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2.3 REGIMES DE TRIBUTAÇÃO 33

2.3.7 Simples Nacional 45 

A Lei complementar n°123/06, alterada pela Lei Complementar n°147/14 (BRASIL, 2014) que institui a universalização do Simples Nacional ou Supersimples. O simples nacional é o Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte, conforme art.12 da Lei Complementar nº 123/2006 (BRASIL, 2006).

Ainda, de acordo com o artigo 3º da Lei complementar nº 123/2006 consideram- se microempresas ou empresas de pequeno porte a sociedade empresarial, a sociedade simples, a empresa individual de responsabilidade limitada e o empresário, devidamente registrados no Registro de Empresas Mercantis ou no Registro Civil de Pessoas Jurídicas, conforme o caso, desde que:

I - no caso da microempresa, aufira, em cada ano-calendário, receita bruta igual ou inferior a R$ 360.000,00 (trezentos e sessenta mil reais); e

II - no caso da empresa de pequeno porte, aufira, em cada ano-calendário, receita bruta superior a R$ 360.000,00 (trezentos e sessenta mil reais) e igual ou inferior a R$ 3.600.000,00 (três milhões e seiscentos mil reais) (BRASIL, 2006).

Conforme os § 1º e 2° do referido artigo Considera-se receita bruta para fins do disposto neste artigo, o resultado da venda de bens e de serviços nas operações de conta própria, preço dos serviços prestados e o resultado nas operações de conta alheia, excluídas as vendas canceladas, descontos incondicionais concedidos e em caso de inicio da atividade no mesmo ano, o limite será proporcional ao número de meses em que tenha exercido atividade, inclusive as frações de meses.

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De acordo com o artigo 3° da Lei Complementar n°147/14, §14 para enquadramento como microempresa ou empresa de pequeno porte, poderão ser auferidas receitas no mercado interno até o limite previsto no inciso II ou § 2º do caput, conforme o caso, podendo ainda, serem adicionadas receitas decorrentes de exportação de mercadorias ou serviços, inclusive se realizada através de comercial exportadora ou da sociedade de propósito específico previsto no artigo 56 desta lei, porém, as receitas de exportação também não podem exceder os limites da receita bruta anual (BRASIL, 2014).

Ainda, conforme o § 15 do referido artigo, na hipótese do § 14, para fins de determinação da alíquota para a base de cálculo serão consideradas separadamente as receitas brutas auferidas no mercado interno e aquelas decorrentes da exportação.

A partir de 2015, o limite extra para que a EPP tenha incentivos para exportar passará a abranger mercadorias e serviços, assim a empresa poderá auferir receita bruta anual de até R$ 7,2 milhões, sendo R$ 3,6 milhões no mercado interno e R$ 3,6 milhões no mercado externo, conforme SRF (2014).

A Lei Complementar nº 147/2014, que universalizou o Supersimples, sistema de tributação diferenciado para micro e pequenas empresas, trouxe inúmeras mudanças em relação ao projeto anterior do Simples Nacional, ela ampliou o acesso do setor de serviços ao Supersimples, onde, mais de 140 categorias passaram a ser atingidas com a mudança na tributação, visto que, o critério para adesão não mais a definição do segmento de atividade da empresa, pois, agora passou a ser estabelecido o porte e o faturamento da empresa; ou seja, para uma empresa poder aderir ao Supersimples o que vale é o faturamento, conforme indica o Sebrae Nacional (BRASIL, 2014).

Segundo a Lei Complementar nº123/06 com base em seu artigo 16, “a opção pelo Simples Nacional da pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa e empresa de pequeno porte dar-se-á na forma a ser estabelecida em ato do Comitê Gestor, sendo irretratável para todo o ano-calendário” (BRASIL, 2006).

E ainda de acordo com o mesmo artigo, nos § 2 e 3, diz que a opção pelo simples nacional deverá ser realizada até o último dia útil do mês de janeiro, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do ano-calendário da opção, desde que exercida nos termos, prazos e condições estabelecidos pelo Comitê Gestor.

Desse modo, para optar pelo simples a pessoa jurídica precisará estar enquadrada como microempresa ou empresa de pequeno porte conforme exigência estabelecida pela legislação e após a opção será feita unicamente pela internet, pelo site mantido pela Receita Federal, utilizando o CNPJ e o CPF do responsável pela empresa para preencher o formulário, conforme informações do Sebrae Nacional.

Segundo a Lei Complementar n°123/06, em seu art. 3° § 4º, não poderá se beneficiar do tratamento jurídico diferenciado previsto nesta Lei Complementar, incluído o regime simples Nacional, para nenhum efeito legal, a pessoa jurídica:

I - de cujo capital participe outra pessoa jurídica;

II - que seja filial, sucursal, agência ou representação, no País, de pessoa jurídica com sede no exterior;

III - de cujo capital participe pessoa física que seja inscrita como empresário ou seja sócia de outra empresa que receba tratamento jurídico diferenciado nos termos desta Lei Complementar, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso II do caput deste artigo;

IV - cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa não beneficiada por esta Lei Complementar, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso II do caput deste artigo; V - cujo sócio ou titular seja administrador ou equiparado de outra pessoa jurídica com fins lucrativos, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso II do caput deste artigo;

VI - constituída sob a forma de cooperativas, salvo as de consumo; VII - que participe do capital de outra pessoa jurídica;

VIII - que exerça atividade de banco comercial, de investimentos e de desenvolvimento, de caixa econômica, de sociedade de crédito, financiamento e investimento ou de crédito imobiliário, de corretora ou de distribuidora de títulos, valores mobiliários e câmbio, de empresa de arrendamento mercantil, de seguros privados e de capitalização ou de previdência complementar;

IX - resultante ou remanescente de cisão ou qualquer outra forma de desmembramento de pessoa jurídica que tenha ocorrido em um dos 5 (cinco) anos-calendário anteriores;

X - constituída sob a forma de sociedade por ações (BRASIL, 2006).

Ainda no artigo 17 da referida lei, consta que não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou empresa de pequeno porte que explorar atividade de prestação cumulativa e continuada de serviços de assessoria creditícia, gestão de crédito, seleção e riscos, administração de contas a pagar e a receber, gerenciamento de ativos, compras de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring), tenha sócio domiciliado no exterior, que do capital participe entidade da administração pública, direta ou indireta, federal, estadual ou municipal; que possua débito com o INSS ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, em que a exigibilidade não

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esteja suspensa; que preste serviço de transporte intermunicipal e interestadual de passageiros, exceto quando na modalidade fluvial ou quando possuir características de transporte urbano ou metropolitano ou realizar-se sob fretamento contínuo em área metropolitana para o transporte de estudantes ou trabalhadores, seja geradora, transmissora, distribuidora ou comercializadora de energia elétrica, que exerça atividade de importação ou fabricação de automóveis e motocicletas, atividade de importação de combustíveis, atividade de produção ou venda no atacado de: cigarros, cigarrilhas, charutos, filtros para cigarros, armas de fogo, munições e pólvoras, explosivos e detonantes; e de bebidas alcoólicas, refrigerantes, inclusive águas saborizadas gaseificadas, preparações compostas não alcoólicas (extratos concentrados ou sabores concentrados), para elaboração de bebida refrigerante, com capacidade de diluição de até 10 (dez) partes da bebida para cada parte do concentrado, cervejas sem álcool, e que realize cessão ou locação de mão-de-obra, que se dedique ao loteamento e à incorporação de imóveis, que realize atividade de locação de imóveis próprios, exceto quando se referir a prestação de serviços tributados pelo ISS e com ausência de inscrição ou com irregularidade em cadastro fiscal federal, municipal ou estadual, quando exigível.

Conforme o art.13 da Lei Complementar nº 123/06, o Simples Nacional implica o recolhimento mensal, mediante documento único de arrecadação, dos seguintes impostos e contribuições:

I - Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica - IRPJ; II - Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI; III - Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL;

IV - Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS; V - Contribuição para o PIS/Pasep;

VI - Contribuição Patronal Previdenciária - CPP para a Seguridade Social; VII - Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e Sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação - ICMS;

VIII - Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza – ISS (BRASIL, 2006).

Ainda, as empresas do simples sempre pagarão o Simples nacional ou Supersimples mensalmente, com aplicação, mensal de alíquotas sobre o faturamento mensal; e para encontrar a alíquota, deve-se apurar a soma do faturamento acumulado dos últimos 12 meses, porém, o faturamento acumulado é sempre dos últimos 12 meses anteriores, ou seja, nele não se inclui ou não se computa o próprio mês ou mês

atual, no qual será efetuado o cálculo, assim, é considerado até o mês anterior. Somente, no 1º mês, considera-se o próprio mês, após, considera-se que a empresa já tenha os 12 meses, conforme Veiga (2013).

Segundo Lei complementar n°147/14 artigo 18 e § 2, o valor devido mensalmente pela microempresa ou empresa de pequeno porte, optante pelo Simples Nacional, será determinado mediante aplicação das alíquotas constantes das tabelas dos Anexos I a VI desta Lei, sobre a base de cálculo, e ainda, em caso de início de atividade, os valores de receita bruta acumulada que constam nas tabelas dos Anexos I a VI, devem ser proporcionais ao número de meses de atividade no período (BRASIL, 2014).

Portanto, o Simples Nacional ou Supersimples é formado por seis tabelas que integram os anexos da Lei Complementar nº123/06, sendo que cada tabela possui alíquotas que variam para cada ramo de atividades e faturamento, a tabela I é para atividade de Comércio, a tabela II é para Indústria, e as tabelas III, IV, V e VI são para atividades de Serviços. Assim, no caso que estamos estudando, a empresa prestadora de serviços Zortea Consultoria Agronômica Ltda – ME, não estava enquadrado no simples por causa da atividade, e que a partir de 2015, pode aderir ao Simples pela tabela VI.

Portanto, na presente pesquisa não será realizado a sistemática de cálculo pela opção do simples, pois, no período em que foram feitas as análises para o presente estudo, existia vedação para a opção dessa atividade ao referido regime de tributação. Somente a partir do ano de 2015 que foi permitida a opção pelo Simples nacional.

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