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Parte 2 Fatores Associados aos Aspectos Biológicos,

6.7 Instrumentos de coleta de dados

6.7.5 Short Alcohol Dependence Data (SADD)

A seguir, apresentaremos, de forma específica, a composição de cada escala (ANEXO B).

6.7.1 Informações sociodemográficas

Idade, sexo, raça/cor de pele, estado civil, escolaridade, ocupação.

6.7.2. Escala de Severidade da Dependência de Drogas (SDS)

No presente estudo, a Escala de Severidade da Dependência de Drogas (SDS) foi utilizada para mensurar o nível de gravidade da dependência de cocaína e/ou crack (GOSSOP et al., 1995).

A SDS é composta por cinco itens, que fornecem uma pontuação indicativa do nível de gravidade da dependência de drogas. Cada item possui um escore de r espostas de q uatro pontos. Assim, os itens 1 a 4 es tão compostos por: (0) Nunca ou quase nunca; (1) Algumas vezes; (2) Sempre; (3) Quase sempre. Para o item 5, as respostas são (0) Não é difícil; (1) Difícil; (2) Muito difícil; (3) Impossível (GOSSOP et al., 1995, FERRI et al., 2000).

A pontuação total é obtida por meio da soma dos cinco itens, os quais mensuram os sintomas da s índrome de d ependência nos últimos 12 m eses.

Para sua leitura, quanto maior a pontuação, maior o nível de g ravidade da dependência da droga (GOSSOP et al., 1995).

Trata-se de u ma escala econômica, de fácil aplicação, que pode ser usada para avaliar o grau de severidade da dependência de diferentes tipos de drogas; foi validada no Brasil por Ferri et al., 2000. A SDS leva em torno de cinco minutos para ser respondida (GOSSOP et al., 1995).

Em estudo realizado com 374 usuários de drogas, as pontuações para os usuários de c ocaína, crack, maconha e álcool foram significativamente positivas, indicando que a versão em português da SDS é uma ferramenta de pesquisa válida (FERRI et al., 2000).

6.7.3. Cocaine Craving Questionnaire - Brief (CCQ-B) versão brasileira

Desenvolvido por Sussner et al., (2006), o CCQ-Brief foi estudada em uma amostra com 247 usuários de dr ogas, principalmente de c ocaína, internados. Em sua validação original, obteve um valor de alfa de Cronbach = 0,90, indicando ser um instrumento adequado para avaliar a fissura (craving).

Na versão original, a Cocaine Craving Questionnare Now (CCQ-Now) perfazia um total de 45 itens, divididos em cinco categorias: desejo de usar cocaína, antecipação do resultado positivo, alívio dos sintomas da abstinência ou afeto negativo, intenção e pl anejamento para o us o de crack e a falta de controle desse uso (TIFFANY et al., 1993). A versão CCQ-Now foi testada e validada no Brasil em 2006, por Silveira et al., (2006).

A CCQ-B, na versão brasileira, está composta por 10 itens e foi utilizada, por Araújo et al.( 2011), em usuários de crack hospitalizados . Na validação psicométrica resultaram dois fatores sendo: 1) representa o constructo da fissura (craving) e 2) a falta de controle do uso da cocaína e do crack.

A escala pode ser avaliada a partir de seu escore total (com os itens 4 e 7 invertidos e somados aos demais itens). Dos pontos do fator 1 – somam-se todos os itens, exceto 4 e 7, e, no fator 2 – somam-se os itens 4 e 7 já invertidos.

Na versão brasileira, as respostas do tipo Likert compunham sete pontos, que variam de “discordo totalmente” a “concordo totalmente” (ARAÚJO et al., 2011). Para a leitura do escore total do CCQ-Brief, realiza-se o somatório

de pontos de todos os itens e, então, para a l eitura, quanto mais alta a pontuação na escala, maior o nível de gravidade da fissura.

6.7.4 Inventário das Consequências do Beber (DrInC)

Trata-se de um inventário que avalia os problemas e as consequências do hábito de beber como um constructo distinto do consumo e dependência nas esferas física, interpessoal, intrapessoal, controle de impulsos e de responsabilidade social. Foi desenvolvido no Projeto MATCH para a descrição de pacientes e av aliação do d esfecho clínico (MILLER; TONIGAN; LONGABAUGH., 1995) e validado no Brasil (FIGLIE, 2004).

O inventário está dividido em cinco domínios, distribuídos em:

(1) Consequências físicas (8 itens), que se referem às consequências do beber abusivo (efeitos agudos e crônicos da embriaguez). Os itens avaliam a ressaca, problemas do sono, doenças, prejuízos à saúde, hábito alimentar e danos relacionados ao beber.

(2) Consequências interpessoais (10 itens) - enfocam o i mpacto do beber sobre as relações da p essoa. As consequências adversas incluem o dano ou perda de amizade, de um relacionamento amoroso, prejuízos e perdas afetivas, em função do beber, de familiares, amigos, danos à reputação e ações cruéis ou confusas enquanto esteve embriagado.

(3) Consequências intrapessoais (8 itens), dizem respeito às percepções subjetivas que podem ser observáveis por outros. Incluem maus sentimentos, infelicidade em função da bebedeira , embriaguez frequente , experiências de mudanças de personalidade para pior e interferência no crescimento pessoal, vida moral/espiritual, atividades e interesses.

(4) Responsabilidade social (7 itens), refere-se às repercussões no cumprimento de papéis, observado por outros. Inclui os problemas no trabalho e/ou escola (ausência, redução na q ualidade no t rabalho, demissão ou suspensão), problemas financeiros graves, envolvimento em confusões e não atendimento às expectativas.

(5) Controle de impulsos (12 itens), incluindo os prejuizos causados pela embriaguez, uso abusivo de out ras substâncias (tabaco, drogas), ações

impulsivas, exposição a r iscos, lutas físicas, acidentes de trânsito após o beber, conflitos com a lei , responsabilização por autoria de danos a outros ou a propriedades.

A pontuação total consiste no somatório dos escores, sendo, primeiramente, de cada domínio e, após, da es cala total (ANEXO B). As respostas são dicotômicas: (1) Sim e (0) Não; sua somatória resulta em uma pontuação classificada em: muito baixa, baixa, média, alta e muito alta.

O fato da escala DrInC ser um instrumento de autorrelato possibilita uma avaliação quantitativa do j ulgamento do usuário, o que permite uma aproximação empírica e da di mensão do funcionamento vital associado ao consumo do álcool (LONGABAUGH et al., 1994; PICCOLOTO et al., 2006).

6.7.5. Short Alcohol Dependence Data (SADD)

O Short Alcohol Dependence Data (SADD) (RAISTRICK; DAVIDSON, 1983) foi traduzido e validado para o português do Brasil por Jorge e M asur (1986). Trata-se de uma escala breve, constituída por 15 itens relacionados ao consumo do ál cool; tem por objetivo avaliar o g rau de dependência dessa substância.

Há quatro alternativas de respostas para cada item: (0) Nunca; (1) Poucas vezes; (2) Muitas vezes; (3) Sempre. De acordo com o somatório total de pontos, os usuários são classificados nas seguintes categorias: 1 a 9 = Dependência leve; 10 a 19 = Dependência moderada; 20 a 45 = Dependência grave (ANEXO B).

Em estudo realizado com pacientes ambulatoriais como gastroenterologia e out ro específico para o tratamento da d ependência do álcool, os autores, ao investigarem as motivações para mudanças de comportamento do beber, constataram que pacientes do ambulatório especializado para o tratamento do álcool pontuaram médias mais elevadas na SADD, com fortes indicadores de dependência grave do álcool, enquanto os da gastroenterologia foram considerados mais propensos a u m quadro de dependência moderada (FLIGLIE et al., 2005).

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