos.

Direitos sexuais

 Viver e expressar livremente a sexualidade,

sem medo, culpa, falsas crenças, violência, discriminação e imposições.

 Escolher a parceria sexual.

 Exercer a sexualidade independente do esta-

do civil, idade ou condição física.

 Escolher se quer ou não ter relação sexual.  Expressar livremente sua orientação sexual.  Ter relação sexual independente da reprodução.  Sexo seguro para prevenção de gravidez e DST.

 Serviços de saúde com garantia de privacida-

de, confi dencialidade e atendimento sem dis- criminação.

 Informação e educação sexual e reprodutiva.

Direitos reprodutivos

 Direito dos casais de decidir livremente se

querem ou não ter fi lhos, quantos e em que momento de suas vidas.

 Direito a informações, métodos e técnicas

para ter ou não fi lhos.

 Direito de exercer a sexualidade e a reprodução livre de discriminação, imposição ou violência.

O governo tem como dever garantir os DSR da população. Para isso tem a obrigação de for- mular e implementar ações relativas à SSR. Em relação aos adolescentes e jovens, o desafi o é maior, pois é necessário atender às especifi cida- des desta população e responder às demandas decorrentes das distintas situações de vida dos adolescentes brasileiros.

DIREITOS SEXUAIS E

No documento 2ª CAPA Anúncio (arquivo anexo) (páginas 72-74)